Something Wrong

Estávamos sentados com Patrick a nossa frente com um copo de Uísque em sua mão. Conforme ele balançava o copo, o som do gelo tilintava ao bater contra a estrutura sólida do vidro.

Ele conversava sobre tudo, menos o motivo ao qual realmente estava ali.

- Vai logo ao ponto, Rhodes, não somos amigos e sei que não veio aqui apenas para beber Uísque. - Olhei para ele com indiferença. Ele me olhou por um tempo e sorriu, virando o Uísque goela a baixo e batendo o copo em cima da mesa.

- Tem razão, Bieber, não vim aqui só para isso. - Ele pigarreou e endireitou seu paletó. Ele não havia mudado muito desde a última vez em que nos vimos. Seus cabelos continuam levemente grisalhos, as expressos do rosto estavam um pouco mais velhas do que antes, mas não tanto, e sua forma física continuava a mesma. Não havia mudado muito. Há cinco anos Patrick havia me ajudado a subir na máfia, e eu lhe dei dinheiro em troca por isso. Muito dinheiro. Mas cinco anos depois encontro Patrick de novo em minha frente, eu deveria saber que quando se tem uma dívida com Patrick Rhodes, ela nunca pode ser paga. - As eleições estão perto, como deve saber. - Assenti já impaciente. - E eu preciso vencer.

- E não é para isso que servem as eleições? As votações e tudo mais? Para ter um vencedor. - Ironizei. Ele abriu um sorriso tranquilo como se estivesse gostado da piadinha, mas sabia que estava puto por dentro.

- Mas o problema é vencer, tenho um forte concorrente e preciso de sua ajuda, já que fui de muita eficiência para você no passado. Tudo isso que tem hoje em dia - Levantou seu dedo apontando para o escritório ao redor. - Foi com minha ajuda. - Era o que eu esperava que ele dissesse. E era o que eu queria ouvir dele.

Sorri e apoiei meus braços em cima da mesa, o encarando fixamente.

- O que devo fazer? - Rhodes abriu um sorriso vencedor. Notei os caras ao redor se entreolharem com o cenho franzido, com certeza se perguntando por que eu deixei Rhodes vencer tão fácil.

- Simples, vai ter uma festa nesse fim de semana onde teremos uma chance de convencer ao público o porquê devem nos escolher para Governador, perder essa festa seria a mesma coisa que mostrar ao país que não se importa com os cidadãos.

- Então seria triste se o seu concorrente não chegasse a tempo. - Completei pensando junto com seu raciocínio. Patrick sorriu satisfeito.

- Por isso é meu preferido. Inteligente e estratégico. - Sorri de volta.

- Nem imagina o quanto.

POV. Kelsey

Caitlin olhava os sapatos na vitrine enquanto eu paquerava uma torta de chocolate em uma confeitaria de bolos bem a minha frente.

- Vamos comer torta? - Sugeri, Caitlin apenas assentiu com a cabeça e continuou a olhar os sapatos.

- Preciso primeiro comprar um sapato.

- Mas já compramos uns quatro.

- Preciso de cinco então. - Bufei. Eu amava comprar roupas e sapatos, mas odiava fazer isso quando estava com fome e com uma torta de chocolate maravilhosa me encarando.

- Vou ali pedir uma torta, me encontra lá assim que terminar, ok? - Ela novamente apenas assentiu com a cabeça enquanto olhava os sapatos. Peguei minhas sacolas e fui para a confeitaria. - Boa tarde, um pedaço dessa torta de chocolate, por favor? - A atendente assentiu e abriu um sorriso amigável, providenciando imediatamente o meu pedido. Procurei uma mesa e me sentei espalhando as sacolas. Estava com tanta fome que com certeza iria devorar mais de um pedaço.

Quando a torta chegou rapidamente comecei a me deliciar com toda aquela massa e recheio quando alguém se sentou ao meu lado. Congelei com o garfo na boca, olhando paralisada para Bruce. Ele era melhor amigo de Mikael, eu sabia disso.

Tirei o garfo da boca e mastiguei rapidamente o pedaço da torta enquanto encarava seus olhos escuros.

- Cuidado para não engordar, você sabe, homens como o Bieber gostam de mulheres esbeltas.

- Não preciso me preocupar com isso. - Respondi ríspida. - O que quer?

- Nada muito importante, vi você aqui sozinha e passei para dizer um "oi". - Sorriu de uma forma que senti os pelos dos meus braços se arrepiarem.

- Não estou sozinha, e acho melhor se retirar.

- Não está sozinha? - Ele olhou ao redor.

- Não, minha amiga esta na loja da frente, e realmente acho melhor se retirar.

- Não precisa ficar apreensiva, realmente só vim dar um "oi" e deixar um aviso de Mikael. - É claro que sim, eu sabia que ele tinha alguma coisa a dizer. - Fala para ele que mesmo quando estiver dormindo, é para manter os olhos bem abertos. - Então se levantou e passou o dedo em cima da cobertura da minha torta, levando seu dedo a boca e se retirando. Nojento.

Toda aquela fome havia ido embora em segundos, o que ele quis dizer com aquilo?

Quando Caitlin voltou eu estava atordoada e com minha torta intacta.

Uma semana depois

POV. Justin

Estacionei meu carro onde havia sido o combinado e fiquei aguardando. Ouvi pela escuta em meu ouvido os outros afirmarem que já estavam em suas posições. Nos dividimos em posições diferentes e ficamos apenas aguardando as ordens de Christian.

Hoje seria a festa onde os concorrentes para o cargo de Governador deveriam estar presentes, mas um deles não iria estar.

- Não sei por que Bieber aceitou isso tão rápido. - Murmurou Nolan.

- Para de reclamar e se concentra. - Respondi.

- Concentrar em que? Não estamos fazendo nada.

- Christian logo deve dar as coordenadas.

- Ok, mas até lá podíamos conversar.

- Nolan. - Fechei os olhos e respirei fundo. - Só cala a boca.

- Mas eu gosto de falar.

- Então guarda pra você. - Pude escutar Ryan e Chaz rindo, mas parece que funcionou, Nolan ficou quieto e eu só ouvia a respiração deles.

- Galera - Começou Nolan. - Eu preciso mijar.

- Porra. - Murmurei irritado.

- Eu ainda disse para ele ir ao banheiro antes de sairmos da mansão. - Disse Ryan.

- Mas eu não estava com vontade, porque iria? - Rebateu Nolan.

- Era só ter posto a porra do pinto para fora e ter tentado mijar. - Esbravejei irritado.

- Tudo bem, desculpem, mas eu realmente preciso mijar.

- Se sair do carro e alguém ver? Fora que Christian pode responder a qualquer momento, tenta mijar no carro, não temos tempo.

- Não vou mijar no chão do meu carro.

- Dá o seu jeito então. - Respondeu Chaz.

- Caralho... - Nolan resmungou e escutei barulho de coisas sendo reviradas. - Não tem nada aqui porra, nem uma garrafa nem nada, como vou mijar?

- Dá o seu jeito. - Eu, Ryan e Chaz gritamos ao mesmo tempo. Nolan bufou e continuou a procurar, depois de um tempo escutei um barulho de zíper que possivelmente era de sua calça.

- Conseguiu encontrar algo? - Chaz perguntou.

- Espera ai porque estou sentindo a melhor sensação do mundo. - Nolan já estava mijando. Dei risada dos suspiros de alívio que ele dava, então escutamos o zíper da sua calça de novo.

- Terminou? Está melhor? - Perguntei.

- Muito melhor.

- Conseguiu uma garrafa? - Ryan perguntou.

- Não exatamente.

- Então onde... - Fui interrompido com a voz de Christian na escuta.

- Agora galera, podem ir. - Assentimos e liguei o carro, saindo da rua onde eu estava e indo para a principal. Pude ouvir que Ryan, Nolan e Chaz estavam fazendo a mesma coisa, todos estávamos indo para a pista principal.

Virei à esquerda e seguir direto. Ao longe eu já podia ver a pista movimentada, e quanto mais eu me aproximava, mais eu conseguia avistar o carro de Chaz do outro lado. Ele piscou seus faróis para mim e eu retribuí. Quando entramos na pista principal, um carro grande e preto da marca Range Rover ficou no meio de mim e Chaz. Logo à frente o carro de Nolan apareceu, ficando em frente a Range Rover. Olhei pelo retrovisor e o carro de Ryan apareceu pela esquerda, ficando atrás da Range.

Ele estava cercado.

- Agora é com vocês. - Disse Christian na escuta e eu sorri.

- Não irei decepcioná-lo. - Continuamos a seguir o trajeto com o carro até nos aproximarmos da próxima rua, assim que nos aproximamos, eu e Chaz colamos nossos carros na Range e o fizemos nos seguir por aquele caminho. Se ele tentasse reagir seguindo por outra direção, Nolan iria virar seu carro barrando a passagem.

Pelos movimentos dos carros pude perceber que ele já havia percebido o que estava acontecendo e provavelmente estava achando que iria ser assaltado ou algo assim, mas mal ele sabia o que iria acontecer a ele em poucos minutos.

Cada vez mais nos distanciávamos das estradas movimentadas, com o ambiente de prédios se tornando em um ambiente rural.

Nolan parou seu carro no meio da pista deserta de terra avisando que até ali estava de ótimo. A Ranger foi diminuindo a velocidade e eu e Chaz também. Ryan foi o último a desacelerar, já que estava atrás de todos nós.

Ninguém saiu da Range, como eu suspeitava que aconteceria, então descemos dos nossos carros com nossas asmas apontadas em sua direção.

- Saia do carro, agora! - Ordenei e a janela atrás foi aberta.

- Porra, Bieber, que susto, sou eu. - Patrick Rhodes disse me fitando pela janela. - Deve ter se confundido, seguiu o carro errado.

- Não, Rhodes. - Abri um sorriso sacana. - Segui exatamente o carro certo.

- Não entendo. - Ele me encarou confuso, depois olhou para Nolan, Ryan e Chaz, que estavam tão confusos quanto ele, mas permaneceram com suas armas apontadas para Rhodes.

- Também não entendi, não foi esse o combinado. - Disse Chaz.

- Não foi, mas eu mudei de ideia a respeito do combinado. Eu fiquei pensando, uma dívida nunca é paga com Patrick Rhodes, então porque não mudar as regras? - Arqueei uma sobrancelha em sua direção, e eu podia jurar que naquele momento ele estava se mijando todo.

- Por favor, Bieber, não faça isso, tudo bem, deixe isso para lá, eu esqueço tudo isso e você nunca mais me verá.

- Igual da última vez? - Ri levemente. - Acho que não vai rolar. Saia do carro. - Ordenei.

- É sério, Bieber, podemos...

- Não me faça repetir de novo. Sai agora porra. - Gritei. Ele de um pulo de susto e me encarou, depois de um tempo finalmente saiu do carro. - Mãos na cabeça. - Ele obedeceu e caminhou lentamente em minha direção, mas mantendo distância. Haviam quatro armas apontadas para sua cabeça, não seria nada legal tentar reagir.

- É sério, Bieber, não sabia que havia ficado irritado, poderia ter me falado...

- Cala a porra da boca. - Preparei minha arma e mirei em sua cabeça. - Deveria saber que eu odeio cobranças, ainda mais com algo que eu já havia pagado.

- Tudo bem, eu esqueço tudo isso.

- Mas você realmente vai, mas não aqui. - Antes de apertar o gatinho escutei um "não" saindo de sua boca, então ele caiu de cara no chão.

- Então seu plano era matar Rhodes o tempo todo? - Perguntou Nolan.

- Se eu o ajudasse depois ele iria pedir mais favores, estou de saco cheio de Rhodes.

- Coitada da Kells quando você ficar de saco cheio dela. - Brincou Ryan.

- Ai que você se engana, não irei ficar de saco cheio dela. - Caminhei em direção do meu carro. Quando abri minha boca para falar antes de entrar no carro, Ryan, Chaz e Nolan falaram ao mesmo tempo.

- Livrem-se do corpo, já sabemos. - Falaram em uníssono. Sorri, mas antes de entrar em meu carro, olhei para Nolan. - E você mijou aonde? - Nolan sorriu e foi em direção ao seu carro. Eu o segui e Ryan, Chaz nos acompanharam. Assim que ele abriu a porta do mesmo, aquele cheiro forte de urina entranhou em meus nariz.

- Aqui. - Nolan apontou para o porta copos que ficava na porta do carro.

- Que nojo. - Esbravejei me afastando e rindo ao mesmo tempo. Chaz e Ryan caíram na gargalhada enquanto ao mesmo tempo faziam expressão de nojo. Isso era nojento até mesmo para mim.

- Dá próxima vez me deixe mijar em paz. - Gritou para eu ouvir enquanto eu me afastava e entrava no meu carro. Continuei rindo enquanto ligava o mesmo e dava ré, manobrando o carro e seguindo de volta para a cidade.

Quando cheguei à mansão tudo que eu queria era encontrar Kelsey, havia ficado o dia inteiro longe dela. Já conseguia imaginá-la em nossa cama apenas de calcinha e sutiã, pronta para me receber, mas fui barrado por Christian no início da escada.

- Espera, espera. - Ele se aproximou, sua expressão estava estranha.

- O que houve? Aconteceu algo com Kelsey?

- Não, não, ela está bem, está lá em cima com Caitlin.

- Então o que houve? - Ele engoliu em seco e ficou me encarando com olhos apavorados. Que porra estava acontecendo? - O que aconteceu Christian, fala logo porra. - Ele estava respirando pesadamente e mais branco que o normal, então olhou para suas mãos onde haviam um grande envelope amarelo. - O que é isso?

- Encontrei uma coisa sobre o passado da Kelsey.

POV. Kelsey

Eu e Caitlin estávamos rindo vendo alguns vídeos de gatos na internet quando Christian bateu três vezes na porta do quarto e adentrou. Olhamos para ele ao mesmo tempo e seu semblante estava igual a uma pessoa que havia acabado de ver um fantasma.

Justin havia ido resolver negócios. Ai meu Deus. Dei um pulo da cama e fui em sua direção.

- O que aconteceu? Justin está bem?

- Sim, ele está bem. - Ele me encarava paralisado como se estivesse prestes a vomitar.

- Então o que aconteceu?

- Justin está lhe aguardando no escritório. - Olhei para Caitlin e ela também estava tão confusa quanto eu. Passei por Christian e desci correndo as escadas, indo para o escritório.

Abri a porta sem bater, estava ansiosa demais para perder tempo com isso. Justin estava sentado em sua poltrona, como sempre, mas estava debruçado em cima de um papel que estava apoiado em cima da mesa, ele parecia estar lendo e concentrado em algo.

- Me chamou? - Assim que ouviu minha voz ele fechou os olhos com força, como se ouvir o som da minha voz o machucasse. O que estava acontecendo? - Está tudo bem, Justin? - Me aproximei cautelosamente em sua direção.

- Christian encontrou uma informação sobre o seu passado. - Disse friamente. Eu não tinha mais nada para esconder sobre o meu passado, sobre o que eu era antigamente, então não estava entendendo onde ele queria chegar.

- E o que tem de mais? - Pela primeira vez desde que entrei no escritório, ele levantou seu olhar para encarar os meus, quando nossos olhos se encontraram, seus olhos estavam vermelhos e haviam tanta dor que meu coração desmoronou. - Justin, o que foi que você descobriu? - Me aproximei da mesa preocupada e tentei encarar seus olhos de novo em busca de alguma resposta, mas ele já havia os desviado de mim. Ele não suportava me olhar nem mesmo ouvir a minha voz. Meus Deus, o que foi que eu fiz no passado que poderia estar lhe afetando tanto agora?

Então ele virou o papel que estava lendo em minha direção, então o conduziu para mim. Peguei o papel sobre a mesa e comecei a ler rapidamente as informações que estavam ali. Eu lia tão rápido que só conseguia memorizar as coisas importantes.

"Hospital St. Joseph's", "Kelsey Blake Jenner", "Sexo: Feminino.", "Cor: Branca" "Peso: 3,8 kg", "Pai: Não identificado" "Mãe:..."

E então li o nome completo que fez meu coração acelerar. Aqueles eram os meus dados, todos os meus dados. Justin estava com uma ficha sobre meus dados logo após o meu nascimento, e havia um nome completo de uma mulher.

- Ai meu Deus, então essa mulher... - Justin levantou sua cabeça e seus olhos estavam marejados. Parei de falar no mesmo instante. Algo estava errado.

- Patrícia Elizabeth Lynn Mallette. Minha mãe, e sua mãe. Eu sinto muito.

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