Retake


Adentrei no apartamento alugado batendo a porta com força, provavelmente todos os vizinhos mais próximos se assustaram com o estrondo, mas eu estava pouco me fodendo.


"Eu só queria dizer que eu quero que você se foda", que porra ela achava que era para falar assim comigo?


Quando saí de seu apartamento eu me senti devastado, arruinado, ferido, todos os piores sentimentos do mundo, confesso que tive vontade de chorar enquanto dirigia, mas logo essa vontade passou e se transformou em ódio.


Ódio dela por ter feito eu me humilhar a troco de nada.


Peguei meu iPhone no bolso da calça e caminhei em direção ao bar enquanto discava o número de Ryan. Peguei uma garrafa de vodca e dei um gole direto no gargalo, foi quando ouvi a voz de Ryan do outro lado.


— Fala ai, irmão, como foi?


— Você é o pior conselheiro do mundo, então estou ligando para mandar você ir se foder.


Pude ouvir sua risada, o que me fez ficar mais puto.


— O que foi que eu fiz agora?


— Você me disse para vir atrás dela e me humilhar e o que adiantou? Nada! — gritei as palavras e dei outro gole na vodca.


— Calma ai, fala devagar e me explica o que aconteceu.


— Eu falei tudo que sentia e ainda decorei aquela porra de texto que Christian fez, e tudo que ela fez foi discutir e mandar eu ir me foder.


Ele gargalhou de novo, e eu estava ficando mais puto ainda com isso.


— Por isso eu me amarro na Kelsey, ela é das minhas.


— Porra, você está a favor de quem? Isso tudo é culpa sua.


— Isso tudo é culpa sua, apenas sua. Você que fez ela assinar o divórcio e ir embora, olha o perrengue que a garota passou, descobriu que o seu pai era um filho da puta e ainda foi chutada pelo marido, ela está coberta de razão de ter agido assim.


— E porque me mandou aqui então, caralho? — rosnei, irritado.


— Eu não mandei, você foi porque quis. Em nenhum momento eu disse que seria fácil, ela está muito magoada, se quer mesmo o perdão dela, você vai precisar fazer mais do que decorar os textos de Christian pra isso. 

Bufei e me joguei no sofá, olhando pro teto.


— Vou ver o que vou fazer. — e desliguei, jogando o celular de lado.

Mulher já era um bicho complicado, Kelsey Jenner então... nem se fala.


POV. Kelsey


Fiquei sentada no chão, com meus braços abraçando minhas pernas contra o peito, com minha cabeça apoiada na parede enquanto eu olhava o teto, com algumas lágrimas escorrendo pelo meu rosto e sentindo meu coração se despedaçar em migalhas.


Estava exatamente no último lugar onde Justin esteve, onde ele me prensou contra parede e me beijou. Antes de eu falar todas aquelas coisas horríveis. Antes de ele me olhar com seus olhos magoados e ir embora.


Antes de tudo realmente chegar ao fim.


Como poderia existir de novo um "nós dois" quando tudo ao redor estava desmoronando?


Eu estava magoada, ferida demais para isso.


Escutei a porta se abrindo, com o perfume de Jenna invadindo o ambiente.


— Kelsey? Ai está você. — ela me olhou rápido ao entrar em casa e começou a tagarelar. — Até que a senhora Meredith mantém tudo organizado, mas os gatinhos? Nossa, um apronta mais que o outro. — ela começou a rir. — O mais novo então nem se fala, ele fez... — ela parou de falar ao notar pela primeira vez como eu realmente estava. — Meu Deus Kelsey, o que houve? — ele se agachou em minha frente, passando sua mão nos meus cabelos, fazendo um leve cafuné. — Alguém entrou aqui? Alguém atacou você? O que aconteceu? Me fale. — pude ver o desespero em seus olhos.


— Justin esteve aqui. — ela ficou paralisada e então se afastou um pouco. Ela ficou me fitando por um tempo, até soltar um suspiro e se sentar ao meu lado.

— Ele queria voltar, não era? — balancei a cabeça, assentindo. — Isso é típico deles, machucam e depois voltam pedindo perdão como se nada tivesse acontecido. — virei minha cabeça — que ainda estava apoiada na parede — para encará-la, vendo uma expressão de tristeza em seu rosto.


Jenna já havia se apaixonado antes?


— Você passou por algo assim também? — a pergunta fez ela me olhar espantada, mas depois suspirou e assentiu.


— Todo mundo passa por isso um dia, você não é a única. — tentou me confortar.


— Me conta a sua história, então? — ela ficou em silêncio e olhando para o chão até finalmente me encarar.


— Conheci um cara uma vez, há muito tempo, éramos muito jovens e irresponsáveis. — ela deu uma risadinha ao se lembrar. — Mas todos os seus objetivos do futuro não incluíam a mim. — ela deu de ombros. — Ele foi em busca do que sempre quis, e eu iria atrapalhar tudo, palavras dele. — deu de ombros de novo, como se não se importasse, mas eu podia ver o sofrimento em seus olhos.


— Sinto muito, Jenna. — ela riu levemente, tentando aliviar o clima.


— Todos passam por desilusões na vida, você precisa passar por isso para descobrir quem você vai ser no futuro.  

Sorri para Jenna e apoiei minha cabeça em seu ombro. Ela deitou sua cabeça na minha e ficamos assim por um tempo.


— Quer me dizer o que houve entre você e Justin? — ela interrompeu o silêncio. Levantei minha cabeça e suspirei. — Vou entender se quiser guardar só para você. — disse rapidamente, ao notar a minha expressão.


— Não, tudo bem, vai me fazer bem desabafar. — ela não disse nada, apenas ficou me olhando e esperando que eu prosseguisse. — Ele chegou aqui e começou a falar um monte de coisas que sei que é mentira.


— O que ele disse?


Hesitei em falar, mas eu precisava desabafar.


— Ele disse que me amava. — meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração se apertou.


— E você acha que ele está mentindo?


— Antes, quando ele dizia apenas que gostava de mim, ele fez tudo isso acontecer, imagina o que ele pode fazer dizendo que me ama? — olhei pra ela com uma lágrima escorrendo pela minha bochecha. Jenna a enxugou e acariciou meu rosto.


— Eu acho que ambos são inexperientes nesse lance de amor, ele também não sabia o que fazer.


— Está o defendendo? — perguntei, incrédula.


— Claro que não. — balançou a cabeça em descontentamento. — Só estou falando o que é verdade. Justin não conhecia o que era amar alguém, ele ficou sem saber como agir, não justifica o que fez, mas ele só ficou sem rumo.


— Então acha que devo o perdoar?


— Não disse isso, não tem como saber se ele vai saber te amar daqui pra frente, o mundo de Justin é muito grande e intenso demais.


— O que quer dizer com isso? — ela me encarou e então desviou o olhar. — Fala Jenna, o que quer dizer com isso?


— Eu quero dizer que se insistir nisso, você vai se magoar duas vezes pior. — ela disse rápido, me encarando. — Sei que ele só não sabia o que fazer, e realmente acho que possa estar arrependido, mas isso não justifica que você deve voltar para ele, você vai viver em uma montanha russa sem fim. — ficamos sustentando o olhar por um tempo, então ela se aproximou e beijou minha testa, se afastando e se levantando do chão, me encarando logo depois. — Pense bem em suas decisões, muitas delas não tem como voltar atrás. — então se virou e foi em direção ao seu quarto.


E lá estava eu sozinha de novo na sala, ainda sem saber qual rumo seguir e com uma bomba prestes a explodir em minhas mãos.


Confesso que as palavras de Jenna me atormentaram. Mesmo se ele realmente estiver arrependido, seria isso mesmo que eu iria querer pra minha vida? Uma montanha russa sem fim? 


Meu celular começou a tocar, me fazendo sair dos meus devaneios, me levantando do chão às pressas e começando uma caçada em minha bolsa atrás do celular.


"Abby" estava escrito em meu visor.


— Olá, Abby, nos vemos não tem muito tempo, não sei se está lembrada...


— Para de falar sua chata. — eu ri. — Estou ligando porque quero saber com que roupa vai.


— Roupa? — cruzei o cenho, de que diabos ela estava falando? Marcamos algo pra noite e eu não me lembrava?


— O jantar com o bonitão, lembra? — coloquei minha mão na testa. Puta que pariu, havia me esquecido.


— Jered, meu Deus, me esqueci completamente. — me sentei no braço do sofá. — Acho que vou desmarcar.


— O que? — ela gritou do outro lado. — Óbvio que não, porque faria uma coisa dessas?


— Não estou mais no clima.


— E porque mudou de ideia tão rápido, posso saber?


Eu não sabia o que dizer, Abby não podia saber de tudo, assim como seria injusto não contar a verdade.


Eu teria que omitir.


— Meu ex veio atrás de mim.


— Como assim? — sua voz era de espanto. — O que esse canalha foi fazer aí? — agora sua voz era de raiva.


— O que você acha? Voltar, queria perdão. — não estava vendo Abby, mas eu sabia que ela estava revirando seus olhos nesse momento.


— Manda ele se foder, esse cara é inacreditável.


— E eu realmente mandei. — ri ao me recordar da sua cara de espanto. — Não deixei ele ganhar essa.


— É assim que se faz, e por isso mesmo você deveria ir nesse jantar com o gostosão, nada de ficar em casa deprimida em pleno sábado à noite por causa de ex babaca, qual é, Kelsey.


Abby estava certa. Se eu ficasse em casa iria ficar pensando em tudo que aconteceu e não faria bem a mim, fora que lutei muito nesses últimos três meses para finalmente parar de pensar em Justin, não iria ficar em casa pensando em mais Justin.


Eu iria ao encontro com Jered.


Coloquei um vestido curto preto colado no corpo com um decote nos seios, com os cabelos soltos e ousados, com um batom vermelho sangue e um scarpin da mesma cor. Essa noite eu teria que causar.


Avisei a Jenna que jantaria fora e peguei minha bolsa, indo para o meu Audi. Adentrei no mesmo e segui em direção ao Beverly Wilshire Hotel, onde ficava localizado o restaurante Cut, onde combinamos.


Assim que cheguei pude vê-lo já em pé, em frente à entrada do hotel, me aguardando. Sorri e estacionei o Audi em frente ao hotel, saindo de dentro do mesmo com o chofer se aproximando e pegando as chaves, para estacionar meu carro no estacionamento do hotel. Pude ver o olhar de espanto e de curiosidade de Jered ao ver que eu estava dirigindo um Audi.


Ele sabia mais do que ninguém que eu não tinha condições financeiras para aquele carro.


Me aproximei, com ele mudando seu espanto por um sorriso charmoso.


— Está muito elegante essa noite, Kelsey. — ele segurou minha mão e a beijou, me fazendo rir.


— Acho que nunca vou me acostumar com esse "novo" Jered. — ele riu.


— Espero que sim, ele é muito melhor.


— Eu também acho. — nós dois sorrimos e logo ele me conduziu para dentro do hotel. Eu já havia estado ali umas duas ou três vezes, uma das vantagens de ser amiga de Scarllet é que você sempre fica hospedada nos melhores hotéis.


— Mesa para dois em nome de Jered Grey. — Jered disse e o garçom olhou a ficha, sorrindo para nós dois logo depois.


— Me acompanhem, por favor. — o acompanhamos até uma mesa perto da janela, com uma vista privilegiada. Todo o ambiente era de mármore com decoração em ouro, cortinas grandes e elegantes, lustres de cristais, pessoas bem vestidas e refinadas. Todo o ambiente era de luxo.


— Permita-me. — Jered disse afastando minha cadeira para que eu pudesse me sentar, empurrando-a de volta assim que eu já estava sentada.


— Muito cavalheiro da sua parte. — ele sorriu e se sentou em minha frente, pegando o cardápio. Fiz a mesma coisa e passei meus olhos pelo menu.


— Estou contente por ter aceitado, consegui "consertar" muitas coisas em minha vida, mas meus pensamentos sempre voltavam a você. — desviei meu olhar do cardápio e olhei para ele. — Não sabia onde estava ou como te encontrar, e eu sentia que tinha uma dívida enorme com você.


— Isso é passado, Jered, se mudou mesmo isso já é um grande passo.


— Mas eu realmente queria te reencontrar e pedir desculpas por tudo, eu devia isso a você.


Sorri pra ele e fechei o cardápio.


— Acho que vou preferir a recomendação do chefe. — ele sorriu pra mim e fechou seu cardápio também, me olhando com divertimento.


— Eu também.


Eu e Jered, quando saíamos juntos quando namorávamos, sempre pedíamos recomendação do chefe, mesmo quando íamos em pizzarias, onde normalmente não tem recomendações, nós sempre pedíamos e fazíamos todos ficarem malucos.


Era divertido e sempre dávamos boas risadas.


Depois de pedirmos recomendação do chefe, o garçom se afastou, nos deixando novamente "sozinhos".


— Me fale como foi o seu último ano, eu sei que estava no Canadá, pela nossa última conversa. — ele se remexeu desconfortável, com certeza não tendo boas lembranças da nossa última conversa.


Eu não podia dizer toda verdade, como também não daria para mentir sobre tudo, ele sabia que eu não estava mais em LA, mas também não podia saber que eu me casei por contrato com um mafioso, descobri que meu pai era um filho da puta que forjou a morte da minha mãe, que por sinal não era minha mãe de verdade.


Nossa. Pensando assim sobre meu último ano, minha vida foi mais complicada do que realmente parecia.


Suspirei e engoli em seco, pensando em qual seria a melhor forma de começar.


— Bom... Minha mãe morreu na noite de ano novo...


— Isso eu me lembro, meus Deus, Kelsey, eu me sinto péssimo, eu não te ajudei, eu... Meu Deus, eu fui tão estúpido, talvez se eu tivesse lhe ajudado sua mãe poderia ter tido ajuda mais rapidamente e estaria viva...


— Fica tranquilo, ela já estava morta, não tinha mais nada o que fazer. E sim, você foi um estúpido, idiota, babaca, mesquinho, egoísta... — naquele momento eu fui jogando pra fora toda a raiva que havia sentido de Jered naquele dia. —... Um filho da puta que só pensou em si mesmo. — falei tudo tão rápido, e com tanta raiva, que quando eu terminei estava ofegante e com meu rosto queimando. Nem eu sabia que guardava tanto rancor assim dele como naquele momento.


— Fico feliz por ter extravasado tudo que sentiu de mim, e você está completamente correta.


— Óbvio que eu estou. — peguei a taça com água e beberiquei um pouco, precisava me acalmar.


— Espero que me perdoe por isso também. — ele me encarava nos olhos, e eu via que ele estava sendo sincero.


— Eu posso perdoá-lo, Jered, porque não é bom guardar ressentimentos, mas eu não tenho amnésia, é uma coisa que nunca esquecerei.


— Eu sei, e eu sinto muito por não ter como voltar atrás e mudar isso. — assenti e dei um meio sorriso, olhando para a taça com água enquanto eu observava as bolhas de água escorrendo. — E o que mais aconteceu? — perguntou, tentando livrar o clima ruim que havia se formado.


— Tive que me mudar pro Canadá e morar com meu pai.


— Mas você o detestava. — cruzou o cenho.


— Exatamente.


— Não teve escolha, não é? — assenti. — E como foi lá, com seu pai?


Esse papo estava me incomodando, de verdade. Sei que ele queria saber como eu estive no último ano, mas não foi um dos meus melhores, e tudo girou ao redor do Justin, como dizer sobre meu último ano sem envolvê-lo?


Eu precisava tirar o foco de mim o mais rápido possível.


— Normal. — dei de ombros. — Ele respeitava meu espaço, eu o dele, cada um na sua e assim fomos levando, até eu finalmente estar livre.


— Quando fez dezoito decidiu voltar?


— Sim, prefiro ficar aqui, querendo ou não esse é o meu lar de verdade.


O garçom se aproximou com a recomendação do chefe, para o meu alívio, estava odiando aquele papo. Uma deliciosa carne suculenta foi colocada em nossa mesa, era de dar água na boca.


Eu e Jered não falamos mais nada até terminarmos de comer, era tudo maravilhoso de mais para desperdiçar tempo conversando quando podíamos estar degustando a comida.


— Agora é sua vez. — falei quando terminamos de comer, o garçom retirou os nossos pratos, em breve traria as sobremesas.


— Entrei para a faculdade de Medicina. — disse, orgulhoso.


— Fico feliz por estar fazendo o que queria, não o que a sua família impôs. — eu sabia que os pais de Jered queriam que ele fosse um advogado. Todos da família Grey eram advogados, pais, tios, primos, todos, sem exceção de nenhum membro da família, mas Jered nunca foi muito fã das leis.


— Isso causou um grande redemoinho na minha família, fui até expulso de casa.


— olhei chocada e ele sorriu. — Como havia ganhado a bolsa integral, fiquei tranquilo, morei por um tempo na fraternidade até meus pais me aceitarem de volta. Agora estão orgulhosos por ter um médico na família. — ele deu risada.


— Pelo menos tudo se resolveu.


— Com muito custo, mas resolveu. — deu de ombros. — Eu pude ver de perto o que era batalhar pelo o que acreditava, o que era conseguir as coisas com sacrifício, tive até que trabalhar como garçom e de lava-jato nas horas vagas. — arregalei os olhos e dei uma risadinha. Adoraria ver Jered servindo mesas ou lavando carros. — Eu sei, nada a ver comigo. — ele riu.


— Nada mesmo, confesso que adoraria ter visto isso. — ri de novo ao imaginar a cena. Já vi Jered maltratar garçons, agora ter uma imagem dele sendo garçom, isso era uma novidade pra mim.


— O que me mudou mesmo, foi ter feito um trabalho incrível na África, onde tivemos que ajudar na alimentação e peso daquelas pobres crianças. — ele ficou olhando fixamente para um lugar, com certeza se recordando do que vira.


— Era triste e miserável, onde viviam, as condições precárias, as crianças tão magras que você mal podia acreditar. — então ele me olhou com tristeza nos olhos.


— Isso é realmente triste, as condições que eles vivem.


— Muito. Fizemos um trabalho incrível com elas, valendo ponto pro trabalho que estávamos desenvolvendo, foi uma experiência de vida, com certeza. — sorri e segurei sua mão. Ele entrelaçou seus dedos nos meus e então sorriu pra mim.


— Senhor, senhor... — o gerente do local se aproximou de nós dois em desespero. Eu sabia que ele era o gerente porque conhecia o Cut, e ele não havia mudado nada.  — Seu carro está sendo detonado. — Jered olhou pra mim espantado e então se levantou correndo, comigo correndo logo atrás dele. Quando olhamos para as vagas, avistamos um jovem batendo com tudo no carro de Jered com um taco de basebol.


— Hey, seu imbecil. — Jered gritou correndo em sua direção. O garoto, até então de capuz preto cobrindo o rosto, saiu correndo. Jered parou em frente ao seu carro, sem perder seu tempo para ir atrás do cara. Quando percebi que tudo estava fora de perigo, fui em sua direção. — Não, Kelsey, volte, pode ser perigoso.


— Está tudo bem, ele já foi.


— Olha o que esse imbecil fez. — ele dizia olhando para o carro todo amaçado e com os vidros quebrados. Então algo me chamou atenção. Me aproximei e pude ver um grande arranhado no carro.


Bizzle


Filho da puta. Senti uma raiva dentro de mim e eu não podia acreditar que ele havia feito isso. Ele sabia que só eu o conhecia por esse nome.


— Bizzle. — Jered viu eu olhando para o nome e então disse em voz alta. — Você o conhece? — olhei pra ele assustada, e então o gerente do restaurante se aproximou.


— Sinto muito por isso, o senhor quer que chamemos a polícia?


— Não! — gritei rapidamente. — Quer dizer, ele que decide. — falei cruzando meus braços sem ter coragem de encarar Jered nos olhos. Não podia ter polícia procurando por Justin, como também não queria que se desse mal, não dessa forma.


— Não, está tudo bem, tenho grana o suficiente para comprar outro carro, obrigado.


O gerente sorriu e se afastou, nos deixando a sós.


— Só fiz isso porque sei que conhece esse cara. — olhei pra ele espantada, que me encarava sério. — Seja lá o que ele for, tome cuidado. 


— Obrigada por isso. — me aproximei e beijei sua bochecha, sentindo um alívio dentro de mim. Me virei a sai dali o mais rápido possível, ouvindo apenas o som do tec-tec dos meus saltos e indo em direção ao meu Audi. 

Entrei bem devagar no apartamento, para não acordar Jenna. A primeira coisa que eu iria fazer assim que entrasse no meu quarto seria ligar para Caitlin. Quem foi que deu meu endereço para Justin? Isso tinha cheiro de Caitlin Victoria Beadles, e ela iria me ouvir.


Assim que entrei no meu quarto uma mão tampou minha boca, com meu coração se acelerando e eu tentando me debater ou gritar com todas as forças.


— Cala a boca porra, sou eu. — Justin me virou de frente pra ele, foi quando pude encarar seus olhos e comprovar que era ele. — Agora fique quietinha. — ele se afastou e fechou minha porta, passando a chave logo depois.


— Porque nos trancou? Abre essa porta, JENNA. — ele correu em minha direção e tampou minha boca de novo.


— Caralho, não grita porra. — ele me prensou na parede. — Eu só preciso falar com você, só isso.


O empurrei com força, encarando-o irritada e então olhando suas roupas. Ele estava todo de preto, com um casaco encapuzado, exatamente a alguns minutos atrás.


— Eu sei que foi você, você sabia que só eu o reconheceria como Bizzle, mas sabia que ele se tocou? Ele se tocou que eu o conhecia pela minha expressão, e por saber que eu o conhecia ele não chamou a polícia, pra sua sorte.


 — Nossa, que cavalheiro da parte dele. — Justin ironizou, me fazendo encará-lo incrédula.


— Não seria nada bom ter policiais atrás de você nesse momento, e como entrou na minha casa?


— Eu iria me livrar deles como já fiz com muitos outros. E eu consigo invadir bancos e sair sem ser notado, porque não conseguiria na sua casa? — ele se jogou na minha cama, colocando seus braços em baixo da cabeça e me olhando.


— Saía da minha cama. — rosnei baixinho, com ele abrindo um sorriso sacana.


— Tem certeza que quer isso?

Revirei os olhos e fui em sua direção, o puxando pra fora da minha cama, mas ele segurou firme o meu pulso e me jogou contra a cama, ficando por cima.


— Quero que saia de cima de mim. — falei entre dentes, com minha respiração entrecortada.


— Você já mentiu muito bem, Kelsey. — então ele foi se aproximando, com minha respiração ficando ofegante. Seus lábios estavam rosados e convidativos, e ele estava certo, eu andava péssima com mentiras.


Sentir seus lábios nos meus era tudo que eu mais queria naquele momento. Fechei meus olhos, quando ele se aproximou o suficiente para eu sentir a maciez de seus lábios e o calor do seu hálito... quando três batidas na porta fizeram Justin pular de susto e se afastar. 


— Kelsey? Já chegou? Está tudo bem? Parece que eu ouvi vozes. — Jenna perguntou do outro lado, me fazendo encarar Justin espantada, com o mesmo fazendo "não" com a cabeça.


— É.. estou, estou sim Jenna. — disse gaguejando, com a voz entrecortada. — Deve ter sido a TV, vou abaixar. — ela ficou por um tempo ainda parada do outro lado da porta sem dizer nada, até que prosseguiu.


— Tudo bem, boa noite, e vá logo dormir.


— Ok, Boa noite. — seus passos foram se afastando da porta. Deitei minha cabeça na cama e suspirei aliviada. — Viu só o que fez? — sussurrei irritada e me levantando da mesma, encarando Justin. — Você precisa ir embora, Jenna está em casa e não é uma boa hora.


— Eu realmente preciso falar com você.


— Não antes de me falar o porquê de ter feito aquilo com o carro de Jered, porque iria fazer algo daquilo? Você detonou o carro do cara.


— É sério que me pergunta o motivo? Por você, Kelsey. — disso eu já sabia, mas ouvi-lo falar foi mais assustador. — Eu fiquei a noite inteira na frente do seu apartamento até vê-la sair, te segui e vi que foi jantar com aquele playboyzinho, engraçado que você se esqueceu de tudo o que ele fez, mas se esquecer do que eu fiz isso você não faz, não é?


— É diferente, Justin...


— Diferente por quê? — porque eu te amo, por isso doeu mais, mas não tive coragem de dizer, apenas fiquei o olhando sem responder nada, até que ele prosseguiu. — O que eu tenho que fazer, Kelsey?

Fui em direção a porta e a abri, deixando claro que o nosso papo havia chegado ao fim.


— Eu vou embora se me disser. — insistiu, parando ao meu lado e me olhando, esperando que eu falasse alguma coisa.


— Você quebrou toda a confiança que eu tinha em você.


— Então me diga, o que eu devo fazer?


Fiquei encarando o chão, sem ter coragem de olhá-lo nos olhos, primeiro porque as mágoas eram grandes, segundo porque eu sabia que poderia ter um deslize e me jogar em seus braços.


Mas levantei minha cabeça e encarei seus olhos mesmo assim.


— Você precisa me reconquistar.


Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top

Tags: