Messy


— Eu sei o que está pensando. — Falei enquanto me levantava do chão cambaleando e ia em direção a minha mesa, me apoiando na mesma para não cair antes que eu conseguisse chegar a minha poltrona.

— Eu não disse nada.

— Mas pensou, e sei o que vai dizer. — Olhei para Ryan de relance e me sentei, soltando um longo suspiro.

— Tem razão, eu pensei. — Admitiu adentrando no escritório fechando a porta atrás de si. — Eu vim aqui para justamente falar isso com você.

— Se não percebeu. — Levantei meus braços apontando para mim. — Não é um bom momento.

— É o momento perfeito. Nolan me conta o que você pediu a ele e quando chego aqui encontro você desabando. Eu nunca vi você reagir assim.

— Tudo tem uma primeira vez. — Peguei a garrava de Whisky novamente e quando ameacei beber o conteúdo, Ryan a tirou de minha mão. — Ei, eu ia beber isso.

— Ia, mas não vai. — Ele colocou a garrafa de lado (bem longe de mim) — Você é completamente apaixonado pela Kelsey, não pode simplesmente entrega-la para Nolan.

— Você estava fora nos últimos dias? — Ele arqueou uma sobrancelha para mim enquanto eu o encarava sério.

— O que? Claro que não...

—Porque parece que você perdeu a grande novidade de que supostamente somos irmãos.

— Ai que está, Justin. Tem o "supostamente" nessa história toda, porque não esperem estarem cem por cento certos?

— Porque Castiel voltou e não posso dar esse prazer a ele de tê-la. Você não entende? — Suspirei derrotado, coçando minhas vistas cansadas. — Só a quero afastada dele, Nolan pode ser uma ótima distração, quando os exames ficarem prontos, finalmente podemos decidir o que vai acontecer.

— E se for tarde demais para tê-la de volta? — Quis saber.

Essa me pegou desprevenido, mas no fundo eu sabia a resposta.

— Porque ela sempre foi minha, e isso não vai mudar.

POV. Kelsey

— Não acredito que Nolan decidiu chama-la para sair depois de apenas dois dias que está separada de Justin. — Caitlin balançou a cabeça em descontentamento.

— Qual o problema? Quer dizer, sei que é muito cedo, mas não entendi o que quis dizer.

— É que tipo, sei lá, conheço Nolan há tantos anos, isso não é muito a cara dele, sabe? — Ela me fitou. — Nem parece que isso veio dele. Se fosse Chaz, por exemplo, até poderia ser, mas não é.

— Acho que ele só esperou muito tempo por isso e arranjou um momento errado para se manifestar.

— Quer um momento melhor do que os três meses que esteve separada de Justin morando em LA? Quantas vezes Nolan não viajou comigo para passar dias com você por lá? Não acha estranho ele nunca ter tentado nada?

— Ai, Cait, está ficando tarde e o dia foi longo, não podemos deixar essa coisa de detetive pra depois não? Seja o que for Nolan só se sentiu a vontade agora, talvez porque sabia que eu poderia voltar para Justin, agora com isso tudo, ele sabe que seria impossível.

— É, até que isso faz sentido. — Graças a Deus.

— Ótimo. Agora saia do meu quarto porque quero tomar um banho relaxante e ir dormir. — Levantei-me da minha cama e puxei Caitlin pelo braço, indo em direção à porta.

— Eu sei do caminho. — Reclamou. — Você é uma amiga ingrata.

— E continua me amando. — Abri a porta e sorri. Ela revirou os olhos, mas sorriu.

— Tenha uma péssima noite. — Disse batendo o pé e se retirando do quarto.

Dei risada.

— Uma ótima noite pra você também.

Acordei pela manhã com uma disposição que nem eu sabia se era possível devido aos acontecimentos nos últimos três dias. Parecia ser tão poucos dias, mas sim, se passaram exatos três dias carregados de verdades, mentiras, revelações, mistérios, atormentações, sofrimentos e lágrimas.

E claro, muita, muita dor.

Isso tudo parecia pouca coisa para apenas três dias, e realmente era.

Eu não sabia absolutamente nada o que me aguardava nos próximos dias, principalmente nos dias em que o exame finalmente estivesse pronto.

Tudo que eu mais queria era tirar logo todas as dúvidas, e claro, ler o tão aguardado e esperado "negativo" no papel.

Como dizia Anne Frank: "Onde a esperança, há vida".

E eu acreditava nisso.

Então escutei três batidas na porta.

— Posso entrar? — Reconheci a voz de Jenna.

— Claro, Jenna, entre. — A mesma adentrou com um sorriso gentil, mas estranhamente pude notar seus olhos ansiosos e suas mãos nervosas. — Está tudo bem?

— Sim, está tudo bem. — Ela abriu um sorriso maior para disfarçar, se sentando ao meu lado na cama. — Porque não desceu para tomar café da manhã com os outros?

— Sei lá, não me sinto a vontade para ficar em uma mesa com todos eles encarando eu e Justin de novo.

— Eu entendo. — Ela acariciou meus cabelos e colocou algumas mechas atrás da minha orelha. — Olhe só, eu trouxe isto. — Só então percebi que uma de suas mãos estava fechada o tempo todo, guardando alguma coisa. Quando Jenna a abriu, vi um lindo cordão prata com uma Cruz onde havia uma linda pedra roxa no meio.

— Uau, Jenna, que linda. É para mim?

— Sim, trouxe pra você. — Ela abriu o cordão e sem avisar, se aproximou para colocar em meu pescoço. Fiquei sem graça em lembra-la que eu odiava usar cordão, mas fazia questão de depois comprar uma pulseira separada e colocar o pingente nela.

— É linda, Jenna, muito obrigada. Mas porque o presente? — Olhei para ela enquanto segurava o pingente em minha mão.

— Pertencia ao meu pai, quero que fique com você.

— Ai meu Deus, Jenna, não posso aceitar. — Quando levantei minhas mãos para tentar tirá-lo, ela me impediu.

— Não, eu quero que fique com ele.

— Mas isso é de muita importância para você.

— Eu sei, por isso quero que fique. Olha... — Ela se ajeitou na cama para ficar mais de frente para mim, e então segurou em minhas mãos. — Meu pai foi uma das pessoas mais fortes que já conheci, ele sempre me dizia que a força dele vinha disso. — Ela apontou para o colar, me fazendo acompanhar com o olhar, e então voltei a encarar os seus olhos. — É por isso que quero que fique com ele, para que ele lhe dê forças para enfrentar tudo que vai vir de agora em diante.

— Muito obrigada, Jenna, nem sei o que dizer. — Me inclinei para abraçá-la. — Fico feliz por ter você e seu apoio.

— Minha linda, eu que fico feliz por isso. — Ela me apertava bem contra o seu peito.

Afastei-me dela para olhar em seus olhos.

— Você parecia saber o que vai me acontecer daqui pra frente.

— O que? — Exclamou confusa.

— Você disse "Para que ele lhe dê forças para enfrentar tudo que vai vir de agora em diante", parecia até que você sabia o que exatamente. — Ela enrijeceu, mas tentou disfarçar com um sorriso.

— É que sei do exame, e não sei se vai ser o que você espera. — Ela tinha razão, nem eu sabia se o resultado seria exatamente o que eu esperava.

— Tem razão, mas obrigada mesmo, isso significa muito pra mim.

— Fico feliz por isso. — Ela sorriu e acariciou os meus cabelos de novo.

— Ai está você. — Caitlin disse adentrando ao quarto com uma bandeja de café da manhã. — Sabia que não iria querer descer depois de tudo. Ah, oi Jenna. — Sorriu para Jenna ao notá-la.

— Olá, Caitlin. — Jenna devolveu o sorriso. — Bom, vou deixa-las, tenho coisas para fazer. — Ela se levantou ainda segurando minha mão. — Se cuide, tudo vai dar certo. — Então ela deu uma apertadinha em minha mão e se afastou, fechando a porta logo depois que saiu.

— Venha comer porque saco vazio não para em pé. Trousse croissant de queijo, frango, um delicioso Donuts, suco, salada de frutas... Pode vindo. — Senti minha barriga roncar com o maravilhoso cheiro. Pulei na cama e fui me arrastando até a cabeceira onde apoiei minhas costas na mesma trazendo a bandeja para mais perto. Nada melhor do que um delicioso e reforçado café da manhã.

Quando a noite chegou, eu sabia que não eram apenas as estrelas e a lua que eu aguardava, era o meu encontro com Nolan.

Não que eu estivesse ansiosa, porque realmente não estava. Eu estava apavorada, para falar a verdade.

Acho que foi por isso que não quis descer pela manhã para tomar café, não sabia como encarar Justin e Nolan ao mesmo tempo. Da mesma forma como eu decidi me trancar nesse quarto o dia inteiro, estava evitando ao máximo esbarrar com Justin por ai, principalmente depois do que aconteceu ontem e de sua proximidade.

Cautelosa mas perigosa.

Se tivéssemos perdido a cabeça naquele momento eu acho que nunca me perdoaria.

Estávamos tão próximos sentindo o aconchego que apenas um toque pode proporcionar, mas era um luxo que não podíamos mais usufruir.

Olhei no espelho o resultado final depois de estar pronta. Uma calça jeans clara com alguns rasgadinhos ao longo dela, uma blusa cumprida de renda com detalhes de flores branca e transparente, com uma blusa branca por baixo para não ficar tão chamativo. Uma sapatilha gladiador, uma bolsa marrom de franja de lado e um óculos de lente marrom para combinar, com meus cabelos amarrados em um rabo de cavalo. Nolan não quis me dizer para onde iríamos, apenas disse que eu não precisaria de roupas chiques ou saltos altos. Ótimo.

Isso pelo menos diferenciava dos encontros que já tive com Justin. Sempre restaurantes chiques, roupas chiques, tudo sempre chamativo.

Tudo muito cara de Justin.

Desci as escadas na esperança de não esbarrar com Justin, e fiquei aliviada por isso não ter acontecido. Fui até a garagem onde pedi para que Nolan me aguardasse, e ele já estava me aguardando em frente de sua Lambo preta com detalhes azuis.

— Olha ela ai. — Exclamou guardando seu celular no bolso e sorrindo para mim. — Você está linda.

— Obrigada! — Sorri sem jeito arrumando a alça da minha bolsa no ombro. — Então... Vamos?

— Claro! — Ele abriu a porta do carro para mim e eu adentrei. Era estranho ver Nolan todo cavalheiro, nunca nos tratamos dessa forma, com formalidades, parecia até que ele era outra pessoa.

Durante o caminho fomos em silêncio, o que tornava tudo mais estranho ainda. Lembro-me de quando passeávamos em meu antigo carro por LA, sempre conversando, se divertindo e rindo... Mas agora não era a mesma coisa, talvez porque sabíamos que não era a mesma coisa, agora era um encontro, e acho que era justamente isso que era mais estranho.

Não via eu e Nolan saindo para um encontro.

Quando chegamos, notei que estávamos indo para um boliche.

— Nossa, desde o colegial eu não jogo boliche, isso vai ser incrível. — Falei empolgada e prela primeira vez naquela noite eu realmente estava empolgada. Nolan sorriu satisfeito por ter acertado e estacionou o carro. Adentramos no local e fomos pegar os pares de tênis para jogar.

— Quanto você calça? — Sussurrou em meu ouvido devido ao som alto, as pessoas conversando e o som das bolas batendo nos pinos.

— Vai se surpreender, mas calço trinta e nove. — Ele arregalou os olhos para mim, me fazendo rir. — Eu avisei. — Dei de ombros e ele riu.

— Tudo bem, pé grande. — Dei um tapa em seu braço e ele riu.

— Números trinta e nove e quarenta, por favor. — Ele pediu ao rapaz moreno da recepção. Olhei para ele com uma sobrancelha arqueada e um sorriso divertido, com meus braços cruzados. — Eu sei, sou pé grande também. — Caímos na risada e logo nossos pares e uma chave com o número do nosso armário foram entregues.

Os tênis eram pretos com detalhes verdes. Guardamos os nossos sapatos em nosso armário junto com nossas coisas pessoais, e fomos para a pista.

— Vou pegar leve com você. — Ele disse ao passar por mim indo em direção as bolas enfileiradas.

— Muito obrigada por isso, é muito cavaleiro. — Sorri para ele e me sentei, esperando pela sua jogada.

Nolan pegou uma bola azul escura com listras azuis claras e foi em direção a nossa pista. O Placar "Nolan" e "Kelsey" estavam bem a nossa frente, prontos para marcar a nossa pontuação. Nolan se posicionou e se concentrou, quando ele finalmente jogou a bola, fez um strike perfeito. Ele olhou para mim e começou a gargalhar, fazer dancinhas logo depois. Não aguentei e comecei a rir me levantando e indo pegar a minha bola, uma vermelha.

— Já comecei bem, sinto muito. — Disse ao passar por mim quando estava indo se sentar no sofá. Posicionei-me na pista e me concentrei, analisando perfeitamente a pista, posicionando bem a bola em meus dedos, para fazer um arremesso perfeito. Quando soltei a bola, ela deslizou com graciosidade até atingir todos os pinos.

Strike perfeito.

Olhei para Nolan que me olhava incrédulo.

— Vou pegar leve com você, eu prometo. — Alfinetei, me sentando ao seu lado, com ele ainda me olhando incrédulo.

— Você é boa nisso. — Nolan me olhou e sorriu, desviando seu olhar do meu e se levantando, indo em direção as bolas e a pegando, uma coral dessa vez. Só então percebi o que havia acabado de acontecer, o que ele havia falado ficou no duplo sentido. Senti minhas bochechas corarem com os pensamentos inapropriados que devem ter passado pela cabeça de Nolan, mas logo os afastei quando ele deixou quatro pinos intactos.

Levantei da poltrona e peguei minha próxima bola, uma rosa, sorrindo para ele antes de ir para frente da pista. Consegui fazer uma jogada perfeita, mas só derrubei dois. Nolan depois conseguiu derrubar os pinos que restavam, e logo depois seguimos a uma sequencia de jogadas, até que tínhamos um vencedor.

Com apenas dois pontos de diferença, Nolan havia vencido.

— Isso não é jutos! — Exclamei, cruzando meus braços e fingindo estar emburrada (e talvez realmente estivesse).

— Fica tranquila, da próxima realmente deixo você ganhar. — Dei um tapa em seu braço como resposta. O mesmo recuou e começou a rir.

— Não preciso que me deixem ganhar, já ganhei várias vezes, mas acho que meus concorrentes eram muito ruins. — Dei risada e me sentei para tirar os tênis, Nolan fez o mesmo.

— Pelo menos foi divertido.

— Com certeza, estava sentindo falta de jogar boliche. Obrigada, Nolan.

— A diversão ainda não acabou, ainda temos pizza.

— Agora sim. — Demos risadas e depois de colocarmos de volta os nossos sapatos e pegarmos de volta as nossas coisas, devolvemos os sapatos, Nolan pagou a jogada e então fomos embora, rumo à pizzaria.

Comemos uma deliciosa pizza de camarão, a maior parte do tempo em silêncio, não precisa conversar quando se tinha uma pizza maravilhosa daquelas bem a sua frente, mas também tinha o fato que mais uma vez tudo estava estranho de novo.

Não era um momento descontraído com um amigo, isso tornava tudo estranho para mim.

Entre uma garfada e outra, finalmente terminamos nossa deliciosa pizza. Conversamos um pouco sobre a noite e os Strikes, depois Nolan pagou a conta e voltamos para a sua Lambo.

Era por volta das onze da noite quando passamos pelos grandes portões da mansão. Estava aliviada por estar de volta.

Nolan adentrou na grande garagem onde havia outros milhares de carros espalhados, desligando-o assim que estacionou em sua vaga.

— Estamos de volta. — Ele disse tirando seu sinto de segurança.

— Adorei essa noite, Nolan, foi divertido. Obrigada. — Me aproximei dele para beijar sua bochecha, mas ele rapidamente virou o rosto e eu acabei dando um selinho em sua boca.

Aquela famosa mania de virar o rosto para a garota beijar o garoto.

— Nolan... — Sorri envergonhada.

— Desculpa, foi mais forte que eu. — Ele riu e se virou para mim, agora já sério. — Não foi nada de mais, ok? Realmente não quero que fique pressionada. — Então não está dando muito certo.

— Tudo bem. Preciso ir, boa noite. — Sorri para ele antes de sair do carro e caminhar em direção à porta que dava acesso a mansão. Não escutei Nolan atrás de mim, talvez achasse melhor ter me dado mais espaço e eu ficava aliviada por isso.

Subi as escadas rapidamente com medo de esbarrar com Justin, mas esbarrei com algo pior.

— E AI, CONTA, CONTA CONTA. — Caitlin abriu a porta do seu quarto abruptamente no mesmo instante em que eu passava por ela, já que eu passava pela porta do seu quarto para ir até a porta do meu, exigência da mesma para eu escolher um quarto ao lado do dela, e agora já sei o porque. Caitlin ficaria de olho em tudo.

— Que susto sua maluca, e fale baixo. — Resmunguei com minha mão sobre o peito. Meu coração batia acelerado de susto. Voltei a andar em direção ao meu quarto, sabendo que Caitlin me seguiria, e lá estava ela. Adentrei no quarto e ela também, fechando a porta logo depois.

— Conta tudo. — Ela se jogou na cama e agarrou um travesseiro, com um sorriso bobo no rosto, parecia uma adolescente de treze anos.

— Tudo normal, e estranho. — Joguei minha bolsa em cima da cama e me sentei na beirada da mesma para tirar minha sandália.

— Estranho? Por quê?

— Porque estou acostumada a sair com ele apenas como amigos. Foi estranho saber que era um encontro, mas eu não me sentia assim, sabe? — Olhei para ela rapidamente e depois voltei minha atenção para a sandália que eu estava tirando.

— E não rolou nada? — Quis saber, arqueando uma sobrancelha.

— Demos só um selinho... Quando fui beijar a bochecha dele, ele virou e eu acabei dando um rápido selinho, só isso. — Emendei rapidamente quando vi a empolgação prestes a explodir de dentro de Caitlin.

— Sinto falta de encontros assim, estou cansada de pegar caras só em noitadas.

— Nossa, que milagre. — Ela jogou o travesseiro na minha cabeça, me fazendo pegá-lo e tacá-lo de novo nela. — Agora saia, preciso de um banho e dormir.

— Ok, sua chata, boa noite.

— Boa noite. — Assisti enquanto Caitlin saia do quarto e fechava a porta. Fiquei um tempo ainda sentada encarando meus pés marcados pela sandália com a noite de hoje repassando em flashes pela minha cabeça.

Espero que Nolan não esteja criando falsas expectativas.

Dez dias depois

Desci a escada pela manhã decidida a não me esconder. Durante esses dias eu sempre me mantive tentar ao máximo ficar afastada de Justin, não descia para as refeições, tentava ao máximo fazer isso dar certo, mas eu não podia me esconder de Justin para sempre, muito menos dos problemas.

Quando cheguei à cozinha onde a enorme mesa de café da manhã estava pronta, notei que todos estavam ali, menos Justin.

— Olha quem apareceu. — Balbuciou Chaz.

— Bom dia a todos. — Sorri para eles e peguei a jarra de suco.

— Dormiu bem? — Quis saber Nolan.

— Sim, e você? — Ele deu de ombros.

— Eu também.

De repente ouvi vozes estranhas vindo do corredor que eu não as reconheci de primeira, então percebi que todos também não as reconheceram. Caitlin olhou para trás para ver quem era no mesmo instante em que vimos Justin se despedir de duas garotas. Quando elas saíram da mansão e Justin se virou para vir em direção à cozinha, encontrou nossos olhos sobre ele.

Ele paralisou e ficou pálido, ficando mais branco quando me viu sentada a mesa.

Não acredito que acabei de presenciar isso. Todos estavam olhando para mim, tentando adivinhar qual seria a minha reação. Tudo que eu queria era sair dali o mais rápido possível, mas eu sabia que não podia fazer isso.

Eu dei toda a liberdade para ele sair com outras mulheres, da mesma forma como ele autorizou eu a sair com Nolan, não podia ter um ataque na frente de todos sabendo qual era a nossa posição.

Mordi meu pão e peguei meu copo de suco, dando um longo gole, agindo normalmente como se não tivesse visto nada. Caitlin percebeu e fez a mesma coisa, pegando a faca e cortando um pedaço do queijo. Logo os garotos começaram a fazer a mesma coisa, como se nada tivesse acontecido.

Justin se aproximou e sussurrou um "Bom dia", no qual todos responderam, até eu, mas mantive meu olhar para baixo, não queria encontrar com os dele e desabar.

Terminei de comer minha torrada e beber o suco, então me levantei pedindo licença.

— Eu vou com você. — Caitlin ameaçou se levantar, mas eu a impedi.

— Não, fique! — Gesticulei minhas mãos para que ela se sentasse de novo, e a mesma o fez. — Não precisa vir comigo. — Sai dali o mais rápido possível, pegando minha bolsa que havia deixado ali perto no sofá e revirando-a para encontrar a chave do carro.

— Kelsey, espere. — Era Nolan, ele veio correndo em minha direção. — Posso acompanha-la?

— Desculpe, Nolan, quero ficar sozinha.

— Eu sei, prometo que não direi nada.

— É sério, quero ficar sozinha. — Encontrei a chave e voltei a ir em direção a garagem, mas Nolan segurou meu braço e me fez encarar seus olhos.

— Sei que foi difícil pra você ver o que viu, ele com outras, mas...

— Já chega, eu já disse, preciso ficar sozinha. — Gritei irritada e frustrada, será que ninguém aqui conseguia entender que eu queria ficar em paz?

Empurrei Nolan e corri em disparada. Quando cheguei em meu carro, destravei a porta e deslizei pelo banco de couro, colocando a chave na ignição e saindo da garagem.

POV. Justin

Eu estava me odiando por isso. A expressão dos seus olhos, a dor no fundo deles ficava revivendo em minha memória o tempo todo. Não era para isso ter acontecido, não dessa forma. Agora eu tinha cinco pares de olhos me fitando com acusações.

— Sei o que estão pensando. — Respondi dando um gole no meu café.

— Deveria ir atrás dela. — Questionou Caitlin, me olhando com irritação.

— Eu até iria, mas então me lembrei de que não fiz nada de errado.

— Não fez nada de errado? — Perguntou Christian chocado. — Acordou com duas garotas e ela viu, não acha isso errado? Sei que estão em uma posição diferente agora, mas ainda rola sentimentos.

— Não quando a própria me autorizou a isso. — Todos me olharam espantados.

— Como assim? Kelsey nunca faria isso. — Murmurou Caitlin, contraditória.

— Mas foi o que fez, uma forma de nos afastarmos. — Todos pareciam ainda chocados, mas pelo menos agora pararam de me olhar como se eu fosse culpado. — Nunca quis que ela visse nada, ok? Pensei que ela não desceria para tomar café. Agora chega desse assunto, vamos para o escritório, temos coisas para resolver. — Não queria mais ficar falando sobre isso, ou pensando em como ela deveria estar magoada agora. — Criei um plano em cima das informações que Christian me passou. — Informei assim que todos já estavam no escritório. — Vou repassá-lo a todos e logo devemos seguir para o local.

Com a minha Lambo eu dirigia com os outros me seguindo até o local combinado: Casa do Dr.David. Christian havia conseguido informações sobre sua vida, incluindo seu endereço e senhas de contas bancárias.

Estacionamos nossos carros um quarteirão antes e continuamos em direção ao nosso destino a pé.

Se precisarmos de reforços, os seguranças seriam acionados e em um segundo já estariam invadindo a cada do Doutor.

— Como o combinado. — Falei enquanto andávamos em direção à porta de entrada. A casa não era nada mal, era um espetáculo, grande e branca, com um grande quintal, e mesmo sem ver eu sabia que havia uma grande piscina nos fundos.

Quando toquei a companhia, Chaz, Ryan, Nolan e Christian se esconderam, não queríamos assustar a Sr.Stela, esposa e mãe do casal de gêmeos do Doutor.

— Olá... — Como eu suspeitava, ela recebeu a porta com o cenho franzido, tentando entender quem eu seria.

— Olá, é a casa do Dr.David, correto? — Abri um sorrio gentil.

— Sim, quem gostaria?

— Sou Justin Bieber, eu vou entrar agora na sua casa e você vai continuar agindo normalmente para não chamar a atenção dos vizinhos. Quando entrarmos, irei apontar uma arma para sua cabeça e você vai fazer exatamente o que eu disser, estamos entendidos? — Ela me fitou com seus olhos arregalados, completamente assustados, mas então forçou um sorriso ao olhar para a minha expressão. Eu sorria gentilmente a incentivando a fazer a mesma coisa.

— C-laro, entre. — Forçou um sorriso e então eu olhei para os caras e acenei com a cabeça, ordenando para que me seguissem. Quando ela viu os outros seu rosto se formou em um perfeito pânico, engolindo em seco.

— Sorria, docinho. — Sussurrei perto de seu ouvido. Ela abriu um sorriso forçado e fechou a porta, então peguei minha arma e apontei para sua cabeça, e mesma congelou.

— O que vocês querem?

— Bater um papo com o seu marido.

— Não poderia simplesmente ir onde ele trabalha? Ele não está aqui.

— Eu já fiz isso, e o que ele fez? Ele fugiu, fugiu prejudicando ainda mais sua reputação comigo.

— O que ele fez? — Quis saber, apavorada.

— É isso que eu quero descobrir. Agora chega de perguntas, ligue para ele e diga que uma das crianças caiu da escada, o faça vir para cá o mais rápido possível. — Ela continuou paralisada na minha frente como se eu não tivesse dito nada. — Agora porra. — Gritei a fazendo dar um pulo de susto e ir correndo pegar o celular. Eu a acompanhava com minha arma apontada para sua cabeça enquanto ela pegava seu celular em cima do sofá e discava para o marido.

— Querido? — Qual é. — Preciso que volte para casa, e-eu, e-eu... — Ela travou e olhou para mim, destravei a arma e mirei bem no meio da sua cabeça. Ela arregalou mais ainda os seus olhos e segurou o celular com força. — Izzy, ela caiu feio na escada, está toda machucada... Sim, eu sei, não sei como aconteceu, achei que estava em seu quarto, só venha logo, ok? — Ela ouviu mais alguma coisa que ele disse e então desligou, olhando para mim. — Ela está vindo imediatamente.

— Ótimo, agora me dê seu celular. — Estiquei minha mão que não estava com a arma, ela hesitou, mas acabou entregando. — Onde estão seus filhos?

— Não... — Exasperou com sua voz tremida e seus olhos em lágrimas. Encostei minha arma em sua testa, fazendo-a fechar os olhos e chorar.

— Agora! — Ela soltou alguns soluços, mas fez o que eu disse, indo em direção de onde as crianças estavam. Subimos as escadas e entramos em um quarto onde uma garotinha com seus cabelos cheios de presilhas e um garotinho de cabelo grande caindo sobre os olhos, assistiam a alguns desenhos entretidos.

— Crianças. — As duas crianças que aparentavam ter cinco anos olharam para a mãe, então suas expressões de tranquilidade se transformaram em pânico.

— Mamãe? — Exclamou a garotinha, me olhando com medo.

— Venham aqui, rápido, façam tudo o que a mamãe mandar, tudo bem? — Os dois obedeceram se levantando dos seus pulfs gigantes e indo em direção à mãe, com a mesma tentando controlar o choro com o medo pela segurança dos filhos.

— Agora vamos voltar a descer e nos sentarmos no sofá, temos que esperar o papai chegar. — Falei sorrindo para as crianças. Elas se esconderam nas pernas da mãe, e então seguimos para o andar de baixo, voltando para a sala.

A mãe e as crianças se sentaram no sofá com Ryan e Chaz apontando suas armas para eles. Eu me sentei em outro sofá de frente para eles e então aguardamos.

— Só não faça nada com as minhas crianças, por favor, elas não tem nada a ver com isso. — Suplicou, eu amava súplicas.

— Se o seu marido colaborar, quem sabe?! — Sorri para ela, mas ela permaneceu séria. Logo escutamos barulho de carro sendo estacionado no gramado da frente. — Olhem só, papai chegou. — Sussurrei empolgado olhando para as crianças. Elas estavam grudadas na mãe.

Nolan foi para trás da porta, esperando ela ser aberta para pegar o Doutor desprevenido. Quando a porta foi aberta, Nolan deu uma coroada com sua arma na cabeça de David, o fazendo perder o equilíbrio, fechando a porta e a trancando de novo.

Stela não deixou que os filhos vissem isso e se controlou em não gritar para não assustá-las.

— Mas o que... — David começou a falar, mas Nolan o pegou pelo braço e o trouxe até nós, o jogando contra uma poltrona e apontando uma arma para sua cabeça, para que ele ficasse quietinho ali. Foi ai que ele olhou ao redor e viu que havia mais homens na casa, sua esposa e filhos como reféns, e claro, eu sentado todo esparramado no sofá o olhando com superioridade. — Você.

— Sim, eu, Justin Bieber em carne e osso. Acho que deixou algo pendente comigo, Doutor.

— Podemos resolver isso, mas, por favor, deixe Stela e as crianças de fora disso.

— Eles realmente vão estar, mas só se você colaborar.

— Eu juro que não sei muita coisa, eu juro.

— Mas já vi que sabe de algo, e isso já pode ser útil. — Ele engoliu em seco. — Só preciso de um nome, apenas isso.

— Não posso contar, ele virá atrás de mim, ou da minha família.

— No que você se meteu, David? — Sua esposa perguntou em lágrimas, completamente decepcionada.

— Eu juro que vamos ficar bem. — Ele prometeu a ela, mas se ele continuasse a me enrolar, as coisas não funcionariam dessa forma.

— Há alguns dias atrás recebi um documento de Kelsey Blake Jenner com suas informações, uma delas era o nome de sua mãe biológica, e eu acho que você ajudou a alterar algumas coisinhas importantes. — Ironizei. Ele se remexeu desconfortável, eu sabia que ele guardava segredos, e elas viriam à tona.

— Não posso colocar minha família em perigo.

— Está colocando agora. — Rebati e então peguei minha arma e a destravei, mirando na cabeça da garotinha. A mãe soltou um grunhiu e agarrou a filha, começando a chorar. As crianças choravam assustadas com a mãe, não era uma das minhas cenas preferidas, mas eu não jogava para perder.

— Por favor, não...

— Anda caralho, eu quero um nome. — Gritei e então acertei na perna da mãe, fazendo as crianças gritarem de susto. David ficou visivelmente atordoado ao ver a mulher se contorcer de dor. — Eu não estou para brincadeira e vou atirar em cada um deles até me responder.

— Parker Jenner, ele me procurou para encobrir as informações, mas eu juro que não sabia direito o que estava fazendo, ou o porquê, ele só me instruiu e eu fiz, eu juro que não sabia de muito.

— Apenas ele nessa história?

— Tinha um outro também, mas... — Ele cruzou o cenho, tentando se lembrar. — Não me lembro do seu nome.

— Alexandre, Bruce, ou outro que surgiu do quinto dos infernos...?

— É nenhum deles. Eu realmente não me lembro.

— Agora só vou perguntar de novo uma única vez. Qual era o verdadeiro nome que você alterou?

POV. Kelsey

Quando cheguei ao restaurante, ele estava fechado. Fiquei frustrada, justo hoje que eu precisava falar com Castiel. Corri para a parte de trás do restaurante e empurrei a porta dando graças a Deus por ela estar aberta. Adentrei no local que parecia sombrio pela pouca iluminação e ambiente vazio. Fui até a porta que levava ao porão e a moradia de Zeke e Castiel, ficando grata a Deus pela segunda vez em menos de um segundo por tudo já estar iluminado e por ter escutado barulho na cozinha.

Quando desci as escadas encontrei a cena que já suspeitava encontrar: Zeke cozinhando.

— Não tem folga? — Ele deu um pulo de susto e me encarou, com seu rosto relaxando assim que percebeu que era eu.

— Olá, Kelsey, é bom vê-la de novo. E não, se eu quero passar em um concurso de culinária, preciso treinar sempre.

— Concurso? — Me aproximei e me apoiei na bancada da cozinha enquanto o observava cozinhar.

— Sim, em Nova Iorque. Abriu um concurso para chefe de cozinha em um restaurante muito refinado, quando soube, economizei minhas gorjetas e guardei para a viagem.

— Nossa, Zeke, é uma grande oportunidade, quando é?

— Em duas semanas, estou ficando nervoso e ansioso. — Ele sorriu com nervosismo me fazendo notar apenas agora que ele tinha umas covinhas fofas.

— Você é muito bom nisso, pode apostar que vai conseguir. Desejo toda sorte do mundo.

— Obrigada, Kelsey. — Ele sorriu gentilmente. — E você, o que a trás aqui?

— Vim falar com Castiel, mas já notei que ele não está. — Olhei ao redor vendo tudo menos Castiel.

— Sim, hoje o restaurante não abriu então Castiel aproveita para curtir um pouco.

— Ele está saindo com alguém?

— Não, pelo menos não que eu saiba.

— E você? — Ele me olhou surpreso pelo meu questionamento e eu enrubesci. Que diabos, Kelsey.

— Olha, sempre nas minhas folgas eu fico aqui trancado nessa cozinha, com meus temperos, panelas e talheres. Vou dar um exemplo que pode definir bem a minha vida pessoal: Conheço muito de culinária e praticamente nada sobre marcas de camisinhas, então pode ter certeza que estou cozinhando mais do que transando. — Soltei uma gargalhada com ele me acompanhando logo depois. Ficamos por um tempo rindo até que nos recompomos.

— Que triste, Zeke.

— É, eu sei. — Ele deu de ombros e riu. — Mas e você, Kelsey? — Ele se debruçou sobre o batente onde eu estava apoiada, me olhando fixamente. — Como anda sua vida pessoal?

— Sei que Castiel deve ter lhe contado, nem que seja por cima.

— Sim, contou. Sinto muito por isso, deve estar tudo uma confusão.

— E está. — Soltei um suspiro. — Nada parece se resolver.

— Espero que esse exame mostre o que você deseja.

— Também espero. — Então o silêncio caiu sobre nós, até que Zeke o interrompeu.

— Bom, já que está aqui, me ajuda e cozinhar até Castiel voltar.

— Boa ideia. — Sorri e me aproximei indo lavar minhas mãos, e então Zeke me emprestou um avental, logo já estávamos botando mão na massa, mas então, meu celular começou a tocar. — Droga, preciso atender. — Me afastei de Zeke pegando meu celular em minha bolsa, olhei para Zeke e me afastei quando vi no visor "Amor", se referindo ao Justin. Havia me esquecido de alterar isso.

— Pode falar.

— Onde você está? — Ele parecia ofegante como se tivesse corrido em uma maratona. Meu coração parou.

— O que aconteceu? Você está bem?

— Onde está? Esquece, só preciso que volte imediatamente.

— O que aconteceu, Justin? — Perguntei já indo em direção a minha bolsa e pegando-a, para sair dali o mais rápido possível.

— Só venha para casa, ok? Agora! — E desligou. Joguei o celular na bolsa e olhei para Zeke que me encarava preocupado.

— Está tudo bem? — Perguntou.

— Eu não sei, mas eu preciso ir agora, me desculpe. — Subi as escadas correndo, mas podia ouvir os passos de Zeke atrás de mim.

— Tem certeza? Não quer que eu vá com você?

— É uma péssima ideia, pode deixar que ficarei bem, prometo que ligo para Castiel avisando o que aconteceu, tudo bem? — Ele me olhou ainda desconfiado, mas recuou.

— Tudo bem, mas ligue, ok?

— Pode deixar, até depois. — Dei um beijo em sua bochecha e continuei subindo as escadas, saindo dali o mais rápido possível.

Quando adentrei na mansão, o Hall de entrada estava agitado com Justin gritando com Jenna, Caitlin tentando ficar no meio e os garotos ao redor, apenas observando.

— O que está acontecendo aqui? — Perguntei incrédula, Justin estava sendo um perfeito ogro com Jenna.

— Ela está aqui, finalmente. Conte a ela, Jenna, conte a ela. — Justin continuava a gritar enquanto desafiava Jenna. Olhei para ela sem entender, com a mesma encarando a mim e a Justin com uma expressão assustada.

— O que está acontecendo? Me contar o que?

— Conte a ela se não eu conto. — Justin ameaçou Jenna, fazendo a mesma se desesperar.

— Por favor, Justin, não era assim que as coisas deveriam acontecer. Deixe-me fazer isso da forma correta.

— Não, você vai fazer isso agora! — Justin gritava e parecia muito nervoso, o que Jenna havia feito que o deixou desse jeito? — Conta logo porra. Esquece, eu vou contar. — Então Justin se virou para mim. — A verdade é que o nome verdadeiro de sua mãe é...

Jenna Roberts. — Jenna interrompeu Justin. Ela fitava o chão, receosa, e então subiu seu olhar lentamente até encontrar os meus. Em seus olhos haviam lágrimas, nervosismo, medo, angústia, dor...

— O que? — Respondi entorpecida.

— Fui atrás da verdade e descobri tudo, então a coloquei contra a parede. — Justin dizia olhando para mim, mas então voltou a olhar para Jenna com raiva. — Eu sabia que algo fedia em você.

POV. Justin

Alguns minutos antes...

Flasheback on

Jenna Roberts. — Disse David, com todos, até eu, chocados.

— Eu deveria saber. — Balancei a cabeça em descontentamento. Eu sabia que algo de errado vinha de Jenna.

— Então é por isso que ela entrou na mansão. — Murmurou Christian.

— Para ficar perto dela, filha da puta, esse tempo todo e não disse nada.

— Olha o que vai fazer, Bieber, ela continua sendo importante para Kelsey. — Alertou Ryan.

— Não por muito tempo. — Voltei minha atenção para Stela e as crianças apavoradas. — Chaz, Nolan, leve-os para cima. — Ordenei. Eles fizeram exatamente o que eu pedi, Chaz ajudava Stela a se apoiar enquanto Nolan carregava as crianças. Stela olhava de relance para o marido sobre o ombro, preocupada. — Agora o assunto é eu e você.

— M-mas, mas eu disse o que queria. — Ele já estava começando a se desesperar, mal ele sabia que aquilo se tornava melhor para mim.

— Depois de enrolar, mas ai eu já estava com pouca paciência, e você não deixou de fazer coisas erradas, não é mesmo?

— Eu juro que não sabia o tamanho da proporção...

Ri repugnantemente.

— Você alterou o nome de uma mãe biológica e realmente quer que eu acredite nisso? — O fitei por um tempo e então levantei minha arma, mirando em sua cabeça.

— Por favor, minha mulher e filhos estão no andar de cima.

— Não bote seus filhos no meio, ainda fui gentil em pedir para levarem sua esposa e filhos para cima para não presenciarem, isso não muda o fato de ter errado comigo, de ter arruinado minha vida por um instante, e agora você deve pagar.

— Mas e meus filhos? Pense se fosse com você. — Sorri para ele.

— Ai está o erro. Não tenho nenhum problema com isso porque nunca vou me sentir como você. Eu nunca vou ter filhos. — E então atirei em sua cabeça, ouvindo seu último "não" em protesto.

Flasheback Off

POV. Kelsey

— Kelsey... — Jenna não deu ouvidos para o que Justin disse, manteve seus olhos em mim o tempo todo, enquanto algumas lágrimas começaram a cobrir o seu rosto. — Sei que deve estar se sentindo enganada, mas eu juro que eu ia contar, só estava esperando o momento certo.

— M-momento certo? — Gaguejei, sentindo a vontade de chorar e raiva subir pelo meu corpo. — Você deixou eu e Justin sofrermos por dias achando que éramos irmãos. — Então eu não conseguia mais segurar as lágrimas. Ri repugnantemente. — Como não percebeu que esse era o momento perfeito? Em? Me diz? — Comecei a gritar indo em direção a Jenna, mas Caitlin entrou em minha frente e me segurou. Não sei bem o que iria fazer com ela, talvez enfrenta-la? Eu sabia que nunca teria coragem de agredi-la, mas eu estava com tanta raiva que não responderia por nenhum dos meus atos.

Jenna tinha razão, eu me sentia traída, ela escondeu durante todo esse tempo a verdade em busca de "um momento certo"?

— Kelsey... — Tentou argumentar, mas levantei minha mão em descontentamento, fazendo-a se calar.

Já chega! — Gritei olhando para ela com raiva. Meus olhos estavam estatelados e a minha respiração entrecortada. — Não quero ouvir mais nada de você. — Agarrei o cordão de Cruz que estava em meus pescoço que ela havia me dado mais cedo e o arranquei com força e raiva, o jogando no chão, bem aos pés dela, então me virei pegando minha bolsa que estava caída no chão (devo ter a deixado cair no meio da confusão e nem havia notado) e comecei a me afastar.

Eu só queria me afastar dela o mais rápido possível.

Eu me sentia uma verdadeira bagunça.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top

Tags: