Kidnapped - Parte 3

POV. Kelsey

Assim que Parker me imobilizou, ele cobriu minha cabeça com um pano preto e me arrastou para algum lugar que eu suspeitava ser um porão, pois escutei uma porta de madeira sendo aberta no chão perto dos meus pés, e logo depois fui jogada lá dentro, batendo com força o meu braço e o machucando quando meu corpo se chocou ao chão duro e frio.

Gemi de dor e depois pude escutar os seus passos ao descer uma escada, e então o barulho da porta de madeira sendo fechada.

Estávamos em algum lugar subterrâneo.

Ele me agarrou com brutalidade me fazendo sentir mais dor e começou a me arrastar para algum lugar. Fiz corpo mole e comecei a me debater, mas ele me segurou mais firme e me arrastou a força.

Uma porta foi aberta e depois fechada ao passarmos por ela. Senti meu corpo se chocar contra uma cadeira e então meus braços estavam sendo amarrados, depois minhas pernas, e então ele finalmente tirou o capuz preto que cobria o meu rosto.

- Tarammmm, gostou? - Pistei algumas vezes para fazer minha vista se acostumar com a lâmpada florescente, a única coisa que iluminava aquele lugar. Olhei ao redor e era horrível, era uma mini casa improvisada, mas uma mini casa do horror.

Paredes sujas e de cor cinza, chão cimentado, havia uma cama de ferro no canto esquerdo e ao lado direito uma pia branca velha e enferrujada, com um vaso sanitário e uma banheira branca de azulejos quebrados e sujos. Do outro lado havia uma mesa improvisada, um frigobar e um fogão pequeno elétrico.

- Era aqui que você se escondia. - Disse olhando para ele com raiva.

- Não demorou para raciocinar, garota esperta, esperta. - Ele foi em direção ao seu frigobar e pegou uma garrafa de água e começou a bebê-la no gargalo. Ele parecia louco, completamente louco. Meu Deus, o que aconteceria comigo?

- Parker, podemos resolver isso de uma forma mais simples. Posso pedir a Justin uma boa quantia em dinheiro, ele não negaria, e então você pegaria esse dinheiro e sumiria, prometo que nunca mais Justin iria atrás de você. - Ele olhou para mim sério, pensei que estava pensando nessa opção, ou pelo menos cogitando a ideia, mas então começou a gargalhar.

- Acha que sou idiota? Sei que ele está louco para ter a minha cabeça, e eu não quero só grana, quero poder, um império.

- Podemos resolver isso também, você sabe que com o Justin isso não é um proble...

- CALA A BOCA! - Ele gritou me fazendo dar um pulo de susto. O encarei com os olhos arregalados, ele estava completamente fora de si, completamente louco. Por quanto tempo ficou escondido nesse lugar nojento? Ele estava pirado. - Não abra a boca pra me enrolar ou falar merda, eu já sei o que vou fazer e já sei o que eu quero. - E então jogou a garrafa com força no chão, indo em direção à porta pela qual entramos e saindo, batendo-a com força.

Olhei para aquele lugar horrível e senti meus olhas esquentarem com as lágrimas. Meu Deus, eu ia morrer aqui, eu ia morrer. Senti as lágrimas quentes escorrerem sobre o meu rosto enquanto eu chorava compulsivamente.

Eu ia morrer, eu ia morrer.

POV. Justin

Encostei meu carro rapidamente e saí correndo em direção ao carro que eu havia dado para Kelsey estacionado em uma das vagas daquela lanchonete furreca. Abri a porta do mesmo e o encontrei vazio. Ryan e Chaz abriram as outras portas e me ajudaram a revistar: Nada.

- Droga, não tem nada aqui. - Esbravejei batendo a porta com força. - Revistem a lanchonete, Caitlin, vá revistar as cabines do banheiro feminino, rápido. - Todos assentiram e correrem em direção à lanchonete. As poucas pessoas naquele estabelecimento olharam assustadas, mas não disseram nada. Bom para elas. Logo depois meus seguranças e Caitlin voltaram, sem ela.

- Nada no banheiro. - Caitlin me informou.

- Nada na lanchonete. - Um dos meus seguranças disse.

- Tem certeza que olhou em todas as cabines? - Perguntei a Caitlin.

- Absoluta, só havia duas, nada de Kelsey. - Bufei com raiva e olhei para o outro lado da estrada, depois olhei para baixo perto dos meus pés, e então algo no chão me chamou atenção. Agachei e apoiei minha mão em um rastro de terra. Olhei para frente até onde o rastro estava indo, e ele parava logo depois do carro de Kelsey. Todos me olharam como se eu fosse um maluco, mas logo começaram a entender o que eu estava vendo.

- Parece que foi arrastada. - Nolan disse se agachando ao meu lado, analisando.

- Precisamos ver as câmeras desse lugar, se tiver. - Me levantei e limpei minhas mãos com a areia.

- E tem, veja. - Caitlin apontou para cima, perto da entrada da lanchonete onde havia uma câmera.

- Ótimo, vamos. - Corri em direção à entrada com eles me acompanhando, indo diretamente para uma das garçonetes no balcão. - Preciso falar com seu chefe, ele está? - A garçonete me olhou de cima a baixo e sorriu maliciosamente.

- Depende de quem quer falar com ele. - Ela apoiou suas mãos no balcão e curvou seus seios para mim. Não era tão velha e nem tão nova, e mesmo se estivesse solteiro não a foderia.

- Aquele que vai estourar sua cabeça agora mesmo se não me levar até ele. - Seu sorriso sedutor desapareceu e uma expressão nervosa apareceu em seu rosto.

- É pra já. - Ela se virou e sumiu por uma porta por um tempo, logo depois voltou acompanhada de um velho nojento e barrigudo.

- Posso saber por que ameaçou minha garçonete? - Ele se aproximou com um palito entre seus dentes. Sim, ele era muito nojento.

- Porque sua garçonete vadia fica dando em cima dos clientes, e eu tenho algo importante para tratar aqui. - Ele deu uma olhadela para sua garçonete que entendeu a deixa e se afastou indo atender um freguês.

- E qual assunto seria?

- Preciso ter acesso às gravações daquela câmera do lado de fora,

- E o que eu ganho com isso?

- É só me falar o seu preço que eu pago, agora anda logo porra, eu não tenho muito tempo. - Ele me encarou e sorriu. Logo depois eu já estava sendo conduzido até uma sala com um aparelho e uma mini TV furreca. - É isso? Essa porra funciona?

- Você só me pediu para mostrar, não perguntou nada se funcionava ou não.

- Filho da puta. - Avancei para cima dele, mas Ryan e Nolan me impediram.

- Anda logo, Bieber, vê se isso funciona ou não, não temos muito tempo. - Nolan tentou me acalmar, e ele estava certo. Todo tempo era precioso. A vida de Kelsey poderia estar por um fio.

Fui até o aparelho e o liguei, depois ligando a mini TV. A tela chiou, mas logo foi aparecendo uma imagem. Vi meus seguranças na entrada, estava filmando nesse exato momento.

- A imagem está horrível, mas está funcionando. - Falei e comecei a girar um botão redondo voltando às gravações do dia. Precisava voltar para umas quatro horas atrás, mais ou menos. As imagens estavam chiando e passando rapidamente, e quando ouvi o grito de Caitlin dizendo "Pare", soltei o botão no exato momento em que o carro de Kelsey estava sendo estacionado. Ficamos olhando e vi Kelsey sair do carro. Meu coração se apertou, eu já sentia tanto a sua falta, só queria tê-la em meus braços rapidamente.

Ela olhou para os lados em busca de algo, e então encostou-se em seu carro e ficou olhando o celular. O celular, onde ele estaria? Logo depois um caro preto se aproximou e quando a porta foi aberta, Kelsey tentou correr sendo impedida por dois homens encapuzados. Eles a imobilizaram e um deles colocaram algo em seu rosto para que ela perdesse os sentidos e desmaiasse. Logo foi arrastada para dentro do veículo e seguiram para o lado esquerdo da estrada.

- Filhos da puta. - Gritei dando um soco em cima da mesa, então me virei para sair daquela sala.

- E o meu dinheiro? - Disse o homem nojento. Peguei minha carteira e joguei várias notas de cem dólares em seu peito, e então sai apressadamente dali.

- O que vamos fazer? - Caitlin gritou vindo correndo atrás de mim, com todos tentando me alcançar.

Não respondi, continuei correndo em direção ao carro de Kelsey, com meus seguranças se afastando assim que eu me aproximei. Deitei no chão e comecei a olhar, então perto da roda traseira avistei seu celular.

O peguei rapidamente e destravei a tela, vendo que havia milhares de mensagens e ligações que havíamos deixado, mas então a última mensagem enviada me chamou a atenção.

Era de um número desconhecido.

Abri rapidamente encontrando um endereço.

- O que foi? - Perguntou Chaz. Olhei para eles que me olhavam aflitos. Castiel - que até então estava no carro de Caitlin - Se aproximou, tentando pegar alguma informação.

- Um endereço, o filho da puta sabia que rastrearíamos o carro e acharíamos o seu celular. Ele enviou uma mensagem em anônimo com o endereço.

- Porque ele simplesmente daria o endereço? - Castiel perguntou se intrometendo.

- Porque com certeza não é um sequestro normal em troca de dinheiro, é algum inimigo pessoal, é algo que ele quer resolver diretamente comigo.

- Mikael? - Nolan deu seu palpite. Não, isso não tinha cara de Mikael.

POV. Kelsey

Estava com meus olhos fechados tentando descansar com o pouco de paz que tive nos próximos minutos, quando a porta foi aberta abruptamente, me fazendo arregalar os olhos e dar um pulo de susto.

- Fui à casa do celeiro aqui do lado, onde meus homens ficam. Fico aqui por ser mais seguro. - Disse trazendo consigo algumas sacolas com comida. - Deve estar com fome, não é? Preciso de você bem e saudável. - E então pegou uma caixa com Yakisoba e veio em minha direção, se sentando na minha frente e enrolando o macarrão com um garfo. - Sempre odiei aqueles pauzinhos estúpidos. Tome. - Ele o aproximou, senti seu cheiro maravilhoso e meu estômago roncou. Realmente estava faminta, mas estava com medo de comer aquilo. - Anda logo, coma! - Ele me forçou a abrir a boca com o garfo, e assim o fiz. Logo senti o macarrão em minha boca, me fazendo mastiga-lo rapidamente por causa da grande fome. - Isso mesmo, boa garota. - Em poucos minutos eu já havia acabado com aquilo tudo e ele ainda me deu um pouco de água.

- Porque me alimentar? - Perguntei por fim.

- Já disse, preciso de você forte o suficiente para conseguir pelo menos andar, não vou poder te carregar sempre. - Se levantou e foi para a sua "cozinha", pegando o seu Yakisoba e se sentando em minha frente novamente, começando a comer.

Estava delicioso, simplesmente delicioso. Estava até um pouco mais viva e reanimada depois de ter comido alguma coisa. Como até agora não havia passado mal, creio que realmente foi só para me alimentar.

- Kristin está morta. - Ele parou de comer e levantou seu olhar para encarar os meus. Não sei por que eu disse isso de repente, mas estava curiosa para ver a sua reação.

- Como assim? - Pelo menos parecia que algum lado dele ainda se importava, e isso era uma boa coisa, não era?

- O Demon foi atacado por Mikael, Kristin morreu nesse ataque. - Ele balançou a cabeça em descontentamento. Então uma parte racional dele ainda estava viva, isso era ótimo.

- Se eu e o Bieber estivéssemos ido até o final com os nossos planos, Mikael já estaria morto, eu teria uma parte do meu poder e não estaríamos nessa situação.

- Mas você estava armando matar Justin no final de tudo. - Esbravejei indignada.

- Isso são apenas consequências, Kelsey. - Balancei a cabeça em descontentamento.

- Mas e Kristin? Eu disse que ela está morta.

- Nada do que não tenha merecido. - E então se levantou e foi até seu frigobar, pegando uma lata de cerveja. Fiquei olhando de boca aberta, completamente indignada. Não, ele não se importava e não tinha mais nada de sensível nele.

- O que vai fazer comigo, Parker? - Ele parou de beber sua cerveja e me encarou.

- Isso vai depender do que vou conseguir arrancar do Bieber.

POV. Justin

Eu corria em alta velocidade pelo endereço, tendo uma visão pelo meu retrovisor dos caras, Caitlin e vários carros pretos dos meus seguranças me seguindo. Pedi para que Christian enviasse ao local reforço, muito reforço, até reforço aéreo se possível.

"É uma emboscada, Bieber, vamos planejar primeiro", Christian me alertou, mas ela poderia não ter tempo, eu precisava fazer isso o quanto mais rápido possível.

E o momento que eu esperei em meses finalmente havia chegado.

Quando começamos a nos aproximar do local, fomos desacelerando, e quando eu mal havia estacionado, já estava saindo do meu carro com minha arma carregada na mão. Meus seguranças saíram de seus veículos e começaram a cercar o celeiro velho.

- Por cima, agora. - Gritei pela escuta e os helicópteros se aproximaram, com vários de meus seguranças caindo por cima do celeiro. Quando eles começaram a invadir por cima, eu, os caras, Caitlin e os outros milhares de seguranças me acompanharam. Alguns pela porta da frente, outros pela porta de trás.

Assim que arrombei a porta, entrei com a arma apontada, pronta para atirar em qualquer filho da puta que entrasse na frente, mas tudo que havia ali eram os meus próprios homens e capim.

- Mais que diabos? - Esbravejei e então caí no chão com tudo quando escutei tiros sendo disparados contra o celeiro. Todos fizeram a mesma coisa, tentando se proteger de alguma forma. Comece a me arrastar e me escondi atrás de algo sólido de madeira. Quando consegui olhar para a entrada do celeiro, avistei vários homens - que não eram os meus - atirando contra o celeiro. Filhos da puta. Nos fizeram entrar para nos encurralarem aqui dentro.

- Mande os atiradores aéreos, rápido! - Informei na escuta e logo recebi um "entendido" de Christian. Em segundos já estávamos ouvindo os helicópteros se aproximarem e disparos sendo feitos. Quando os tiros contra o celeiro se cessaram, olhei para a entrada vendo vários homens serem mortos e outros ocupados demais com os helicópteros. Alguns começaram a entrar no celeiro para se proteger, e então começamos a meter bala.

Atirei em um que entrou correndo vindo pela minha direção, ele não me viu jogado no chão, então atirei em sua perna o fazendo cair. Ele se esborrachou no chão e assim que levantou sua cabeça, seus olhos me encararam diretamente. Preparei minha arma e acertei bem no meio da sua testa.

Nolan surgiu atrás de uma pilastra de madeira e acertou na testa de um que entrou correndo parecendo uma gazela. Caitlin estava escondida em outro canto junto com Castiel, ele estava atirando enquanto ela era mantida protegida atrás ele. Ok, isso era estranho.

Continuei a atirar e quando percebi que os tiros estavam se cessando, me levantei e corri até outra pilastra, dando uma olhada e atirando rapidamente contra dois homens que tentaram revidar no exato momento em que eu atirei.

Fui mais rápido, desculpem.

- Ela deve estar aqui em algum lugar, revistem tudo. - Gritei informando e fui em direção a porta do celeiro, botei minha cabeça lentamente para fora e dei uma olhada. - Está tudo limpo? - Perguntei pela escuta. "Tudo limpo", me informaram e comecei a sair, andando cautelosamente com a arma já posicionada.

Caitlin seguiu com Castiel por uma direção oposta pela qual eu estava indo, enquanto Nolan ficou no celeiro com os outros seguranças para revistar o local e Chaz e Ryan seguiram por outro caminho. Iríamos dar uma volta pelo perímetro e vasculhar tudo.

Nada poderia passar em branco.

Segui por uma estradinha ao lado esquerdo e fui andando agachado, tomando cuidado para não fazer barulho com os passos. Avistei uma arvore e me aproximei, dando uma olhada em volta.

Olhei para cima para ver se encontrava algo, mas não havia nada. Dei a volta para seguir o caminho quando escutei um som rígido embaixo dos meus pés. Parei no exato momento e refiz os meus passos, indo para frente e para trás, onde eu pude escutar de novo o mesmo som. Olhei para baixo vendo areia e folhas verdes que haviam caído da árvore.

Agachei e comecei a limpar até que minha mão sentiu algo estranho. Limpei mais rapidamente e quando vi, havia uma porta de madeira e uma alavanca para ser puxada.

Achei você, filho da puta.

POV. Kelsey

Não sabia como Justin iria chegar até a mim, como ele iria descobrir esse lugar em baixo da terra? Não fazia ideia de onde estava e nem do que poderia estar acontecendo lá fora.

E mesmo se eu tentasse gritar, quem me escutaria daqui?

- Justin sabe onde eu estou?

- Com certeza já deve saber.

- Como tem certeza?

- Fiz questão para que ele soubesse.

- Mas porque? - Ele me encarou e sorriu. Meu coração se apertou. Isso não podia estar acontecendo. - É uma emboscada, não é?

- Nessas horas sinto pena por não ser minha filha da verdade, você é tão esperta. - Ele se levantou e foi até sua pia suja e enferrujada. Ele abriu a torneira e começou a molhar o rosto. - Sabe, Kelsey, eu realmente não queria que tudo chegasse a essa situação, mas você e Justin tiraram todo o pouco que eu ainda tinha. - Então vi a porta sendo aberta e o seu rosto aparecendo pela fresta da mesma. Seus olhos encontraram os meus e meu coração pulou, deu mil cambalhotas de felicidade. Meus olhos começaram a lacrimejar de tanta felicidade. Justin levou seu dedo até sua boca e fez um sinal de "silêncio" para mim. Assenti brevemente e voltei minha atenção para Parker que agora molhava sua nuca. Eu tinha que me manter concentrada e não deixa-lo perceber.

- Mas eu já falei sobre isso, podemos dar um jeito...

- JÁ DISSE QUE NÃO. - Parker gritou virando seu rosto para mim abruptamente. Ele havia ficado transtornado de uma hora para outra, ele estava completamente louco. Dei um pulo de susto e Justin voltou a encostar a porta, preocupado que Parker acabasse o vendo ali. - Acha mesmo que irei acreditar nisso? Justin quer minha cabeça no saco, e você também, sua estúpida ingrata. - Então ele avançou em minha direção e me deu um tapa tão forte que senti minha visão ficar turva.

Depois por alguns minutos tudo que eu enxergava estava embaçado, fora de foco, mas eu podia ver Justin avançando para cima de Parker, dando socos em seu rosto enquanto o mesmo tentava se desvencilhar dele. Pisquei meus olhos várias vezes até que meu foco voltou ao normal, e eu tinha que fazer alguma coisa.

Minhas mãos estavam presas por um pano no apoio de braço da cadeira, eu tinha que tentar me soltar. Enquanto Justin e Parker trocavam socos e destruíam o lugar, eu movia minhas mãos para cima e para baixo, puxando com força, com tanta força que o pano já estava começando a deixar feriadas. Continuei esse processo balando minhas mãos com mais velocidade, fazendo o pano se afrouxar, até que consegui soltar minha mão direita abruptamente.

Minha pele por cima ficou esfolada, com sangue escorrendo pelo braço, mas não me importei, isso era um mínimo detalhe.

Olhei para cima no exato momento em que Parker bateu a cabeça de Justin em um espelho, o fazendo ficar desacordado e cair no chão. Puta merda.

Enfiei disfarçadamente meu braço direito de volta e fiquei olhando para Parker, analisando seus movimentos, tentando adivinhar qual seria o próximo passo.

- Como ele nos achou? Não é possível que a emboscada tenha dado errado. - Disse para ninguém em especifico, parecia apenas conversando com sigo mesmo, analisando o que deveria ter acontecido. Ele disse que a emboscada devia ter dado errado, então ainda teríamos chances. - Preciso dar uma olhada lá fora e ver o que aconteceu, você fica aqui. - Disse pegando os pés do Justin e começando a puxá-lo para fora.

- Para onde você vai levá-lo? - Gritei desesperadamente. - Espera! O que vai fazer com ele? PARA ONDE VAI LEVÁ-LO? - Gritei mais forte, mas ele me ignorou, apenas tirou Justin dali e fechou a porta.

Puxei minha mão de novo e comecei a desamarrar o outro lado. Quando minhas mãos estavam livres, desamarrei os meus pés. Olhei ao redor e na cozinha improvisada havia uma frigideira e um canivete. Coloquei o canivete em meu sutiã onde eu teria um melhor acesso para pegá-lo e segurei a frigideira com força.

Fui para trás da porta e aguardei, aguardei por uma eternidade até que pude escutar seus passos se aproximando.

Levantei a frigideira a segurando firme, pronta para atacar.

- Estão todos no celeiro, parece que vamos ter que ficar aqui... - Ele parou de falar no instante que notou a cadeira vazia. Foi só o momento de ele olhar para trás e me ver antes da frigideira bater com tudo em sua cabeça. Bati com tanta força que ele cambaleou e caiu no chão.

Abri a porta e saí correndo, seguindo por um corredor que não fazia ideia de onde daria. Abri uma porta e apareci em um lugar que aparentava ser um escritório improvisado, então saí dali rapidamente vendo Parker tentar se levantar. Virei por outro corredor e saí correndo, enquanto corria olhei rapidamente para o lado esquerdo e avistei uma fresta de luz. Parei e corri por aquela direção, achando uma escada e uma porta logo acima. Subi os degraus rapidamente e quando eu ia abrir a porta, avistei Parker correndo em minha direção pelo corredor, tentando se segurar apoiando suas mãos na parede, provavelmente por sua cabeça ainda estar dolorida.

Abri a porta abruptamente a empurrando com força para cima, então terminei de subi as escadas e saí correndo, quase perdendo o equilíbrio e me esborrachando no chão.

Comecei a correr em direção ao celeiro, podia ver alguns carros que reconheci ser dos seguranças de Justin. Quando comecei a me aproximar no celeiro e avistei o primeiro segurança, senti algo pesado cair em cima de mim me fazendo cair de cara na terra. Olhei para trás e Parker estava agarrado em minhas pernas, tentando me puxar.

- Volta aqui sua... - Não esperei que ele terminasse, comecei a chutá-lo e a gritar pedindo socorro. Logo o segurança olhou em minha direção e depois começou a correr até a mim, com sua arma apontada. Pude ver mais seguranças saindo do celeiro e vindo em minha direção.

Parker conseguiu se levantar e a me puxar junto a ele, envolvendo seu braço ao redor do meu pescoço. Se ele fizesse qualquer movimento brusco, torceria meu pescoço e eu morreria na hora.

Pude ver Caitlin e Castiel correndo em minha direção também. Senti uma felicidade enorme dentro de mim por ver minha melhor amiga aqui. Logo Chaz e Nolan apareceram também, com suas armas apontadas.

- Onde está Justin, Parker? - Chaz perguntou, com sua arma apontada para sua cabeça.

- Bem aqui. - Ouvi a voz de Justin atrás de nós. Tentei olhar, mas não consegui ver muita coisa, Parker manteve minha cabeça firme contra o seu peito. Mas ele estava bem, estava logo atrás de mim, estava bem. Senti um peso sair das minhas costas. - Tem uma passagem subterrânea perto daquela árvore. - Não podia vê-lo, mas sabia que Justin estava apontando para a mesma. - Ele estava a mantendo lá, e possivelmente era lá que estava se escondendo desde tudo que aconteceu no início do ano.

- Outro que é esperto. - Parker sussurrou em meu ouvido e depois começou a rir. - Na verdade, todos vocês se acham espertos.

- Não, Parker, você que realmente é burro. Achou mesmo que me encurralando dentro de um celeiro iria me fazer perder? Sua equipe não chega aos pés da minha, acho que se esqueceu disso. - Justin revidou. - Acabou,Parker, está encurralado. Todos os seus homens morreram, você perdeu tudo, é o fim, solte-a agora. - Parker que até então estava de costas para Justin, se virou e ficou frente a frente com ele, me fazendo encarar os olhos de Justin. Ele estava com um corte perto da sobrancelha com uma grande mancha de sangue escorrendo pelo seu rosto devido a pancada forte que levou quando Parker jogou seu rosto contra o espelho. Parker não fez questão de olhar para ele apenas para provoca-lo, eu sentia isso dentro de mim. Ele fez isso para que Justin visse a vida sendo tirada dos meus olhos.

Ele iria me matar ali e agora, eu sentia isso.

As lágrimas começaram a me dominar, escorrendo pelas minhas bochechas, podia ver a expressão de medo e angustia que Justin tentava esconder, mas ele sabia que não podia revidar com Parker tão próximo a mim. E o pior de tudo, ele sabia que se não tentasse, eu iria morrer ali e agora.

Mas então algo me chamou atenção.

Olhei para cima do celeiro disfarçadamente que estava logo ao nosso lado e avistei Ryan em cima do telhado. Ele olhou para mim e fez um sinal para que eu me abaixasse. Assenti apenas com os olhos e quando abaixei minha cabeça, Ryan caiu em cima de nós, fazendo com que Parker soltasse seu braço do meu pescoço. Arrastei-me rapidamente para longe, me levantando e saindo correndo. Olhei para trás e vi Ryan em cima de Parker, lhe dando vários socos na cara.

Logo Justin se aproximou e tirou Ryan de cima de Parker.

- Isso é comigo. - Justin disse dando vários chutes e socos, socos com tanta força que eu nem sabia que ele tinha. - Seu filho da puta, eu vou acabar com você, vou acabar com você. - Ryan, Chaz e Nolan se uniram a ele, dando vários chutes pelo seu corpo. Senti braços carinhosos me envolverem, vendo Caitlin me abraçar e me puxando para longe. Castiel ficou do meu outro lado também me envolvendo em seus braços e me ajudando a ficar em pé.

Nos afastamos o suficiente para ficar longe da confusão, mas perto o suficiente para ver o que estava acontecendo.

- Vamos embora, Kelsey. - Castiel disse tentando me tirar dali, mas neguei com a cabeça e puxei meu braço de volta.

- Eu quero ver o seu fim. - Foi a única coisa que eu disse, com meus olhos frios olhando para um Parker sendo espancado, aquele homem que durante dezessete anos da minha vida eu chamei de pai, e mesmo não gostando de tudo que vinha dele, eu realmente o amava como pai, queria que ele me desse atenção e me tratasse como filha, coisa que nunca aconteceu.

Tudo não passou de uma grande mentira.

Quando Justin e os outros começaram a parar, eu já sabia o que tinha acontecido. Parker Jenner estava morto, finalmente morto.

Ele foi espancado até a morte, sua dolorosa morte merecida.

Justin ainda o olhava, olhava para o corpo sem vida do Parker com raiva, nojo e ódio, então pegou sua arma e começou a descarregar em cima do seu corpo já sem vida. Atirou vária vezes na cabeça, até um grande buraco se formar no meio de sua testa e seus miolos saírem.

Dessa vez eu virei meu rosto para o lado, não conseguindo ver aquilo, e então de repente escuto Caitlin gritar de horror. Quando voltei a olhar para frente, vi um Ryan caído de cara no chão. Justin se jogou no chão e olhou para os lados, então avistamos um homem ao longe com uma arma na mão, começando a correr para longe logo depois.

- Rápido, atrás dele. - Justin ordenou e seus seguranças, Chaz e Nolan correram rapidamente atrás do homem que tentava fugir. - Ryan! - Justin gritou e correu em direção ao corpo de Ryan. Eu, Caitlin e Castiel, corremos em sua direção, quando nos aproximamos, coloquei minha mão na boca e comecei a chorar. Justin virou o seu corpo para cima e Ryan estava com seus olhos marejados em lágrimas, e com seus lábios trêmulos. Uma grande mancha vermelha se formava em sua barriga, perto do abdômen. - Droga, Ryan, aguenta firme, irmão, vamos tirá-lo aqui. - Justin disse tentando se controlar, mas seus olhos já estavam em lágrimas.

- Não, eu preciso dizer algo. - Ele disse fracamente, com sua respiração começando a falhar. Isso não estava acontecendo, não estava acontecendo.

- Não, eu vou te levar agora, eu... eu... - Justin começou a chorar, gaguejando as palavras.

- Não, não tenho tempo, você precisa me deixar dizer isso... - Então ele começou a se engasgar, deixando Justin em estado de pânico. - Lembro-me de quando éramos crianças, enrolávamos lençóis no pescoço como se fossem capas e corríamos pela casa gritando "ao infinito e além". - Percebi Justin sorri em meio as lágrimas, esperando que Ryan terminasse de falar. - Queríamos ser grandes como um astronauta, e de certa forma nós fomos, mas de um jeito diferente. - Sua voz começou a falhar, com ele contorcendo seu rosto em dor, mas ele se manteve firme e forte, ele queria dizer aquelas palavras para Justin mais do que tudo. - Nós nos tornamos nosso próprio astronauta, e ao invés de dominar a galáxia, nos dominamos aqui, e isso foi mais do que o suficiente. - Ele engasgou de novo, mas olhou fixamente nos olhos de Justin. - Você vai ter um grande recomeço, um recomeço maior do que qualquer coisa que já tivemos, porque você vai muito além. - Agora ele chorava, e então lentamente esticou sua mão e segurou no braço de Justin que estava apoiando com força no seu ferimento, para tentar estancar o sangue. Ele olhou para ele com lágrimas escorrendo em sua bochecha, e então deu um meio sorriso, um sorriso tranquilizador. - Vai ao infinito e além porque eu to contigo, irmão. - E então sua visão começou a perder o foco, e suas mãos começaram a afrouxar o braço de Justin.

- Ryan, não, Ryan! - Justin começou a sacudi-lo, tentando reanima-lo, mas seus olhos estavam olhando para o céu fixamente. Completamente vazios. - PORRA RYAN, EU COMECEI ISSO COM VOCÊ, NÃO POSSO TERMINAR SEM VOCÊ. - Justin gritava em meio às lágrimas sobre o corpo de Ryan. Caí de joelhos ao chão e abracei os meus braços, começando a chorar compulsivamente. Caitlin abraçou Castiel, chorando em meio a soluços em seu peito. - VAMOS RYAN, LEVANTA PORRA. RYAN! - A voz de dor de Justin ecoava em meus ouvidos e me desmoronava. Justin batia com força no peito do Ryan tentando reanima-lo. Seu rosto estava vermelho enquanto ele se afogava em lágrimas, e a única coisa que ele conseguia dizer era o nome do seu melhor amigo. - RYAN! RYAN! - Ele deitou sua cabeça no peito de Ryan enquanto seu corpo soluçava compulsivamente em meio às lágrimas. Seus gritos roucos preencheram o local, deixando todos os seguranças ao redor paralisados. Sua voz ecoava em minha mente, sua voz com dor e sofrimento.

Muitos ali estavam perdendo apenas um parceiro, outros um grande amigo.

Mas Justin estava perdendo muito mais do que isso.

Estava perdendo seu parceiro do crime, seu aliado, seu irmão.


Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top

Tags: