Kidnapped - Parte 2

POV. Justin 

 Eu já havia deixado milhares de mensagens, ligado mais de mil vezes e tudo caia na caixa postal. Estávamos na sala esperando Kelsey para almoçar, mas todos estavam mortos de fome. 

Caitlin havia ido à casa de Castiel para verificar se ela estava lá, mas quando ela passou pela porta e me olhou com uma expressão vazia, eu sabia que boa coisa não era.

— Nada de Kelsey. Ela esteve lá, mas já foi embora há muito tempo, ninguém sabe para onde ela poderia ter ido.

— Porra, porque não consigo falar com ela? — Gritei de raiva mais uma vez, então taquei o celular com força no sofá. — Quando ela chegar vai me ouvir, ela sabe que não pode desligar a porra do celular. Vamos comer. — Todos me seguiram até a mesa farta com comida que estava a nossa espera na cozinha. Estava morto de fome e a comida de Dorotha era maravilhosa.

— Senhor, Justin, desculpa interromper, mas Jenna Roberts está ai e quer falar com Kelsey. — Dorotha veio avisar. Antes a primeira coisa que eu iria fazer seria manda-la embora, mas agora eu estava me levantando e indo até Jenna.

Quando ela viu eu me aproximar, encolheu os seus ombros, me olhando cautelosamente.

— Bieber. — Ela acenou com a cabeça.

— Roberts. — Acenei de volta, então parei em sua frente e coloquei minhas mãos no bolso da minha bermuda, analisando-a. Ela começou a ficar desconfortável, tentando imaginar o que eu faria. — Preciso saber se viu Kelsey depois que nos despedimos mais cedo. — Ela cruzou o cenho, confusa.

— Como assim? Ela não veio com você?

— Sim, veio, mas Caitlin me disse que ela saiu para ver um amigo... — Trinquei o maxilar, antes eu achava ser só Castiel, a parte desse outro amigo ainda era desconhecida para mim. Kelsey iria ter que se explicar —, e não voltou mais. Por acaso ela ligou para você ou disse para onde iria?

— Não, nada. Voltei para o hotel e arrumei minhas coisas, depois vim imediatamente para cá. — Me aproximei dela e ficamos cara a cara. Ela engoliu em seco, se perguntando o que poderia estar passando pela minha cabeça.

— Se estiver mentindo para mim, eu acabo com você sem pensar duas vezes. — Ela engoliu em seco de novo, mas se manteve firme, me encarando de volta da mesma forma que eu a encarava: Com superioridade.

— Não faria nenhum mal a Kelsey, se é isso que está insinuando. — Ela deu um passo para frente, me fazendo dar um passo para trás. Espera ai, ela está me intimidando? — Então não me venha com essa, ainda sou a mãe dela, e estou aqui por ela. Onde está minha filha? — Sustentamos olhar por um tempo. Eu não desviei o olhar como ela também não. Ela parecia realmente estar falando a verdade.

— Gostaria de saber disso também, ninguém consegue falar com ela, se ela não desligou o celular, deve ter descarregado.

— Tem muito tempo que não falam com ela?

— Não muito, quase meia hora que Caitlin esteve com ela.

— Então vamos aguardar. Algo deve ter acontecido com seu celular.

Ela poderia estar certa, ainda não passou tempo o suficiente para nos desesperarmos. Mas ficar sem falar com ela era frustrante, ainda mais depois do que aconteceu da última vez. A última vez que isso aconteceu, fiquei horas sem ter notícias dela, eu estava surtando a ponto de quase enlouquecer, depois descobri que ela havia sido achava com Castiel.

E agora tem esse outro amigo que eu nem sabia da existência. Kelsey realmente estava bastante encrencada.

— Estamos almoçando, pode vir se quiser.

— Obrigada. — Ela abriu um meio sorriso no qual eu não retribuí. Isso já seria de mais. Apenas me virei e voltei para a cozinha, tendo certeza que ela estava me acompanhando logo atrás devido ao barulho dos seus passos. Todos almoçaram conversando coisas aleatórias, mas eu não conseguia me concentrar.

Kelsey nunca foi disso, algo realmente deve ter acontecido com seu aparelho, e assim espero, se não ela realmente iria me ouvir.

— Assim que Kelsey chegar me avisem imediatamente. — Ordenei para Caitlin e Jenna, as mesmas assentiram. Voltei para o escritório com os caras, tínhamos mais coisas para resolvermos sobre o que aconteceria nos próximos dias.

A derrota de Mikael.

POV. Kelsey

Abri os olhos lentamente vendo um ambiente escuro e duas luzes vermelhas. Arregalei os olhos e olhei ao redor, percebendo que estava na mala de um carro. Então me lembrei do que havia acontecido.

Eu fui sequestrada, estava sendo levada para algum lugar que eu não fazia ideia.

Olhei ao redor notando visivelmente que havíamos trocado de carro. O porta malas desse carro era pequeno demais para uma Range. Comecei a chutar as "paredes" e a gritar, tentando encontrar uma maneira de sair.

Se esse carro for novo, ele vai ter uma alavanca de emergência para abrir a porta. Segui o meu raciocínio e olhei ao redor em busca de algo que brilhasse no escuro, mas a única coisa com cor eram as luminárias vermelhas da traseira do carro.

Droga. Esse carro não é novo o suficiente para ter alavancas de emergência. Pensa, Kelsey, pensa.

Comecei a revistar ao redor em busca de qualquer coisa que pudesse me ajudar. Encontrei apenas uma chave de fenda, mas ela poderia ser muito útil.

Olhei para as lanternas traseiras e depois para a parte grossa da chave de fendas. É isso. Comecei a bater e a chutar com o pé, até que consegui fazer a parte vermelha soltar e cair. Depois com a ponta fina da chave de fendas, comecei a soltar uma parte do ferro que bloqueava a visão, até que a mesma caiu no chão.

Olhei para fora vendo que estávamos em uma pista expressa, com vários outros carros ao redor.

Quando comecei a colocar meu braço para fora, o carro virou em outra rua, seguindo para uma ária afastada da pista expressa. Filhos da puta, filhos da puta. Coloquei meu braço de volta para dentro vendo os carros ficarem cada vez mais afastados. Droga, droga, droga.

Olhei ao redor e estávamos indo para uma área cada vez mais isolada. Que porra de lugar era esse?

Voltei a me deitar como eu estava antes e fiquei olhando frustrada para cima, para o forro escuro que estava por cima da minha cabeça. Então as lágrimas chegaram e comecei a chorar compulsivamente.

Eu nunca mais veria Caitlin? Ou Jenna? Castiel? Os garotos? E principalmente, Justin? Nunca mais veria nenhuma deles? O que iria acontecer e o que iriam fazer comigo? Porque eu?

Porque sempre eu?

Parei de chorar quando o carro parou e as portas começaram a se abrir. Droga, é agora, Kelsey, é agora.Segurei firme a chave de fendas e a mantive escondida ao lado do meu corpo, estando preparada.

Seria tudo ou nada, e eu precisava tentar.

Iria tentar com todas as minhas forças, principalmente por aqueles que amo.

Quando o porta malas se abriu, avancei com tudo para cima de quem quer que esteja do outro lado. Com a minha mão livre, eu o estapeava, com a outra eu tentava ataca-lo com a chave — sem muito sucesso.

Quando notei quem era o homem me segurando, meu corpo paralisou no mesmo instante.

— Eu te subestimei, Kelsey. Para uma garota de dezoito anos, você luta bravamente. — Parker me encarava com um sorriso sacana, segurando firme os meus braços finos. — Agora já chega desse showzinho ridículo, você tem uma dívida comigo. Todos vocês.

POV. Justin

Duas horas.

Duas horas sem Kelsey aparecer ou entrar em contato. Christian já estava tentando rastrear o seu carro, poderia ser loucura, mas eu odiava o fato de não conseguir entrar em contato com ela. Ela poderia estar apenas em algum outro lugar se isolando do mundo, mas ela sabe que não pode fazer isso, e eu creio que ela não faria algo assim se não tivesse realmente um motivo, e até onde eu sabia, no momento ela não precisava fazer algo assim.

Estávamos juntos e melhores do que nunca, ela havia perdoado Jenna, não tinha brigado com Caitlin, tudo estava se resolvendo na medida do possível, então porque ela iria querer se isolar?

— Algo aconteceu. — Falei com firmeza. — Ela não ia simplesmente desaparecer sem motivo nenhum.

— Ou talvez tivesse. — Caitlin disse sem graça. Olhei para ela e então arqueei uma sobrancelha.

— Vai desembuchar ou preciso tortura-la? — Ela revirou os olhos, então suspirou, pensando se devia contar ou não. — Anda Caitlin, não consigo encontrar Kelsey e preciso saber o que está acontecendo. — Gritei com raiva.

— Bom, vamos dizer que as coisas não saíram muito bem quando ela foi visitar esse amigo de Castiel, que também é nosso amigo.

— Do que você está falando? — Ok, agora eu realmente estava ficando puto e desconfiado.

— Quando contei ao Zeke, esse nosso amigo, que não estava conseguindo entrar em contato com Kelsey, ele disse que talvez seja porque ela estivesse chateada.

— Chateada com o que? As coisas estão se resolvendo e... — Parei de falar quando notei sua expressão. O que ela estava escondendo? — Desembucha Caitlin, aconteceu outra coisa, não foi?

Escancarei a porta e comecei a descer as escadas com pressa, tendo certeza que Caitlin e os caras estavam logo arás de mim.

— Justin, acalme-se. — Caitlin me pediu pela milésima vez, mas eu não iria me acalmar, não depois do que me disse.




— Oi? — Um rapaz alto de olhos claros nos encarou confuso, ele parecia que havia acabado de sair do banho. Estava apenas com uma bermuda e com uma toalha esfregando o cabelo molhado. — Caitlin? — O possível Zeke disse olhando para ela. — O que está acontecendo?

— Zeke, olha... — Não deixei Caitlin continuar, avancei em cima dele e dei um soco em cheio no seu nariz. O mesmo gritou e recuou.

— Qual o seu proble... — O interrompi com outro soco, depois outro, outro e outro, o derrubando no chão com sua cara já toda ensanguentada.

— Meu Deus, Justin, você prometeu, prometeu que não faria nada com ele. — Caitlin disse entrando em minha frente e me empurrando. — Qual o seu problema?

— O meu problema? Esse cara a beijou, minha namorada. — Gritei em sua direção, para que ele ouvisse em claro e bom som. — Agora por causa disso está chateada e desaparecida. — Zeke que até então estava de cabeça baixa, levantou sua cabeça e me encarou nos olhos. Com certeza eu havia quebrado o seu nariz.

— O que? O que aconteceu? Não a encontraram ainda?

— Não seu estúpido. — O chutei na barriga, o fazendo se curvar de dor. — E por sua culpa, o que fez pra ela? Em? — O chutei de novo e uma Caitlin furiosa entrou na minha frente, me empurrando para trás.

— Já chega Justin, já disse.

— Não encosta em mim sua...

— Sua o que? — Olhei para trás e vi Castiel descendo as escadas. — Em Bieber? Sua o que? — Disse cruzando os braços e me encarando de forma desafiadora depois de já ter descido as escadas.

— Deixa isso pra lá, Castiel. — Caitlin pediu, mas eu continuava encarando Castiel. Se fosse para eu dar umas boas porradas nele também, eu daria.

— Não Caitlin, ele precisa saber onde é o devido lugar dele, não chegar onde quer e fazer o que quiser.

— Com certeza esse não é o meu lugar, olha para isso. — Levantei meus braços para olhar ao redor. Os dois moravam em um porão que nem cômodos havia, tudo era separado por divisórias. — Quanta miséria.

— Pelo menos tudo aqui foi conquistado com algo digno, não roubado. — Rebateu.

— Foi pra ofender? Porque não funcionou.

— Já chega, mais que porra. — Caitlin esbravejou irritada. — O foco é Kelsey, ok? Precisamos encontra-la. Não acho que isso que aconteceu com Zeke seja motivo do seu sumiço, algo está acontecendo.

— E você imprestável como sempre não estava com ela, você era a segurança dela.

— Eu sei, me desculpe, mas ela quis vir sozinha, ela já havia vindo outras vezes sozinha e nada tinha acontecido.

— Tudo tem uma primeira vez, Caitlin, tudo.

— Encontrei. — Christian gritou em nossa escuta. — Tenho o endereço de onde está o carro, vou enviar para o seu celular, é só jogar no GPS.

— Ok, manda logo, estou indo para lá. — Disse saindo imediatamente daquele porão e indo para o meu carro. Sabia que Caitlin e os caras estavam vindo logo atrás, mas então vi Castiel acompanhando Caitlin. — Nem pense nisso.

— Kelsey é minha amiga e eu estou indo com Caitlin, não com você. — E adentrou no carro de Caitlin. A mesma me olhou brevemente, mas não disse nada, apenas abriu a porta do seu carro e adentrou, logo o ligando.

Trinque o maxilar, mas fiz a mesma coisa. Entrei em meu carro pegando meu celular e vendo o endereço por uma SMS que Christian havia me enviado. Joguei o endereço no GPS e liguei o carro rapidamente, dando ré e fazendo uma manobra rápida e perigosa pra seguir por aquela rota.

Os outros começaram a me seguir pelo mesmo caminho.

Estava tão nervoso que a única coisa que eu conseguia pensar era se ela estava bem e se a encontraria com vida.

Por favor, que ela esteja viva.


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