I Promise

Justin curvado sobre o corpo de Ryan chorava em meio a soluços. Eu nunca o havia visto tão transtornado e derrotado como estava agora. Justin estava ferido tanto por fora como por dentro. Pela força que fazia ao chorar, o corte sobre a sua sobrancelha escorria mais sangue que o normal.

Eu queria ir até ele e abraça-lo, mas estava com medo da sua reação. Estava me sentindo tão culpada que se ele me rejeitasse aqui na frente de todos, eu juro que morreria.

- O filho da puta escapou, mas eu vi... - Chaz parou de falar assim que se aproximou e viu Justin debruçado sobre Ryan. - Não, não, não, não. - Ele começou aos poucos a perder o controle, colocando uma mão na boca e seus olhos ficando marejados de lágrimas.

- Calma, Chaz, fique calmo... - Nolan se aproximou tentando acalmá-lo enquanto olhava espantado para o corpo sem vida de Ryan.

- Não, não pode ser. - Chaz o interrompeu e se afastou dos braços de Nolan que tentava acalma-lo. Nolan olhou para mim com seus olhos marejados, mas lutou com todas as suas forças para não se desesperar, ele era o único ali em sã consciência que poderia nos ajudar.

Olhei para a direção em que Chaz havia ido e o vi chutar e dar um soco em uma árvore antes de cair de joelhos no chão e começar a chorar. Fiquei olhando aquela cena e me sentindo mais triste e culpada por tudo isso.

Parker era o meu pai, foi por causa dele que entrei na vida de Justin.

Se não fosse por minha causa, Ryan estaria vivo nesse momento.

- Caitlin e Castiel, tirem Kelsey daqui. - Ordenou Nolan. Com Christian na mansão, Ryan morto, Justin e Chaz aos prantos, só restou ele para tentar botar ordem, mesmo eu percebendo que ele fazia de tudo para se controlar.

- Não. - Me levantei do chão e olhei para Justin debruçado sobre Ryan. - Preciso ficar, preciso ajuda-lo...

- Ele precisa de um tempo, Kelsey, é melhor você ir, aqui não é seguro. - Insistiu Nolan, mas eu precisava abraçar Justin e beijá-lo e dizer que eu não queria que Ryan estivesse morto. Eu não queria. Mas Caitlin e Castiel começaram a me puxar para me tirar dali.

- Vamos Kelsey, Nolan tem razão, em casa vocês conversam. - Caitlin disse me envolvendo em seus braços com Castiel nos seguindo logo ao lado. Me deixei ser levada porque estava esgotada, e toda vez que eu olhava para Justin, ele só tinha olhos para Ryan, estava triste e desmoronado, eu sabia que precisava desse tempo com ele.

Entrei no carro de Caitlin com ela ficando na parte de trás junto comigo enquanto Castiel dirigia. Apoiei minha cabeça na janela e chorei baixinho, tentando tirar um pouco da dor e da culpa dentro de mim.

- Você não tem culpa, Kells. - Castiel disse me olhando pelo espelho retrovisor, como se lesse meus pensamentos. Não respondi, apenas o encarei e depois virei minha cabeça para olhar pela janela.

Quando chegamos à mansão, Christian veio correndo e imediatamente abraçou sua irmã como se não fosse vê-la nunca mais. Ele estava preocupado e aflito com ela, pois não teve notícias de ninguém nas últimas duas horas. Christian perguntou como eu estava e depois do meu semblante triste, perguntou:

- O que aconteceu? - Abracei meus braços e comecei a soluçar, até que desabei em chorar. - Meu Deus, o que houve? Justin? Justin está bem? - Christian olhava com súplica para sua irmã, até que Caitlin deu a notícia a Christian. Quando Christian ouviu "Ryan está morto", ele paralisou.

- Vou leva-la lá pra cima. - Avisou Castiel para Caitlin me tirando daquele momento ruim de Christian. Agora era a vez dele de lidar com a dor, e Castiel sabia que eu não suportaria ver mais alguém sofrendo por algo que tenho culpa.

Direcionei Castiel para o quarto de Justin, sem saber se eu ainda era bem recebida ali. Provavelmente quando Justin voltar irei ser despejada com todas as minhas coisas.

- Kelsey, ai meu Deus. - Jenna adentrou no quarto e me abraçou me afastando dos braços de Castiel. - Fiquei com tanto medo, com tanto medo. - Ela começou a chorar enquanto me abraçava forte. Abracei-a com tanta força sem me preocupar se poderia sufoca-la, eu só precisava desse abraço afetuoso mais que tudo nesse mundo. Enquanto nós duas nos abraçávamos forte enquanto chorávamos, senti Castiel se afastando lentamente.

Abri meus olhos apenas para vê-lo sair do quarto e fechar a porta, nos dando privacidade. Continuei abraçada com Jenna por longos minutos, até que nos afastamos e sem dizer nada ou perguntar alguma coisa, ela me ajudou a me despir e me deu um maravilhoso banho na jacuzzi.

Me sentia uma criança recebendo cuidados assim, mas eu não conseguia me mover, todo meu corpo estava paralisado pela culpa e angustia.

Eu precisava ver Justin, saber se estava bem, abraça-lo, beijá-lo, sentir o seu calor, o seu cheiro... só assim para eu me sentir melhor.

Depois do banho, me enxuguei sozinha e Jenna escolheu um pijama confortável para me vestir. Depois de completamente vestida, Jenna me colocou na cama e beijou minha testa depois de me cobrir.

- Sonhei anos em fazer isso com você, dar banho e por minha garotinha para dormir. - Ela sorriu e eu sorri para ela. Sua mão afagou meus cabelos loiros antes de se afastar e me deixar a sós no quarto. Toda vez que tentava fechar os olhos, a imagem de Ryan morrendo na minha frente surgia. Comecei a chorar olhando para o teto e sussurrando "me desculpa, me desculpa, me desculpa", como se Ryan pudesse me ouvir.

Pensei que não conseguiria dormir quando acordei sobressaltada. Olhei ao redor e estava muito escuro. Olhei ao relógio que estava apoiado no criado mudo e já era de madrugada.

Olhei ao redor e a cama ao meu lado estava intacta. Nada de Justin.

Levantei da cama e fui até o banheiro, estava apertada. Depois de escovar os dentes e de jogar várias vezes água em meu rosto, criei coragem para descer as escadas. Sabia onde encontraria Justin e do jeito que iria encontra-lo.

Não bati na porta, comecei a abri-la lentamente encontrando Justin em pé olhando pela janela com um copo do seu inseparável Whisky em mãos. Adentrei lentamente e quando fechei a porta, Justin se virou e seus olhos vermelhos por ter chorado encontraram os meus.

Não dei mais nenhum passo, continuei parada em frente á porta encarando seus olhos tristes. Não sabia como reagiria e estava me sentindo tão esgotada, fraca e triste que se ele elevasse a voz comigo, eu iria sair correndo na mesma hora.

Tudo que eu menos precisava agora eram de acusações.

Ele estava com as mesmas roupas de mais cedo, e sua blusa preta havia uma mancha seca de sangue. Engoli em seco, sentindo minhas pernas tremulas, mas fiquei aliviada por ver que ele estava de curativo e não havia mais sangue escorrendo pelo seu rosto.

Dei um pulo de susto com Justin avançando em minha direção, largando seu copo em cima de sua mesa e me tomando em seus braços. Ele me abraçou com força, como se fosse me perder se ele me soltasse.

O abracei de volta com a mesma intensidade, como se o mundo fosse acabar agora e eu só precisasse dele.

Como se precisasse daquilo para respirar, e tecnicamente, eu precisava.

- Justin, me perdoa, eu não queria, eu... - Comecei a gaguejar e a sentir as lágrimas em meus olhos. Justin se afastou para olhar nos meus olhos, com seu cenho franzido.

- O que? Perdoar o que, Kelsey?

- Você sabe, Ryan está morto por minha causa. - Seu rosto se contorceu.

- Não repita uma besteira dessas, você não teve nada a ver com isso. - Esbravejou irritado.

- Mas... Mas ele morreu ao tentar me proteger.

- E eu devo tudo isso a ele. - Olhei para ele espantada, realmente não esperava por isso. Eu não sabia se ria ou se chorava de tanta felicidade, eu realmente achava que Justin iria me culpar pelo o que aconteceu ao Ryan.

- O que? Mas ele está morto, como não é minha culpa?

- Como eu poderia culpa-la, Kelsey? Você não pediu para estar lá, não pediu para ser sequestrada, não pediu nada do que aconteceu. E de alguma forma eu sabia que se não fosse Ryan, teria sido você. - Ele segurava o meu rosto e olhava fixamente em meus olhos. - Eu sabia naquele momento que estava olhando para os seus olhos pela última vez. Meus amados olhos azuis. - Uma lágrima escorreu e tentei segurar um sorriso. - Parker iria te matar, e Ryan também percebeu isso, por tanto fez alguma coisa a respeito, mas eu conheço Ryan melhor do que ninguém, Kelsey. Ele nunca sacrificaria sua vida por alguém que não merecesse. - Nessa hora solucei, com as lágrimas molhando as minhas bochechas, mas continuei olhando para ele fixamente. - Se ele fez isso por você, é porque ele sabe o quanto você vale a pena e o quanto eu te amo. - Fechei meus olhos ao ouvir essas palavras, com mais lágrimas escorrendo pela minha face. Levantei meu olhar de novo para encontrar os seus olhos, eles me encaravam com toda a sinceridade e amor do mundo. - Ele morreu para deixa-la comigo, não posso estar bravo com você por ele mesmo ter feito isso. Só tenho a agradecer a ele por sempre ter pensado primeiro em mim. - Dessa vez foi seus olhos que começaram a ficar marejados e sua voz entrecortada. Me doía vê-lo sofrer tanto. - Ele preferiu me deixar você, então a melhor coisa que eu tenho agora é isso. - Sem conseguir me controlar em meio a essas palavras, avancei em sua direção e o beijei. Justin correspondeu imediatamente ao meu ardor, passando sua mão esquerda para a minha nuca enquanto a sua direita permanecia em meu rosto. Envolvi meus braços ao redor do seu pescoço e trouxe seu corpo mais para mim, do jeito como sempre gostei de fazer.

Justin logo desceu suas mãos para a minha cintura, me puxando para ele e prensando seu membro já ereto sobre a minha intimidade. Soltei um gemido entre o beijo, já sentindo o calor e o desejo pelo meu corpo.

Justin me conduziu para a sua mesa do escritório e jogou tudo no chão, me pegando pela cintura e me dando impulso para que eu me sentasse na mesma. Com as pernas abertas, ele se enfiou no meio delas onde eu envolvi minhas pernas em sua cintura, o puxando para perto, sentindo seu membro duro me fazendo delirar.

Joguei minha cabeça para trás deixando espaço livre para que ele beijasse. Justin começou a beijar e a mordiscá-lo, me fazendo gemer. Logo ele foi subindo seus beijos e chegou perto do meu ouvido sussurrando:

- Faça a dor passar. - Me afastei dele o suficiente só para ver os seus olhos. Estavam tristes e escuros. Se é disso que ele precisa, é disso que ele terá.

O beijei com força começando a despi-lo. Puxei sua camisa - que ainda havia manchas de sangue seco - e as joguei para longe, distribuindo beijos pelo seu peitoral enquanto ele gemia.

Seus gemidos. Algo que me deixava louca eram seus gemidos, eram roucos e profundos, me deixavam mais excitada.

Abri o zíper de sua calça e o empurrei para sair da mesa, então me agachei a sua frente e tirei seu membro ereto de dentro da boxe. Olhei para ele enquanto eu passava minha língua sobre a cabeça, o fazendo me encarar com luxúria e abrir um sorrisinho malicioso.

Então chupei com tudo, o fazendo gemer. Com minha mão eu acariciava os seus testículos, e com minha boca eu fazia movimentos frenéticos de vai e vem, chupando com todo o ardor.

Justin segurou minha cabeça e começou a me ajudar com os movimentos para ir mais fundo, ele estava adorando. Jogando sua cabeça para trás com os olhos fechados, ele estava sentindo todo o prazer. Isso meu amor, apenas relaxe, esqueça de tudo e relaxe.

Quando não aguentou mais esperar, me afastou e me virou contra a mesa, me deixando deitada de bruços com a bunda empinada. Justin puxou violentamente meu short de dormir junto com a calcinha, então logo me penetrando com seu membro em minha intimidade.

Fechei os olhos e soltamos um gemido juntos ao senti o prazer. Justin segurou firmemente minha cintura e começou a dar investidas cada vez mais fortes. Uma... duas... três... dez... vinte... Estava me deixando louca. Completamente louca.

Meus seios estavam apoiados sobre a mesa enquanto Justin me penetrava com força segurando minha cintura, movimentando meu corpo para cima e para baixo com violência.

O barulho dos nossos corpos se chocando um contra o outro me deixava energizada. Isso era bom, muito, muito bom.

Agarrei com força a outra ponta da mesa quando senti o clímax se aproximando. Soltei um gemido alto - quase gritando - Quando senti meu clímax chegar e tive um maravilhoso orgasmo. Justin investiu mais cinto vezes quando chegou ao seu, soltando um gemido alto e rouco, se curvando sobre as minhas costas e dando uma última penetrada forte e profunda, até que seu corpo relaxou e ficamos paralisados.

Senti aos poucos Justin sair de dentro de mim e então reerguer o seu corpo. Continuei curvada sentindo uma moleza por todo o meu corpo, mas Justin me virou me fazendo encarar os seus olhos, então sem falar nada, me pegou no colo e me levou com ele para o sofá.

Ele se sentou sobre o mesmo e me deixou sentada em seu colo, onde fiquei completamente aninhada sobre o seu peito, enquanto ele se encostava todo relaxado no sofá, com sua mão acariciando minha coxa e a outra ps meus cabelos.

Ficamos assim juntinhos por longos minutos até que decidi perguntar:

- Você ainda estava com as roupas de hoje cedo.

- Tive que resolver as coisas para o enterro de hoje à tarde, cheguei em casa há pouco tempo. - Quando acordei essa noite vi que já eram quase duas da manhã, quando cheguei à mansão era por volta das oito da noite, Justin ficou bastante tempo tendo que lidar com isso tudo, estava feliz por ter ajudado a relaxá-lo depois de um dia longo e cansativo.

- Vai ser que horas?

- Logo depois do almoço.

- E a polícia? Fizeram autópsia? - Justin riu e isso me fez encará-lo. - O que foi? Falei algo errado?

- Não, a não ser o fato de que não chamamos a polícia ou levamos os corpos para a autópsia.

- Não? - Contrai as sobrancelhas, sem entender.

- Não podemos chamar a polícia, é meio óbvio. Todos que trabalham para mim e morrem, são examinados e liberados pelo meu próprio médico.

- Dr. Bolton? - Perguntei e Justin assentiu. Foi o mesmo médico que fez o nosso teste de DNA. Esse médico deve ganhar milhões para manter tanto sigilo guardado a sete chaves - fora o contrato de confidencialidade e as ameaças por trás. - Sabe quem foi? - Senti o corpo de Justin ficar rígido. Olhei para ele e ele assentiu com a cabeça. - Quem atirou em Ryan, Justin? - Ele respirou pesadamente e passou sua língua nos lábios para emudecê-los, então olhou para mim.

- Hanks. Alexandre Hanks. Ele disse que iria agir, e estava certo. E o pior disso tudo é que eu sei que é apenas o começo.

POV. Justin

Eu odiava esse clima de velório, porque essa sensação ruim não ficava apenas no velório, ela grudava em você e ficava impregnada onde quer que você fosse. O caixão de Ryan estava sobre uma grande pedra mármore com milhares de flores em volta, com apenas oito pessoa ao redor. Kelsey e eu, Caitlin e Christian, Castiel e Jenna, Nolan e Chaz.

Fiquei olhando para essa cena e um dia serei eu naquela posição, e um dia será essas mesmas pessoas a chorarem por mim, porque eu simplesmente não tinha mais ninguém.

Chaz e Nolan dispensaram falar alguma coisa. Diferente de Chaz, quando eu desmorono, logo depois meu peito é preenchido por um vazio, mas não com Chaz. Ele continuava tentando segurar as lágrimas e a dor que sentia, continuava desmoronando. Nolan demorou para desmoronar, tentava se mantar forte para me ajudar com tudo que eu precisava organizar para o enterro, mas agora aqui em frente ao caixão de Ryan, ele chorava sem parar.

Caitlin continuava chorando ao lado de Castiel, e o mesmo alisava o seu braço tentando consolá-la. Ninguém precisava dizer nada para eu saber que ele estava fodendo ela. Christian estava distante com seus pensamentos e parecia não se importar com a proximidade de Castiel, pelo menos por ora.

Jenna se manteve calada apenas observando, mas estava triste e preocupada com Kelsey, ela sabia o quanto a filha estava sofrendo com isso tudo,

Não havia aqui um padre ou um pastor para dizer algumas palavras bonitas para Ryan ou até mesmo para todos nós, Ryan não era do tipo religioso como todos ali, e iria me xingar de todos os nomes possíveis se eu resolver trazer algum, mas diante de todo o silêncio, foi quando Kelsey se pronunciou:

- Ele merece algumas palavras antes de o deixarmos partir. - Sua voz saiu entrecortada, ela estava se segurando para não chorar. Ela olhou para todos, até para mim, mas eu não conseguia me mover, simplesmente não conseguia.

- Eu falo. - Christian disse nos surpreendendo. Todos olharam para ele que até agora parecia estar vegetando com sua mente vagando para longe. Ele foi para frente do caixão (já fechado) e encarou o rosto de Ryan sobre o vidro que ficava na parte de cima, mudando a direção do seu olhar rapidamente. Todos nós decidimos deixar o caixão fechado justamente para evitarmos vê-lo naquela situação. Se até mesmo olhando o rosto dele sobre aquele vidro era insuportável, imagine com o caixão todo aberto? - Ryan era aquele tipo de pessoa alegre e festeira, você sabia que podia ter uma boa diversão com ele, mas o que Ryan tinha mais de valor, era ser um grande amigo e nunca te decepcionar. Eu não me lembro de uma única vez que eu me senti decepcionado com ele, porque francamente? Quem poderia se decepcionar com alguém como ele? - Ele levantou seu olhar para nos encarar, cheios de lágrimas. Estava quase chorando, assim como todos nós. Caitlin e Kelsey já choravam, e eu não conseguia nem mover meus braços para abraça-la. - Ryan nunca dizia não, sempre ajudava independentemente da loucura, e ai de quem falasse mal ou fizesse mal para alguém que ele gostasse. - Ele sorriu levemente ao se recordar dos momentos. - Infelizmente um dia todos irão virar história, mas sou grato por ele ter feito parte da minha. - Então se afastou e voltou para onde ele estava. Kelsey olhava para todos ao redor, para saber quem mais falaria, mas Caitlin se afogava em lágrimas sobre o peito de Castiel, Chaz estava desorientado e Nolan não aguentava nem falar, e eu? Eu estava destruído.

Ela continuou me olhando e eu mantive meus olhos no chão, sem conseguia encará-la ou o caixão, então senti seu corpo se mover, olhei para cima e Kelsey parou ao lado do caixão e examinou o rosto de Ryan sobre o vidro, então se virou para todos nós.

- Eu não estive ao lado dele há tanto tempo como vocês, por isso sei o quanto está sendo difícil falar, por isso acho que é a minha responsabilidade dizer palavras que possam os confortar. - Ela abaixou seu olhar, se desviando dos meus olhos, engolindo em seco toda a sua angustia. - Há quase dois anos eu estive nessa mesma posição, mas era com minha mãe que na época eu achava ser minha mãe biológica. Ela só tinha a mim e apenas eu compareci ao seu enterro. Todas as dores que estão sentindo agora, eu senti sozinha, sem ninguém para me apoiar. - Todos olharam para ela, mas ela continuou de cabeça baixa. - O que posso dizer é que mesmo depois de quase dois anos, a dor da perda continua, ela nunca vai embora, nunca se apaga. Mas quando conheci todos vocês, essa dor se amenizou e foi mais fácil lidar com tudo isso. - Agora ela olhava para todos nós. - O que quero dizer é que temos uns aos outros, e juntos iremos enfrentar essa terrível perda, mas nunca iremos tirar dos nossos corações e das nossas memórias os momentos e carinho que temos por Ryan Butler, porque é isso que o manterá vivo dentro de todos nós. - Olhei para ela e sorri, sentindo as lágrimas em meus olhos. Jenna sorria para ela com os olhos em lágrimas, tinha orgulho da filha que tinha.

Kelsey Jenner era a mulher mais forte que eu já havia conhecido. Ao olhar para ela, tão linda, tão frágil, não conseguia imaginar ela sozinha no enterro da mãe que a criou a vida toda. Era triste e solitário.

Quando ela voltou para o meu lado, por um impulso eu a abracei, muito forte.

- Está me sufocando. - Murmurou dando uma pequena risadinha. Me afastei dela apenas para encarar os seus olhos, então enxuguei uma lágrima do seu rosto que caiu com o polegar.

- Obrigado. - Sussurrei apenas para ela ouvir. Kelsey sorriu e deitou sua cabeça em meu peito, por fim se aproximaram os coveiros prontos para enterrar o caixão de Ryan. Caitlin desmoronou mais ainda e Castiel a tirou dali. Jenna também se afastou, sabia que esse momento era mais íntimo para nós. Christian afastou Chaz e Nolan, que não estavam muito bem, ficando apenas eu e Kelsey.

Tudo terminou e permanecemos aqui, em frente a lápide de Ryan.

- Kelsey, me deixe sozinho, tenho últimas palavras para dizer a ele. - Ela não disse nada, apenas beijou minha bochecha e se afastou indo se juntar aos outros. Aproximei-me do seu grande túmulo de pedra mármore preta com detalhes em ouro cheio de flores ao redor. Fiz questão que ele tivesse o melhor até mesmo no seu fim.

Ryan Townsend Butler

1994 - 2015

"Para sempre em nossas vidas, nossa alma e nossos corações."

Sorri ao ler a frase, óbvio que foi Kelsey que escolheu, não sou bom com palavras muito menos para ficar escrevendo dedicatórias, até porque, a única coisa que eu conseguia pensar era: Já sinto sua falta, irmão.

- Sinto sua falta. - Falei em voz alta, surpreendendo a mim mesmo. Coloquei minhas mãos no bolso e olhei para a sua fotografia onde ele estava com um grande sorriso. - Você sabe que não sou bom com palavras, por isso não consegui dizer nada na frente de todos, mas eu não podia ir embora antes de dizer "Obrigado". Obrigado por sempre ter me ajudado, por ter entrado nessa comigo, porque eu sei que fui eu que te induzi a isso, e principalmente, por ter salvado Kelsey. - Olhei para o céu onde o sol brilhava fortemente, sentindo as lagrimas chegarem. Tentei controlar minha voz, mas tudo que eu comecei a dizer saia entre dentes, com minha garganta se formando em um nó. - Eu ia perdê-la, e você fez algo a respeito e eu vou ser eternamente grato a você por isso. - Algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto, me fazendo limpá-las rapidamente. - Sei que onde você estiver deve estar me chamando de boiola por estar chorando por um homem, mas porra, foda-se, o infinito e além vai ficar difícil sem você agora. - Passei minhas mãos em meu rosto, enxugando as lágrimas com força e com raiva. - Eu prometo irmão, nunca irei falhar em nada que planejamos, e quem fez isso irá pagar caro porque eu vou caçá-lo, vou encontrá-lo e vou matá-lo.Eu prometo.


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