Fifteen or Twenty Days
Quando passei pelos grandes portões da mansão, Justin, os garotos, Caitlin e Jenna estavam ao lado de fora me aguardando. Senti uma ponta de culpa, com certeza todos estavam muito preocupados.
Quando o carro parou, respirei fundo três vezes antes de abrir a porta. Caitlin e Jenna vieram desesperadamente em minha direção.
— Ai meu Deus, você quase me matou de susto. — Caitlin disse me envolvendo em seus braços.
— Kelsey, eu sinto muito. — Jenna me abraçou forte. As duas se afastaram e Justin se aproximou. Não tive coragem de encará-lo nos olhos então apenas fiquei olhando para os seus pés. Não sabia como seria seu comportamento comigo, se iria brigar, gritar, ou se afastar.
— Olha pra mim. — Fechei meus olhos com força os sentindo arder. Não chore agora. Subi meu olhar e encarei seus olhos caramelados. Justin ficou me fitando por um tempo com todos ao redor nos encarando, e então se aproximou rapidamente, me puxando para um abraço apertado. — Você me matou de susto. Me matou de susto. — Ele me apertava forte contra o seu peito e confesso que fiquei surpresa, mas aliviada. Quando criei coragem, eu o abracei de volta, retribuindo ao seu abraço repleto de saudades. Fiquei só algumas horas longe e foi o suficiente para sentir falta da tranquilidade que ele me passava.
— Me desculpa, não foi minha intenção deixa-los preocupados. — Falei me afastando e encarando seus olhos pela primeira vez depois de tudo. — Eu só precisava de ar e me afastar um pouco, eu estava sufocada.
— Eu fiquei igual um louco atrás de você, só não faça mais isso, entendeu? — Seus olhos estavam suplicantes. Ele realmente estava preocupado. Assenti e ele me abraçou de novo. — Agora vá dormir, está tarde, amanhã de manhã conversaremos. — Disse se afastando.
— Onde eu vou dormir? — Gritei antes que entrasse na mansão. Justin parou em frente à porta e ficou assim por um tempo, de costas para mim, pensando no que iria responder. Aposto que nem ele havia pensado nisso. Sei que irmãos podem dormir na mesma cama, mas essa situação se torna diferente quando esses supostos irmãos já se pegaram em todas as posições possíveis.
— Durma com Caitlin essa noite. — Disse ainda de costas e depois entrou na mansão, fechando a porta.
— Kelsey, que confusão, sinto muito por isso. — Nolan me abraçou e beijou minha bochecha.
— Você está bem? — Perguntou Chaz me abraçando.
— Óbvio que não, Chaz, que pergunta idiota. — Rebateu Caitlin me fazendo dar uma breve risadinha.
— Eu vou ficar bem. — Sorri para ele e depois Ryan me abraçou sussurrando coisas no meu ouvido como "Tudo vai se resolver".
— Eu não queria ter descoberto isso, me desculpe Kelsey. — Sussurrou Christian mais afastado do que os outros de cabeça abaixada e fitando os seus pés.
— Ele está se culpando. — Caitlin revirando os olhos.
— Christian, isso não é culpa sua. — Ele levantou sua cabeça para encarar os meus olhos. — Você descobriu sobre o meu passado e nos informou, foi isso que eu queria que fizesse, independentemente do que iria encontrar, não foi você que causou isso tudo.
— Eu não sei, acho que tudo isso apareceu fácil demais. Eu deveria ter me aprofundado melhor, mas fiquei louco na possibilidade de estarem dormindo com... Bom, você sabe. — Exclamou sem graça, coçando sua cabeça logo depois.
— Eu sei, irmãos. — Ele assentiu. — Não sei o que vamos fazer agora, mas acho que é melhor irmos dormir por agora, sei que amanhã Justin vai saber o que fazer.
— Sim, ele sabe, já cuidamos de tudo enquanto esteve fora. Amanhã você saberá. — Assenti e fui até ele e o abracei. Não quero que Chris se sinta culpado por algo que não tem culpa.
Caitlin e Jenna me acompanharam para dentro da mansão e os garotos vieram logo atrás. Todos estavam silenciosos e quietos demais. A mansão sempre ficava assim quando algo ruim acontecia, parecia que tudo ao redor morria.
Jenna nos acompanhou até o quarto de Caitlin.
— Você vai ficar bem? — Ela segurou minhas mãos em frente à porta do quarto, Caitlin já havia entrado.
— Na medida do possível, sim. Vou sobreviver, já passei por coisas piores. — Ela sorriu, mas seus olhos não transmitiam isso. Havia tristeza neles.
— Sinto muito por estar passando por isso. Se precisar eu estou aqui.
— Eu sei, obrigada. — Eu a abracei forte, sentindo seu maravilhoso perfume. Era um perfume floral no qual Jenna amava usar. Toda vez que eu sentia cheiro de flores eu me lembrava de Jenna.
Quando Jenna se foi, eu entrei no quarto de Caitlin. Ela já estava arrumando sua grande cama para dormimos.
— Separei uma babydoll confortável para você e toalha se quiser tomar um banho. Vou preparar um chá e trazer para você, é bom tomar antes de dormir para relaxar depois disso tudo.
— Você é uma boa amiga.
— Eu sei. — Ela piscou pra mim me fazendo rir. — Nem sabemos se isso é verdade, ok? Não se desespere. — Ela se aproximou e me abraçou.
— E se for? — Afastei-me para encarar os seus olhos. — E se for tudo verdade? — Meus olhos começaram a se encher de lágrimas, logo eu estava chorando nos braços de Caitlin.
Ter corrido para extravasar a raiva, desabafado com Castiel, nada disso ajudou a tirar um pouco do peso que estava em cima de mim. Mas agora aqui com minha melhor amiga, eu sentia pela primeira vez que realmente estava desabafando. Só Caitlin poderia me ajudar.
Ficamos abraçadas por um longo tempo enquanto eu soluçava em seu ombro, até que eu finalmente me acalmei.
— Vamos enfrentar isso, tudo bem? Vamos enfrentar juntas. — Assenti limpando minhas lágrimas. — Temos muita coisa que investigar ainda, não sofra com antecedência. — Concordei e então ela beijou minha testa e se afastou. — Vou fazer o chá, vá tomar um banho para relaxar, você está precisando. — E então ela saiu do quarto fechando a porta e me deixando sozinha.
POV. Justin
Eu não sabia o que pensar, tudo estava errado, tudo estava acontecendo de forma errada. Eu não sentia que ela era a minha irmã, como eu também não me sentia assim em relação a ela.
Penso na Jazzy e ela sim, ela eu sinto e vejo como minha irmã, não Kelsey. Sei que isso possa ser influência por namorarmos (ou namorávamos, não sei ao certo), mas mesmo assim não sinto isso vindo dela.
Eu não queria falar com mais ninguém, só queria dormir e tentar esquecer um pouco que tudo estava uma confusão. Abri minha gaveta pegando a cocaína e arrumando três fileiras, fazia tempo que eu não precisava delas, mas hoje à noite tudo que eu precisava era ver um lobo uivando.
— Hey, cara? — Não reconheci a voz de imediato, mas quando abri meus olhos dei de cara com Christian. — Você está péssimo, Justin, daqui a pouco Kelsey vai chegar. — Forcei meus olhos e olhei ao redor vendo que eu ainda estava no escritório, mas estava jogado no chão perto do sofá. Devo ter adormecido na noite anterior.
— Tudo bem, vou subir e tomar um banho. — Cambaleei na hora de levantar e Christian me ajudou a ficar de pé.
— Se drogou noite passada? Você sabe que é uma péssima ideia se drogar quando tem problemas.
— Eu vou ficar bem. — Andei cambaleando em direção à porta.
— Você disse isso da última vez. — Parei de andar e o encarei, odiava quando jogavam a coisas na minha cara.
— Eu me lembro bem, agora basta, não esqueça que sou seu chefe.
— Mas falei como amigo, não como empregado.
— Que seja. — Sai do escritório e subi as escadas indo para o meu quarto. Tudo estava exatamente como antes, era estranho não ver Kelsey enroscada no edredom.
Tomei uma ducha fria rápida e troquei de roupa, descendo as escadas com mais pressa do que quando subi. Às vezes o segredo pra tudo é um bom banho frio.
Quando cheguei à cozinha, todos estavam comendo em silêncio. Kelsey me olhou rapidamente e logo abaixou seu olhar para sua torrada. Ela estava sofrendo, eu sabia que estava sendo difícil ela lidar com essa possibilidade de ser minha irmã, mas para mim também estava sendo difícil.
— Dormiu bem? — Perguntei para ela, ela me olhou e abriu um pequeno sorriso.
— Sim, e você?
— É... eu também. — Ao redor eu podia sentir os olhares de todos em nós, eles conseguiam deixar isso ainda mais estranho. — Vamos para o escritório. — Disse pegando um pão e um copo de suco. Era insuportável ficar ali com todos nos encarando.
Eu sabia que Kelsey estava me seguindo, pois eu ouvia os seus passos logo atrás de mim.
Coloquei meu pão e suco sobre a mesa e me sentando em minha poltrona. Ela ficou parada logo na entrada do escritório.
— Senta-se, Kelsey, para de agir assim, não vou mordê-la. — Disse irritado. Ela suspirou e veio em minha direção, se sentando na poltrona de frente pra mim.
— Desculpe, não estou sabendo ligar com isso.
— Nem eu, mas não surta, ainda temos coisas para lidar.
— O que vamos fazer? Como vamos saber se é verdade? Christian achou a minha certidão? A minha verdadeira certidão?
— Você saiu com tanta pressa ontem que nem deu tempo de explicar tudo. — Beberiquei um pouco do suco e deixei o pão de lado, não estava com fome. — Ele não achou exatamente a sua certidão, só achou informações suas e colocou em um mesmo documento. — Ela ficou apenas parada me observando enquanto eu explicava. — Seu nome parece que sempre foi Kelsey Blake Jenner, ou seja, você nunca chegou a ser registrada em outro nome, o que bate com o passado da minha mãe já que ela nunca chegou a ver ou a registrar a criança. — Senti ela se remexer desconfortável em sua poltrona, é assustador pensar que tudo está se encaixando e que possa ver verdade. — Mas isso não quer dizer que possa ser verdade. — Disse rapidamente para tentar tranquiliza-la. Ela assentiu. — Não tem informações sobre o seu pai, só da mãe, o nome da minha mãe. O nome do hospital é o mesmo em que eu nasci, e o mesmo da minha irmã.
— Meu Deus, Justin, tudo está se encaixando. — Ela botou a mão na boca e seus olhos estavam marejados.
— Isso não significa nada, Kells, fica tranquila. — Ela assentiu e enxugou rapidamente uma lágrima que escorreu.
— Christian conseguiu o nome do médico, alguém passou essas informações, só suspeitamos dele no momento.
— E o que você vai fazer?
— Vamos atrás desse médico hoje, preciso saber se foi ele que passou a informação, se ele se lembra de algo, tudo que possa ajudar, mas agora o que precisamos fazer é um teste de DNA, o meu médico já deve estar chegando para recolher as nossas amostras.
— E a sua mãe? Não contou nada, né?
— Óbvio que não, ela nem sabe direito de nós dois, muito menos que é minha irmã, preciso de provas concretas. — Ela encostou suas costas na poltrona, como se tivesse levado um tapa na cara. — Eu não quis dizer isso, desculpe...
— Tudo bem, agora não importa muito se você fala de mim ou não para sua família.
— Eu mal tenho contato com eles para mantê-los seguros, você sabe disso. A última vez em que eles estiveram aqui estava cedo demais para falar algo a eles.
— Não precisa se explicar, agora não importa muito. — Ela abraçou os seus braços e ficou olhando em direção à janela. A luz da manhã deixaram seus olhos mais azuis que o normal e o vento que soprava faziam seus cabelos loiros voarem. Ela estava tão linda, tão insegura, que eu queria abraça-la forte naquele momento, mas me contive.
Escutamos duas batidas na porta e ela foi aberta por Jenna.
— Desculpe incomodá-los, Sr.Bieber, mas o Dr. Bolton está aqui.
— Pode deixa-lo entrar. — Ela assentiu e olhou rapidamente para Kelsey, preocupada, então fechou a porta e se retirou.
Ficamos em silencio até o Dr. Bolton chegar. Christian entrou junto com ele.
— Obrigada por vir, isso é urgente. — Falei o cumprimentando.
— Sem problemas, é só chamar. Srta. — Ele disse cumprimentando Kelsey. — Podemos começar?
Kelsey olhou para mim aflita, mas assentiu. Nos sentamos lado a lado em duas poltronas enquanto ele começou a preparar tudo que iria precisar. Ele colocou suas luvas e primeiro começou pela Kelsey, amarrando o braço dela com um elástico e pegando a seringa onde iria coletar seu sangue. Ele passou o algodão sobre sua pele e injetou a agulha. Logo o sangue de Kelsey começou a entrar no pequeno potinho.
Depois foi a minha vez, ele fez o mesmo procedimento, coletando o meu sangue e soltando o elástico que prendia o meu braço.
— Quando tempo para isso ficar pronto? — Perguntei.
— Entre quinze a vinte dias.
— O que? — Eu e Kelsey gritamos ao mesmo tempo.
— Precisa disso tudo? Não tem como ser em menos tempo? — Indagou Kelsey.
— Sinto muito, vou tentar fazer o mais rápido possível, mas teste de DNA leva tempo, não é de uma hora pra outra, e quinze ou vinte dias é bem rápido até. — Kelsey olhou para mim derrotada. Já cometi muitos pecados na minha vida, ter me relacionado com minha suposta irmã não faria tanta diferença no lugar que eu sei que já tenho garantido no inferno, mas eu sabia que para ela era diferente, e eu não queria que Kelsey se sujasse dessa forma.
Por isso eu sabia que ela estava sofrendo mais do que qualquer um, isso era difícil para ela, era uma situação difícil.
Isso significa que ficaríamos entre quinze ou vinte dias nessa incerteza, nessa angustia, sem podermos nos tocar sem culpa, sem sentir os seus beijos ou seu corpo enroscado ao meu durante a noite, pegando fogo.
Quinze ou vinte dias sem ter ela por completo.
Sem ter ela para chamar de minha.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top