Apology
Minha cabeça estava apoiada no vidro da janela do carro enquanto eu observava o lado de fora. Os carros, as luzes dos postes, a chuva caindo, pessoas correndo para tentar se proteger da chuva... Eu sabia que tudo deveria estar acontecendo de forma rápida, mas para mim tudo estava em câmera lenta.
Estava perto de anoitecer, mas parecia já estar de noite devido ao tempo horrível que estava naquele fim da tarde.
— Kells? — Caitlin disse apoiando sua mão em meu ombro, mas permaneci olhando pela janela. — Você está bem? Não falou mais nada durante todo o trajeto. — Suspirei pesadamente e virei lentamente minha cabeça para encarar os seus olhos.
— Ela era legal, não merecia.
— Eu sei, também gostava da Kristin, mas onde quer que ela esteja, sei que está contente por termos escapado. — Caitlin olhou para frente onde estava o motorista dirigindo, e então voltou a olhar para mim. — Christian me mandou uma mensagem quase agora me avisando que todos eles conseguiram sair, estão vindo logo atrás da gente, vai ficar tudo bem. — Ela apertou meu ombro onde sua mão estava apoiada para me consolar e então se afastou, ficando apoiada do outro lado da janela, observando através do vidro.
Voltei a apoiar minha cabeça no mesmo, olhando para as faixas no chão que pareciam correr depressa enquanto nos afastávamos.
Quando adentramos na mansão, tudo estava silencioso. Os garotos ainda estavam chegando, a metade dos seguranças estavam mortos. A outra metade estava voltando junto com Justin e os outros. Dorotha deveria estar descansando pelo horário, e bom... Se Jenna estivesse por aqui ela com certeza já teria vindo em minha direção, como sempre fazia quando eu chegava.
Mas não me importo se ela está ou não aqui.
Subi as escadas em silêncio sabendo que Caitlin me seguiria. Fui para o meu quarto onde estavam minhas coisas, indo em direção as minhas roupas e começando a procurar algo para me vestir assim que eu saísse do banho. Caitlin se sentou na beirada da cama e eu podia sentir seu olhar sobre mim.
— Está em um hotel aqui perto. — Olhei para ela por cima do ombro, cruzando o cenho.
— Do que está falando?
— De Jenna. — Senti meu corpo enrijecer, mas não deixei transparecer, voltei minha atenção para as roupas na procura de um bom pijama. — Assim que você saiu eu conversei com ela e a levei para um hotel aqui perto.
— E porque está me contando isso? Não te perguntei nada. — Disse ríspida pegando uma calça de moletom e uma blusa regata branca e indo em direção ao banheiro, mas Caitlin segurou meu braço me impedindo de prosseguir.
— Sei que tem motivos para estar brava com ela, mas não se esqueça de tudo que ela fez por você. — Nos encaramos por um tempo antes de eu descer meu olhar para sua mão que segurava o meu braço. Caitlin entendeu e o soltou lentamente, mas mantendo seu olhar em mim.
— Já acabou? — Ela suspirou derrotada.
— Acho que sim.
— Ótimo, não se esqueça de fechar a porta quando sair. — Adentrei no banheiro fechando a porta com força. Vinte minutos depois eu saía apressada ao ouvir carros estacionando.
Eles estavam de volta.
Terminei de me vestir e enxuguei o cabelo de qualquer forma, pegando uma escova e penteando de qualquer jeito meus cabelos e a jogando em cima da cama, então abri a porta correndo indo em direção as escadas.
Eu podia ouvir vozes do escritório e foi para lá que eu fui. Quando abri a porta, Justin estava sentado em uma poltrona — que não era a sua que ele sentava de costume —, com uma expressão de dor enquanto conversava com Christian.
— Justin? — Ele olhou para mim e sua expressão se suavizou ao ver que eu estava bem. — Como você está? — Perguntei me aproximando e agachei a sua frente, passando minha mão pelo seu cabelo.
— Tirando o fato que meu corpo está dolorido porque caí de uma escada de ferro e o Demon foi destruído, está tudo bem.
— O Demon é o de menos, Justin. — O repreendi.
— Não quando milhões foram investidos. — Contorceu o rosto ao sentir dor.
— Vamos, você precisa de um banho e de algo para dor. Caitlin peça para Dorotha trazer algo para Justin. — Ela assentiu e saiu do escritório com Ryan e Chaz ajudando Justin a se levantar e a levá-lo para cima.
Quando chegamos em seu quarto, dispensei Ryan e Chaz e fechei a porta, então indo em sua direção que estava sentado na beirada da cama.
— Vou encher a banheira, já volto. — Depositei um beijo em sua testa e me afastei. Liguei a torneira e deixei a água morna cair, então joguei os sais com um aroma maravilhoso preenchendo o ambiente. — Prontinho, venha. — Disse ajudando-o a se levantar e o conduzindo para o banheiro. Justin se sentou no vaso sanitário com a mesma com a tampa fechada, então pude tirar sua camisa. — Meu Deus Justin, você caiu feio. — Falei ao notar hematomas pelo seu corpo. Ele não disse nada, era visível que estava cansado e com dor. — Vamos para o banho. — Ajudei-o a se levantar e a tirar o restante da roupa, então o fazendo se sentar na banheira e relaxar enquanto eu ligava a hidromassagem. — Fica ai um pouco relaxando, deve ajudar. — Ele estava com a cabeça apoiada da "parede" da banheira enquanto me observava. — O que foi?
— Só pensei que algo muito ruim iria acontecer hoje. — Ele desviou seu olhar, olhando para nada em específico, e então suspirou. — Que algo ruim iria acontecer a você.
— Ei — Aproximei-me dele me sentando na beirada da banheira e então acariciei seus cabelos. — Eu sabia que você não iria deixar nada acontecer, isso já passou, o importante é que estamos aqui, e que estamos bem.
— Você tem razão. — Ele pegou minha mão molhando-a ao segurá-la, mas eu não me importei. Depois do banho e de enxuga-lo, coloquei uma cueca em Justin e o coloquei confortável na cama. Dorotha havia trago uma sopa e remédio para dor.
Depois da sopa e de ter tomado o remédio, Justin apagou no mesmo instante, estava exausto.
Aproveitei a deixa e me deitei ao seu lado, caindo no sono logo depois.
Porque você me deixou? Ela estava de costas, não podia ver seu rosto. Eu estou sozinha e com medo. Eu tentava me aproximar para ver seu rosto, mas eu não consegui me mover. Olhei para meus pés e eles estavam afundados no concreto, como se alguém tivesse jogado cimento sobre eles. Porque me deixou?
— O que está acontecendo? Quem é você? Onde estou? — Perguntei olhando ao redor onde só havia escuridão. A figura de uma mulher em minha frente se virou lentamente, colocando seu rosto na pouca luz que havia no ambiente. Levei um susto e cai de bunda no chão, com meus olhos arregalados. Kristin estava com um buraco enorme bem no meio da testa, com um de seus olhos pendurados e sangue escorrendo por toda a sua roupa. Estou sozinha e com medo. Porque me deixou? Por quê? Por quê? Por quê?
— KELSEY! — Acordei com Justin me chacoalhando na cama. Olhei para seus olhos que estavam assustados, assim como os meus deveriam estar. — Você estava tendo um pesadelo. Está bem? — Suspirei pesadamente e fechei os olhos, jogando minha cabeça para trás.
— Noite passada foi intensa.
— Você viu uma cena que não está acostumada, sinto muito por ter presenciado aquilo.
— Eu vou ficar bem. — Acariciei sua bochecha e endireitei meu corpo na cama, olhando para o teto.
— Venha aqui. — Justin me abraçou por trás, ficando de conchinha comigo. — Não precisa se preocupar, estou bem aqui. Agora durma, logo irá amanhecer. — E foi o que fiz, me aconchegando no calor dos seus braços e adormecendo logo depois.
POV. Justin
Engoli outro remédio para dor empurrando-o goela abaixo com a ajuda de um suco de laranja enquanto eu andava lentamente em direção ao escritório. Meu corpo ainda estava dolorido, mas a dor estava mais suportável, e eu já conseguia me equilibrar sozinho, sem precisar de ajuda para andar ou fazer as coisas, e isso era ótimo.
Odiava ter que precisar dos outros até para me vestir, odiava me sentir incapaz.
— Como está, Bieber? — Chaz perguntou quando adentrei no escritório. Todos já estavam ali me aguardando já que assim que eu acordei havia mandado mensagens avisando de uma reunião.
— Melhor impossível. — Todos deram uma risadinha, ironia era tudo nessas horas. — Chamei todos vocês aqui porque como perceberam, Mikael voltou e voltou em grande estilo. — Sentei-me em minha poltrona fazendo cara de dor, mas rapidamente consegui me aconchegar nessa poltrona de couro de mil dólares. — Já passou da hora de atacar Mikael, já passou da hora de tentar tirar o seu império de verdade.
— Como assim? — Nolan olhou confuso. — Estamos sempre tentando estar a um passo a frente de Mikael.
— Sim. Tentando ter mais poder, reconhecimento... Mas não estou falando disso, e também não estou falando de apenas derruba-lo. Vamos criar um plano para o fim de Mikael. — Todos eles se entreolharam um pouco assustados, mas mantiveram a compostura.
— Tem certeza? Acha que estamos prontos para algo desse porte? Estamos falando de Mikael Barkeville. — Indagou Christian me fazendo encará-lo irritado.
— E eu sou Justin Bieber, vamos fazer e vamos conseguir isso. — Eles se entreolharam mais um pouco, mas não falaram mais nada.
Sei do que sou capaz e já passou da hora do fim de Mikael.
Meus próximos planos será apenas em como destruí-lo.
POV. Kelsey
Acordei ao notar a cama vazia. Olhei ao redor do quarto e Justin não estava. Entrei no banheiro e ele também não se encontrava, já deveria estar tomando café. Liguei a ducha e tirei o pijama, me enfiando em baixo da água fria. Saí do banho e me enxuguei, trocando de roupa logo depois.
Penteei os cabelos em frente ao espelho e fiz uma leve maquiagem para esconder as olheiras devido à noite mal dormida.
Quando saí do quarto dei de cara com Dorotha, quase nos esbarramos feio.
— Desculpe, Srta. Kelsey, é que vim avisá-la que tem um rapaz lá fora querendo vê-la.
— Um rapaz? — Cruzei o cenho — Sabe o nome?
— Castiel Farnell. — Arregalei os olhos e meu coração parou. O que ele estava fazendo aqui?
— Ok, obrigada, estou indo recebê-lo. — Disse andando apressadamente e descendo as escadas correndo, Justin não podia saber que Castiel estava aqui.
Quando cheguei ao Hall de entrada pude escutar vozes do escritório. Fiquei aliviada por Justin estar em uma reunião e corri para abrir a porta encontrando Castiel apoiado em sua moto com os braços cruzados.
— O que está fazendo aqui? — Perguntei assim que me aproximei ele, sempre olhando para trás com medo de que alguém nos visse.
— Teria vindo ontem assim que Zeke me contou da forma preocupada que você saiu ontem depois de uma ligação, mas como cheguei tarde resolvi vir assim que amanhecesse.
— Péssima ideia, você sabe que Justin não é muito seu fã.
— Muito menos eu dele. — Deu de ombros.
— Castiel... — Fechei meus olhos e suspirei, tentando me manter calma. — É sério, vá embora que depois eu vou até você, só não pode ficar aqui.
— Só queria saber se estava bem.
— Eu estou, olha para mim. — Abri meus braços para ele me observar. — Estou muito bem.
— E porque saiu correndo ontem? Eu soube sobre um ataque ao Demon.
— Já disse, não posso falar disso aqui, depois eu...
— Kelsey! — Escutei a voz de Justin atrás de mim. Fechei meus olhos e me amaldiçoei antecipadamente antes de me virar e encará-lo em frente à porta. — O que faz aqui... — Ele parou de falar ao notar que quem estava atrás de mim era Castiel. — O que você faz aqui? — Justin tentou avançar, mas parou no exato momento em que sentiu dor, contorcendo seu rosto.
— Justin, calma, já estava mandando ele ir embora. — Disse me afastando de Castiel e indo até ele. — E ele já está indo, não está? — Olhei para ele fixamente dando um aviso bem prévio: Caia fora daqui.
— Já entendi. — Castiel se virou e colocou seu capacete, subindo em sua moto e dando partida logo depois. Meu coração se partiu, mas não tinha muito o que fazer, ele sabia que não podia vir aqui porque Justin não iria gostar.
— Não quero ele aqui, Kelsey.
— Eu não o chamei, ele que veio até aqui, já disse. Ele só estava preocupado, as notícias correm...
— Foda-se, eu não quero, da próxima vez ele será tirado daqui a tiros. — E então se virou e entrou, me deixando perplexa.
Depois que terminei de tomar café da manhã, eu e Caitlin fomos para um passeio enquanto os garotos iam até o Demon ver todos os estragos que Mikael havia feito. Mikael estava de volta e dessa vez reapareceu trazendo muitas perdas e danos, e isso não me agradava.
Eu sabia que daqui pra frente só iria piorar.
— Para onde vamos? Sou curiosa. — Reclamei, odiava quando Caitlin dizia que alguma coisa era surpresa. Se é surpresa então pra que falar que tem uma surpresa?
— Já estamos chegando, para de reclamar. — Bufei e cruzei os braços, olhando pela janela a movimentação da cidade. O dia estava ensolarado e alegre, como se nada tivesse acontecido à noite anterior.
Caitlin estacionou o carro em frente a um hotel. Olhei para ela cruzando o cenho.
— O que viemos fazer aqui?
— Só me siga. — Ela saiu do mesmo e entregou as chaves para o manobrista. Eu a seguia logo atrás confusa com tudo isso. — Quarto 113, por favor. — Ela pediu e a recepcionista lhe entregou uma chave.
— Porque vamos para um quarto?
— Não se preocupe, não vou te estuprar, a não ser que queira. — Ela olhou para mim e deu uma piscadela, me fazendo revirar os olhos.
— Não seja ridícula. Não estou entend... Não! Não! NÃO! — Parei no meio do Hall antes de chegar até o elevador com Caitlin. Ela parou também e me encarou em súplica.
— Por favor, Kelsey, apenas converse com ela.
— Não quero olhar pra ela, muito menos falar com ela.
— Escuta pelo menos o que ela tem a dizer.
— Já disse, Caitlin. E você jogou muito sujo. — Me virei e comecei a ir em direção a porta, mas Caitlin segurou meu braço me impedindo de ir embora. — Me solte Caitlin, é sério. — Olhei para ela com raiva.
— Kelsey, ela me contou tudo, você precisa ouvir, precisa saber. Nem por ela, não precisa perdoá-la. Busque saber de tudo por você, você não acha que merece saber a verdade?
— E se for mais uma mentira? Ela já mentiu antes.
— Não o que ela sente por você.
— Qual é. — Dei risada irônica e puxei meu braço, me soltando dela. — Olha quantas mentiras inventou, quanto tempo esteve ao meu lado e não disse nada.
— Kelsey, só fale com ela, não vai morrer se fizer isso, sei que quer saber sobre seu passado, sua chance é essa.
— Então porque não me conta?
— Porque você tem que saber por ela, não por mim.
— Bela amiga você é. — Bufei de raiva e voltei a ir em direção ao elevador. Podia ouvir Caitlin me seguindo logo atrás. Apertei o botão e aguardamos o elevador chegar.
— Vai me agradecer por isso. — Sibilou.
— Vai à merda. — Ela bufou, mas ficou quieta, também estava com medo de que eu ficasse irritada com ela para sempre — e isso era uma grande possibilidade.
Agora faltavam poucos minutos para eu estar cara a cara com a minha mãe verdadeira, e pela primeira vez eu não estava nem um pouco ansiosa para isso.
A porta do quarto 113 foi aberta e eu espiei por dentro. Aparentemente parecia vazio, mas eu sabia que ela estava lá.
— Não vou entrar, apenas você. Boa sorte. — Não olhei para Caitlin, apenas a ignorei e adentrei aos poucos me envolvendo com meus braços. Escutei a porta sendo fechada atrás de mim fazendo eu me sentir como se estivesse sendo trancada em uma sala para uma maratona de torturas.
E tecnicamente estava.
A sala principal havia madeira, verde e creme nas paredes. Grandes cortinas e sofás beges confortáveis ao redor com uma grande TV. Havia também alguns quadros espalhados com lindas pinturas.
— É realmente um belo quadro. — Sua voz me fez despertar e olhá-la. Ela estava com uma aparência nada boa, o que fez meu coração se apertar. Suas roupas estavam normais, mas seu cabelo e seu rosto estavam sem vida, como se ela não tivesse dormido há dias.
— Acho que não estou aqui para discutirmos a decoração do ambiente. — Respondi friamente. Jenna engoliu em seco e abaixou sua cabeça, olhando para as suas unhas da mão.
— Eu sei, eu... — Gaguejou e então suspirou, levantando sua cabeça para me encarar, e dessa vez em seus olhos havia lágrimas. Não fode, porra. — Não queria mesmo que as coisas tivessem sido levadas para esse rumo.
— Claro que não, só me escondeu um segredo durante um ano e realmente achou que nada de ruim iria acontecer.
— Kelsey, por favor, me deixe explicar tudo desde o início até o momento de agora, tudo bem? — Olhei ao redor e me sentei em um sofá.
— Estou aqui para isso, pode começar. — Ela limpou uma lágrima que escorreu e se juntou a mim, se sentando em outro sofá, um que ficava de frente para mim.
— Quando eu conheci seu pai...
— Quem é meu pai? — Perguntei apressadamente e ansiosa.
— Uma coisa de cada vez, Kelsey, eu vou chegar lá. — Assenti e relaxei meu corpo. — Quando eu conheci o seu pai, éramos jovens e imprudentes, mas era real. — Ela olhou para mim com um sorriso, eu podia ver pelos seus olhos o quando ela o amou. — Foi algo intenso e verdadeiro, bom... Pelo menos eu achava que era. — O sorriso em seu rosto desapareceu e eu fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido.
— Porque então não construíram uma família? Não ficaram comigo?
— Deixar você com sua mãe adotiva foi à coisa mais difícil que eu tive que fazer Kells, e espero que tenha consciência disso. — Ela me encarava com seus olhos em lágrimas. — Eu tinha dezesseis anos e não tinha como cuidar de você, então sua mãe apareceu como um anjo disposta a adotá-la, eu sabia o quanto ela estava lutando para ter um filho e sabia mais ainda que cuidaria de você.
— E cuidou, muito bem, devo tudo a ela.
— Eu sei. — Ela sorriu e deixou algumas lágrimas caírem, as secando rapidamente. — Posso perceber pelo jeito que sempre falou dela. Você a amava da mesma forma que ela a amava, intensamente. Fico feliz e aliviada em saber que foi bem cuidada.
— Talvez não muito. — Falei insinuando Parker.
— Parker me surpreendeu, ele não era a metade do que é hoje, os anos de vida fizeram com que ele se destruísse, se tornasse ranzinzo.
— E o que aconteceu? Porque você e meu pai verdadeiro me deram?
— Na verdade, só eu dei você.
— Como assim? — Arregalei os olhos. — Você não contou a ele sobre mim?
— Obvio que contei, e tudo que ele fez foi pedir ao melhor amigo para me dizer que não aceitaria essa criança. Eu sabia que ele não planejava filhos naquela idade, muito menos eu, mas...
— Essa responsabilidade não era apenas sua. — Ela olhou para mim e assentiu.
— Eu fiquei sem rumo e sem saber o que fazer, era como se eu tivesse levado um tapa na cara, sabe? Aquela pessoa que dizia me amar simplesmente me deu as costas justo quando eu mais precisava. Não esperava isso vindo dele.
Isso me fez lembrar de todos os "eu te amo" que Justin já me disse. Foram poucos, mas intensos, fortes demais para tudo ser em vão. Talvez eles fossem assim, quando tudo está ótimo, então está tudo bem, quando as coisas começam a seguir por outro rumo, então tudo muda para eles.
— E ele? Sabe por onde ele deve estar? — Ela abaixou seu olhar e enrijeceu seu corpo, apertando com força suas mãos, deixando seus dedos roxos.
— Primeiro preciso saber se realmente quer fazer isso. — Ela olhou para mim. — Se realmente quer continuar com isso.
— Óbvio que eu quero, eu preciso saber.
Ela suspirou e passou suas mãos em seus cabelos, tentando se recompor.
— Tudo bem. Vou anotar o endereço de onde ele está, assim você tira suas próprias conclusões.
Justin dirigia com sua Lambo seguindo o endereço que Jenna havia anotado no papel.
Steve Reeve, agora finalmente meu pai biológico tinha um nome.
Eu não sabia o que iria encontrar quando chegasse a ele, muito menos qual seria sua reação ao me ver, a filha que ele rejeitou. Não estou indo a procura de um pai perfeito — porque isso sempre esteve longe do meu alcance. Eu só quero entender o por que. O porquê de ter tomado essa decisão.
O porquê de ter desistido de mim.
De repente Justin estacionou o carro.
— Porque parou?
— Porque chegamos. — Olhei ao redor e tudo que havia era um amplo terreno com gramado verde e ao longe um portão grande com grades.
— Mas não tem nenhuma casa por perto, a não ser aquela, mas aquilo parece ser...
— Um cemitério. — Então ele olhou para mim. Olhei para ele e depois para frente, e então encarei de novo o papel com o endereço. Nº 391827, Steve Reeve.
— Claro, isso é o número da lápide, não da casa. — Amassei o papel com raiva e o joguei no chão do carro, sentindo as lágrimas em meus olhos.
— Sei que isso está sendo difícil, sei que no fundo você esperava ter um pai de verdade, um pai que nunca teve. — Limpei uma lágrima que caiu enquanto eu ouvia Justin falar, mantendo meu olhar pela janela onde o vento soprava as folhas com força.
— Um pai que nunca terei. — Acrescentei olhando para ele no instante em que uma lágrima escorreu. Justin a enxugou com seu polegar, aproveitando para acariciar minha bochecha.
— Podemos ir embora.
— Não, já chegamos até aqui, quero ir até lá. — Soltei o sinto de segurança e saí do carro. Justin me acompanhou até o grande portão, segurando a minha mão.
— Posso ajuda-los? — Perguntou um rapaz que cuidava da administração do local.
— Onde fica a lápide de número 391872, por favor? — O rapaz usou o computador para ter acesso aos registros.
— Seguem direto e quando chegarem à fileira G, virem à esquerda, depois é só acompanhar a numeração e o nome.
— Ok, obrigada. — Eu e Justin seguimos direto entre os túmulos, dei graças a Deus por ser de dia e ter mais pessoas no local visitando seus entes queridos. Quando chegamos na fileira G, meu coração se apertou. Segurei com força a mão de Justin e ele me encarou.
— Quer continuar? — Olhei para ele e assenti, então entrei na fileira da direita G.
Soltei a mão de Justin e peguei o papel para acompanhar a numeração, até que encontrei.
Steve Reeve
1974 — 2002.
Sua lápide era simples e não havia dedicatórias, isso me fez pensar se ele tinha alguém que se importasse com ele, o motivo de sua morte ou se ele tinha pessoas que gostassem dele.
Seja o que for, estava pronta para saber.
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