And We Run

Eu corria, corria, corria e corria, até todas as lágrimas dentro de mim se sessarem. Até sentir meu pulmão doer pedindo socorro, pedindo ar. Até minhas pernas começarem a arder e a fraquejarem, como se eu fosse cair a qualquer momento.

Corri para fora dos horizontes da mansão, corri pela avenida principal, corri e corri até não conseguir mais.

Eu precisava extravasar toda a raiva, dor e sofrimento dentro de mim, eu precisava ir para longe, longe de tudo, longe dele.

Quando finalmente parei, minha perna fraquejou e eu caí de joelhos no acostamento. Pela primeira vez eu olhei ao redor vendo onde eu estava, percebendo que eu havia chegado ao centro da cidade de Stratford, o que não era muito perto e ao mesmo tempo não muito longe da mansão.

Deixei que as lágrimas viessem de novo, passando as mãos nos meus cabelos e encostando a minha testa no chão enquanto chorava e chorava. A rua estava um pouco movimentada e podia ouvir algumas pessoas cochichando, se perguntando o que havia me deixado daquele jeito, mas nenhuma se aproximou, e fiquei grata por isso.

Adorava o fato dos Canadenses serem respeitosos com a dor e o espaço das pessoas.

Levantei minha cabeça e olhei para cima, para o céu, vendo um perfeito céu estrelado. Um céu perfeito para uma noite horrível.

Abaixei meu olhar e olhei para frente, e de repente notei algo familiar.

A moto preta estacionada.

Imediatamente me recordei de algumas semanas atrás assim que eu havia acabado de voltar de LA, eu e Caitlin viemos à cidade e eu vi essa mesma moto estacionada em frente desse mesmo restaurante.

Levantei-me enxugando minhas lágrimas batendo minhas mãos nos meus joelhos para limpá-los e segui naquela direção, atravessando a rua e parando em frente à moto.

— Aqui estão os pedidos. — Meu coração acelerou e senti meus olhos ficarem marejados. Castiel entregava o pedido para dois rapazes que estavam sentados sobre a mesa, anotando algo no papel e então indo em direção a outra, onde havia uma família com os pais e três crianças. — Já sabem o que vão pedir? — Ele perguntou fingindo um sorriso e de repente seus olhos encontraram os meus. Eu estava parada em frente ao restaurante, em frente à moto de Castiel, olhando para a entrada e para ele completamente paralisada. — Zeke, segura as coisas pra mim, por favor, eu já volto. — Disse mantendo seus olhos em mim enquanto tirava o avental preto e vinha em minha direção.

O restaurante tinha a parte interna e externa, Castiel estava na externa, bem na varanda, bem de frente para mim, ele estava tão perto que só precisou dar a volta nas mesas e descer as pequenas escadas para estar cara a cara comigo. Depois de quase quatro meses.

Quatro meses sem Castiel, sem ter nenhuma notícia dele, nada.

— Meu Deus. — Ele se aproximou cautelosamente, ficando parado em minha frente e me observando por um tempo, se perguntando se o que ele estava vendo era mesmo real. — Não acredito que é você. — Ele colocou a mão na boca, completamente chocado, surpreso e ansioso. Seus olhos começaram a ficar marejados. — Sabe o quanto eu estava preocupado com você? — Continuei parada olhando para ele sem conseguir ter qualquer reação. Ele não havia mudado muito, mas o seu cabelo estava mais curto. Antes seus cabelos batiam no ombro, agora estavam batendo na orelha, mas ainda assim estavam grandes. E no lugar de uma pele macia, agora havia uma leve barba. — Kelsey? — Ele me olhou preocupado, olhando de cima até em baixo, analisando minhas roupas sujas e soadas. Eu deveria estar horrível. — O que aconteceu? — E então eu desabei. Abracei o meu corpo e comecei a chorar compulsivamente. Castiel imediatamente me envolveu em seus braços, apoiando minha cabeça em seu peito entre a clavícula do seu pescoço, me fazendo sentir o cheiro do seu perfume misturado com suor. — Vou tirá-la daqui, venha. — Ele começou a me conduzir em direção à rua que ficava ao lado do restaurante. Notei que estávamos indo para a parte de trás do mesmo, os fundos do restaurante, e então ele abriu a porta e entramos. Castiel me conduziu por um corredor que levou a cozinha do estabelecimento.

Havia várias pessoas cozinhando que pararam imediatamente assim que notaram a nossa presença.

— Quem é ela? — Perguntou um rapaz que aparentava estar nos seus trinta e poucos anos. — Ninguém de fora pode entrar aqui. — Alertou mais como um esporro do que uma observação.

— Eu sei, me desculpem, vou leva-la lá pra baixo. — Castiel que segurava minha mão, me conduziu em direção a uma porta onde havia uma escada, como se fosse um porão. O ambiente estava escuro então Castiel acendeu as luzes antes de começarmos a descer.

Assim que chegamos, todo o lugar parecia como uma moradia. Havia duas camas, poltronas, uma TV e um aparelho de som, videogame; ao lado direito havia uma parte improvisada da cozinha com mesa e quatro cadeiras, geladeira, fogão e armários para alimentos; ao lado esquerdo do quarto, perto das camas, havia uma cortina grande que estava aberta mostrando um vaso sanitário, pia e uma ducha.

Ele tinha um banheiro improvisado dividindo o quarto apenas com uma grande cortina. Meu Deus.

— Sei que não chega aos pés da mansão do Bieber, mas... — Ele deu de ombros e sorriu sem graça, olhando para os seus pés.

— Porque que duas camas? — Perguntei olhando para ele, curiosa. Ele fechou os olhos e sorriu, depois os abriu de novo, me fitando com ternura.

— Senti falta do som da sua voz. — Senti minhas bochechas corarem e cruzei os meus braços, olhando em outra direção que não fossem seus olhos escuros. Eu não havia falado com ele até agora. — Bom... — Ele pigarreou. — Divido o lugar com meu amigo Zeke, ele também é garçom, mas manda muito bem na cozinha, às vezes ele ajuda o chefe.

— Fico feliz em saber que tem um teto pra dormir as noites, muitas vezes eu ficava pensando sobre onde você poderia estar. — Revelei o que foi surpresa para mim mesma. Não sei se estou pronta para perdoá-lo, mas por algum motivo o destino me trouxe de volta pra ele.

— É sério? Achei que me odiasse, e com razão.

— Eu também achava, mas no momento estou sentindo coisas maiores para me preocupar com o ódio. — Senti seus olhos sobre mim, ele me fitava enquanto eu olhava todo o lugar.

— Senta-se, por favor, vou buscar água pra você. — Ele foi em direção à pequena cozinha.

— Não quero atrapalhar você, estava trabalhando.

— O movimento está fraco e Zeke vai segurar as coisas pra mim, agora tome isso, precisa se acalmar. — Ele se aproximou com um copo com água gelada. Sentei-me em uma poltrona sentindo as dores nas minhas pernas agora que meu sangue esfriou. Bebi toda a água de uma só vez. — Estava com cede, quer mais? — Assenti, devolvendo o copo. Bebi mais dois copos de água até que me senti saciada.

Ficamos por um tempo sentados em silencio.

— Cortou o cabelo. — Disse me fazendo encará-lo. — Ficou mais bonita e diferente.

— Obrigada, e pelo visto você também. — Respondi passei meus dedos nos meus fios loiros.

— O dono do estabelecimento disse que seria mais limpo eu cortar um pouco. — Ele riu sem graça e passou a mão em seu cabelo, o jogando para trás e fazendo algumas mechas caírem um pouco em cima dos seus olhos, exatamente como ele fazia antigamente. Meu coração se apertou, eu sentia falta disso. Então me remexi na poltrona, ficando ereta e encarando os seus olhos.

— Não sei o porquê estou aqui, nem o porquê eu cheguei até você, realmente não sabia que estava aqui. — Ele cruzou o cenho.

— Pensei que tivesse vindo me procurar.

— Eu nunca procurei por você. — Respondi rápido de mais e só depois percebi que havia soado grossa. — Desculpa, não foi minha intensão ter sido grossa.

— Está tudo bem, não me magoo fácil. — Ele abriu um sorriso, mas seu olhar não correspondia ao sorriso. — Então como me encontrou?

— Eu estava correndo sem rumo e acabei parando em frente a sua moto, eu já havia a visto em frente desse mesmo restaurante assim que cheguei de LA.

— Espera. Você já está de volta há quanto tempo?

— Dois meses, mais ou menos. — Ele cruzou o cenho e parecia ofendido. — Sei que deveria ter entrado em contato ou avisado da minha volta, mas eu não estava pronta, e ainda não estava. — Ele suspirou frustrado.

— Eu sei, me desculpe, nem eu poderia exigir isso de você, mas eu realmente iria preferir saber que estava de volta, por Deus, Kelsey, a cada dia eu ficava mais preocupado, já haviam se passado quatro meses e eu não tinha notícias suas, não sabia se ainda estava em LA ou em outro lugar, ficamos totalmente sem contato.

— E esse era o objetivo. Desculpe-me, Castiel, mas eu realmente estava com raiva.

— Não tiro sua razão, mas nunca tive a oportunidade de me redimir com você. Tudo aquilo que eu fiz foi antes de eu realmente me envolver com você, antes de nos tornamos amigos, por tanto que quando isso aconteceu, eu imediatamente me afastei do seu pai. — Meu corpo estremeceu com a palavra "pai", eu não tinha um pai. — Desculpa, Parker. — Se corrigiu rapidamente. — O que eu fiz eu não posso mudar, Kelsey, tudo que posso pedir é o seu perdão.

Levantei meus olhos para encontrar os deles e pude ver que não havia mentiras, só havia dor, desespero e saudades. Senti tanta falta desses olhos, da sua voz, do seu cheiro, da forma como seu cabelo caia sobre os olhos, tudo que vinha dele.

— Então eu preciso de um abraço de perdão. — Respondi sorrindo e deixando uma lágrima escapar. Castiel abriu o sorriso mais lindo do mundo e veio em minha direção, se ajoelhando em minha frente e envolvendo em seus grandes e fortes braços. Abracei-o com toda a força que me restava enquanto eu chorava. Depois quando finalmente parei de soluçar, Castiel se afastou acariciando minha bochecha com seu polegar, para limpar as lágrimas. Não sabia se eu tinha o perdoado por completo, mas acho que demos início a um novo começo. Fui capaz de perdoar Justin, até mesmo Jered, então porque não ele?

— O que deixou você assim? Foi o Bieber? Você está com ele? — Ouvir a menção do seu nome fez as lágrimas voltarem. — Ok, já sei que o problema é com o Bieber. Como pode voltar para ele sabendo como ele é? Depois de tudo que ele fez? — Balancei minha cabeça, enxugando as lágrimas.

— Não é com ele exatamente o meu problema, quer dizer, o envolve, mas não por culpa dele. — Ele cruzou o cenho visivelmente confuso, mas eu não conseguia dizer uma única palavra sem começar a chorar.

— Você está muito abalada para falar agora. — Ele olhou ao redor e depois voltou a olhar para mim. — Olha só, eu preciso voltar, já fiquei tempo demais, aquela cama do canto é a minha. — Ele apontou na direção e eu segui com meu olhar, vendo uma cama com colcha azul perfeitamente arrumada. — Pode deitar nela e descansar; se quiser comer algo, fique a vontade, eu volto assim que meu expediente acabar, tudo bem? — Assenti e ele beijou minha testa e se afastando logo depois, subindo as escadas e desaparecendo.

Olhei para sua cama e depois para o banheiro improvisado. Estava suja e suada, precisava de um banho refrescante. Fui até o único armário de roupas e o abri, olhei todas as roupas e fiquei confusa se pertenciam a Castiel ou ao seu amigo Zeke. Acabei pegando uma camisa preta de manga e uma cueca branca, pelo menos eu me lembro de que Castiel costumava usar cuecas brancas e camisetas pretas com muita frequência.

Achei uma toalha limpa guardada e a peguei, apoiando-a no meu ombro direito e jogando as peças de roupa que eu havia acabado de pegar em cima da cama de Castiel, depois indo tomar uma ducha. Deixei que a água gelada caísse pela minha cabeça, como se a água fosse capaz de me purificar, limpando toda a confusão que estava dentro de mim e indo embora pelo ralo.

Quem dera se fosse tão simples se livrar dos problemas assim.

Desliguei o chuveiro depois de um tempo em baixo do mesmo, e envolvi a toalha ao redor do meu corpo, indo em direção à cama de Castiel. Enxuguei-me colocando a cueca e a camisa. Terminei de enxugar meus cabelos e estendi a toalha em cima de uma cadeira. Bebi mais um pouco de água e fui me deitar na cama de Castiel.

Meus cabelos estavam molhados, mas não me importei de molhar a fronha do seu travesseiro. Tudo que aconteceu naquela última hora ficou revivendo em minha mente, me mostrando a realidade.

É impossível eu ter a felicidade, ela não pode existir para mim.

Comecei a chorar novamente, sentindo todo meu corpo pesado como se fosse desmoronar, mas o cansaço foi maior para vencer qualquer dor, e logo peguei no sono.

— Ei! — Senti algo me cutucar. Abri os olhos lentamente vendo dois pares de olhos azuis me fitando que não pertenciam a Castiel. Pulei assustada e puxei o lençol para me cobrir, ficando encolhida no canto da parede enquanto eu o encarava apavorada. — Me desculpe, não queria assustá-la. — Disse se afastando, ficando na defensiva. — Sou Zeke, amigo do Castiel.

— Oh, sim, Zeke. — Suspirei aliviada. — Me desculpe, esqueci que Castiel comentou sobre você.

— Você está bem? Precisa de algo? — Olhei para ele direito notando sua beleza. Além dos olhos azuis, seus cabelos tinha um tom de loiro escuro e sua pele era levemente bronzeada. A postura do seu corpo era forte e ele aparentava ter 1,80 de altura.

— Não, eu estou bem, acabei pegando no sono.

— Realmente está tarde. — Ele se afastou indo para a "cozinha" pegar um pouco de água.

— São que horas?

— Quase duas da manhã. — Arregalei meus olhos e dei um pulo da cama.

— Ai meu Deus, todos devem estar preocupados. — Comecei a procurar pelas minhas roupas.

— A propósito, minha blusa ficou melhor em você. — Parei o que eu estava fazendo e olhei para ele que tinha um sorriso divertido no rosto.

— É sua? Ai meu Deus, pensei que era de Castiel, ele costuma usar muitas camisas desse tipo.

— As roupas dele ficam nas três gavetas de baixo, as minhas nas três de cima.

— Três de baixo, ok, me desculpe.

— Sem problemas, e realmente não é. — Ele abriu aquele sorriso típico cafajeste, fazendo minhas bochechas corarem. Desviei meu olhar dos dele e continuei a procurar pelas minhas roupas. — Está muito tarde, Castiel não vai deixa-la ir.

— Ele pode me levar, tem pessoas que devem estar quase arrancando a cabeça nesse momento. E por falar nele, onde está Cas? — Perguntei encontrando minhas roupas e fechando a cortina para que Zeke não tivesse um show de strip tease.

Cas? — Ele riu. — Está terminando lá em cima, logo já vem. Terminei primeiro porque ainda segurei o trampo pra ele.

— Coitado do Castiel, tudo por minha culpa.

— Estamos acostumados, isso aqui rola até tarde.

— Como Castiel começou a trabalhar aqui e a morar com você?

— Já nos conhecíamos por causa dos bares e jogos de sinuca, ele disse que estava sem lugar para morar e eu falei que ele poderia ficar comigo, mas como morava de favor, nas primeiras semanas ele ficava escondido. Quando o patrão descobriu deu maior merda, mas conseguimos resolver tudo com Castiel trabalhando para ele também.

— Então você não tem família? — Perguntei abrindo a cortina, já estava vestida com as minhas roupas. Senti que ele ficou rígido com a pergunta, eu havia tocado em alguma ferida. — Me desculpa, eu não deveria ter perguntado. — exclamei completamente sem graça.

— Não, tudo bem. — Ele sorriu tentando disfarçar, mas seus olhos estavam tristes e vazios.

— Bom... — Comecei a tentar mudar o clima ruim. — Obrigada pela camisa. — Joguei-a em sua direção e ele agarrou no alto.

— Disponha, quando quiser estamos ai. — Demos risadas e então ouvi a porta sendo aberta com Castiel descendo as escadas logo depois.

— Desculpa por ter esperado tanto tempo, está melhor? — Ele se aproximou e beijou minha testa. Senti-me protegida.

— Estou sim, mas está muito tarde e todos devem estar surtando. Eu preciso voltar.

— Mas você ainda não me disse o que aconteceu. — Suspirei esgotada, mas ele tinha razão, depois de tudo ele merecia isso.

— Devem estar com fome, não é? Vou lá em cima pegar comida que sobrou e depois volto. — Zeke apertou o ombro de Castiel quando passou por ele e sorriu para mim, depois subiu as escadas em dois em dois degraus e desapareceu fechando a porta atrás de si.

Eu e Castiel nos sentemos nas poltronas e comecei a contar tudo desde o início. Minha volta para LA, o trabalho, Justin indo atrás de mim (o que fez ele revirar os olhos), eu voltando para o Canadá com ele (o que fez ele revirar os olhos mais ainda), e depois pulei direto para o que aconteceu na noite anterior, já que havia passado da meia noite.

— Meus Deus, Kelsey, você acha que isso é verdade?

— Eu não sei, quando Justin me contou a primeira coisa que fiz foi sair correndo. Minha intensão era apenas sair daquele escritório, sair de perto dele, mas não sabia que iria tão longe.

— Eu não sei nem o que dizer, irmãos? Isso é horrível, Kelsey, eu sinto muito.

— É, eu também. — Abaixei minha cabeça e olhei para as minhas mãos.

— Mas vocês precisam conversar, precisa saber o que realmente está acontecendo.

— Eu sei, estou cheia de dúvidas e quero tirá-las, mas naquele momento, eu... — Senti meus olhos se encherem de lágrimas. — Eu simplesmente não conseguia, eu só precisava sair de lá. — Fechei meus olhos e deixei as lágrimas derramarem.

— Eu entendo você. — Ele se aproximou e enxugou minhas lágrimas.

— Voltei, espero que estejam com fome... — Zeke parou de falar ao ver Castiel enxugando minhas lágrimas. — Querem que eu volte depois?

— Não, eu já contei tudo que precisava. — Forcei um sorriso para ele.

— Tudo bem, então vamos comer, sobrou cada coisa maravilhosa. — Ele me fez rir ao se aproximar com tanta comida, e ele estava certo, havia sobrado muita coisa como frango frito, camarão ao alho, arroz, carne, batata frita e alguns pedaços de torta de limão, maça e mousse de chocolate.

Não sabia que estava com fome até devorar tudo aquilo, estava maravilhoso.

— Isso é muito bom, acho que vou começar a frequentar esse restaurante. — Zeke e Castiel sorriram com a boca cheia de comida.

— É só vir nos visitar mais vezes e come de graça. — Dei risada e peguei um guardanapo para limpar minha boca.

— Eu voltarei, prometo, mas agora preciso ir. — Eu me levantei e Castiel também.

— Eu levo você. — Ele bebeu um pouco de água e limpou sua boca com o guardanapo.

— Não precisa, você deve estar cansado, eu pego um taxi... — Coloquei minha mão na cabeça ao lembrar que saí sem nada. Sem bolsa, sem carteira, sem dinheiro, sem celular, absolutamente nada.

— Você veio sem nada, não é? — Assenti e ele riu. — Eu levo você, já disse. Vamos. — Não protestei, até porque, eu não tinha muitas opções.

— Foi um prazer em conhecê-lo, Zeke. — Eu o abracei.

— Foi um prazer, Kelsey. — Me afastei dele indo com Castiel em direção as escadas. — Ei! — Virei e olhei para ele. — E minha cueca? Pensa que não notei? — Comecei a rir e cobri meu rosto com as minhas mãos, completamente envergonhada.

— Como assim? — Castiel perguntou rindo sem saber exatamente o porquê de estar rindo.

— Eu pequei uma camisa e uma cueca achando ser suas, mas... — Ele gargalhou alto. — Para de rir de mim. — Dei um tapa em seu braço. — E sobre sua cueca. — Falei agora olhando para Zeke. — Ainda estou usando e só vou devolver depois de limpa, tenha uma boa noite. — Continuei a subir as escadas ouvindo a risada de Zeke e Castiel.

— Faça bom proveito dela. — Gritou enquanto eu subia as escadas.

Eu senti falta daquilo, de estar sentada na garupa da moto, sentir o vento batendo no meu rosto e meus cabelos voando contra o vento, o perfume de Castiel nas minhas narinas, sentir meus braços ao seu redor e o calor do seu corpo.

Tudo era uma mistura de tempos atrás em que tudo era felicidade.

Quando começamos a nos aproximarmos da mansão, havia várias SUV's pretas espalhadas pelas ruas que davam acesso a mansão.

— O que é isso? — Gritei no ouvido de Castiel.

— Eu não sei. — Gritou de volta, então alguns homens armadas se aproximaram e começaram a gesticular com as mãos ordenando para encostar. Castiel obedeceu diminuindo a velocidade e encostando a moto, não seria inteligente reagir com vários homens armados.

— Tirem os capacetes. — Um homem forte e moreno ordenou e eu e Castiel obedecemos (de novo). — Srta. Kelsey? — Olhei para ele e depois para alguns outros homens ao redor. Eu reconhecia esses rostos. — Graças a deus, o patrão está igual um louco atrás da senhorita. — É claro, seguranças de Justin.

— Acho que já está em casa, Kelsey. — Respondeu Castiel. Desci da moto e entreguei meu capacete para ele.

— Obrigada, vejo você em breve. —Me virei para me afastar.

— Espera! — Castiel segurou meu braço e me fez virar de volta para ele e encarar seus olhos. — Vou mesmo ver você de novo, não é? Promete? — Seus olhos estavam suplicantes, e não tinha como eu negar isso a ele.

— É claro que sim, eu prometo. — Me aproximei e beijei sua bochecha, me afastando de novo e acompanhando os seguranças de Justin.

— Bom ver você, garoto. — Um dos seguranças disse para Castiel.

— Bom ver todos vocês também. — O ouvi responder enquanto eu me afastava e entrava em uma das SUV'S. Já tinha me esquecido que Castiel já havia sido contratado por Justin.

Era hora de voltar para casa e encarar a verdade.

A dura e cruel verdade.

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