Capítulo Cinco: O Cupido
A casa da família Kate naquela manhã estava cheirando muito com o preparo do café de Clara. Embora o café não fosse um dos alimentos em sua lista alimentar, Nathaly acabou aparecendo na cozinha por conta do cheiro, que invadira o seu quarto e servindo como um despertador.
– Ué? Meu pai já foi trabalhar? Não estou o vendo aqui – disse Nathaly, avistando apenas sua mãe.
– Não, filha. Ele não foi ainda.
– Se ele não foi ainda, não me diga que...
– Não, Nathaly. Não é nada disso que você está pensando. Isso aí já passou – interrompeu-a. – Ele está no porão.
– Ah! Sim. – Ela já ficou mais tranquila. – Mas fazendo o que lá?
– Para ser honesta, não tenho ideia.
– Já trago as informações – saiu.
Chegando ao porão, Nathaly viu seu pai segurando duas pedras, parecendo observá-las. Em seu ponto de vista, eram dois minerais de mesma categoria. Reconhecendo aquelas pedras, ela começou a andar em volta bem devagar, demonstrando um comportamento defensivo.
– Pai? – chamou-o.
– Bom dia, filha – saudou-a. Ele percebeu seu andar cuidadoso. – Por que você está fazendo mistério em seu andar?
Ela apontou discretamente para as suas mãos, com uma cara parcialmente assustada.
– Ah! – riu – Tenho certeza que você está achando que são dois minerais. E acertou. Mas não se preocupe, porque eu realmente as trouxe para cá para fazer um pequeno teste com você.
– Bem, eu acho que já estou grandinha para receber castigo.
– Ai, Nathaly – sorriu. – Como eu poderia lhe machucar? Seria eu capaz de fazer tal coisa?
– Não sei... O senhor é meu pai, não?
– Sim. Mas qual seria o motivo para machucar você? – perguntou – Como bem disse, está bem grandinha para essas coisas; acredito em suas responsabilidades com uma moça.
– Bom...
– Posso contar com a sua colaboração, então?
– Pode... – permitiu, mas não muito confiante.
Nathaly já estava com medo em apenas saber que aquelas pedras estavam no porão, imagine quando seu pai a chamou para testá-la. Entretanto, ela resolveu confiar nele, mesmo ainda aderindo de um receio. Então, Steven deixou as pedras na mesa para pegar nas mãos da filha e abrir suas palmas. Feito isso, ele pegou os dois minerais e os pôs sobre as mãos dela; Nathaly truncava a cara devido ao auge de seu medo.
– Se não aguentar muito tempo, solte-os nessa mesa – orientou o pai. – Preciso me certificar de algo.
A filha balançou a cabeça, entendendo as orientações.
Uma de suas mãos começou a receber os efeitos nocivos da pedra. De forma rápida, suas veias começaram a estar visíveis, correndo para o braço; logo, houve o início de uma corrosão paulatina. As dores começaram a aparecer, fazendo Nathaly soltar aquela pedra imediatamente na mesa, e a pele de sua mão e braço voltou ao normal. A outra pedra nada provocou na outra mão.
– Impressionante – disse Steven.
– E bem doloroso, também – queixou-se Nathaly, segurando seu pulso da mão afetada.
– Não, não é pelo os sintomas apresentados. Fiquei abismado que não aconteceu nada com a outra mão, mesmo sendo o mesmo tipo de mineral – analisou. – Olha, esse mineral é da espécie Pirita. Das duas pedras, uma é modificada. E a modificada foi a que lhe fez mal.
– Quer dizer que...
– Você tem alergia a esses minerais quando é submetido a uma transformação. Por isso, você não foi afetada daquela vez que houve a contaminação do ar, pois eram resíduos puros dos minerais explorados – explicou. – Agora, não me pergunte como isso é provocado. Apenas mantenha distância.
– E onde arranjou isso?
– Eu peguei aquela lista que você achou no minério e fui procurar lá na indústria onde trabalho, e achei essas pedras.
Observando que havia uma antiga mala aberta na mesa, Nathaly viu alguns porta-retratos onde havia fotos do casamento de seus pais. Ela os pegou para ver.
– Nossa, pai. Vocês têm fotos do casamento... – disse Nathaly, apreciando aquelas fotografias.
– Sim, filha. Foi um dia que marcou as nossas vidas.
– E por que guarda aqui, juntando poeira? Você está soterrando um passado tão bom nesse porão.
– São muitas. Não caberão todas nos cômodos da casa – justificou-se.
– Nada disso. Vamos dar um jeito de reaproveitar e valorizar esses momentos.
– Disse a meritíssima Kate. Às suas ordens – brincou.
Ela continuava olhando atentamente aquelas fotos enquanto seu pai arrumava as coisas.
– Olhando assim, deve ser uma sensação indescritível se casar, não é?
– Essa é uma experiência única, minha filha – relatou. – Quando você achar o seu príncipe encantado, você sentirá o indescritível.
– E será que esse príncipe me aceitará como sou?
Steven parou o que estava fazendo e foi até ela, escorando suas mãos sobre os seus ombros.
– Nathaly, filha... Infelizmente, isso é algo irreversível. E não digo isso para entristecê-la. Independente disso, você é uma mulher.
Nathaly abaixou sua cabeça olhando seriamente para o lado, e tentava raciocinar melhor aquilo. Steven tirou suas mãos de sobre a filha e olhou para o seu relógio de pulso.
– Escuta... Você não está atrasada para ir à escola? – perguntou, ainda olhando para o seu relógio.
– É verdade! – lembrou-se. – Eu nem tomei café ainda. E hoje haverá um evento esportivo na escola.
– Você sabe que nem eu? E estou atrasado para trabalhar... Vamos!
A conversa estava boa, mas o tempo não esperava – como nunca espera –, deixando-os atrasados para os seus afazeres. Apressadamente, correram às escadas do porão e subiram-nas para tomar café e saírem às pressas para os seus destinos.
A escola vivia em um momento de lazer esportivo. A direção preparou um campeonato de futebol masculino, para agitar toda a escola. Em um dos vestiários, John se preparava para jogar pela sala juntamente com os demais. Ele sentou-se no banco de madeira para arrumar o calçado.
– Está pronto, John? – perguntou Ryan, aparecendo de repente ao meio do intenso movimento.
– Você aqui? – estranhou – Eu achei que você fosse de outra sala.
– E ainda sou.
– Por que você está a caráter do time da minha sala, então?
– Diríamos que me dispensaram.
– Que amigos você tem – comentou. E continuou a amarrar as chuteiras.
A quadra a céu aberto estava cheia e bastante movimentada, calorosa. Com o auxílio de um megafone, anunciavam e geriam o evento.
– Como você está bonito, amor – elogiou Alice.
– Quanto mais você, que está bem produzida para ser uma líder de torcida – elogiou-a. – Preciso ir. É a nossa vez. – Ele correu para a quadra.
A partida começou. Juliana viu Nathaly chegando e acenou para chamar sua atenção para onde ela estava, assentada na primeira fila de bancos da arquibancada, bem próximo da lateral da quadra.
– Atrasada? – perguntou Juliana.
– Tudo tem sua primeira vez – respondeu Nathaly, erguendo os ombros.
Dali, as duas acompanharam o jogo da sala de John enfrentando a outra. A partida começava a ficar intensa, e a rivalidade foi aumentando conforme perdurava. Gols começaram a sair, com John e Ryan fazendo uma ótima dupla e marcando gols.
– Eu ainda não consigo entender por que lhe expulsaram do time da sua sala – disse John brincando, em uma oportunidade de conversa.
– Você sabia que nem eu – respondeu Ryan ao comentário. – Olha o contra-ataque do adversário. Corre!
Alice e suas amigas de sala torciam, vibravam, vaiavam e até brincavam. Mas algo passou a chamar a sua atenção: uma aluna do lado oposto, que também fazia o papel de líder de torcida, estava pincelando John e, em curto espaço de tempo, era percebida uma intimidade, elogiando e torcendo mais para ele do que simplesmente sendo contra. Alice na mesma hora parou de torcer, deixando as amigas sozinhas na vibração.
– Ei, garota – chamou-a, ainda distante, até chegar a ela. – Que moral é essa de ser assim com John, tão íntima dele?
– Primeiramente, essa garota aqui possui um nome: Diana. Diana Harrison – apresentou-se.
– Legal. Eu sou Alice Taylor, namorada daquele jovem – apontou.
– Sobre a sua pergunta, não estou sendo íntima com seu namorado – respondeu Diana, vaidosamente.
Diana Harrison, de cabelos e olhos castanhos, parecia ser uma estudante bem metida pela forma como respondia Alice, que queria apenas esclarecer as coisas.
– Ah, não? Eu vi como se portava com ele, garota.
– É um método de provocar o jogo, amiga.
– Então, provoque todos por igualdade! – ergueu a voz.
– Não grita comigo, Alice – avisou.
– Eu posso fazer o que eu quiser.
Alice aproximou o seu rosto da face de Diana, provocando-a. Mas graças às amigas da exaltada Alice, que perceberam e afastaram-na de Diana, uma confusão não ocorreu, porque o clima não era nada satisfatório naquela altura. Por outro lado, Diana olhava torto para Alice enquanto esta estava sendo levada ao outro lado da quadra.
– Relaxa, amiga. Aquela garota é louca – disse uma das amigas de Diana. – Vamos voltar a torcer pela nossa sala.
– Vamos – atendeu ao pedido, mesmo com uma tremenda pulga atrás da orelha.
Uma confusão foi evitada, mas outra não. Quando John dividiu com um aluno adversário, esse aluno acabou chutando a bola em direção onde Nathaly e Juliana estavam. Nathaly teve rápido reflexo ao empurrar sua amiga para o lado e estado exposta a receber uma bolada em seu braço, que protegeu sua cabeça do impacto.
– Nathaly! – gritou John, que imediatamente correu para ver se Nathaly estava bem, dando toda sua atenção para ela. – Você está bem?
– Estou – respondeu. – Apenas o meu braço está ardendo.
John não pensou duas vezes, e retornou à quadra.
– Você está ficando maluco, cara!
– Vai querer encarar agora, Mitchell? – provocou.
Ele não gostou nada do que havia acontecido, e ficou ainda mais chateado pela a frieza do adversário em manter distância e depois provocá-lo. A partir dali, foi a gota d'água para o garoto, começando uma discussão violenta entre os dois. Ryan e todo o time, assim como do adversário, foram separar aquela briga. No final, John acabou expulso por perder a cabeça por infantilidade; já o seu adversário apenas deu tchau e viu vantagem de jogar com um jogador a mais. Diana observava todo aquele alvoroço, e acompanhava o comportamento de Alice enquanto sucedia a situação.
Pelos corredores, John estava bastante bravo consigo mesmo e com tudo, ao ponto de chutar até um dos armários, fazendo um barulho enorme por causa do eco provocado pelo vazio do lugar. Ele parou em frente do seu armário e encostou a testa, ficando ali. Diana apareceu na sequência.
– Nossa. Que animal feroz você é – comentou Diana, parada a certa distância dele.
– Já que acha que eu sou um animal feroz, toma distância para eu não atacá-la – recomendou ironicamente, visivelmente irritado.
– Eu sei que está com a cabeça quente. – Ela se aproximou cuidadosamente, cheia de charme. – Mas isso passa. Não vale à pena gastar suas energias masculinas por algo tão pequeno da vida.
– É, tenho que dar razão a você, mesmo não a conhecendo. São tantas pessoas.
– Meu nome é Diana Harrison – sorriu espontaneamente, dando a impressão que haveria mais dentes em sua boca. – E o seu?
– Legal. Eu sou John Mitchell – sorriu forçado. – Bem, eu preciso me arrumar agora. Como você vê, estou muito suado. Obrigado – retirou-se.
John ficou mais calmo por causa dos conselhos de Diana. E foi para o vestiário com a cabeça mais fria e relaxada. Diana ainda permaneceu ali.
No banheiro feminino, Nathaly estava passando bastante água no braço, avermelhado pelo impacto, para diminuir a ardência. Em sua companhia, Juliana a ajudava.
– Ainda está ardendo, Nathaly? – perguntou Juliana.
– Está um pouco – respondeu.
– Parece que, somente a água, não resolve... Já sei! Eu vou tentar arranjar alguns cubos de gelo, para dar um choque térmico mais forte.
– Isso é um sinal que você se tornará uma cientista? – brincou.
– Esperamos – comentou. – Eu vou lá. Não saia daí.
Juliana resolveu sair à procura dos cubos. Ela esbarrou em Diana quando saiu e virou à sua direita. Sem graça, abaixou a cabeça e saiu de mancinho. Diana não ligou muito, e adentrou tranquilamente no sanitário.
– Olá – disse Diana.
– Oi – respondeu Nathaly.
– Foi você quem foi atingida por aquela bolada, não foi?
– Sim – confirmou. – Por quê?
– Nada. Eu apenas queria saber se você está bem, já que eu lhe encontrei aqui.
– Sim, estou. Não se preocupe – disse ela, acanhada.
Percebendo a timidez de Nathaly, ela chegou mais perto para passar alguma confiança.
– Meu nome é Diana Harrison. – Ela estendeu a mão para cumprimentá-la. – E o seu?
– O meu é Nathaly Kate. – Ela correspondeu, apertando a mão dela.
– Lindo nome... Nathaly – elogiou-a. – Parece que aquele garoto chamado John lhe conhece muito bem. Pude pressentir naquele momento.
– E não é impressão sua. Realmente, ele me conhece. Somos amigos.
– Amigos? Vocês se combinam tanto...
– É melhor esquece essa conclusão – riu. – Afinal, ele tem namorada.
– Aí, desculpa. Não queria chegar a isso – disse ela. – Bem, preciso voltar à turma de torcida. Tchau, "Naty".
Nathaly ficou um pouco retraída pela jovem ter arranjado assunto quase que descompromissado. Depois que ela saiu do banheiro, estando novamente sozinha, Nathaly olhou para o espelho e viu que o seu braço não estava mais vermelho, estando em sua coloração normal, branquinha. Ela mesma não acreditou e tocou no lugar onde foi atingido, observando com seus próprios olhos sem a intermediação do espelho. Juliana acabou trazendo os cubos de gelo.
– Olha, eu consegui alguns cubos... O que aconteceu com o seu braço? – estranhou Juliana.
– Ah! Eu joguei mais água, passei a mão e começou a melhorar rápido... Foi isso – omitiu para não levantar algumas suspeitas sobre ela. Ela tinha certeza que tinha tudo a ver com os seus poderes.
– E lá vamos nós de novo. Agora, devolvendo o gelo.
– Vai lá. Eu a espero na arquibancada.
Diana andava apressadamente para voltar ao seu posto. Em uma das mãos, ela levava um pedaço de papel e uma caneta. Por estar andando de cabeça baixa, não via o que estava à sua frente, e foi aí que ela acabou se esbarrando em mais uma pessoa. Era Ryan.
– Desculpa – desculpou-se pelo esbarrão.
Ele percebeu que o papel e a caneta caíram das mãos da jovem, e se agachou para pegá-los. O que estava escrito no papel, acabou lendo.
– É... A sua partida já acabou? – perguntou Diana, desviando o assunto, quando pegou rapidamente o papel e a caneta.
– Ah, sim – respondeu. – Por jogar com um menos, acabamos levando a virada. Você acredita nisso?
– Lógico que eu acredito. Por que duvidar? – sorriu, passando por ele depressa.
Quando Ryan pegou o pedaço de folha, ele tinha lido os nomes de John e Nathaly. Esperto, ele fingiu não notar que Diana estava um pouco nervosa na conversa. Isso trouxe a ele uma breve curiosidade. Quando pensou em ir para o vestiário, ele se lembrou de ter deixado sua garrafa de água junto à irmã. Teve que voltar.
De volta ao seu armário, já trocado e bem arrumado, John avistou Nathaly há alguns metros dele. Ele fez questão em chamá-la para perto através de gestos. Ela hesitou em ir, mas foi até ele em passos curtos.
– Como você está, Nathaly?
– Estou bem, depois daquela bolada – riu acanhada. – Obrigada por se preocupar comigo.
Ela baixou sua cabeça para desviar o seu olhar dele. Vendo aquilo, John apoiou seu dedo indicador por debaixo do queixo dela e levantou sua cabeça.
– Amigo é para isso – disse ele, sorrindo.
Houve um silêncio entre eles. Nathaly olhava para os lados, além de direcionar seus olhos para baixo.
– Bem, eu preciso ir. – Ela permaneceu olhando para o chão, e já ia dando às costas para ir embora.
– Nathaly. – Ele a pegou pelo ombro, antes mesmo de ela tomar distância. – Percebo que quer me evitar... Por quê?
Ela o olhou com aquele olhar desconfiado, gerando mais um silêncio; John tentava tirar respostas em seu olhar.
Bastou eles se olharem diretamente para que os seus olhos, de repente, brilhassem um para o outro. Uma forte conexão entre eles se iniciava, e quem estava gerindo isso era Diana. Alguns metros dali, ela fazia uma espécie de ritual, com o papel na palma de uma das mãos enquanto a outra estava sobre a folha onde constavam os nomes de seus alvos.
– Nathaly.
Nathaly olhou com um sorriso diferente do normal.
– Você sabia que eu a amo?
– Seus olhos não mentem, John.
– Hoje, nós teremos um dia inesquecível, Nathaly.
John pegou Nathaly pela mão e saíram de mãos dadas pelos corredores. Diana apenas comemorava dentro si. Isso era perceptível em seu sorriso maroto e olhar macabro, que acompanhavam aquela cena bem sucedida.
John voltou ao evento a céu aberto. Como havia uma pausa das partidas de futebol, ele aproveitou para pegar o megafone do anunciante e animador do evento e subiu com a nova amada ao palanque.
– Senhoras e senhores. Uma atenção aqui, por favor – solicitou, e todos começaram a olhá-lo. – É de extrema satisfação que venho aqui para anunciar a todos, para serem testemunhas, que essa garota ao meu lado será a minha parceira. Sim. Eu vim declarar que... eu a amo!
– O que??? – questionou Alice, que estava ao lado de seu irmão que cuspiu a água que estava bebendo na hora. – John...
Todos, inocentemente, aplaudiram àquele ato a principio puro e meigo da parte de um jovem como John, levando-o do inferno ao céu naquele mesmo lugar que saiu com a cabeça quente. Mas era apenas uma tese, pois, o que ele tinha feito, foi algo para ferir e trazer o mal-entendido à Alice, sua namorada. Depois, ele desceu com Nathaly de mãos dadas, sorrindo.
– John... O que pensa que está fazendo? – questionou Alice, olhando-o já com os olhos cheios de lágrimas.
– Mudança de planos, Alice – disse ele. – Obrigado por tudo; a partir de hoje, é uma nova história.
Ele ignorou as lágrimas de Alice quando passou perto. Pouco conversou, a não ser para falar tais palavras que foram bem duras aos ouvidos dela.
– O que deu em você naquele banheiro, quando eu estava ausente, Nathaly? – perguntou Juliana enquanto andava ao lado dela.
– Amor não se explica, Juliana – disse ela.
Espantada, Juliana parou, vendo-a ir com John.
Cegamente, o jovem casal se dirigia à área externa da escola. Em meio à multidão, Ryan flagrou Diana acompanhando tudo à distância. Ela o percebeu olhando-a e mudou de semblante, para tentar disfarçar. Mas já era tarde. Ele começou a desconfiar ainda mais dela.
Em plena à hora da saída, Alice se encontrava deprimida na sala da diretoria, tomando água com açúcar para se acalmar, pois estava bastante ressentida com John. Junto com ela, estava o seu inseparável irmão Ryan, e a Juliana.
– Por que isso, meu Deus? – questionou Alice, com os olhos vermelhos de tanto chorar. – Estou muito transtornada com isso. Não vejo mais o chão debaixo dos meus pés.
– Calma, Alice. Deve haver algum engano – disse Juliana.
– Espero mesmo. – Ela tomou mais um pouco da água antes de continuar a falar e mudar o seu semblante. – Senão, sua amiga irá pagar muito caro.
– Para de falar essas coisas em um momento como esse – repreendeu Ryan que, antes de ouvir aquilo, estava pensando em que fazer. – Poxa, maninha. Como você consegue ficar triste e revoltada ao mesmo tempo?
– Seu irmão tem razão, Alice – apoiou-o. – Não é hora para se estressar. É hora para se ter alguma explicação.
– Eu tenho quase certeza do que possa ser, meninas – revelou indiretamente.
Um comentário de Ryan soou como uma luz para as garotas. Ele estava quase certo do que estava por detrás daquela situação. Então, ele começou a expor o seu ponto de vista e planejar uma ação com elas.
Nathaly chegou à sua casa visivelmente alegre. Sua mãe presenciou tal alegria.
– Oi, mãe – disse a filha, jogando a mochila no sofá.
– Filha? Você parece tão alegre.
– Pois é. Algo extraordinário aconteceu.
– Eu posso saber o que seria? Novas notas altas que você tirou?
– Você já vai ver.
A filha subiu para o seu quarto. Embora estivesse confusa, Clara estava curiosa pela a "surpresa" dela. Depois de alguns minutos, Nathaly ressurgiu toda produzida. Era outra jovem mulher e com estilo independente: vestido preto, bem maquiada com um batom vermelho, um chapéu feminino na cabeça da mesma cor do vestido, novos brincos na orelha e luvas brancas semelhante àquelas de donzelas. Para terminar, carregava uma bolsa de mão e, ao seu lado, havia uma simples mala de porte médio. Sua mãe ficou extasiada com o que viu.
– Mas filha... O que significa isso?
– Uma nova vida com John me espera. E casaremos em breve.
– É o quê?
– Não se preocupe. Nós avisaremos vocês. Fui.
Clara foi atrás da Nathaly até a porta principal da casa. De fato, ela viu John esperando pela sua filha lá fora. Vendo aquela cena dos dois partindo diante dos seus olhos, voltou de casa à dentro para fazer uma ligação para Steven que, àquela altura, estava trabalhando.
– Aconteceu alguma coisa, Clara? – perguntou Steven.
– Steven, a nossa filha está fora de si.
– Como assim, querida? Não estou entendendo.
– Preciso que venha logo – implorou. – Ela simplesmente fugiu com John, o amigo de escola dela.
– Fique calma. Eu já estou saindo para resolver isso.
Ele desligou o telefone e ficou com uma feição preocupante, tentando entender melhor o caso.
Ryan e Alice chegaram à casa de Diana que, por sinal, era bem cuidada exteriormente. Ryan tinha pegado o endereço nos documentos da escola enquanto estava na sala da direção, sendo uma atitude esperta de sua parte.
– Finalmente, chegamos – disse Ryan.
– Eu ainda não consigo entender por que essa garota tem algo direto com aquela babaquice de John.
– Esqueceu que você tentou encarar a Diana? – lembrou-a – Vamos tentar descobri o que ela apronta agora. Deve haver algum dedinho delicado dela.
O jovem tocou a campainha uma, duas, três vezes... E nada de ninguém atendê-los. Ele decidiu pegar na maçaneta da porta para rodar. Quando a rodou, a porta abriu. Os irmãos olharam um para o outro e acharam estranho os proprietários saírem e não ter trancado a casa. O mistério ficou mais concretizado na cabeça de Ryan e, agora, na cabeça de sua irmã.
Eles entraram lentamente na casa, que possuía um ambiente escuro devido às cortinas que estavam fechadas e impedindo que a luz do dia viesse iluminar – assim como fora, estava tudo bem arrumado, parecendo uma casa de boneca. – Realmente, não havia ninguém na casa, dando-os mais liberdade no vasculho do imóvel. Indo ao segundo andar, que estava ainda mais escuro, eles entraram no quarto da investigada, e se depararam com um verdadeiro centro de rituais: com o cômodo estando escuro, havia velas acesas sobre dois criados mudos, uma em cada lado da cama e mais velas sobre uma cômoda, além de livros nada comuns sobre o móvel. Alice ficou arrepiada dos pés à cabeça com o que estava vendo. E ficou ainda mais medrosa quando ela viu um quadro artístico na vertical apregado alguns metros acima da cabeceira da cama.
– Olha isso, maninho – espantou-se, indo para trás do seu irmão e apontando. – Essa garota é sinistra mesmo.
– Calma, Alice. Mantenha-se calma – recomendou-a. – É uma pintura de Eros, um deus grego. Ele é conhecido como o deus do amor. Mas aqui, ele parece um pouco rabiscado...
– Pelo jeito, você não tem faltado nas aulas de Filosofia, Ryan. Parabéns – comentou já com o seu medo controlado. Ryan a olhou desaprovando a sua ironia.
Tal rabisco era duas marcas em diagonais em vermelho, formando um X sobre a pintura. Em sua mente, Ryan começou a montar o quebra-cabeça enquanto sua irmã admirava a obra de arte, ignorando aquele X. Ele foi até os livros que estavam na cômoda e começou abri-los e folheá-los. Muitos deles falavam do universo sentimental e sobre o deus. Mas dentre os livros, encontrou um que havia somente nomes de pessoas, uma espécie de lista com anotações e assemelhando-se a um diário.
– Nossa. Tantos nomes – impactou-se.
Ele ficou calado por alguns instantes quando viu que havia os nomes de Nathaly e John.
– O que foi? – Alice virou-se para saber o que era.
– A situação é mais crítica do que imaginávamos.
Ryan mostrou as anotações no livro envolvendo o novo casal para sua irmã, estando bem organizadas. Ele leu a pretensão de Diana para o próximo passo na vida deles.
John e Nathaly chegaram a uma casa, sem haver o segundo andar, que foi reservada para os dois. O intuito era passar a noite antes de partir para viver longe de todos em Londres, a famosa cidade e capital do país. Felizes, eles entraram na casa e começaram a arrumar as coisas básicas para um dia de hospedagem.
Quanto a Juliana, ela não acompanhou Ryan e Alice até a casa de Diana, pois ela foi à casa dos Kates para avisar do que estava acontecendo. Conforme já havia sido orientado, ela ficou mais os pais de Nathaly esperando uma ligação de Ryan. Nesse tempo de angustia, Steven estava acalmando Clara. Depois que ele pediu à esposa para lavar o rosto que foi manchado pela a maquiagem, o telefone tocou e Juliana atendeu. Era Ryan da própria casa da suspeita.
– Juliana?
– Pode falar, Ryan.
Ele contou a ela as coordenadas da onde Nathaly e John poderiam estar. Juliana anotou o endereço de localização da casa relatado no misterioso livro particular de Diana. Steven já estava apreensivo pela a demora da ligação. Enfim, ela desligou o telefone.
– Estamos quase certo onde eles estão.
– Ótimo, Juliana – comemorou discretamente. – Queremos a nossa filha de volta. E vamos conseguir.
Steven já ficou mais calmo, e passou a estar convicto de que aquela situação já não duraria por muito tempo.
Com as coisas já estadas arrumadas, os apaixonados estavam assentados à mesa da cozinha. Embora ainda estivesse de dia, eles colocaram uma vela acesa no meio da mesa, deixando o ambiente mais romântico.
– John, como vamos nos sustentar em Londres? Mal temos o dinheiro para ir para lá – disse Nathaly.
– Não esquenta. Eu peguei dinheiro do meu pai – disse John.
– Você roubou seu pai, John? – impressionou-se.
– É... Diríamos que peguei emprestado – sorriu descaradamente. – Tudo pelo o nosso amor.
Ele percebeu que Nathaly não estava comendo e bebendo nada da mesa.
– Você não está com fome?
– Ah... É... John, eu preciso lhe contar uma coisa.
– Bem, estou a todo ouvido. Pode dizer.
– Eu sou...
Ryan e Alice apareceram, surpreendendo-os e interrompendo a conversa.
– Senhor e senhorita, o romance acabou – disse Ryan. – E ninguém vai mais ao lugar nenhum.
Ryan chegou com extrema moral para determinar o fim daquela lastimável situação aos seus olhos e de sua irmã, que o acompanhava. Essa intromissão gerou uma esquisita reação: o fogo da vela criou vida própria e disparou pequenas bolas de fogo em direção aos indesejáveis visitantes, fazendo-os correr em volta da cozinha, e Ryan teve a ideia de pegar duas panelas, uma para ele e outra para Alice, para usarem como escudos. John e Nathaly ficaram assustados com aquilo, quase se levantando da mesa, mas ficavam imóveis, sem saber o que fazer.
– John, Nathaly. Vocês estão sendo enganados. Isso mostra que estou falando a verdade! – disse Ryan.
O clima ficou pesado na cozinha. Em verdadeiro fogo cruzado, o casal resolveu fugir dali, separando-se no corredor principal da casa, para se protegerem. Enquanto John correu para um quarto, Nathaly corria em direção aos fundos da casa, e deu de frente com o seu pai.
– Filha, algo deve ter acontecido por você estar assim – alertou Steven. – Vamos para casa.
– Não. Eu quero ficar com quem eu amo – recusou. – E essa pessoa é John.
– Errado. Sua mãe e eu somos as pessoas que você mais ama nesse momento – rebateu.
Ele ligeiramente a pegou e a segurou com um dos seus braços, prendendo-a ao seu corpo, de costas para ele. Tirando do seu bolso aquela pedra de mineral que havia guardado no porão, a Pirita em seu estado modificado, a usou colocando à altura do colo da filha, como uma alternativa para tentar domá-la. O mineral começou a surtir efeito nela de forma rápida.
– Aí – queixou-se Nathaly, rangendo os seus dentes com os olhos fechados e erguendo a cabeça.
– Isso prova o nosso amor por você, filha. E exige sacrifício – disse ele aos ouvidos dela.
A carga sobre ela passou a ser tão grande, que acabou empurrando seu pai para trás, sendo as últimas forças de sua defesa. Os dois caíram ao chão, e o mineral foi para debaixo de uma mesinha, longe deles. Levantando os seus olhos, Steven a viu de pé diante dele, olhando-o. Ele começou a achar que poderia ser atacado por causa da sua atitude, fazendo uma expressão para buscar misericórdia da filha. Mas não era nada disso. Nathaly estendeu sua mão para levantá-lo.
– Obrigada por me amar, pai – agradeceu.
O mineral modificado não somente trouxe dor a ela, mas também havia de alguma forma tirado aquela paixão por John; o feitiço havia sido desfeito em Nathaly.
Na cozinha, a intensa luta contra as bolas de fogo continuava. Juliana adentrou na hora e quase foi acertada por uma, para o alerta de Ryan:
– Agacha-se, e proteja-se, Juliana!
Mesmo não entendo aquilo, ela apenas obedeceu ao que ele ordenara. Ryan e Alice se aproximaram dela para ajudá-la a se proteger. Ao desviar com um golpe uma bola de fogo, Ryan acertou Diana, que estava invisível e controlava tudo aquilo no ambiente. O seu acerto pegou bem no bolso onde ela carregava o pedaço de papel com os nomes de Nathaly e John, transformando a folha em cinzas. Na mesma hora, tudo voltou à realidade: John, que ainda estava sob os efeitos da fantasia sentimental, recuperou sua sã consciência no quarto; Diana, ora invisível, tornou-se visível na cozinha.
– Meu Deus – assustaram-se as jovens, quando viram Diana aparecendo.
Diana ficou irada pelo o que eles provocaram para desfazer os seus planos. A ira foi tão grande que um arco e flecha apareceram em suas mãos. Era algo característico de um cupido, obter-se desses dois aparatos. Mas esses de Diana eram ardidos em chamas; eram feitos de fogo.
– Vocês não eram para ter interferido em meus planos – disse ela, apontando a flecha para Ryan, Alice e Juliana. – Vocês vão arder!
O perigo se tornou mais real para os três estudantes. Com extrema raiva, Diana puxou a flecha contra o barbante de fogo do arco e soltou, disparando-a contra seus oponentes. No mesmo instante, Nathaly apareceu na frente dos alvos e foi acertada pela a inflamável flecha. Todos ficaram temerosos enquanto Diana pensava que tinha sido bem sucedida. Mas eles se enganaram. Nathaly usou uma chapa de metal retorcida como um escudo, e a flecha de fogo se dissipou quando se chocou com o material, deixando uma marca preta. Depois, jogou o material no chão.
– Saiam da casa! – ordenou Nathaly.
– Vamos, pessoal – disse Steven, ajudando a filha.
Na oportunidade, todos saíram da casa às ordens de Nathaly. Ninguém demonstrou resistência quanto ao que ela havia solicitado. E ela e Diana ficaram a sós na casa.
– Diana, eu sei que você queria fazer o que bem entendesse com a minha vida e a de um rapaz comprometido – disse Nathaly.
– Sim. Eu faço isso para esquecer o meu passado, já que não posso ser feliz com alguém um dia. A minha própria cobiça de amar me amaldiçoou – contou Diana. – Olha quem eu sou hoje.
– Eu posso ajudá-la.
– Obrigada. Mas você sabia que estou bem assim?
Diana não quis muita conversa com Nathaly e a atacou ao se teletransportar para surpreendê-la por trás com uma chave de braço. Nathaly conseguiu jogar Diana no chão e, novamente, ela desapareceu com o seu teletransporte e surpreendeu Nathaly mais uma vez, aparecendo por trás e jogando-a ao outro lado da cozinha após deferir um golpe. Nathaly ficou caída ao chão, um pouco zonza. Diana pegou uma faca de cozinha e se aproximou. Quando ela ia golpear fatalmente sua adversária, Nathaly usou sua agilidade sobre-humana, utilizando-se do instinto felino, levantando-se rápido. Sem entender aquilo, Diana olhou para trás, e ela quem foi surpreendida por Nathaly dessa vez: a faca foi tomada da sua mão e ela foi empurrada.
– Que diabos você é, Nathaly? – perguntou Diana, percebendo que Nathaly era uma pessoa diferenciada assim como ela. – Não importa. Quero ver se você é resistente às verdadeiras chamas da paixão.
Diana perdeu a paciência com ela e decidiu usar mais uma vez seu arco e flecha em chamas e disparou a flecha em direção a uma lamparina de querosene, que estava acesa naquele momento. A flecha atingiu o iluminador de combustível inflamável. Nathaly correu contra o tempo para uma janela mais próxima, usando de sua agilidade. A casa explodiu, assustando seu pai e os jovens. Por sorte, eles estavam do outro lado da rua.
Independentemente de todos lá foram estarem bem, Steven ficou apreensivo na esperança de Nathaly ter saído da casa a tempo. Quando menos esperavam, eles a viram surgindo dos fundos da casa, com alguns arranhões. E todos ficaram aliviados e felizes. Ryan ficou surpreso, admirado; Juliana e John até consideraram-na como uma corajosa heroína enquanto Steven já sabia da imensa capacidade da filha; já Alice... Alice não esboçou muita alegria.
A polícia estava na casa de Diana. Em via das dúvidas, Ryan tinha denunciado anonimamente a casa pelas coisas estranhas nela. Baseado nisso, eles vasculharam toda a casa, e realmente viram tais coisas que provocaram a denúncia.
– Essa é a denúncia mais surreal que já recebemos – disse o delegado.
– E você pode ter certeza disso, senhor delegado – confirmou um dos policiais.
– O que quer dizer com isso?
Mas algo bem mais assustador estava por vir. O delegado foi conduzido pelos policiais até o quintal da casa. Lá, eles mostraram-no dois buracos que eles tinham acabado de fazer após verem duas cruzes apregadas ao chão na área verde do lugar. Aproximando-o daqueles buracos, eles mostraram-no ainda duas pessoas mortas há algum tempo, sendo um casal, uma em cada buraco. O delegado ficou perplexo.
Um carro foi chamado para levar os corpos até o instituto médico junto à polícia. No meio do caminho, os carros do comboio policial e médico foram surpreendidos pelas temíveis flechas de fogo, explodindo os carros com todos dentro, além de carbonizar os corpos que eram dos pais de Diana.
– Isso fica apenas entre nós, senhores – disse ela do alto de um telhado de uma casa. Em seus olhos via-se a cena dos carros pegando fogo e as pessoas que presenciaram o corrido pedindo por ajuda.
John apareceu na casa dos Taylor para conversar com Alice. Mas quem atendeu foi Ryan:
– Sou eu de novo, Ryan – disse John.
– Veio falar com a minha irmã, não é? – presumiu.
– Sim. Ela se encontra? Ou seus pais estão ocupados aí, não sei.
– Os nossos pais ainda não chegaram, e Alice está no quarto – disse ele. – E olha que a minha irmã não saiu de lá até agora. Fez bem você voltar.
Ele o deixou entrar para conversar com Alice no quarto. John bateu à porta antes de entrar, e veio lentamente para assentar-se junto a sua namorada, que estava na cama pensando. Com todo carinho, ele pegou na mão dela.
– Ainda sem acreditar no que aconteceu? – perguntou John.
– Não sei, sabe? Eu não consigo tirar nenhuma daquelas cenas da minha cabeça.
– Essas cenas seriam das coisas sinistras que você viu hoje? – perguntou, mas no fundo ele sabia que era sobre o seu envolvimento involuntário com Nathaly.
– Mais do que isso... Vendo Nathaly e você juntos por alguns momentos foi algo muito forte para mim. Pensei que se tornaria eterno.
– Alice, aquilo foi algo involuntário. Eu estava possesso por um amor cego que Diana colocou entre Nathaly e mim.
Alice ergueu sua cabeça e olhou para o namorado bem em seus olhos castanhos claros.
– Mas, em sã consciência, você teria a mesma coragem de fugir comigo a ponto de fazer loucuras, como tentar roubar o dinheiro do seu próprio pai, por amor? – perguntou.
Com aquela pergunta bem elaborada por Alice, John ficou a olhar para ela, assim como ela o olhava em seus olhos para tentar arrancar respostas do fundo de sua alma.
Em seu quarto, Nathaly estava com a presença de Juliana. As duas estavam conversando sobre as bizarrices ocorridas durante o dia. Por coincidência, Juliana tocou no assunto sobre o seu envolvimento rápido com John:
– Nunca tinha visto tanta coisa sobrenatural em apenas um dia. E você ainda conseguiu enfrentar aquela garota estranha e ainda conseguiu escapar de uma explosão – comentou Juliana. – Como a ciência explicaria tudo isso?
– Tenho impressão que você conta aos seus pais sobre essas coisas estranhas, não conta? – desconfiou.
– Não tenho essa tal coragem... – respondeu, olhando para a porta da varanda com as mãos para trás.
– E por quê?
– Acho que eles não acreditariam muito... – Ela olhou para Nathaly. – Agora me diga: como foi se apaixonar?
– Se apaixonar? – riu – Olha, Juliana... Aquilo foi apenas algo involuntário. Você sabe disso.
– Eu sei, mas o nosso subconsciente é especialista em aderir alguma coisa que esteja fora do nosso controle. Tanto é que você se lembra. Ou não?
– Bem, sim... Eu lembro.
– E você gostou de sentir esse espírito do amor, independente do que foi?
Quando a conversa estava ficando boa para Juliana, Steven a avisou que o seu pai estava esperando-a lá embaixo. Então, ela se despediu da amiga e saiu do quarto. Apesar de ter sido salva da pergunta da amiga, Nathaly ainda estava sem graça, com um sorriso menos empolgante.
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