Capítulo 28
Quando me dei conta, estava livre. Livre e encarcerada ao mesmo tempo. Estava de volta ao meu trabalho, de volta ao meu apartamento reformado, de volta a minha vida. Mas, estava presa a Turner o qual estava com seus olhos me acompanhando para todo canto, sem se importar para onde eu fosse. Qualquer passo em falso, e não veria meu pai novamente. E para ser sincera, estava com minhas forças esgotadas.
- Detetive Parker! – o capitão passou a me chamar em sua sala.
- Sim, Capitão – respondi entrando em seguida.
- Você sempre foi uma boa detetive Parker, mas ultimamente, não sei o que está se passando com você. Você some, depois aparece como se nada tivesse acontecido. Até mesmo manda atestados por meio de Turner. Você nunca foi disso. Mesmo quando estava no hospital, não queria faltar trabalho – ele dizia e minha cabeça girava cada segundo mais. Tudo que queria era esbravejar tudo que estava se passando. Mas, eu não podia.
- Eu sei Capitão. Ultimamente estou passando por uns problemas complicados – eu passei a dizer, tentando disfarçar meu desespero, até ser interrompida.
- Não quero satisfações Parker, não agora – Hoffman, respondeu.
- Capitão, prometo que isso não voltará a acontecer – prometi a ele por fim.
- É exatamente o que espero Parker. Pois, não haverá mais chances. Estamos entendidos? – ele questionou.
- Si.. – tentei dizer, mas mais uma vez foi desnecessário.
- Eu sei a resposta detetive! Apenas volte ao seu trabalho – ele disse ríspido e resolvi não perder meu tempo, me retirando em seguida.
- Ei, ei, ei – Alyssa apareceu assim, que saí da sala de Hoffman – você está bem? Como não me avisa que conseguiu escapar? Contou tudo a...
- Chega Aly! – a interrompi, segurando em seu braço e a levando até sua mesa e me sentando na minha ao seu lado. Olhei para todos os lados e não avistei a presença de Turner – não escapei...
- Ei gatinhas! – Turner aparece do nada, me interrompendo e me fazendo me perguntar se ele por acaso tem poder de invisibilidade.
Em aquele exato segundo, Alyssa ficou em choque, era de se esperar. Turner estava com sua mão em meu ombro, e aquilo me causava calafrios. Não conseguia disfarçar meu olhar de tensão e Aly notou.
- Eu permito que conte a Alyssa. Ela é sua amiga, não fará nenhuma besteira – Turner disse dando uma piscadela a mim e se retirando para sua mesa.
- Ele está te ameaçando? – Aly questionou em seguida e apenas afirmei com a cabeça – como vai se livrar disso? – ela concluiu sussurrando.
- Eu ainda não sei – respondi.
- Não seria melhor tentar contar a Hoffman? – ela perguntou com seu olhar por todos os lados, com medo de que alguém poderá nos ouvir. Aly sempre foi esperta, sempre soube manter a calma nos piores momentos e sempre consegue captar quando as coisas realmente estão complicadas.
- Aly, com tudo isso acontecendo, eu não faço ideia em quem posso confiar – disse a ela com o coração em mãos.
- Acha que ele pode estar envolvido?
- Eu não sei. Não sei nem ao certo de que lado minha irmã está – contestei a Alyssa que estava com mil perguntas em sua cabeça, era evidente.
- Carambolas! E Noah, está sabendo que você está bem? – jogou mais uma pergunta – Ou ele está do lado de Turner também?
- Não sei! Eu não sei de nada Aly. Só sei que meu pai está em péssimas mãos e que preciso ceder por enquanto. Agora, vamos tentar agir normal, por favor, sem mais perguntas – pedi a Aly que apenas afirmou com um gesto.
O resto do dia foi uma tentativa de teatro. Capitão nos deu um caso para trabalhar, porém minha cabeça não conseguia se centrar em nada. Aly apenas tentava disfarçar que estávamos realmente envolvidas neste novo caso, procurando pistas e testemunhas que pudessem nos ajudar. E a única coisa que fui capaz de fazer, era acompanha-la, sem dizer um "a" se quer. Minha cabeça estava em meu pai, em como ele estava, em como eu o livraria disso tudo. Além disso, me perguntava se Miriella estava apenas sob pressão também. E claro, Noah não saia de minha cabeça por nem sequer um segundo. Não sabia onde ele estava, se estava bem, se Miriella havia o contatado, e o pior de tudo, era que não sabia de que lado estava. E isso certamente me consumia por dentro.
Depois do expediente, estava me direcionando ao meu carro para ir para meu apartamento, e Aly me acompanhava, até que Turner aparece em nossa frente.
- Vocês foram muito bem hoje – ele passou a dizer – mas, não significa que receberão algum benefício. Quero que as duas fiquem em apenas um apartamento, e será melhor que fiquem no de Bela...
- É Parker, para você – o interrompi com meu sangue começando a ferver por dentro.
- Você não está no direito de decidir como posso te chamar, Bela! Continuando, ficarão em seu apartamento, as duas – ele ordenou olhando para Aly, esperando sua resposta.
- Jullian irá estranhar. Sabe que não costumo dormir fora. E hoje combinamos de nos encontrar – ela passou a explicar.
- Desmarque! Oliver irá com vocês, para cuidá-las. E repito, quero as duas lá, não me importo com seu encontro. E claro, ele não pode saber de nada, já dei um aviso a ele uma vez, certo? Agora se quiser que isso se repita... – ele dizia, até Aly o interromper.
- Farei de sua forma Turner! – Aly falou sem disfarçar a preocupação em seu tom de voz.
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