A Criação das Dadivas: Conto III

A Espada Invernal 

A história da Espada Invernal começa nos momentos finais da devastadora guerra entre a Deusa Nefis e a Fada Negra – que aqui vamos usar seu nome verdadeiro. Zontor. Pois essa criatura já não contém força alguma para nos fazer mal. Essa guerra não foi apenas um conflito entre seres feéricos, mas um cataclismo que abalou todo o reino de Zattera e o mundo mortal. Quando a Fada Negra lançou sua maldição, a Árvore das Estações, que mantinha o equilíbrio entre os reinos, sofreu um golpe mortal. O ciclo das estações ficou corrompido, e o caos climático tomou conta do mundo.

Então a Espada Invernal foi criada a partir da essência mais pura do próprio inverno. Nos momentos mais críticos da guerra, quando as forças de Nefis estavam à beira da destruição, ela recorreu ao poder ancestral da Árvore das Estações. Embora danificada pela maldição da Fada Negra, a Árvore ainda detinha um fragmento de poder primordial que poderia ser moldado em uma arma definitiva. Nefis, com sua sabedoria divina, entendeu que esse fragmento precisava de um recipiente adequado — algo que representasse a força e a fragilidade da estação mais rigorosa.

Para forjar a Espada Invernal, Nefis reuniu três elementos essenciais:
1) - O Coração de Gelo Eterno: Este era um cristal lendário, encontrado nas profundezas de um lugar que muitos conhecem como Antártida, um lugar tão frio que até mesmo o tempo parecia congelar. O cristal era a personificação do frio absoluto e eterno, imune ao derretimento, e irradiava uma energia gélida que podia congelar qualquer coisa ao seu redor. Era a essência primordial do inverno, um símbolo da resistência e da imobilidade do tempo e das estações.

2) A Fornalha das Estrelas Desvanecidas: Embora o inverno seja associado ao frio, a Espada também precisava de um calor peculiar, um fogo não para queimar, mas para dar forma. Nefis invocou o calor das Estrelas Desvanecidas — estrelas moribundas que desapareciam aos poucos no firmamento — cuja chama é tão fria quanto a neve, perfeita para forjar uma arma que controlaria o gelo sem derreter sob seu próprio poder. Esse fogo foi utilizado para moldar a lâmina, conferindo-lhe a resistência das estrelas e a eternidade do universo.

3) - O Sopro dos Ventos do Norte: Para dar vida à Espada e torná-la verdadeiramente invencível, Nefis capturou o Sopro dos Ventos do Norte, uma força indomável e violenta, porém vital. Esses ventos percorriam o mundo, alimentando as nevascas e as geadas. Ao aprisionar essa essência em um encantamento antigo, Nefis garantiu que a Espada seria capaz de convocar o próprio inverno à sua vontade, trazendo tempestades e congelando os corações de seus inimigos.

Unindo esses elementos em um ritual de forja que durou três dias e três noites, Nefis usou sua magia divina para imbuir a Espada com um propósito maior: não apenas destruir, mas proteger o equilíbrio entre os reinos. O feitiço final, lançado ao término do ritual, ligou a Espada Invernal ao ciclo das estações, fazendo dela o pilar que sustentaria o inverno e a chave para o equilíbrio de Zattera. Assim nasceu a Espada Invernal, uma arma de poder incomparável, capaz de selar destinos e determinar o rumo das estações. No entanto, ela exigia um portador digno, alguém que compreendesse tanto o frio da liderança quanto a responsabilidade de manter o equilíbrio entre vida e morte, criação e destruição.

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