Capítulo 8 - Noah veneno, Derek antídoto?!

Victória Walker

Quatro meses se passaram desde a descoberta da minha gravidez, agora eu beirava os cinco meses e minha barriga começava a apresentar um certo voluminho me fazendo perder algumas peças de roupas.

Eu sei, vocês devem estar se perguntando ai na cabecinha de vocês: Mas Vick, como foi esses últimos meses? Teve noticias do Thomas? E Derek? Como ele reagiu? Ele te apoiou? É menino ou menina?

E eu vou dizer a vocês: Se acalmem! Vou contar resumidamente o que aconteceu em cada mês, não se desesperem!

Flashback

Primeiro mês.

Eu havia saído do hospital já fazia uma semana, Thomas não deu sinal de vida e eu estava magoada o suficiente para não procurá-lo. Tinha total ciência de que ele sabia, e se o mesmo tivesse um pingo de consideração e noção de responsabilidade, teria me dado pelo menos um sinal de vida.

Enfim, não vou dizer que foi fácil segurar o segredo da minha gestação por muito tempo. Giulia era a favor de fazer o possível e o impossível para encontrar Thomas e fazer com que ele arcasse com as consequências, contudo eu não precisava fazer malabarismos para saber que ele havia voltado para o mesmo apartamento na beira do mar no Brasil, e com muito custo, consegui que minha amiga parasse de insistir nesse assunto.

Mas como tudo nem sempre é perfeito, não demorou para que ela batesse o pé e me fizesse contar para Derek tudo o que estava acontecendo, principalmente a parte da foto, do rompimento e acima de tudo da gravidez.

Lembro-me perfeitamente de como ele havia reagido quando contei. Um misto de confusão e mágoa estavam presentes em seu olhar, e por um segundo eu pensei que também havia perdido o amigo que sempre esteve comigo, mas graças a Deus eu estava enganada.

Derek reagiu até muito bem quando eu o contei, lançou-me palavras de conforto e se desculpou por um erro meu. Era incrível como ele havia sido muito mais flexível do que Thomas, não que eu quisesse compará-los, mas a verdade é que encontrei em meu amigo, um tipo de porto seguro que eu pensava encontrar somente nos braços do meu ex professor. Mas não se enganem, eu estar mais próxima do Morgan não significa que eu já havia esquecido minha história com o King, muito pelo contrário, durante o primeiro mês chorei praticamente todas as noites por sua causa, e a ferida parecia não querer cicatrizar nunca.

Giulia me deu a maior força, e me ajudou a superar o fato de que a sócia de Derek era nada mais, nada menos, do que Alicia, a mesma que quase me separou de Thomas na faculdade. E agora eu teria que lidar com ela para o bem da minha integridade no meio de trabalho.

Confesso que não foi fácil ouvir os comentários zombateiros que ela me dirigia como indiretas sobre Thomas. Por vários momentos eu pude jurar que ela falava com ele no telefone, e só de pensar nisso meu coração se encolhia mais e mais a ponto de virar uma mísera semente de jabuticaba.

(...)

Segundo mês

No início do meu segundo mês de gestação, fui para minha terceira consulta com o doutor (N/A: Ele tem doutorado, okay pessoas?!) Sebastian, segundo ele, era importante ter um acompanhamento assíduo na gravidez, ainda mais pelo fato de que eu tinha o desejo de fazer parto naturalista, muito comum na Europa.

Giulia iria comigo, contudo, ela teve uns imprevistos no trabalho e Derek ofereceu ir comigo, e eu aceitei, claro.

—Como vocês estão? – Ele me abraçou assim que eu abri a porta do meu apartamento.

—Bem na medida do possível. – Sorri fracamente. – E você? Como está?

—Estou bem. – Colocou as mãos nos bolsos do jeans escuro. – Está pronta?

—Sim. – Dei de ombros pegando minha bolsa.

Derek e eu seguidos para o consultório em silêncio. Nas últimas semanas eu havia me fechado um pouco com tudo e todos, eu não encarava aquilo como algum tipo de depressão ou coisa parecida, apenas como uma forma de preservar as pessoas a minha volta dos meus momentos de solidão.

—E então? Como a mamãe está? – Doutor Sebastian abriu um sorriso ao me ver.

—Me sinto bem, na verdade acho que nós dois estamos nos sentindo bem. – Sorri sincera.

—Fico feliz em saber que você e o bebê estão bem, continua com a alimentação balanceada? – Me olhou por cima dos óculos.

—Sim, venho contando com ajudinhas que me tiram da tentação de traçar um X-burguer de meia em meia hora. – Voltei meu olhar para Derek que coçou a cabeça.

—Cuide bem dela, viu rapaz? – O médico recomendou.

—Pode deixar, Giulia e eu estamos de olho nesses dois ai. – Assegurou com um sorriso no rosto.

—Ótimo, vamos fazer os exames de rotina? – Sebastian se levantou e me guiou até a costumeira sala de exames.

(...)

—Tudo certo? – Derek me perguntou assim que eu sai do consultório.

—Tudo certo. – Assenti.

—Está com fome? Precisa de alguma coisa? – Ele estava frenético.

—Derek, relaxe, você já está fazendo mais do que pode, na verdade você não precisa se sentir na obrigação de ser tão legal e compreensível assim comigo, estou grávida do cara que você mais odeia no mundo. – Suspirou.

—E do cara que você mais ama no mundo, não é? – Ele deu uma pausa, mas eu não respondi. – Olha, eu gosto de cuidar das pessoas que são importantes para mim, eu queria ter feito isso com o Noah, mas cheguei um pouco tarde e agora ele está segurando uma barra no Canadá, deixe-me fazer por você o que eu não fiz por ele. – Segurou minhas mãos em sinal de carinho.

—Obrigada. – Apertei sua mão e juntos voltamos para minha casa.

(...)

Terceiro mês

Mais um mês se passou, e com ele diversas verdades doloridas vieram junto. Descobri através do Facebook que Thomas e Alicia engataram em um relacionamento sério. Era muito hipocrisia, isso eu não podia negar, em menos de dois meses separados ele conseguiu me substituir de um jeito que me levou a pensar que talvez, só talvez, ele não me amasse tanto quanto dizia.

Quando li aquela noticia estrondosa, eu estava no meu quarto, sozinha. Giulia havia ido buscar nosso café da manhã me dando tempo de reagir a mais um dia. Não sei se já disse isso hoje, mas tanto ela, quanto Derek, vem sendo as melhores pessoas que eu poderia querer a minha volta. Era bom saber que eu não estava sozinha, e melhor ainda, saber que as coisas não tinham como ser concertadas e que eu deveria tomar vergonha na minha cara e esquecer de uma vez por todas o pai do meu filho.

Joguei o celular longe e me levantei. Minha barriga estava ameaçando a dar seus primeiros sinais de gravidez e eu sorri com isso. Já amava com todas as minhas forças aquele pequeno ser humano que descansava em meu ventre e jurei a mim mesma que seria a melhor mãe que ele podia ter.

Fiz minha higiene matinal e tomei uma ducha, me enrolei no roupão e fui até a cozinha. Naquele mesmo momento a campainha tocou e me coloquei em alerta. Um pouco receosa abri a porta mas não identifiquei ninguém, dei de ombros.

Já estava quase fechando a mesma quando uma cesta me chamou a atenção. Olhei atentamente para os dois lados do corredor tentando identificar a presença de alguém que pudesse ter deixado aquilo. Contudo, não encontrei nada e decidi deixar aquilo pra lá. Provavelmente seria Derek sendo fofo como sempre.

Tranquei a porta e coloquei a cesta em cima da bancada da cozinha. Havia um cartão no topo do embrulho e eu o peguei. Nele estava escrito a seguinte frase:

Querida Victória, delicie-se com esse café da manhã super reforçado, afinal, uma linda criança habita em seu ventre e precisa de uma boa alimentação.

Abraços.

O bilhete não estava assinado, e aquilo só me deixou ainda mais curiosa para saber quem era. Abri a cesta de café da manhã e me deparei com uma enorme variedade de frutas, geléias, pães e sucos.

—Estamos com fome, não é mesmo? – Acariciei minha barriga enquanto pegava um prato e um copo.

Me servi com um pão e um copo de suco e me deixei ser agraciada por aquele sabor de coisas frescas. Fiquei ali por no mínimo uns quarenta minutos experimentando cada delícia daquele presente. Dizem que gravidez aumenta e muito nosso apetite e eu sou totalmente apta a confirmar essa teoria, estava literalmente comendo por dois.

Giulia havia me mandado uma mensagem e se desculpou por não ter voltado para o café, as coisas no trabalho dela estavam um pouco tensas o que tomava um pouco mais de seu tempo. A entendia perfeitamente, tanto que assim que guardei as coisas da pequena refeição da manhã, peguei meu notbook e o levei até a sala com o intuito de terminar algumas petições do escritório no Brasil e alguns contratos para o escritório de Derek.

Mas foi somente quando eu levantei da minha zona de conforto para pegar o celular, que minhas pernas cederam. A fraqueza em meu corpo era tamanha, minha barriga doía e eu estava com uma leve sensação de que a vida do meu bebê pudesse estar se esvaindo. Contudo, antes mesmo que eu pudesse pensar em querer reagir e pegar meu aparelho que tocava de forma incessante, minhas pálpebras tremeluziam e eu me deixei levar pela escuridão.

(...)

—O que houve com ela, doutor? – Eu podia reconhecer aquela voz e aquele cheiro de hospital. – Me diga que ela vai ficar bem, e o bebê? Como ele está?

—Fique tranqüilo, Derek, conseguimos salvar a vida dela e do bebê, mas ela precisa acordar para que possamos conversar seriamente sobre o que houve aqui. – Meu obstetra disse calmamente.

—O que aconteceu? – Soltei um resmungo baixo.

—Graças a Deus. – Derek segurou minhas mãos assim que eu abri os olhos. – Como se sente?

—Um pouco perdida, o que aconteceu? Meu bebê...a cesta... – Meu olhar vagou desesperado para minha barriga.

—Fique calma, Victória. – Sebastian se prontificou ao meu lado. – Você sofreu um principio de aborto, as taxas de colesterol em seu sangue estavam altíssimas, pensei que tivéssemos conversado sobre certos alimentos.

—Doutor, eu juro que não ingeri nada que pudesse me fazer mal e muito menos ao meu bebê. – Argumentei.

—Pode me dizer exatamente o que você comeu antes de passar mal? – Ele se sentou numa cadeira ao lado do meu leito no hospital.

—Comi alguns pães e torradas que eu recebi de manhã em uma cesta de café acompanhadas de um suco natural, se tem dúvidas pergunte a quem foi me socorrer em casa, na certa viu a cesta enorme na bancada. – Expliquei.

—Estranho...sabe se alguém quer fazer algum mal a você? Algum inimigo? Estou começando a pensar que alguém está tentando te envenenar. – Sebastian me olhou com cautela.

—Não sei quem possa estar querendo me ferir, mas porque acha isso? – Perguntei desconfiada.

—Estou começando a achar que seus alimentos podem estar adulterados, quem enviou a cesta a você? – Devolveu o questionamento.

—Eu não sei, não estava assinada, não tinha cartão...nada. – Suspirei.

—Mais um forte indicio de que alguém quer te machucar. – O doutor prendeu a respiração.

—E o que podemos fazer? – Derek quis saber. – Não tem como fiscalizar tudo o que tem na casa dela, quem enviou a cesta provavelmente pode muito bem ter feito coisas piores com os demais alimentos dela.

—Derek tem razão, o que eu vou fazer? – Bufei.

—Você tem amigos aqui em Roma, veja com algum deles se podem te hospedar pelo menos até o fim da sua gravidez, qualquer deslize agora pode significar a morte do seu bebê e a própria. – Sebastian me aconselhou.

—Você pode ficar na minha casa, tem espaço e eu vou ficar com você na maior parte do tempo, fora que ninguém vai conseguir te machucar estando sob meus cuidados. – Derek ofereceu.

—Não sei se é uma boa ideia... – Relutei.

—Pense no que é bom para você e seu filho, não no que as pessoas vão achar sobre isso. – Sebastian incentivou.

Respirei fundo e encarei os dois.

Eu não tinha escolha, precisava garantir a segurança do meu filho e se isso significasse morar com meu melhor amigo que é apaixonado por mim...

(...)

Fim Flashback

Desde aquele dia no hospital eu estava oficialmente instalada na mansão de Derek Morgan. Era incrível como ele não se sentia sozinho no meio daquela casa. As vezes eu me pegava pensando no que ele fazia quando eu não estava por perto para conversar com ele. A ideia parecia assustadora, mas de algum jeito a solidão dele se complementava com a minha e aquilo era bom.

As coisas estavam mudando de forma drástica, Alicia passava mais tempo no Brasil do que no escritório em Roma, deixando tudo nas mãos do sócio. Eu sabia que ela estava fora do país por causa de Thomas, as fotos nas praias mostravam perfeitamente qual era a posição dele em relação a nós.

Obriguei minha mente a esquecer completamente aquela trágica verdade e me ocupei com os ovos mexidos no fogão, porém, uma batida na porta me fez desconfiar um pouco, será que Derek esqueceu novamente a chave?

Desliguei o fogo e abri a porta dando de cara com Derek, como eu já sabia.

—Deixa eu adivinhar, você esqueceu a chave...espera, porque você voltou com um bebê? – Um misto de confusão passou pela minha cabeça no segundo em que notei uma linda criança no colo dele, aparentava ter no máximo uns 5 a 6 meses.

—Ah meu Deus, você é a famosa Victória Walker. – Ele se surpreendeu e eu me retrai.

O que diabos estava acontecendo?

—Derek, você usou drogas? – Arqueei a sobrancelha. – O que está acontecendo?

—Não sou o Derek, sou o Noah, irmão gêmeo mais lindo dele, e essa é Emma, minha filha. – Sorriu de canto.

Seu olhar caiu para minha barriga e eu lhe dou um olhar sugestivo que tenho certeza que ele decifrou qual era. Era bem notável minha surpresa e desconforto, sabia perfeitamente que Derek tinha um irmão, mas também tinha certeza que ele não avisou que viria, e pelo o que estava vendo, era pra ficar.

Cedi espaço para que Noah entrasse e seguimos para a sala onde conversamos de forma breve, o clima continuava estranho e eu me amaldiçoei mentalmente por estar ali, sob aquele olhar calculista sobre mim.

—Então, qual é o lance entre você e o Derek? – Perguntou sem rodeios.

—Somos amigos. – Respondi normalmente.

—Amigos com benefícios? – Seu tom era malicioso e eu não gostava daquilo.

—Apenas amigos! – Sibilei um pouco alto demais.

—E o pai do seu bebê não acha meio esquisito você estar tão cedo na casa do seu "amigo"? – Ele parecia querer aprofundar o assunto o que não era o meu objetivo.

—Primeiro, o pai do meu bebê e eu estamos dando um tempo, e segundo, mesmo que não fosse assim, ainda não seria da sua conta. – Falei de um jeito ríspido.

—Owwuu...Não me leve a mal não, Victória, e eu conheço garotas como você, gostam de ter um step sempre esperando, ai quando necessitam vão lá usam, ai quando não são mais necessários o guardam de novo no porta malas. De vez em quando abrem dão uma olhadinha, conferem se ainda está cheio...para que possam usar quando necessário, não é? – Noah indagou com uma certa acidez.

—Você acabou de chegar, mal me conhece e já está me julgando. Quem você pensa que é para fazer isso? – Eu estava mais do que irritada naquele momento e eu sabia que tinha que me acalmar se eu quisesse continuar com a gravidez.

—Relaxa, se eu estou falando bobagem não precisa se sentir ofendida. – Ele se rende e volta a atenção para Emma.

Solto a respiração e volto minha atenção para outras coisas, e fico imaginando o que eu poderia ter feito para merecer um castigo daqueles?! Era totalmente notável quem era o gêmeo veneno e quem era o antídoto ali, mas o que me preocupava era as palavras de Noah que não paravam de martelar na minha cabeça.

E pelo o que eu conhecia de mim mesma, não pararia tão cedo.

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