Capítulo 5 - Baby Orlando Bloom?!
Derek Morgan
A vida deveria ser fácil, certo?! Errado.
Para caras como eu, nada na vida vem fácil. E de certa forma, eu agradeço por isso todos os dias de manhã quando eu acordo novamente em minha casa no bairro nobre de Roma.
Formei-me pouco tempo depois de Victória, pensei em mandar um convite para ela ou até mesmo avisar por alto que eu estava me formando. Contudo, decidi que não iria interferir mais na vida dela. Ela estava bem, com o cara que ela ama, com o qual vai se casar, com um emprego bom e com o próprio apartamento no Brasil.
Eu estava feliz por ela, afinal, amar é saber que a felicidade da pessoa que ama pode não estar com você e temos que aceitar isso por mais que doa.
No último ano, decidi me concentrar a curtir um dos melhores presentes da minha vida. Descobri a pouco tempo que tenho um irmão gêmeo morando no Canadá, acreditam?! Sempre soube que minha família não era de fato minha, as brigas constantes, as desavenças e a falta de carinho que eu tinha com eles não era algo normal de se ver.
Mas a verdade é que eu nunca poderia ter imaginado que eu tinha um irmão gêmeo, isso era uma loucura sem fim, mas que, sem sombra de dúvidas, era a melhor que poderia ter acontecido comigo.
Seu nome é Noah Johnson, ele tem uma esposa chamada Carolina, que por sinal é brasileira, e agora está esperando ansiosamente a chegada de seu primogênito. Eu como arquiteto, ajudei em alguns detalhes para o quarto da criança mesmo a distância, o que foi bem prazeroso para mim no momento.
O que me deixava mais nervoso com isso tudo era o fato de que hoje, finalmente depois de inúmeras conversas pela web, cartas, e-mails e stories no Snapchat, eu finalmente conheceria meu irmão cara a cara e eu mal podia esperar para isso.
Contudo, antes que eu pudesse sequer pensar no depois, o agora me chamou para a realidade, e quando descobri que Victória Walker havia sido a escolhida para ajudar no meu recém montado escritório em sociedade com Alicia Adams, eu meio que perdi totalmente a rota certa que eu devia seguir.
Não queria encarar aquilo com uma certa esperança, mas se o destino me agraciou com a oportunidade de concertar as coisas, então porque não tentar?! Havia tanta coisa que eu precisava dizer a ela...tantas coisas que eu precisava esclarecer...
Dispensei a secretária e pedi que ela liberasse a entrada de Victória na minha sala. Assim que ela cruzou a porta juntamente com Giulia, ela ficou totalmente estática e parecia estar diante de um fantasma.
-Vick esse é o... - Giulia já ia nos apresentar mas Vick a cortou.
-Conheço ele...Derek Morgan.
-Como...?! - Giulia nos olhou confusa. - Tudo bem, isso não importa, vou deixar vocês sozinhos, sabe o caminho da sua casa?!
-Sei sim, obrigada por tudo, nos vemos mais tarde. - Vick se despediu da italiana e ela saiu acenando para nós.
Ficamos nos encarando por alguns minutos, estáticos, em silêncio, naquele momento parecia que todas as palavras haviam se perdido naquela pequena troca de olhares.
-Bem... - Pigarreei. - Seja bem vinda, está gostando de Roma?!
-Obrigada, estou sim. - Vick disse um pouco desconfortável. - Olha, eu preciso saber, como isso está acontecendo?!
-Se a sua dúvida é saber se eu tenho alguma coisa a ver com a sua contratação, fique tranquila pois quem escolheu o escritório de advocacia foi a Alicia, acredite, estou tão surpreso quanto você. - Expliquei me sentando na mesa.
-Então eu devo acreditar em você?! - Ela me olhou com cautela.
-Vick, por favor, você sabe que eu não tive nada a ver com a Becky, se eu soubesse que ela ia fazer aquelas coisas eu seria o primeiro a te contar. - Caminhei até ela, contudo a mesma recuou um pouco.
-Derek, para. - Ela fechou os olhos e respirou fundo. - Eu não quero que você entenda isso como uma oportunidade de se aproximar de mim, não desse jeito, eu estou aqui a trabalho e nossa relação deve se manter inteiramente profissional.
-Desculpe, eu não quis... - Falei um pouco envergonhado.
-Tudo bem, não quero começar com o pé esquerdo, vamos logo ao que realmente interessa, por onde quer que eu comece?! - Colocou a bolsa em cima da mesinha e pegou uma pasta de protocolos.
-Okay, vamos lá, não entramos com o processo de patente ainda, Alicia estava organizando algumas coisas e achou melhor esperar você chegar antes de dar inicio a tudo. - Expliquei lhe estendendo o formulário com a solicitação da patente.
-Ótimo, fizeram bem, patente é algo que em no máximo uma semana já está liberada, vou começar a trabalhar nisso, onde posso me estabelecer?! - Perguntou.
-Ainda não terminamos de montar sua sala, por agora pode usar a mesa da Alicia, ela só volta na segunda. - Apontei para a mesa com a qual escorava.
Victória pareceu não gostar muito da ideia a principio, mas o que quer que estivesse passando em sua mente, guardou para si indo sentar-se de forma vagarosa na cadeira de minha sócia.
As horas iam passando devagar, uma vez ou outra pegava a advogada me olhando de soslaio, eu não conseguia reprimir o sorriso de satisfação, era nítido que ela queria falar, contudo, algo a impedia de estabelecer qualquer tipo de contato comigo naquele momento.
Eu, por minha vez, não fingia que estava ajeitando uma mecha do cabelo para olhá-la trabalhando, uma das coisas que eu havia aprendido com meu irmão era que devíamos ser mais caras de pau quando o assunto é conquistar seus objetivos, e era exatamente isso que eu estava sendo no momento, um completo cara de pau.
Continuamos nesse chove e não molha até o fim do expediente, devo confessar que a Walker havia adiantado e muito os processos pendentes o que nos ajudaria a entrar em ação mais cedo do que eu imaginava.
Ofereci a ela uma carona para casa mas a mesma recusou alegando que Giulia estava a sua espera. Não insisti muito, não queria que ela pensasse que eu estava de alguma forma forçando a barra, apenas fui gentil e a ofereci carona.
Sai do escritório depois dela e dirigi com certa ansiedade para minha casa. Teria um jantar importante hoje, iria poder abraçar meu irmão e dizer que nunca mais iria soltá-lo, ele mal estava chegando e eu já estava sofrendo com a sua partida.
Eu não precisava me preocupar com o fato de não reconhecê-lo, mesmo porque, quando eu batesse os olhos nele eu estaria me vendo, talvez um pouco mais magro ou mais corado, não sei, apenas estava louco para ficar cara a cara com ele.
Entrei no chuveiro e deixei que a água caísse com pressão em meus ombros, me deixei relaxar por alguns minutos antes de ouvir o toque do meu despertador, já eram sete da noite e eu havia marcado com Noah de nos encontrarmos as oito no restaurante.
Mais que depressa me vesti com roupas confortáveis e peguei a chave do carro já rumando para o lado de fora da casa. Entrei no veículo e dei partida no mesmo indo logo em seguida para o famoso restaurante italiano La Pergola.
Dirigi por mais alguns minutos até que finalmente parei no estacionamento do local. Desci do carro e deixei que o manobrista fizesse seu trabalho. Adentrei no ambiente e chequei o relógio, sete e cinquenta, ótimo, tenho mais dez minutos de espera.
Escolhi uma mesa reservada e me coloquei a admirar a bela vista que me era proporcionada, perdi a noção do tempo totalmente enquanto encarava as montanhas, só fui me dar conta quando um garçom chamou minha atenção.
-Deseja tomar alguma coisa, senhor?! - Perguntou com educação.
-É...por enquanto não, estou esperando uma pessoa. - Sorri nervoso.
O garçom assentiu e eu dei uma checada no relógio, oito e vinte, Noah já devia estar aqui. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para o mesmo questionando seu paradeiro.
Mais dez minutos se passaram e nada, nem a mensagem ele havia respondido, já me encontrava impaciente pensando no que poderia ter acontecido quando eu a avistei.
Estava linda em seu vestido na cor de vinho, os lábios igualmente coloridos e os cabelos pareciam ter vida própria ao balançarem de acordo com o vento. Victória estava sozinha, parecia mais perdida do que cego em tiroteio, ela ainda não havia me notado no recinto, e como eu já estava convencido de que Noah por algum motivo havia me dado um bolo, levantei-me e fui ao encontro da garota dos meus sonhos.
-Está perdida?! - Perguntei lhe dando um susto.
-Derek?! O que faz aqui?! - Seu rosto perdeu a cor.
-Vim encontrar meu irmão, mas parece que ele furou comigo. - Revirei os olhos.
-Irmão?! - Arqueou as sobrancelhas.
-É uma longa história, mas acredite, estou tão surpreso quanto você por estarmos aqui, no mesmo lugar. - Sorri envergonhado.
-Tudo bem, eu que fui meio idiota com você. - Ela suavizou a expressão. - Sua sócia me mandou um recado através de um e-mail, queria conversar comigo e disse que era para nos encontrarmos aqui, mas acho que ela não vem visto que, me atrasei por no mínimo meia hora.
-Alicia marcou de jantar com você?! Pensei que ela estivesse longe resolvendo uns problemas. - Estranhei.
-Pois é, parece que ela e eu não começamos muito bem, foi uma total perda de tempo ter vindo aqui. - Sorriu amarelo.
-Não totalmente, o que você acha de se juntar a mim?! Prometo que não vou aprontar nada, só não quero desperdiçar a reserva que eu fiz, te levo em casa depois. - Ofereci com um brilho nos olhos.
-Não sei se é uma boa ideia... - Victória deu uma relutada.
-Ah qual é, não seja careta Walker, é só um jantar. - Falei coçando a cabeça.
-Tudo bem, só um jantar. - Ela repetiu quase que para si mesma.
(...)
-Meu Deus, você lembra do dia que o Oliver se jogou em cima do seu melhor amigo?! - Vick gargalhava depois de afundar a colher na sobremesa.
-E como eu poderia esquecer?! Aquele dia foi realmente cômico, Oliver praticamente pediu para ser devorado pelo Nate. - Acompanhei o riso dela.
-Eram bons tempos, nem acredito que cada um seguiu seu rumo, sinto falta da faculdade. - Ela encarou as montanhas com um olhar nostálgico.
-Sim, eram bons tempos, uma pena que ficamos tanto tempo sem nos falar, eu sei que você não queria que eu tocasse nesse assunto, mas é inevitável para mim, não me sinto confortável com a nossa atual situação. - Falei com pesar.
-Você não precisa ficar remoendo isso, Derek, águas passadas não movem moinhos, fui injusta com você e acabei dando mais ideia para um mal entendido do que para o meu amigo, vamos esquecer isso, tudo bem?! - Ela estendeu a mão sorrindo fraco.
Sorri e apertei sua mão contra a minha e logo pude sentir delicada aliança de noivado em seu dedo anelar direito. Incomodada, ela retirou sua mão da minha rapidamente.
-Sempre esqueço que você está noiva dele... - Soltei um suspiro frustrado.
-Derek...não vamos entrar nesse mérito, não vamos iniciar mais uma discussão desnecessária, por favor. - Ela pediu desconfortável.
-Desculpe, agi por impulso, o importante é que você está feliz. - Sorri fraco.
Victória assentiu sorrindo mas logo sua expressão se transformou demonstrando que algo estava errado.
-O que foi?! Está se sentindo bem?! - Perguntei.
-Acho que não, estou estranha. - Ela fechou os olhos respirando fundo.
-O que você está sentindo?! - Perguntei já me levantando e me posicionando ao seu lado.
-Fiquei tonta, preciso ir pra casa. - Ela tentou se levantar mas sentou-se novamente.
-Ei, fique calma está bem?! Eu vou te levar para o seu apartamento, vou pagar a conta, já volto, não saia dai por nada nesse mundo. - Pedi já chamando o garçom com a mão.
Em poucos minutos eu já transportava Victória para seu apartamento. Ela estava pálida, e parecia que ia morrer a qualquer momento, o que me deixou imensamente preocupado a ponto de cogitar a hipótese de levá-la até ao hospital mais próximo, contudo, conhecendo bem a garota que estava ao meu lado, ela seria capaz de me degolar se eu fizesse tal coisa sem que ela soubesse.
Estacionei na vaga em frente ao endereço que ela havia me passado e arrisquei a ajudá-la a subir para sua casa. Entramos no elevador e Victória se escorou em mim como se a inconsciência estivesse próxima de lhe alcançar.
Ela abriu a porta com dificuldade e foi correndo para a cama se jogando na mesma. Fiquei parado na porta observando ela respirando profundamente. Eu já estava me preparando para dar meia volta e sair de lá quando ela me chamou.
-Derek?!
-Sim?! - Me virei para ela.
-Obrigada por me trazer em casa. - Ela se levantou um pouco.
-Não tem de que...preocupe-se em melhorar, está bem?! - Falei gentil.
Ela assentiu e eu me virei de novo.
-Derek?!
-Sim?! - Parei.
-Poderia ficar aqui essa noite?! Estou com medo sentir algo mais forte e não ter com quem falar para me socorrer, claro se estiver tudo bem para você. - Ela se sentou com dificuldade na cama.
-Claro que eu fico. - Sorri indo para perto dela. - Posso?!
Ela assentiu um pouco hesitante.
Me deitei ao seu lado ficando cara a cara com ela. Nossas respirações eram uma só, eu podia não ser o King mas balançava com ela, pouco mas balançava.
Victória não me olhava nos olhos, e aquilo só aumentava ainda mais minha vontade de beijá-la naquele momento. Toquei o dane-se e avancei contra seus lábios.
A principio ela parecia um pouco assustada, mas depois acabou cedendo o que fez meu coração bater ainda mais forte. Contudo, como eu já previa, ela recuou e virou o corpo ficando de costas para mim.
-Vick...me perdoa, eu... - Tentei me explicar.
-Eu estou noiva, Derek, eu vou me casar e eu amo o Thomas, não podemos ir adiante com isso, fui clara?! - Ela falou ainda de costas.
-Sim, você foi bem clara. - Abaixei meu olhar.
Victória não disse mais nada e eu suspeitei que ela estivesse dormindo, soltei o ar de meus pulmões e arrisquei tocar meus lábios. De certa forma eu estava feliz, talvez nem tudo está perdido, talvez o destino estivesse apenas me mostrando que há outra forma de concertar as coisas afinal.
Meus pensamentos, porém, foram interrompidos pelo barulho incessante de meu celular, era as mensagens da caixa postal, peguei meu fone e ouvi a primeira e única mensagem.
Oi, sou a mãe adotiva do Noah, creio que você seja o Derek, Noah colocou seu nome de Baby Orlando Bloom mas eu nem me atrevo a perguntar o porque. Estou deixando esse recado para te contar que a esposa do seu irmão faleceu no parto da filha deles e o Noah está arrasado, praticamente se destruindo aos poucos, se puder, venha o mais rápido possível para o Canadá, ele precisa de você.
Por um momento fiquei em estado de choque. Agora tudo fazia sentido, Noah estava de luto, por isso não apareceu no jantar.
Pensei por alguns minutos e decidi, ao amanhecer iria para o Canadá.
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