Capítulo 18 - Aonde a polícia entra na história...?

Derek Morgan

Eu não pensei nas consequencias.

Eu simplesmente vi Thomas King em meu jardim com Victória e tudo pareceu girar. Era como se eu precisasse tirar de perto da carne qualquer abutre que estivesse por perto, e naquele caso o abutre era o ex professor de Direito. Agi por impulso, eu sei. Empurrar Noah e seguir a passos firmes para o lado de fora da minha própria casa com o denominado sangue nos olhos, não foi a atitude mais sensata que eu tive em meus vinte e três anos de idade, mas eu não podia deixar aquilo barato, não quando Vick chorava de soluçar.

Abri a porta, irritado, e fui para perto de Victória a protegendo atrás de mim. Thomas me encarou com desdém e eu cerrei os punhos tentando controlar meus instintos para não acertá-lo naquela hora.

—Fique longe dela. – Sibilei.

Thomas apenas deu um sorriso cínico e não arredou o pé.

—Se não sair da minha casa, eu vou chamar a polícia. – Ameacei já nervoso com a situação.

—Eu estou aqui por causa da Vick e da minha filha. – O desgraçado enfatizou a palavra "minha" só para me provocar ainda mais.

—Thomas, vá embora, por favor! – Eu pude ouvir Vick soluçando atrás de mim, aumentando ainda mais a minha raiva.

Ele não se cansa de fazê-la chorar?

—Não sem que me ouça. – Thomas deu um passo a frente e eu o fuzilei. – Vick, eu sei que está chateada e tem razão de estar, mas ainda podemos concertar as coisas! Eu sou o pai da sua filha, você não pode simplesmente me descartar e por esse idiota no meu lugar. Isso tudo que está acontecendo com a gente é culpa dele e da Alicia, eles querem separar a gente e estão conseguindo. Não percebe? – Olhou para Victória suplicante.

—Eu não tenho absolutamente nada a ver com a louca da Alicia, o único responsável é você, Thomas e essa sua necessidade de que a Vick sofra por sua causa, deveria procurar um psiquiatra e deixar a minha namorada em paz. – Aproximo-me de Thomas ainda de punhos cerrados.

—Quem precisa de um psiquiatra é você, anos perseguindo uma mulher que nunca quis você! – Grita Thomas e naquele momento eu me descontrolei.

Avancei sobre o imbecil lhe dando um cruzado de direita, ele revidou com um soco no meu estômago de forma certeira. Posso perceber meu irmão segurando Victória a todo custo pois a mesma debatia-se querendo entrar no meio de nós dois e apartar a briga. Mas é Joseph quem toma essa atitude e acaba por levar um soco de Thomas.

—A seu filho da mãe. – Joseph revida e logo o acompanhante de Thomas parte para cima de mim me empurrando para o chão.

Levanto-me rapidamente e lanço-me contra Thomas com uma tranca de pernas enquanto Joseph e o colega do King trocam socos. Vick gritava desesperada. Lacey, Corine e Emma também. Ao longe posso ouvir Noah pedindo para que Nate leve Vick para dentro e eu agradeço mentalmente por isso.

Se alguma coisa acontecesse a ela e a bebê eu nunca me perdoaria e tenho certeza que Thomas também não. A gritaria foi tanta que logo alguns vizinhos foram aparecendo, curiosos. Noah entrou na confusão e tentava tirar Thomas de cima de mim com um belo chute nas costelas do mesmo. Os vizinhos que estavam tentando ajudar acabaram por levar alguns tapas e entraram de vez na briga. Aquilo já saíra do controle.

Noah é puxado por um dos vizinhos e é lançado para a mesa do jardim. Thomas continuava em cima de mim e rolamos pela grama trocando socos. Joseph, por sua vez, faz o trabalho de tirar o King de cima de mim e logo o barulho de sirenes acaba com a confusão toda.

(...)

Eu nunca em minha vida pensei em ter uma estadia na cadeia, isso era trabalho do Noah, eu deveria ser o irmão certinho e dentro das leis, afinal de contas, minha namorada era uma defensora da boa ordem. Contudo, cá estava eu, em uma cela, frente a frente com o imbecil do Thomas.

—O que vai dizer para a minha filha quando ela perguntar o porque do pai e da mãe dela estarem separados, hein? – Thomas questionou segurando a barra das grades.

—Certamente vai ser algo menos odioso do que quando teve que explicar porque estava transando com uma de suas alunas. – Noah responde por mim.

Sim, ele estava sentado entre nós dois no meio do corredor da penitenciária, não me pergunte porque e nem como ele conseguiu essa proeza.

—Ninguém te chamou na conversa, Xerox do rascunho. – Thomas bufou para meu irmão.

Depois de minutos que mais pareceram horas, o delegado finalmente convoca nossa presença em seu gabinete. Os primeiros a entrarem dentro do escritório foram Thomas e o tal do Luke, amigo psicopata dele. Logo em seguida, Noah e eu fomos chamados.

—Bom, eu já conversei com o Sr. King e o amigo dele, agora quero a versão de vocês dos fatos. Mas antes, como vocês podem ser gêmeos e terem sobrenomes e datas de nascimento diferentes? – O delegado nos olhou confuso.

—Fomos adotados por famílias diferentes e houve um pequeno engano quando meus registros foram feitos, a data deveria ser 24 de Dezembro, como o Menino Jesus. – Noah diz com um sorriso simpático.

—Tenho certeza que o Menino Jesus não foi parar na delegacia por desordem pública. – Falou sério. – Bom, será que podem me explicar o que aconteceu?

—É uma longa história. – Coço a cabeça.

—Tenho tempo. – O delegado cruza os braços sem tirar a pose de durão.

Olho para Noah e soltou um suspiro.

—Tudo começou na faculdade, há cinco anos atrás... – Começo depois de um pigarro.

(...)

Passei uma hora tentando explicar detalhe por detalhe do triangulo amoroso em que estava metido. O delegado pareceu se sensibilizar em algumas partes, principalmente quando comentei sobre o abandono de Thomas para com Victória. Contudo, ele não nos livrou de um belo processo e de uma fiança de 300€ para cada um envolvido na briga. Uma beleza, não é mesmo?!

—Tente levar pelo lado bom. – Noah diz sorrindo enquanto dá alguns tapinhas em minhas costas.

—Lado bom? A nossa primeira reunião de família teve você descobrindo...você sabe, quase comeu nossa meia irmã...o ex da minha namorada fazendo um escândalo e uma briga com direito a vizinhos e policiais. – O olho descrente.

—Bem, a cara do Thomas está mais inchada do que a sua, nossa primeira briga juntos foi com outras pessoas e não entre nós mesmos, que irmão pode dizer isso? E principalmente, eu não vou pro inferno por causa do tesão enorme que eu tenho pela Lacey. E temos um curso superior e direito a cela especial. – Noah continua insistindo.

Ele já pensou em ser advogado?

—Que história é essa da Lacey? – Questiono.

—O Joseph casou com a mãe dela quando ela tinha três anos. Então não preciso trocar o brasão Stark pelo Lannister do meu perfil de fãs de Game Of Thrones. Ah, e é claro, Victória está pagando a sua fiança e não a de Thomas. – Concluiu Noah triunfante.

—É pode ser que você tenha razão, mas agora eu preciso de um banho e de gelo, muito gelo. – Falei abraçando meu irmão pelos ombros e caminhando para fora da delegacia.

(...)

—Tem certeza que você está bem? Olha só esse corte... – Vick dizia enquanto jogava um remédio nos meus cortes.

—Ai...eu estou bem. – Falei descontente com o ardor do liquido em minha testa.

—Você não precisava ter feito aquilo, sabe que o Thomas é um ogro quando quer. – Ela me ralhou.

—E o que você queria que eu fizesse? Ficasse parado esperando ele dar a louca e te pegar a força? Você sabe muito bem que ele iria fazer isso se eu não tivesse intervido entre vocês. – Me defendi.

—Você não precisa bancar o herói sempre. – Ela suspirou enquanto guardava as gazes e o remédio do mal.

—Eu sei, mas eu quero. – Sorri fracamente. – Não é o momento para esse tipo de questionamento, mas o que pretende fazer com Thomas depois disso?

Victória hesitou um pouco, mas logo se prontificou a falar.

—Não é como se eu pudesse chutar ele de vez da minha vida, eu queria, muito, mas, querer não é poder. Ele vai me procurar de novo e eu preciso dar um basta nisso, senão todas as vezes que ele pensar em aparecer aqui, vocês irão acabar na delegacia, e 300€ não caem do céu todos os dias.

—Esqueci de te agradecer por pagar a fiança, eu não conseguia pensar em mais nada além de arrebentar a cara do seu ex. – Bufei com a lembrança.

—Não precisa me agradecer, era o mínimo que eu podia fazer. – Ela sorriu de canto.

Ficamos em silêncio, de algum jeito as coisas pareciam ter saído do controle naquela noite, e não digo isso apenas me referindo a confusão, mas sim em relação ao que eu tinha com Vick. Era totalmente estranho tudo o que tínhamos, nós éramos e não éramos um casal e aquilo me deixava extremamente confuso, eu tinha que salvar o que tínhamos, só não sabia como.

—Ei, que tal jantar comigo amanhã? – A convidei depois de um longo tempo encarando a parede branca em minha frente.

—Um jantar? – Ela arqueou as sobrancelhas perfeitas.

—Não vai ser como o de hoje. – Ri divertido. – Só nós dois, ou melhor, nós três. – Depositei minha mão na barriga volumosa de Victória.

Naquele momento Katherine demonstrou estar ali ao dar um chute bem leve.

—Acho que ela concordou. – Vick sorriu.

Sorri de volta e assim ficamos até que ela pegasse no sono.

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