Capítulo 14 - E o prêmio pai do ano vai para...?

Victória Walker

—Está em todos os jornais! Absolutamente TODOS! – Eu podia ouvir do meu quarto a voz irritada de Derek na cozinha.

Eu não precisava ser nenhuma advinha para saber que ele estava se referindo ao pequeno incidente no museu na noite passada. Não é como se eu me arrependesse de cada tapa que dei em Alicia, mas não queria que aquilo prejudicasse de alguma forma o gêmeo do bem.

Me deito de lado protegendo minha barriga parcialmente volumosa devido aos meus quase seis meses de gestação. Respiro fundo e conto até dez esperando que a discussão do lado de fora cessasse. Decidi me entreter um pouco mexendo no meu celular, havia dias que eu não postava nada em minhas redes sociais, e com isso, resolvi fazer um storie no Instagram mostrando minha cara de entusiasmo pós festa.

Não demorou muito e logo a chuva de respostas começaram a cair. Minhas tias e meu pais foram os primeiros a reagirem ao meu post com mensagens de "Sentimos saudades..." ou "Quando você vem nos visitar?" e "Louco para conhecer nossa Kath...". Contudo, uma mensagem me surpreendeu...tudo bem, talvez não tenha me surpreendido tanto assim, mas quando li me senti um pouco estranha.

Thomas King: Bom dia princesas, como estão?

Hesitei por no mínimo uns dez minutos antes de finalmente responder a mensagem

Eu: Estamos bem, obrigada! Tchau!

Bloqueei a tela do telefone e respirei fundo. Mas como eu já previa, a conversa não chegaria ao fim tão rapidamente assim e logo o bip do meu aparelho preencheu o quarto.

Thomas King: Victória, precisamos conversar sobre o processo que iremos mover contra Alicia, você querendo ou não, temos que nos encontrar.

Eu: Tinha me esquecido disso...se temos que resolver essa situação, que seja logo!

Thomas King: Podemos almoçar hoje? Para discutir sobre o processo, obviamente.

Eu: Tudo bem, me encontra as onze no Plazza agora tchau!

Thomas não respondeu, e eu agradeci mentalmente por isso. Já teria que estabelecer um vínculo com ele mais tarde, não queria estender a conversa de agora pouco. Deitei-me novamente na cama e soltei um suspiro pesado. Não era somente com o King que eu devia me preocupar, mas também com Derek. Eu não sabia a que pé estávamos e não sei como ele irá encarar o fato de que terei que enfrentar um tribunal com meu ex noivo ao meu lado.

Eu tinha total certeza de que ele era maduro o suficiente para entender as coisas, mas eu também tinha total ciência de que aquilo não ajudaria em muita coisa levando em consideração a rixa entre os dois.

Fechei os olhos com força e tentei pensar em algo descente para dizer a Derek, contudo, como eu já previa, o destino não queria me deixar pensar nas minhas escolhas, ele queria ver o circo pegar fogo, e quando meu "pega" bateu na porta, eu confirmei ainda mais esse pequeno e desastroso fato.

—Vick? Posso entrar? – A voz doce do Morgan soou do outro lado.

—Claro, entre. – Respirei fundo.

—Como passou a noite? – Derek sentou-se ao pé da cama.

—Se quer saber se fiquei remoendo a confusão da noite passada e se eu estou profundamente envergonhada e me sentindo uma destruidora de imagens, a resposta é sim, eu estou tudo isso ai mesmo e me desculpa por ter feito você sair em todos os jornais como o namorado de uma brasileira barraqueira. – Soltei quase sem respirar.

—Ei, se acalme! – Derek se postou ao meu lado. – Não precisa se desculpar por isso, sei bem que você teve seus motivos para tomar aquela atitude e eu não vou te recriminar por isso, está tudo bem.

—Não, Derek! Não está tudo bem! – Revirei os olhos. – Eu ouvi você praguejando com o Noah sobre o vexame de ontem, então eu sei que você está sim com raiva de mim e que provavelmente quer me ver a quilômetros de distância depois disso.

—Não diga isso, nunca na sua vida! Não estou com raiva de você, muito pelo contrário, vou desfazer minha sociedade com Alicia ainda essa semana, não consigo olhar na cara dela depois dessa palhaçada toda, ela tentou te matar uma vez e tentou te agredir, que tipo de ser humano tem coragem de fazer isso? – Derek segurou minhas mãos e eu relaxei.

—Você pode não ter ficado com raiva de mim antes, mas agora eu tenho certeza que vai. – Suspirei pesadamente.

—Como assim? Não entendi. – Mordeu o lábio inferior.

—Vou almoçar com o Thomas hoje, para conversarmos sobre o processo. – Saiu quase como um sussurro.

—E vocês precisam fazer isso enquanto almoçam em um restaurante romântico de Roma? – Derek arqueou a sobrancelha visivelmente irritado.

—Derek, isso não é um almoço de reconciliação, e muito me admira você pensar isso visto que, estou com você agora. – O olhei incrédula e soltei o ar.

—Não de forma oficial. – Ele bufou.

—Eu sei como isso soa, mas acredite em mim, se houvesse outra maneira de resolver essa situação com o Thomas eu resolveria...isso está além de mim, está além do meu querer, é sobre o meu bebê. – Deitei-me na cama.

—Eu sei, me desculpa. – Derek segurou a ponta dos meus dedos. – É irritantemente incrível como ele consegue provocar nós dois mesmo estando longe de você.

—Isso é só o começo, você pode não acreditar, mas o Thomas vai ser o tipo de "fardo" que teremos que carregar até o fim de nossas vidas. – Ajeitei o edredom contra o meu corpo.

—Eu sei, e eu não espero que você mantenha Katherine longe dele, afinal, ele é o pai biológico. Mas você sabe que eu não vou me importar de fazer o papel de padrasto. – Tocou meu rosto gentilmente.

—Você realmente não existe, Derek Morgan. – Eu sorri fracamente e ele retribuiu.

(...)

O clima frio e aconchegante de Roma era a única coisa boa naquele momento. Thomas estava atrasado e eu já me sentia um novelo de lã rechonchudo de tanto casaco que eu vestia.

—Seu pai não tem relógio, filha. – Acariciei minha barriga. – E isso só me faz acreditar que meus motivos para odiá-lo continuam fortes.

E como uma forma de protesto ou de concordância, Kath demonstrou estar ali com um belo de um chute.

—Espero que esteja concordando com a sua mãe. – Suspirei tomando mais um gole de chocolate quente.

Voltei meu olhar para a rua de pedra a tempo de ver um carro preto estacionar do outro lado da calçada. E como eu já suspeitava era nada mais, nada menos do que Thomas King.

—Desculpe o atraso, precisei passar no escritório antes para pegar o processo. – Thomas arriscou beijar o topo da minha cabeça e eu o fuzilei com os olhos.

—Sejamos breves, Thomas. – Pedi com cara de poucos amigos.

—Pois bem, trouxe uma cópia para você caso tenha interesse em ler. – Ele me estendeu um envelope pardo.

—Mas é óbvio que eu quero ler, isso envolve muita coisa. – O olhei firme.

—Não precisa agir desse jeito, Victória. – Thomas soltou um suspiro pesado.

—Agir como? – Arqueei uma sobrancelha.

—Como se fossemos inimigos. – Ele justificou. – Não somos e nem podemos ser. Pense na Katherine.

—Se estou aqui hoje é por causa dela, não vê que nada mais nos liga?! Nossa relação será em prol dela e somente dela. – Mordisquei um sanduíche.

—Posso pelo menos te visitar algumas vezes antes do nascimento? Perdi coisa demais e não quero perder mais nada. – Ele pediu.

—Não sei se isso é uma boa ideia, Thomas. Estou com Derek agora e estou morando na casa dele. E não me venha com essa de pai arrependido, não caio mais nessa. – Sorri falsamente.

—Eu não sabia que aquilo era uma armação, Vick! Quantas vezes eu tenho que te dizer isso? – Thomas exasperou-se.

—A questão nunca foi essa, Thomas, a questão foi a confiança. – O olhei já sentindo as lágrimas arderem. – Você nunca me amou de verdade, e isso só ficou nítido depois que o circo foi formado, agora temos que conviver com isso.

—Então tudo se resume no quanto você confia em alguém?! – Ele sussurrou.

—Ao que parece, sim! – Levantei-me. – Agora se me dá licença...

Thomas não protestou e eu agradeci mentalmente por isso enquanto cruzava a esquina da avenida.

Derek Morgan

Era incrivelmente estranho estar naquele escritório, mas eu precisava pegar minhas coisas e sumir dali o quanto antes. Porém, como eu sou uma pessoa muito sortuda, tive que dar uma pausa em meus afazeres para atender um homem que estava a minha procura.

—Derek Morgan? – O homem perguntou me olhando de cima a baixo.

—O próprio. – Sustentei o olhar.

—Meu nome é Joseph O'Connor, estive a sua procura por muito tempo. – Ele estendeu a mão e eu hesitei.

—Você é algum tipo de detetive? Quem te mandou aqui? Thomas King? Se estiver trabalhando para ele sugiro que vá embora. – Cruzei os braços, irredutível.

—Derek eu sou seu pai. – Ele soltou me desconcertando completamente.

—Olha, isso não tem graça, okay? – Apontei o dedo em sua face.

—Não estou brincando, garoto. – O homem não temeu nem um pouco.

Passei a mão nas madeixas recém cortadas e peguei meu celular discando o número de meu irmão. No quinto toque ele atendeu.

—Noah, você precisa vim até a firma. — Não esperei ele pensar em dizer algo.

—Agora? Estou trabalhando. — Ele parecia distraído.

—Tem um cara aqui, e ele diz ser nosso pai.

E o telefone ficou mudo.

(...)

Minha cabeça ainda estava confusa, tentando ordenar o que aquele estranho acabou de revelar. Com ele ali postado a minha frente, eu buscava alguma semelhança que pudesse confirmar ou não o que ele acabou de dizer, mas havia tantas coisas passando pela minha cabeça que eu não conseguia me concentrar em uma só informação.

— Eu sei que toda essa situação é muito difícil, eu pensei muitas vezes em ligar, mas tive medo que não quisesse me receber. - Ele fala me encarando firme.

E eu continuo em estado de choque, mexendo compulsivamente numa caneta, enquanto olhava pro relógio preso à parede, tentando calcular quantos minutos, Noah demoraria para chegar até ali.

— E porque agora? Porque decidiu tirar essa história a limpo depois de tantos anos? - Questiono.

— Como eu te disse antes, eu fui até o Brasil, você tinha uns 12 anos, estava usando uma camiseta da seleção, num treino de futebol, bem cuidado, eu não tinha o porquê de estragar aquilo, filho. – Ele deu um passo em minha direção.

— Não me chame de filho, você nem tem certeza disso. E independente do que está dizendo ser verdade, tenho um pai e ele não é você. - Retruco e vejo ele cerrar os olhos numa expressão de quem não havia gostado nenhum pouco do que eu disse.

Permanecemos em silêncio e cerca de quinze minutos depois, minha secretaria abre a porta e Noah adentra o escritório.

Com o cabelo meio bagunçado e uma cara de pavor ele encara Joseph de cima abaixo, sem dizer uma palavra, mas com uma raiva transparente em seus olhos.

— Meu Deus, vocês são iguais. - Diz ele admirando Noah e depois voltando a olhar para mim.

—É a gente até parece gêmeo não é? - Diz Noah com certo sarcasmo. - Que história é essa, Derek? - Noah questiona caminhando até o meu lado.

— Esse é Joseph O'Connor, ele veio até aqui porque acredita que, pode ser o nosso pai biológico. - Explico.

— Acredita? - Questiona Noah olhando para ele.

— Eu não tenho 100% de certeza, por isso eu ia sugerir ao seu irmão um DNA. Para sanar as dúvidas de uma vez por todas. - Ele fala enquanto continua a nos olhar com admiração.

— Devia falar para ele o que estava me dizendo. - Digo voltando a me sentar atrás da minha mesa.

— Bom, Noah, primeiro foi uma surpresa saber que vocês eram gêmeos. Bom eu conheci a sua mãe... A mãe de vocês no Canadá, eu nasci no Canadá, mas me formei em jornalismo, era correspondente na Austrália naquela época. Quando meu pai teve câncer, eu voltei para casa, fiquei um ano e nesse tempo eu conheci a Chloe, ela namorava, mas, eles tinham um relacionamento difícil. Nós ficamos juntos algumas vezes, e quando meu pai melhorou, eu quis voltar para Austrália e uns dias antes, ela me procurou. Disse que estava grávida. Ela tinha muitos problemas... - Ele faz uma pausa.

— Nós sabemos que ela era viciada em drogas. - Diz Noah com os olhos lacrimejantes.

— Nós conversamos e decidimos interromper a gravidez. - Fala Joseph, baixando os olhos azuis, sem poder nos encarar.

— Um aborto? Resolveram nos matar? - Falo irritado.

— Estava no começo e dito a situação era a coisa mais ajustada a se fazer. Sua mãe não tinha a menor condição de criá-los e nem eu na época. - Ele se defende.

— Continua. - Diz Noah.

— Bom eu dei dinheiro a ela e voltei para Austrália, ela me mandou uma mensagem dias depois, dizendo que tinha feito e estava bem. Então eu toquei minha vida, só que uns meses depois, meu pai me ligou dizendo que a viu, com uma barriga enorme. Eu voltei, fui atrás dela, ela tava péssima, suja, drogada, disse que o namorado tinha arranjado pais adotivos pro bebê, bons pais. – Continuou os argumentos.

— Ah então me venderam antes mesmo de eu nascer? - Fala Noah com uma lágrima solitária correndo no canto do rosto.

— Vender? Eu não sei disso, eu juro, eu nem sabia que eram dois. Fui irresponsável na época eu estava focado no meu trabalho, voltei para casa e segui em frente. – Joseph tornou a se defender.

— Seguiu em frente? Você nem ao menos se deu ao trabalho de conferir para quem iam entregar o seu filho? Eles me venderam, me venderam como um brinquedo! E fizeram o mesmo com o Derek, depois de terem cheirado toda a grana que conseguiram comigo - Grita Noah.

— Ela me disse que o bebê seria adotado, eu achei que seria tudo legal, não imaginava. Eu jamais teria concordado se soubesse. - Ele fala.

— E o que você quer? Está meio tarde não acha? - Falo sentindo um nó na garganta.

— Eu me casei, ganhei outros filhos, quando meu caçula nasceu, eu não conseguia parar de pensar naquele bebê. E eu fui atrás, eu nunca soube sobre você Noah. O que descobri foi, que a sua mãe e o namorado e um bebê tinham ido pro Brasil e quando foram extraditados, o bebê não voltou. Eu tentei falar com ela na prisão, nunca aceitou me ver. Fui pro Brasil, fiz minha própria investigação e cheguei até os Morgan. Eu o vi, parecia bem e feliz, não quis estragar aquilo. Aí há uns meses atrás, estive aqui em Roma e vi numa revista que Derek Morgan, filho dos empresários Marisa e Robert, do Brasil, iria abrir uma firma aqui, um novo conceito de arquitetura. Eu fui embora, mas eu tive que voltar, procurei por você na internet, não achei nada, nenhuma foto, nada, só as coisas da firma. Então eu vim até aqui, e agora eu descobri que são dois, eu estou tão feliz, em ver que estão bem e são homens bons. - Ele diz e embora a sua aparente sinceridade eu custo acreditar no interesse dele depois de tantos anos.

— Você não sabe nada sobre nós. - Retruca Noah.

— E o que você quer de nós? - Pergunto seriamente.

— Eu quero saber se sou o pai de vocês, eu sei que se isso for verdade, vai ser muito difícil recuperar o tempo perdido, mas eu gostaria muito de fazer parte da vida de vocês. Os seus irmãos também. Vocês aceitam fazer o exame? – Perguntou cheio de expectativa.

— Acho que Noah e eu precisamos conversar sobre isso. - Digo.

— É só um exame Derek, não acha melhor saber de uma vez? - Diz Noah voltando a atenção para mim.

— É melhor conversarmos sobre isso, confia em mim, Noah. - Digo e ele respira fundo e concorda. - Okay, o senhor pode deixar seu nome completo e telefone com a minha secretária, assim que decidirmos, entraremos em contato.

— Certo, será que eu posso dar um abraço em vocês? - Ele questiona com certa hesitação.

— Não vejo necessidade. - Respondo.

— Certo, eu acho que vocês dois precisam conversar. Com licença então - Ele fala se dirigindo a porta ainda nos olhando e assim que ele sai Noah me olha intrigado.

— Qual o problema com o exame?

— Ele disse que esteve no Brasil e me viu num treino de futebol, que eu estava feliz. Eu odiava futebol, meu pai me obrigava a ir, eu era péssimo ou eu ficava no banco com cara de entediado ou na beirada do campo de gandula. Se ele me viu lá, eu não estava feliz. Eu tinha 11 anos, ele não fez nada, porque agora? Porque nos tornamos interessantes? – Ri sem humor.

— Ele disse que não sabia sobre mim. - Constata Noah.

— É, foi o que ele disse, mas se ele foi até o Brasil descobriu a minha família, como não pôde descobrir que éramos gêmeos? Não sabemos nada sobre esse cara, melhor sermos prudentes. Nossos pais tem uma boa situação financeira, Noah, somos filhos únicos, ele pode de alguma forma querer se aproveitar disso. - Falo, afinal sabíamos que nossa adoções foram ilegais, um exame de DNA comprovaria isso e seria uma arma na mão de alguém mal intencionado.

— É, como sempre você tem razão, acho que temos que pensar bem. Eu não sei de onde, mas tenho a impressão que já vi esse cara antes. - Ele concorda intrigado.

— Sim nós temos. Tente lembrar onde o viu. - Respondo e me aproximo de Noah dando- lhe um abraço. - Vamos ficar bem, independente de qualquer coisa, nós dois sempre teremos um ao outro irmão. - Digo.

— É sim. - Ele concorda.

(...)

Pegamos Emma na escola e vamos para casa, Vick percebe algo errado assim que entramos na porta.

Noah vai para o quarto dele e eu explico tudo que aconteceu a ela. Apesar de nunca ter tido tantos problemas familiares quanto o Noah, nunca fui próximo dos meus pais, nunca me senti verdadeiramente parte da família.

Diferente do Noah, eu sempre soube que era adotado, meus pais sempre me trataram como se tivessem feito um favor para mim, afinal, como meu pai costumava dizer: "Não é toda a criança vinda da escória que tem a chance de desfrutar de uma vida, confortável, uma boa educação." Eles sempre fizeram-me sentir como se eu tivesse uma dívida a ser paga, e de alguma forma eu sempre tentei pagar.

Nunca andei fora das regras deles, era um bom aluno, frequentava atividades que eu odiava, apenas para agradá-los. Meu primeiro ato de rebeldia foi cursar arquitetura ao invés de administração como meus pais queriam e o primeiro ano na faculdade foi bem complicado, pois não tinha nenhum apoio deles.

Por sorte eu tinha Vick, e o tempo que passamos juntos aliviava todo o stress de casa, nunca comentei com ela sobre os problemas com meus pais, ela já tinha problemas demais. Sei que desconfiava que a minha relação com eles não era tão boa quanto eu fazia parecer, e aliás sei que meus pais jamais aprovariam nosso relacionamento.

Não que eles não iam gostar de uma advogada família, mas com certeza, um filho, sem meu sangue correndo nas veias, não seria bem aceito por eles. Decido explicar tudo para Victória e depois de contar tudo sobre o meu "suposto pai" e como me sentia em relação aos meus pais adotivos, acabo não conseguindo segurar as lágrimas.

Por mais forte e centrado que eu tentasse parecer para tentar me distanciar do furacão de emoções que era o Noah, eu não pude me controlar e abraçado a ela eu chorei como o menino que nunca entendeu o porquê de não ter sido querido por seus pais biológicos. Victória afaga meus cabelos e me diz algumas palavras de conforto e depois de uma longa conversa, ela acaba me convencendo que talvez a única forma de superar todas as dores que eu carregava era tendo certeza do meu passado. Encostamos nossas testas e eu levo a minha mão a sua nuca, nos encaramos durante um tempo até finalmente nos entregarmos a um beijo.

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