Capítulo 12 - A Festa - parte 1

Victória Walker

Dois dias se passaram desde aquela noite do cão com Emma Carolina, e a partir de então eu vivia pensando em como seria a dádiva da maternidade para mim. Eu sou nova, tenho apenas vinte e três anos e estou grávida de um homem de trinta e quatro, uma distância até que curta, mas ainda assim uma distância que muitas pessoas enxergam de um jeito maldoso. Não que eu me importe com certos tipos de comentários, na verdade eu NÃO me importo, mas ainda assim certos olhares recriminatórios me faziam revirar o estômago.

Minha situação amorosa não está das melhores, Thomas ressurgiu das cinzas e parece querer entrar novamente em minha vida. Derek já é diferente, ele parecia querer me deixar a vontade o suficiente para fazer minha escolha sem arrependimentos e aquilo era sensacional. Mas, não era como se eu precisasse, de fato, escolher entre dos dois, a decisão de certa forma já estava bem clara e direcionada. Não tinha condições de voltar para o homem que não se importou nem um pouco em pisar no meu coração e deixá-lo em mil pedacinhos, além de ter me deixado grávida e sozinha.

—O que o gêmeo esquisito queria com você naquele dia que eu peguei vocês dois com cara de bunda? – Giulia passava uma camada espessa de batom nos lábios finos.

—Falar sobre o irmão. – Dei de ombros ajustando pela milionésima vez o vestido em meu corpo, hoje era o dia do evento beneficente e estávamos nos arrumando para o tal.

Minha barriga dificultava cada dia mais a minha escolha de roupas e eu já estava quase convencida de que deveria fazer novas compras urgentemente.

—E o que vocês conversaram? – Giulia me olhou de soslaio. – Não me olha desse jeito, sou sua amiga e devo saber de tudo o que se passa nessa sua cabecinha e nesse seu coração, desembucha.

—Nossa conversa baseou-se na minha relação com Derek, ele queria saber se os sentimentos que ele nutre por mim são recíprocos. – Soltei os ar dos meus pulmões. –Eu deveria ter achado aquilo uma coisa super estranha de acontecer, mas sabe, os dois são muito unidos, de alguma forma parecia que ambos apenas precisavam se encontrar para que a vida pudesse seguir em conformidade, os dois se completam muito mais do que qualquer relacionamento amoroso, droga! Isso me fez lembrar de minhas irmãs.

—As vezes eu esqueço que você está grávida e que se emociona por qualquer coisa. – Giulia repousou suas mãos em meus ombros e eu a fuzilei. – Tudo bem, me desculpe, não estou passando por isso e meio que não entendo sobre esses hormônios, mas esse não é o ponto que eu quero chegar, seja sincera, Victória, você ama Derek ou só o está usando como uma válvula de escape para sua dor em relação ao Thomas?

—Não estou o usando, isso posso garantir, mas não sei se posso dizer o mesmo sobre amá-lo, eu sinto um carinho muito especial por ele, e de algum jeito eu estou disposta a tentar, na verdade, eu estou tentando e vem sendo ótimo. – Retoquei o batom.

—Então devo considerar essa sua resposta com um pré amor? Uma paixonite? Algumas borboletinhas subindo em seu estômago toda vez que ele passa as mãos nas madeixas negras? – Minha amiga me olhou com maldade.

—Ele cortou o cabelo. – Pigarreei já tentando mudar o foco da conversa.

—E na certa você se derreteu ainda mais, certo, Walker? – Ela ainda me olhava maldosamente.

—Olha, porque não deixamos essa conversa para depois e vamos logo para a festa? Não gosto de chegar atrasada e ser o centro das atenções. – Peguei minha bolsa preta.

—Falou a grávida que vai fazer um discurso. – Giulia ironizou.

—Engraçadinha, agora vamos. – A peguei pela mão e juntas fomos até a sala onde encontramos Derek sentado impaciente no sofá da sala.

—Realmente o corte de cabelo lhe fez bem. – Minha amiga analisou.

—Obrigado, Giu. – Derek sorriu de canto.

—Onde está Noah? – Questionei me sentando um pouco, minhas costas estavam me matando.

—A babá chegou agora e ele está passando todas as instruções para ela em relação a Emma, resumindo, ele ainda vai se arrumar. – Derek bufou.

—Está falando sério? Vamos chegar atrasados! – Giulia revirou os olhos.

—Eu sei...também não estou gostando disso, mas...ele é meu irmão e não posso deixar ele sozinho. – Derek balançou a cabeça.

—Não sou mais uma criança ouviu, Morgan? – Noah surgiu na sala trajando um jeans preto, camiseta, um sobretudo, botas e um chapéu de caçador de vampiros.

—Meu Deus, olhem só para esse assassinato da moda! – Giulia implicou com o gêmeo. – Você é totalmente discrepante do seu irmão, olhe só como ele está muito mais bem vestido.

—Não vamos brigar por isso, está bem? – Bloqueei a possível discussão que estava querendo esquentar. – Vamos logo para o museu, já nos atrasamos mais do que devíamos.

—Exato, parem com essa bobeira e vamos logo. – Derek segurou minha mão delicadamente e nos guiou até a porta principal da mansão.

Do lado de fora uma suntuosa limousine azul estava parada apenas nos esperando. Olhei para Derek com uma cara de "Pra que isso tudo?" e ele simplesmente deu de ombros coçando a cabeça.

—Que frescura é essa, Derek? – Noah fez uma careta para o irmão com cara de nojo.

—É um evento da alta sociedade, não pode chegar dirigindo. – Derek responde e Noah revira os olhos descrente.

Nosso caminho até o museu seguiu com algumas pequenas discussões entre Noah e Giulia sobre o mesmo ter praticamente se jogado no teto solar do carro igual a um retardado, e devo dizer, cada alfinetada que eles trocaram eu ria desesperadamente assustando até mesmo o Derek.

Cerca de vinte minutos se passaram e logo nos encontrávamos de frente ao museu que sediaria o evento. As luzes e os ornamentos tornavam o local ainda mais lindo e chamativo desde a ultima vez que eu estive ali em um dos inúmeros passeios turísticos que Derek e eu fizemos nos meses anteriores. As pessoas da alta sociedade muito bem vestidas e elegantes em seus trajes esporte fino deixando Noah e seu sobretudo um pouco deslocados, mas aquilo não importava, estávamos todos juntos e aquilo era o importante.

Entramos ainda juntos ao salão e as características vitorianas deixavam tudo ainda mais perfeito, sentamos em uma das meses próximas ao palco central e ajeitei meu vestido. Noah mal senta e já se levanta alegando estar com necessidades extremas de utilizar o vaso sanitário e eu apenas dou de ombros.

As horas passam e mais pessoas circulam pelo salão, era incrível saber que ainda existem pessoas que se importavam com a questão da solidariedade, e aquilo de um certo modo me fez acreditar que, talvez, nem tudo estava perdido, afinal.

—Senhoras e senhores, boa noite. – Alicia valeu-se de sua voz solene e eu pensei que ia vomitar. – Esse evento é totalmente em prol aos refugiados sírios e com isso, devemos colocar nossa mão na consciência, e entender que essa é uma causa que afeta todos nós, independentemente da nossa posição social, devemos ajudar sem olhar a quem.

—Quem vê nem suspeita que quase cometeu um homicídio em dose dupla. – Revirei os olhos.

—Ela vai pagar pelo que fez, posso garantir. – Derek afagou minhas mãos e eu sorri.

Após o breve discurso da naja, alguns representantes de diversas ONG's deram o ar da graça e repetiram o mesmo falatório.

—Quando vai ser o discurso de vocês? Quero ir embora. – Noah sentou-se desajeitado na cadeira a frente.

—Vamos encerrar. – Derek deu de ombros.

—Ah não! – Noah revira os olhos.

—Vou ao banheiro, já volto. – Me levanto antes de ouvir a indiferença de Derek para com seu gêmeo.

Sigo o caminho decorado indo de encontro ao toalete, contudo, antes que eu pudesse sequer cruzar a porta, dou de cara com Thomas que não hesita em morder o lábio inferior ao me ver.

—Victória. – Cumprimenta.

—Oi, tchau. – Tentei ultrapassar a barreira que era o corpo dele.

—Espera. – Segurou gentilmente meus braços. – Você está linda.

—Porque está aqui? – Sibilei.

—Fui convidado, não é só você que tem influências em Roma. – Ele dá de ombros.

—Me diz, está a quanto tempo em Roma? Está me seguindo? Já disse que não quero você perto de mim. – Respirei fundo.

—Temos uma ligação, Vick, essa bebê que está gerando também é minha. – Ele ameaçou colocar as mãos em meu ventre mas eu me esquivei.

—Agora ela é a sua filha? Me poupe! – Ri sem humor. – Espero não cruzar com você mais nenhuma vez nessa festa.

—Algum problema? – Giulia apareceu para salvar a pátria. – Esse senhor está te incomodando amiga?

—Esse senhor, já está de saída. – Fuzilei Thomas.

O mesmo abaixou a cabeça e a sacudiu negativamente saindo de perto de nós rapidamente.

—O que esse imbecil queria com você? – Minha amiga cruzou os braços.

—O de sempre, fingir que tudo pode ser apagado e que podemos começar do zero. – Revirei os olhos.

—E pode? – Giulia arqueou a sobrancelha.

—Definitivamente não! – Me apressei a dizer.

—Foque no que você sente pelo Derek, você pode lidar com o Thomas depois, não se preocupe com isso. – Sacudiu meus ombros. – Agora vamos voltar, os rapazes estão nos esperando.

Refizemos o caminho de volta e assim que chegamos a nossa mesa, Derek gentilmente se levanta e me convida para dançar. Um pouco envergonhada e sorridente até demais, eu aceitei e juntos começamos uma dança onde as únicas pessoas que importavam naquele salão éramos nós dois.

(...) Continua (...)

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top