Capítulo 10 - Fora dos eixos.
Derek Morgan
Victória e eu nos afastamos a contragosto. As vezes eu me pego pensando porque o ser humano precisa tanto de ar quando estamos nos melhores momentos de nossas vidas. A resposta, é claro, não veio, na verdade acho que nunca viria, mas com sinceridade?! Eu não me importava, não mais.
—Desculpa. – Vick pigarreou. – Força do momento.
—Tudo bem, está completamente perdoada. – Ri nasalmente.
—Nem acredito que serei mãe de uma menina. – Ela tinha um brilho nos olhos. – Não sabe quão estou feliz Derek, era tudo o que eu imaginava.
—Eu sei que era. – Sorri acariciando sua mão, e para a minha surpresa ela não afastou.
—Acho que agora podemos ir. – Ela se ajeitou na cama do consultório já pegando suas roupas em cima da bolsa.
—Claro, vou te esperar do lado de fora. – Levantei-me da cadeira.
Victória assentiu e rumou até o banheiro o fechando logo em seguida. Sai do quarto e esperei na pequena recepção que havia ali. Passaram-se cerca de dez minutos até que Vick saísse devidamente vestida. Já disse o quão ela estava linda grávida? Estaria mais ainda se a filha que carregava fosse minha, mas aquilo também não fazia diferença no momento.
Seguimos para o carro trocando alguns risos e olhares doces. Era impressão minha, ou algo entre nós estava mudando? Mais uma vez aquilo não importava, o fato de estarmos ali, juntos, já me fazia bem o suficiente para esquecer das circunstâncias que nos cercavam por isso.
—Porque escolheu Katherine? – Me vi perguntando enquanto dobrava um quarteirão.
—Como? – Ela parecia ter voltado para a realidade.
—Porque escolheu Katherine para ser o nome da sua filha? – Reformulei a pergunta.
—Ah, sim... – Ela deu de ombros. – Não sei dizer ao certo o que me chamou atenção nesse nome, talvez o significado puro que ele remete ou a força.
—Realmente é um nome forte, ela terá sorte se for parecida com você. – Sorri de canto sem desviar os olhos da estrada.
—Tomara que tenha... – Ela disse quase que num sussurro, acariciando a barriga.
Novamente o semblante triste assumiu a face de Victória e eu decidi não falar mais nada, sabia perfeitamente que seus pensamentos estavam concentrados em Thomas e sua ausência no momento mais importante de suas vidas.
(...)
—Graças aos deuses dos Sete Reinos, você está grávida de uma menina! – Noah fez uma dancinha da vitória enquanto bagunçava os cabelos de Vick.
—Porque ele está fazendo isso? – Victória arqueou uma sobrancelha pasma com a reação do meu irmão gêmeo.
Apenas me limitei a dar de ombros um tanto curioso também.
—Noah, para, respira e conte até dez. – Segurei os ombros dele. – Porque tudo isso?
—Não percebe? É menos um pênis atrás da minha filha! – Exclamou. – Olha, não sei quem é esse Thomas, mas quando eu vê-lo vou agradecer imensamente por me poupar de uma ameaça tão onipresente perto da Emma.
Vick revirou os olhos mas não deixou de esboçar um sorriso para meu irmão, finalmente as coisas pareciam estar no controle entre os dois e aquilo era de um grande alívio.
—Sendo menina ou não estamos morrendo de fome, então se me derem licença vou comer alguma coisa. – Acenou sumindo pelo corredor.
—Não esqueça que estamos na dieta do mato! – Noah gritou.
—Não acredito que estamos mesmo fazendo isso. – Bufei com a lembrança da noite anterior.
—Qual é, Vick foi a mentora de tudo e você sabe. Aquele discurso de alimentação 100% amor a natureza é a cara dela. – Noah tocou meus ombros.
—É, mas foi você que começou a falar que a papinha que estávamos dando a Emma parecia um dos dejetos que ela deixa na fralda. – Sorri cínico.
—Mas parecia mesmo! – Noah defendeu-se. – Não seja ranzinza...você concordou com ela e tenho a leve sensação que é devido a sua vontade louca de levá-la pra sua cama, e não ouse negar isso porque seus hormônios do sexo exalam quando ela está por perto.
—Não trata-se somente de sexo, isso é consequência, eu amo ela e jamais faria qualquer coisa que pudesse magoá-la ou forçar a barra. – Assegurei revirando os olhos.
—Okay...você já disse isso algumas milhares de vezes...já disse para você parar de ser Jon Snow e tomar vergonha nessa sua cara. – Deu pequenos tapinhas nas minhas bochechas. – Fica esperto Orlando Bloom, não perca a chance que está na sua porta por causa dos seus votos de castidade.
—Eu não fiz votos de castidade e você está vendo muito Game of Thrones – Pisquei os olhos diversas vezes.
—E eu sou virgem... – Noah bufou irônico. – Tenho que ir, vou arrumar Emma e depois me arrumar para um jantar na casa de Samuel...a casa vai ser toda dos pombinhos, não faça nada que eu não faria hein!
E sumiu pelo corredor adentro me arrancando um sorriso divertido. Porque diabos eu não tinha encontrado esse maluco antes?!
Victória Walker
—Ocupada? – Derek deu algumas batidinhas no batente da porta.
—Claro que não! – Sorri enquanto me virava completamente para ele.
—Noah e Emma vão sair, eu te chamaria para jantar mas não sei como um prato de salada seria o suficiente para sustentar vocês duas. – Apontou em minha direção e eu ri. – Bem, eu queria te dar uma coisa, esperei meu irmão sair porque eu sabia que se ele visse eu te entregando algumas coisa...
—Na certa pensaria que eu e você estávamos em algum momento romântico e que deveríamos nos casar e vivermos felizes para sempre. – Completei divertida.
—Exato! – Derek riu. – Pois bem, já tem algumas semanas que isso está no meu guarda roupas esperando o momento certo para ser entregue, e sinceramente?! Não há motivos para continuar guardando isso, então...um presente meu para você e para Katherine.
O Morgan estendeu um embrulho rosa com um laço lilás e eu o peguei um pouco hesitante. Aproximei-o dos meus ouvidos e mexe a caixa sem tirar os olhos de Derek que sorria.
—Abra, estou louco para ver a sua reação. – Ele incentivou.
Sentei-me na cama e cuidadosamente fui abrindo o presente até revelar um urso de pelúcia branco e rosa com um pingentinho com a balança do Direito em volta do laço que envolvia seu pescoço.
Era lindo.
—Oh meu Deus...isso é lindo. – Alarguei o sorriso, emocionada.
Já disse que estou bem chorona ultimamente?
—Fico feliz que tenha gostado, queria que ela soubesse desde de pequena que a mãe é uma advogada maravilhosa. – Derek mordeu o lábio inferior.
Caminhei até ele e lhe dei um abraço apertado. Ultimamente as coisas entre Derek que eu eram assim, ele fazia coisas fofas, eu me derretia toda e devolvia os gestos carinhosos com outros gestos carinhosos. Eu sabia que aquilo significava uma coisa, mas sabe quando você já não tem mais nada a perder ao não ser sua vontade de viver?! Pois bem, quando eu estava ao seu lado, tudo parecia acontecer em câmera lenta, as coisas eram leves e suportáveis, eu poderia esquecer completamente quem eu sou e o que me fez chegar aonde estou hoje. E aquilo era incrivelmente bom, eu amava aquele jeitinho todo inocente dele sempre que Noah falava alguma coisa maliciosa ou até mesmo aquela mania super protetora que ele insistia em ter comigo e com Katherine, era como se estar perto dele fosse o certo, era como se eu tivesse cometido um erro grave e agora o destino estivesse me dando uma chance de concertar as coisas.
—Você tem sido muito bom para mim e para a minha filha, não quero te perder depois que ela nascer, posso estar sendo muito egoísta dizendo isso, mas de alguma forma eu me sinto bem ao seu lado. – Soltei quase sem pensar.
Derek ainda me abraçava, e quando eu disse tais palavras, ele me apertou ainda mais contra si como se quisesse deixar claro que a possibilidade dele ir embora estivesse totalmente fora de cogitação.
—Eu nunca vou deixar vocês duas sozinhas, nem se você quiser. – Me afastou segurando meus ombros.
—Acho que não vou querer. – Pisquei o olho. – A propósito, eu te pedi para não reparar no meu excesso de euforia quando te beijei mais cedo, certo?
—Sim. – Derek me respondeu desconfiado.
—Eu seria muito imprudente e maluca se eu te pedisse pra esquecer isso e me beijasse? – Meus olhos estavam presos nos seus.
Derek parecia estar processando o que eu havia acabado de dizer, eu praticamente pedi que ele me beijasse e aquilo com certeza era novidade para ele.
—Está falando sério? Quer dizer, porque? – Ele estava um tanto quanto chocado.
—Digamos que de tanto ouvir o Noah fazendo insinuações sobre nós dois, eu tenha pensado muito sobre o assunto e acabei crendo que recomeçar as vezes é tudo o que precisamos para esquecer as dores do passado. – Dei de ombros.
—Você sempre será a minha escolha perfeita, Victória. Não importa se você amou ou ainda ama o Thomas, eu disse que não forçaria nada com você, sou paciente, lembra? Sei esperar quando sei que vale a pena. – Acariciou minha bochecha.
—Se eu tivesse te amado antes disso tudo, as coisas teriam sido diferentes, não é mesmo? – Fiz uma careta envolvendo seu pescoço.
—Talvez...mas não pense nisso, águas passadas não movem moinhos, ele te deixou a cinco meses, e uma história como a de vocês eu sei que não apaga dessa forma, não vou dizer que não fiquei satisfeito em praticamente ouvir de você que está disposta a se permitir novamente, podemos ir devagar e ver no que dá. – Sugeriu.
—Devagar assim? – Lhe dei um selinho despretensioso.
—Devagar assim. – Concordou sorrindo e nos beijamos.
(...)
Ainda naquela noite, mais precisamente quando Derek já estava no quinto sono, resolvi fazer um lanchinho antes de dormir. Quando eu digo lanchinho, eu me refiro a um hambúrguer mega suculento, com camadas de bacon e cheddar escorrendo em suas laterais.
Aquela dieta do "mato", como diz Noah, não estava me ajudando em nada para ser bem sincera. E por falar no diabo...
—Te peguei! Sua devoradora de animais inocentes! – Gritou saltando na minha frente com o celular na minha cara, com certeza estava gravando.
Emma que até então dormia, começou a chorar devido ao alarde que o pai fizera. Assustada, eu logo tratei de jogar o hambúrguer no prato e tampá-lo com um pano.
—Bonito dona Victória Walker, isso vai pro muro da vergonha. Fazendo todo mundo comer mato e a noite, você vem comer as vaquinhas indefesas né? – Me olhou como se eu tivesse feito a coisa mais proibida do mundo.
—A menina está chorando. – Apontei para Emma com a boca ainda cheia de carne. – E o hambúrguer é vegano.
— Vegano uma ova. – Ele disse destampando o pano e provando um pedaço do bife. - Vick, que feio!
— Vacas comem capim certo? Então tecnicamente sou uma vegetariana de segundo grau. – Me defendi dando de ombros.
— Interessante essa teoria, dona Victória. – Ele balançava Emma em seu colo enquanto continuava me lançando olhares reprovadores.
— Ah, vai ter uma festa para arrecadar fundos em prol dos refugiados sírios, muitas empresas daqui vão participar. Se quiser ir. – Estendi o convite para ele que me olhou como se não estivesse entendendo aonde eu queria chegar.
— Não está convidando o gêmeo errado não? - Perguntou intrigado.
— Seu irmão vai estar lá também cabeçudo. – Revirei os olhos.
— Que alívio, por um instante pensei que, a namorada do meu irmão, estava me convidando para sair. – Continuou balançando Emma.
-Vai sonhando cabeçudo... E Derek e eu não estamos namorando... - Pigarreei.
—Não? Hum...Eu posso estar meio desatualizado no assunto, mas, morar juntos, fazer compras, assistir a Greys Anatomy embaixo do cobertor consistia em namorar na minha época. – Ergueu a mão livre como se estivesse se rendendo.
— Eu estou grávida de outro cara, acabei de sair de um relacionamento. Não é a hora certa de me envolver com alguém. – Falei como se parecesse óbvio.
— Nisso, eu até concordo. Mas levando em consideração que você não vai encontrar outro cara bonito, alto, solteiro, com melenas sedosas, educado, amável, simpático e que já está financeiramente estável antes dos 30 por aí, se eu fosse você não perderia essa chance. Se ele não fosse meu irmão e eu tivesse uma vagina, eu estaria transando com ele agora. – Ele fala esquecendo-se por alguns minutos da pequena criança em seus braços. - Ai, esqueça o que o papai falou boneca. – Ele diz com uma cara de quem estava desapontado consigo mesmo.
Não aguentei e comecei a rir.
—Você devia ter feito marketing ao invés de mecânica. – Mordi novamente o hambúrguer.
— Funcionou? Se forem transar, não façam barulho, tem um bebê casa. Caralho, falei transar de novo na frente da Emma! – Praguejou.
— E caralho. – Observei ainda rindo.
Noah faz uma careta e some no corredor, provavelmente indo para o quarto.
(...)
—Não acredito, você e Derek se beijaram? Duas vezes no mesmo dia? – Giulia praticamente gritou.
Estávamos no meu quarto, eram não mais do que oito da matina e eu estava comendo pipoca, não me perguntem porque, eu estou grávida e tenho desejos nos momentos mais incertos do dia, não me julguem.
—Dá pra fechar a boca? Noah não pode saber, não dê mais ibop pra ele por favor. – Tampei sua boca.
—Tudo bem, fique calma, não vou falar mais nada. Respira fundo. – Ela parecia uma professora de relaxamento interno. – Mas e ai? O que você sentiu?
—Como assim, o que eu senti? – Minhas mãos estavam suando.
—Não se faça de sonsa, Victória. – Giulia revirou os olhos. - Pode ir soltando tudo que eu quero saber os detalhes.
Eu já estava pronta para tentar enrolar minha amiga, quando duas batidas na porta me fizeram suspirar aliviada.
—Posso entrar? – Era Derek do outro lado.
Giulia e eu trocamos um olhar cúmplice e ela entendeu perfeitamente que deveria ficar quieta.
—Pode sim. – Gritei para que ele ouvisse.
A porta fez seu costumeiro barulho de algo sendo aberto e logo a figura de Derek pode ser notada por minha amiga a eu.
—Giulia, você por aqui a essa hora?! – Ele estranhou.
—Sabe como é né?! Essa daqui queria comer pipoca e como não tinha aqui, fui obrigada a trazer para ela. – Se fez de bondosa.
—Até parece. – Mandei língua para ela.
—Vocês duas são hilárias. – Derek balançou a cabeça. – Você vai ficar pro café?
—Não senhor, estou de partida, vejo vocês mais tarde? Espero que sim, beijos no core, queridos. – Giulia saltou da minha cama e saiu igual um furacão pela porta.
—Ela é ligada no 220 permanentemente? – Derek ergueu uma sobrancelha.
—Acho que sim. – Gargalhei e ele me acompanhou.
—Largue essa pipoca, fiz pão de queijo, eu sei que você gosta. – Piscou.
—Você vai me deixar uma super bola de basquete se continuar fazendo essas gordices para mim. – Calcei meus chinelos.
—E mesmo assim vou continuar te achando a garota mais linda do mundo. – Sorriu.
Enlacei minhas mãos as suas e juntos seguimos para a cozinha. Nenhum sinal de vida do Noah, o que nos dava uma boa vantagem para Derek e eu.
—Está vendo ele por ai? – Varri o local com o olhar.
—Não. – Derek riu.
—Ótimo. – Sorri ficando nas pontas dos pés depositando um selinho demorado em Derek.
—AHA! – Noah berrou. – EU SABIA QUE VOCÊS DOIS ESTAVAM NAMORANDO! VOU FINGIR QUE NÃO FUI LUDIBRIADO ESSAS SEMANAS.
—De onde você surgiu, cabeçudo? – Me soltei de Derek assustada.
—Eu estava escondido, vi que o casal ternura estava cheio de segredinhos e quis saber o que era. – Deu de ombros.
—Você é pior do que velha fofoqueira, Noah! – Derek ralhou.
—Não estamos namorando. – Assegurei.
—Como não? Eu vi, Emma viu, todo mundo viu vocês dois se beijando agora, se isso não é namoro, eu sinceramente não sei o que é. – Noah argumentou enquanto Emma chorava em seus braços. – Calma minha viking, papai vai por você pra dormir.
—Um simples selar de lábios não significa um pedido de casamento e muito menos de namoro. – Argumentei.
Noah me olhou como quem diz: "Sei..." e balançou a cabeça em sinal de negação enquanto Emma relaxava em seu abraço.
—Esqueça, não ligue para ele. – Derek coçou a cabeça. – Venha, tome seu café.
Revirei os olhos e soltei um longo suspiro enquanto levava a xícara de café até a boca. Noah depois de alguns minutos havia conseguido, finalmente, colocar Emma para dormir. Contudo, assim que ele pegou o notbook e o ligou em seu colo, a campainha tocou fazendo com que, a garotinha abrisse o berreiro novamente.
Fiz menção de ir ao encontro da porta mas ele me impediu. Recostei-me um pouco na bancada da cozinha americana e logo estremeci ao identificar aquela voz.
—Derek. – Foi o que ele disse e eu me vi encarando o verdadeiro Derek ao meu lado.
—Noah, o que está acontecendo aqui? – Derek e eu vamos para o seu lado e meu coração falha.
Thomas está parado no batente encarando os gêmeos com certa confusão no olhar, porém, ele para de vagar entre eles no minuto em que me nota ali, mudando totalmente sua postura em minha frente.
—O que você está fazendo aqui? – Sibilei tentando controlar a respiração.
—Precisamos conversar. – Ele parecia encabulado.
—Com que direito você vem na minha casa e diz que precisa conversar com a mulher que você abandonou grávida? Faz um favor para todos aqui e vá embora. – Derek cerrou os punhos.
—Isso é um assunto meu e dela, se não se importa... – Thomas usou o cinismo.
—Seu filha da mãe... – Derek cuspiu partindo para cima de Thomas.
Mas graças a Noah, eles foram impedidos de fazer qualquer coisa insana naquela varanda.
—Derek, nos deixe sozinhos. – Toquei gentilmente em seus braços. –Noah, tire ele daqui por favor.
Noah assentiu e carregou o irmão para dentro de um dos quartos da mansão.
—Entra. – Virei as costas e fui para a sala. – E então, o que você quer?
—Concertar as coisas. – Thomas me encarou de um jeito profundo.
—Concertar as coisas? Porque? Até onde sei, a traidora e mentirosa aqui sou eu, ou estou enganada? – Cruzei os braços.
—Eu sei como isso soa impossível, fui injusto com você, me deixei levar pelos trâmites que Alicia havia armado, eu errei e tenho total consciência disso, mas por favor, me deixe explicar. – Thomas parecia desolado e desesperado ao mesmo tempo.
—Espera, o que você disse sobre Alicia? – Um misto de confusão assumiu meu semblante.
—Ela pagou um cara para adulterar sua comida no restaurante, ela fez você passar mal e consequentemente o Derek acompanhou você até seu apartamento, o resto da história você pode ligar os pontos. – Thomas lambeu o lábio inferior.
—Aquela vadia... – Sussurrei para mim mesma.
Thomas ameaçou a dar um passo em minha e eu me retrai cerrando os punhos.
—Fica longe. – Fechei os olhos tentando controlar minha respiração.
—Vick... – Sua voz falhou.
—Não! – Falei firme. – Você perdeu totalmente o direito de me chamar assim, você me deixou, Thomas, em uma cama de hospital! Tem noção do que é isso? Você me deixou grávida em uma cama de hospital somente pelo fato de não confiar em mim da mesma forma que eu confiava em você.
—Victória, por favor... – A dor se fazia presente em seus olhos.
—Eu quero que você saia, e que não volte mais. – O cortei.
—Você ama ele? – Ergueu a sobrancelha.
—Meus sentimentos não dizem respeito a você, não mais. – Limpei algumas lágrimas teimosas.
—Posso pelo menos saber o sexo do bebê? – Aquela pergunta me pegou desprevenida.
Meu coração falhou e por um instante eu senti como se minha vida estivesse novamente fora dos eixos. Era incrível como as coisas mudavam de figura de uma hora para outra. Eu estava cansada daquilo, cansada de sofrer, dar a volta por cima e sofrer de novo, aquilo não podia se tornar um ciclo vicioso.
—É uma menina. – Cruzei os braços ignorando o nervosismo de sua proximidade.
Os olhos de Thomas brilharam. Foi inevitável não me lembrar dos planos que tínhamos quando viéssemos a ter filhos. Ele sempre sonhara com um garotinho, mas também sempre quis uma menininha para mimar e proteger como fazia comigo. Contudo, eu não me importava mais com esses planos passados. Depois desses meses a deriva, passei a enxergar um futuro em que somente Katherine e os gêmeos tinham espaço, Thomas teve a chance de confiar em mim, teve a chance de constituir a família que almejávamos, e mesmo assim, ele preferiu chutar o pau da barraca e acabar com tudo sem ao menos usar uma desculpa plausível.
—Agora que sabe, vá embora! – Pigarreei enquanto passava por ele e abria a porta. – E não volte mais.
Thomas virou-se cautelosamente, me encarou por alguns segundos, abaixou a cabeça e obedeceu ao comando. Fechei a porta com força e me entreguei as lágrimas sentindo a dor voltar novamente.
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