A verdade de um amor.

Benjamin me acalmou me levou pro departamento pela nona avenida.
Contei o que houve e ele disse que já mandou caçarem Talon.
Não contei o que Talon me disse, ele não deixaria, não aceitaria e isso é uma escolha minha.
A.D.A é meu lar, eles são minha família, e Dekin? Dekin é algo mais profundo.
Se algo ocorrer com eles eu morro.
Eu planejava me aposentar, mas não ocorrerá isso, eu morrerei e sozinha.

Quando avisei que precisaria pegar meus saltos reserva e sair do escritório, mudei a rota após pegar os saltos.
Eu mereço, falhei como amiga, fiz meu dever como agente.
Existi desde a prisão de Talon entre a cruz e a espada, não conseguia me orgulhar de prende-lo. Mas se não fizesse isso todos iriam sofrer, jamais esqueci de suas palavras e do seu ódio.

Havia pegado um carro no departamento e segui exatamente onde ele marcou. Sei por que, e como chegar.

Assim que cheguei parei o carro diante dos enormes portões enferrujados. Pra alguém em pedaços e traumatizada, os cheiros que nem existem mais, invadem meu olfato.

Desliguei o carro saindo do mesmo e adentrando o jardim, ninguém vem aqui, ninguém cuida daqui.
Talvez pudesse pedir que isso voltasse a ser o que era, mas talvez feridas curadas se abrissem com isso.

Escutava uma música melodiosa como um cortejo, sorri lembrando do nome que Benjamin escolheu pra formar a minha parceria com Dekin, a dupla do cortejo.

Talon está a gozar com deleite dessa situação.
Caminhei em direção ao som, ao pisar no piso destruído e morto do orfanato, ou dos destroços que sobrou, as dores daquela época voltaram, o peso está demais e sei com certeza que minha correntes se tornaram negras, todas elas.
Era por isso que apagava as lembranças vez ou outra. Eu não queria sentir, não queria sofrer mais do que já sofro.

Quando parei diante de uma porta queimada e quebrada, as paredes da mesma estavam frágeis e outras já haviam desabado.
Passei pelo que restou da porta, do quarto de algumas crianças e o meu quarto.

Talon estava em pé, dançava como em uma valsa, porém sozinho, ao me notar sorri e caminha até um toca disco o desligando.

__sabia que viria.__ele sorri triunfante.

__você não me deu escolhas.__o encarei.

Já estava no curso da coruja há uns minutos, realmente de moto era mais rápido e infringi algumas regras, mas não tem a quem culpar. Não é como se fossem exatamente no A.D.A dizer que me viram cruzar dois sinais Vermelhos, aumentar a velocidade quando era pra diminuir.

Foi quando cheguei na estrada de terra, eu estive nessa estrada hoje, é a estrada que vai pro orfanato, de duas uma. Ou Beatrice está indo além do orfanato e vai ficar no meio do mato, ou foi pro orfanato.

Quando avistei um carro na entrada do orfanato eu sabia que tinha alguma coisa errada.
Parei a moto um pouco antes e andando com cautela eu não ouvia nada, porém os portões estavam bem mais abertos do que quando vim, parecia até convidativo, as portas da entrada abertas, bom uma delas a outra estava tombada mesmo, o silêncio era bom, além dos pássaros que rondam aqui ouvia vozes, duas vozes um pouco distantes.

__você causou tudo isso, você é a culpada principal!__era uma voz masculina, ela não me era de toda estranha.

__não foi eu quem cuspiu na mão que foi estendida pra gente.__era a Beatrice.
Sua voz tinha certa calma e nem parecia se abalar pelas palavras provavelmente diferidas a ela.

Quando notei de onde as vozes vinham, me encostei na parede e me agachei pra ouvir.
Encontrei um pedaço de vidro caído em um canto, ao ajeitar o mesmo em uma boa posição consegui ver Beatrice perto da porta e ele! O Talon estava aqui.

__eu cuspi? A mão não veio de todo modo de graça, não se esqueça do que fazemos...

__e daí?! Pelo menos tivemos a quem chamar de Família. E me diga, como consegue dormir a noite? Não sente remorso, a culpa de tantas mortes não te atormenta? Você matou crianças, crianças essas que conviveram com você, que lhe chamavam de amigos, e as freiras? Elas nos acolheram. Talon você não sente culpa por incendiar o nosso primeiro lar!__lar? Incendiar o lar deles?!

Beatrice se referia a outro lugar, ou aqui?!

__do que adiantou? Eu não me importo, na época senti sim uma certa tristeza, mas o plano era te matar e você não morreu, você o salvou, ele lhe salvou e no fim morreu. Você ficou deformada, você ficou viva, por que não morreu?!

Não pode ser?! Não pode ser oque estou pensando.

__você é doente. Matou pessoas inocentes apenas pra que eu morresse. Me matasse sozinho, você sempre teve mais força que eu. E salvei ele sim, faria isso quantas vezes fosse necessário, abriria cada ferida minha pra curar a dele, sabe por que Talon? Por que eu o amo!

__e onde o seu amor te levou?! A ficar de camarote vendo ele viver, ele sendo feliz e amando outra e não você. Como foi estar na igreja o vendo fazer juras, o vendo dizer que amaria até que a morte os separe outra? Como foi ver tudo e saber que você nunca seria ela. Você amou, e não recebeu nada em troca. Ele te odeia hoje, não te suporta e trata você como um lixo, qual a sensação de o ter perto e ser desprezada Bea?__Talon zombava ácido.

Não pode ser, como fui tão burro em não perceber isso?!

Bea é Beatrice. A garota que me salvou anos atrás é a parceira que tenho hoje.

A garota que namorava naquela época, é a mesma que odeio seu jeito.

Por que ela não me disse, ela sabia. Se apagava lembranças ela sabia, por que não me disse. Talvez fosse um pouco diferente as coisas.

Fogo e fogo no orfanato! Três de nós saímos de lá, vida que seguia. Dois de nós passam a se amar, pura fantasia. Um de nós teve que morrer. Outro influência a esperança no oculto.

Era a gente, ela voltou no dia do incêndio, suas correntes são negras pelos sofrimentos.

Apenas nós 3 sobrevivemos, mas ao mundo só eu sobrevivi. Eu e ela tivemos uma história de amor que foi encerrada pelo incêndio, eu morri e voltei graças a ela, Talon influenciou tudo no oculto, desde a infância.

O porão e as palavras dele, ele não aceitaria. A silhueta que empurrou uma pilastra que mataria Beatrice, foi ele.

Por que Beatrice não demostra as cicatrizes daquele incêndio, eu vi como ficou o rosto deformado dela. Agora o rosto embaçado da garota tomou forma, e era ela!

Onde minha vida fugiu do meu controle?!

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