Nova vida

— DEKU, ADIVINHA!!

— NÃO, ZAZA! ADIVINHA VOCÊ O QUE ACONTECEU!

— VAMOS FALAR JUNTOS, ENTÃO!!

Respiraram bem fundo, animados:

— ME ACEITARAM NO ACAMPAMENTO!! TE ACEITARAM, TAMBÉM!!? — gritaram em sincronia, histéricos — NÓS VAMOS SER CAVALEIROS!! AAAAAAAAAH!!

Abraçaram-se, pulando em plena queda de neve. Era 22 de Dezembro, e acabaram de receber as cartas com as respostas do acampamento.

Estavam transpirando purpurina de felicidade. O Natal e o ano novo nunca foram tão felizes!

     Em um piscar de olhos, estavam colocando o essencial numa pequena e simples carroça. Os pais de ambos ajudavam a carregar os pertences, um aperto no peito. Eles sabiam que, se os filhos desejavam ser cavaleiros, teriam de ficar longe. O acampamento ficava há uma semana de distância.

     Não levariam muita coisa. A maioria de suas roupas (que não eram muitas), seus principais equipamentos de treino, alguns livros e suprimentos suficientes para a viagem. E ... ah, por que despedidas são tão dolorosas?

— Mandem cartas-pombo. — pediu Inko, apertando mais o filho em seus braços.

— Mandaremos, Mamãe. — respondeu, manhoso, segurando o choro.

— E não deixem de dormir p'ra treinar! — acrescentou o negro, fazendo cafuné na sua pequena.

— Gente, desse jeito a gente torna a coisa mais dolorosa ... — riu-se a morena, mesmo não achando nada engraçado.

— ... Só mais um abraço! — pediu a mulher Yoshiaki mais velha.

Após quinze longos minutos de carinho, lágrimas e promessas de retorno, a dupla subiu na carroça:

— Esperem! — pediu a Midoriya maior, retirando dois pequenos embrulhos de sabe-se lá onde.

— O que é isto? — questionou o rapaz, pegando ambos objetos.

— Abram apenas quando chegarem e se estabelecerem no acampamento. É um para cada um de vocês.

A dupla trocou um par de olhares, assentindo. Fizeram o cavalo começar a andar, acenando com as mãos em despedida. A esverdeada não parava de chorar, sendo amparada pelos amigos.

— Eles vão ficar bem, Inko. — garantiu a maior.

— Eu sei, Naomi. — balbuciou, vendo a carroça já bem distante — Mas eu ' com medo ... porquê eu já perdi o meu marido ... e não quero perder o Izuku, também ...

— Não vai! — garantiu o único homem presente, firme — O seu filho é forte ... MUITO mais forte do que, sequer, ACHA que é!

     Com os jovens, o silêncio reinava:

— ... Nós vamos voltar mesmo, né? — perguntou, temeroso.

— ... Eu vou ser sincera. Tem uma considerável chance de não voltarmos mais ... — forçou um sorriso — ... Mas nós vamos, porque somos fortes! Treinamos desde os dez anos, sofremos preconceito, você sobreviveu de duas tentativas de suicidio ... — sentou-se mais próxima à ele — Deku, o All Might te deu o dom dele! Percebe a confiança que depositou em você? Isso tudo porquê ele notou o que eu SEMPRE soube!

— ... E o que isso seria?

Não evitou rir. Seu arbusto era adoravelmente lerdo e ignorante.

— Você tem um senso de justiça enorme, Izuku. — começou, pegando-o de surpresa — É honesto. Gentil. Altruista. Bondoso. Inteligente. Doaria a sua vida para salvar outras. — fez um rápido cafuné na cabeleira esverdeada — Você é quase o ideal de cavaleiro em forma dum arbusto sardento!

Um sorriso tímido formou-se nos lábios do rapaz, junto ao vermelho vivo que coloriu-o até as orelhas. Não era sempre que Luisa elogiava-o tão intensamente, mas fazia bem para o ego e autoestima de qualquer um.

A morena voltou com a sensação de que alguém os observava. Só não sabia que era realmente
verdade, e pela mesma pessoa. Muito menos imaginava o jeito que encarava a moça.

Descartando o fato anterior, a ida foi incrível. O prazo para a chegada ainda estava meio distante, então paravam e nadavam um pouco em uma ou outra cachoeira antes de seguir viagem. Passaram numa vila no meio do caminho, apenas para conhecer um pouquinho. Riram, brincaram, se divertiram. Sinceramente, sentiam-se como crianças novamente. Só os dois contra o mundo.

     Avistaram, final e novamente, os majestosos muros que cercavam o acampamento. Guardas com armaduras lustrosas e com a faixa oficial do UA vigiavam por cima dos muros. Após apresentarem suas cartas e identidades, abriram-lhes os portões.

     Um guarda qualquer indicou a ala das cabaninhas do primeiro ano e o número das mesmas.

— Eu sou da 14. — disse a morena, sorridente.

— ... Sete ... — balançou o papelzinho com muito desânimo.

— ... Acho que não deixariam homens e mulheres dividirem um espaço tão íntimo ... — deduziu, o sorriso murchando um pouco — ... Mas ... a gente ainda pode se ver nas aulas e recreios!

— ... Zaza, quantos anos você tem p'ra falar "recreio"?

— Eu chamo do jeito que eu quiser! — cruzou os braços, fazendo um biquinho fofo — Se eu quiser chamar de ASTOLFO, EU CHAMO!!

     O esverdeado riu, e não foi pouco.

     Ambos pegaram suas coisas na carroça e foram para suas cabaninhas. Eram consideravelmente grandes. Abrigavam duas pessoas adultas muito bem. Uma cama em cada extremidade, um pequeno armário de madeira e um criado-mudo. Um pequeníssimo banheiro. A morena intrigou-se ao ver que o lado esquerdo já estava ocupado. Sua companheira já havia chegado?

— Colega nova? — perguntou uma voz, fazendo-a pular de susto — Desculpa! Não quis assustar ...

     Cabelos longos e ruivos puxados para o laranja, presos num rabo-de-cavalo meio solto. Olhos verdes acinzentados. Movia-se com precisão, como se calculasse minuciosamente suas ações para derrota-la o mais rápido possível.

— Não, tudo bem! — deu-lhe um de seus melhores sorrisos — Prazer, Luisa Yoshiaki.

— Itsuka Kendo! Quer ajuda com as suas coisas?

— Ah, não precisa! — respondeu, colocando a malinha em cima da cama livre — É pouca coisa, não se incomode.

— Ok. — sentou-se sobre a própria cama, pegando um livro do criado-mudo — Se precisar, me fale.

     Instalou-se nuns quinze minutos – ou menos. Conversavam amigavelmente enquanto isso. Tinham pontos em comum. Além de Pinky (Mina Ashido), não tinha nenhuma amizade feminina. E era bom variar um pouquinho.

     Com o esverdeado ...

— VOCÊ!!

— VOCÊÊÊÊÊÊ! — repetiu, morrendo de medo do poste humano à sua frente.

— Eu sou Ten-ya Iida, da cidade de São Paulo!

— Eh ... I-i-zu-ku M-mi-dori-ya ... de Aurora ...

— Nunca ouvi falar.

— Ninguém nunca ouve ... — sussurrou para si, mesmo que o outro tenha ouvido.

— Perdão pelo meu comportamento para com você e a sua namorada! — pediu, fazendo movimentos robóticos repetitivos e confusos — Vocês são realmente capazes para estarem neste acampamento!

— ... A Zaza não é a minha namorada, e sim minha melhor amiga!

— Oh, perdão novamente!

     É, poderia ser pior.

     Ambos os amigos se encontraram no meio da área das cabanas. Itsuka acompanhava a moça, pois não queria ficar sozinha.

— O seu colega de cabana é "convivível"? — perguntou a morena, rindo levemente.

— É aquele que deu bronca na gente no exame. — revelou — Ele é legal, tirando a parte de que é excessivamente organizado e segue as regras religiosamente.

— Oh ... — a ruiva assobiou em surpresa — Eu sou legal, né?

— É, sim! — seus olhos verde-grama brilharam — E o primeiro dia vai ser incrível! SENSACIONAL!!

     Abriu consideravelmente a boca, sendo interrompida pelo rapaz antes mesmo de começar:

— Nada disso! — ela bufou, chateada — Eu te proíbo!

— De qualquer jeito ... estes serão os melhores anos das nossas vidas! — ergueu o punho, decidida — PLUS ULTRA, MEU POVO!

— ... Você é animada, assim ... o tempo todo?

— Bem vinda à minha vida. — ironizou o único homem presente.

— Mas ela é simpática ... não fala assim da sua namorada ...

      O sorriso de ambos morreu.

— Não somos um casal. — corrigiu, desanimado.

— Mas não precisa pedir desculpas. — acrescentou, vendo que a colega iria se desculpar — Se eu ganhasse um centavo a cada vez que falam isso p'ra gente, eu seria a imperatriz do reino.

     Voltaram para as cabanas. Foi então que lembraram do embrulho que Inko lhes dera. Abriram delicadamente, desdobrando delicadamente cada um sua peça em sua respectiva cama da cabana. Agasalhos, ambos com a frase "PLUS ULTRA" em letras recortadas e costuradas à mão. O que mudava de uma para a outra eram os nomes logo abaixo.

     "Deku" para Midoriya e "Roupe" para Yoshiaki. Eram os nomes de cavaleiro que escolheram quando crianças. Isto provava para os dois que tinham apoio, e que suas vidas mudariam drasticamente.

     Só não desconfiavam de alguns contratempos e "aventuras" nada ou pouco relacionadas com cavaleirismo e o acampamento.

.

.

.

.

.

.

.

.

Notas da autora: EBAAAAAA!! AGORA VAI COMEÇAR AS TREEEEEEEETA DE VERDADEEEEEE!!

Beijos e roteiros, pessoal!! 😘

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top