Capítulo 6
A noite da declaração do rei foi longa e exaustiva, muitas pessoas viraram a noite, indignadas na porta do castelo. Fora uma noite infernal e que finalmente chegara ao fim.
Eleanor naquela manhã, acordou bem mais cedo do que costumava, para buscar mais flores para vender na banca.
Passou pelo enorme portão de ferro e cumprimentou os soldados, que ali já estavam, espalhando sua doçura matinal, Atitude não muito comum entre os moradores do vilarejo, que acordavam amargurados e irritados.
Foi até o monte que enchia seus olhos e sentou-se na grama baixa, assistindo ao sol nascer. Depois, encheu os pulmões de ar e apressou-se para encher sua cesta de palha, com flores coloridas e cheirosas.
Passou também, na cozinha de sua casa para retirar do forno, os biscoitos que Cida havia produzido com muito carinho na noite anterior.
O cheiro dos biscoitos era inconfundível. Todas as Terças-Feiras, ás 5h35 da manhã o cheirinho se alastrava por toda praça central. A essência demasiada de Baunilha e de Cacau que pairava no ar, abriam o apetite, e pareciam aquecer o coração de quem sentia.
E essa sensação se ampliava quando Eleanor começava a passar o café, a fragrância cafeinada que a ruiva tanto gostava. Fazia questão de expirar bem fundo a fumacinha gostosa que a abafava sob seu rosto, antes de dar um gole e uma mordida na refeição mais cobiçada dos aldeões.
Depois de tomar seu café da manhã, Eleanor saiu e encontrou Cassandra, já montando a barraca que as duas trabalhavam:
— Olha o que temos aqui... Cassandra a mais trabalhadora de Montesburgo — Eleanor sorriu e abraçou a amiga
— Só cheguei cedo para Poderes convidar-me para o café, Afinal, é terça-feira — Cassandra respondeu sorrindo e apertando os ombros de Eleanor, a afastando um pouco, pois não gostava tanto de abraços demorados.
— Então, entra, é a tua casa!! Deixei-te uns biscoitos na mesa — Ela sorriu e Cassandra o fez. Entrou em casa para tomar seu café, e enquanto isso, a feira ganhava movimento.
Neste dia, não apenas frutas, verduras, legumes e alguns artesanatos tomavam a feira. Três músicos, carregando respectivamente: uma flauta doce, um saltério e um tamboril davam vida a trilha sonora do reino.
Eleanor vendia velozmente os elementos da sua bancada, e a essa altura, sem perceber, Cassandra também já tinha voltado do seu café para ajudar nas vendas.
Depois que conseguiram um tempo para relaxar, Isto é, o fluxo de compradores havia diminuído, perceberam um detalhe. Ou melhor, Cassandra percebeu, pois Eleanor permanecia centrada na contagem de moedas de ouro:
— Eleanor, ainda não vendeste sequer jarro de biscoitos — Cassandra disse observando, Intrigada.
— Pois é...
Cassandra cerrou os olhos, arqueou uma de suas sobrancelhas, e quase que instantaneamente, Eleanor reagiu:
— Espera um minuto, o quê?
A morena cruzou os braços e balançou a cabeça. Enquanto isso, Eleanor contava e recontava os jarros. Não podia acreditar que não tinha vendido nenhum. Os aldeões lutavam para comprar os biscoitos quase que diariamente e passava-se das 10h e ninguém havia comprado?
— Não entendo porque isto está a acontecer! — Eleanor coçou a cabeça e uma senhora que escolhia algumas maçãs retrucou:
— Devias revisar o preço deles, todos achamos que passa do valor!
— Este foi sempre o preço, e ninguém nunca se queixou!
— Pois agora que o homem ali abaixo concorre, devias ficar atenta, mesmo porque és tão bom quanto o teu! — A mulher pagou pelas maçãs e saiu. Eleanor encarou a amiga com cara de ponto de interrogação e Cassandra completou:
— Claro que vou descobrir contigo! — As duas pediram para o vendedor do lado ficar de olho na banca delas e desceram até o local que a senhora havia relatado.
Chegando lá, se depararam com o homem que no dia anterior havia comprado todos os jarros de biscoito de Eleanor, revendendo-os por metade do preço que a ruiva cobrava.
— Ora, seu..... — Eleanor segurou a barra do seu vestido e saiu pisando duro até o homem, que chegando lá foi cortejada:
— Se não é a bela moça que vendeste-me os jarros! E não é que o destino nos selou outra vez? — Ele sorriu enquanto empacotava mais um jarro para um cliente.
— És um trapaceiro! Não pode fazer isto! Eu é que fiz estes biscoitos! — Disse na esperança que o homem se redimisse.
— Então somos dois trapaceiros, pois Quem fez estes biscoitos foi vossa tia!
— Não mudes de assunto!!! Não podes vender minha receita de família!
—E o que farás? — Disse ele desafiador, com um sorriso malicioso nos lábios.
—POSSO PARTIR-TE A CARA AGORA MESMO — Disse Eleanor prestes a pular a bancada e ir de encontro ao homem, mas Cassandra a segurou pelo braço e indagou:
— Eleanor não vale o ódio, vamos!
— CASSANdra, espera!!
— Tem um nome sensual Eleanor, prazer, Sou Francis — Disse o homem sorridente
—Que a minha pobre e doce mãe perdoe tal barbaridade — Disse Eleanor de olhos fechados — Mas este homem não merece ter em mãos a receita dos VILLANUEVA — Eleanor jogou todos os potes de biscoitos que restavam, no chão e pisoteou
—Agora, senhor Francis, cozinhe tu mesmo, já que sabes toda receita dos biscoitos! Tenha uma boa tarde! — Ela se afastou segurando seu vestido, enquanto o homem surpreso, observava e Cassandra, segurava o riso, a seguindo.
—Você é maluca Eleanor — A amiga disse rindo.
—Foi ele quem começou — Ela sorriu e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
—Bom, depois disso, creio que queres ir para casa descansar, certo?
—Errado! Terminarei de vender todos os jarros e assim poderei descansar — Ela sorriu e começou a anunciar os jarros, que quase instantaneamente fez os aldeões brigarem entre si, como de costume
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