Capítulo 10

  A luz do luar muitas vezes encantava as pessoas mais esperançosas, e preenchia um coração sonhador com confiança. Mas naquela noite, a claridade que a lua transmitia não tinha das melhores energias. Erradiava sua frieza e palidez sobre aquela gente angustiada, quase que complementando a frieza de seus corações.

  Lancellot, já não conseguia sustentar o próprio corpo, e por isso relaxou os músculos, distribuindo todo seu peso sobre as duas garotas, já manchadas com seu sangue e lutando contra o peso. Chegaram na casa de Caasandra e levaram o homem para um quarto. O deitaram e Eleanor, de imediato rasgou sua camisa, vendo a ferida:

— Tente cuidar disso agora, Vou atrás do meu tinho e prometo voltar assim que puder — Eleanor deu um beijo no rosto de Cassandra e saiu apressada sem ao menos esperar a resposta da amiga. Pegou o arco que carregava das costas, e segurou em mãos, prevenindo qualquer ataque. Depois de correr por alguns poucos minutos, encontrou seu tio, tirando a espada do peito de um homem

— TINHOOOOO — Ela correu em sua direção e segurou sua mão

— Eleanor? O que fazes aqui? — Ele rapidamente beijou sua testa e segurou seu rosto, olhando ao redor —  Precisa ir embora mirra!

— Não sem você... Enquanto não voltares para casa, também não voltarei — Ela manteve a postura firme e o encarou. O tio, para tirar a garota de toda aquela confusão, segurou sua mão e ambos começaram a correr em direção a casa.

  A essa altura, a guarda real já chegara e estava a destruir tudo e todos que vinham pela frente. O fluxo de pessoas nas ruas tinha diminuído, mas o número de corpos, aumentara drasticamente, era quase impossível andar, sem tropeçar em um corpo caído.

  Quando chegaram em casa, Eleanor recuperou o fôlego, enquanto Cida corria ao encontro do marido o abraçando com certo desespero

— Nunca mais faça isso de novo, me ouviu? — ela lhe deu um tapa no rosto e lutava para não chorar. Alírio sorriu e a abraçou de novo, fazendo Eleanor também sorrir com a situação.

— Se me dão licença, preciso ir para meu quarto, dormir, estou extremamente devastada — A ruiva sorriu e seus tios lhe deram passagem, a mesma se apressou, fez uma cama de travesseiros e novamente saiu pela janela.

  Caminhou por um tempo e entrou na casa, trancando a porta e colocando o arco e flecha no chão:

— Cheguei... Cass...
— VEM LOGO ELEANOR

  A ruiva correu para o quarto e percebeu que Lancellot estava um pouco mais corado, mesmo suado, sujo e ofegante

— Consegui estancar o sangue e desinfectar a ferida, ele vai estar bem logo — Eleanor sorriu e agradeceu a amiga:

— Como tu tornaste tão boa em enfermagem?

— Para realizar meu sonho de ser da guarda, não vale saber apenas lutar não é?  — Cassandra deu um sorriso e apertou os ombros de Eleanor, limpando suas mãos e abandonado a quarto, o deixando a sós com Lancellot.

  Ela o encarou por alguns instantes. Era um homem bonito, e parecia bem valente. Sentou-se ao seu lado e limpou as gotas de suor com um pano úmido. Depois se levantou e enquanto guardava alguns utensílios, Lancellot tossiu e abriu os olhos devagar:

— Oi... Se sente melhor? — Eleanor o encarou preocupada. O mesmo balançou a cabeça positivamente e apertou os olhos.

— M-muito obrigada, por sa-salvar minha vi-da.... — Lancellot a encarou e tentou pegar sua mão, parecia juntar todas as suas forças até mesmo para respirar. Eleanor deu um sorriso breve e o cobriu novamente.

— Tente descansar. Estarei aqui fora se precisar — Acendeu uma vela na cômoda do seu lado, e apagou a luz encostando a porta do quarto. A mesma percebeu que Cassandra tinha arrumado uma cama para ela no chão da sala, a mesma sorriu, agradeceu a amiga e depois de um banho extremamente rápido para tirar o sangue e suor do corpo, deitou-se na cama improvisada e adormeceu.

❁↤↤↤❁↤↤↤❁↤↤↤↤❁

  O rei Sebastian, passou a noite em claro, recebendo notícias da guerra, dos avanços da guarda, e tentando encontrar uma solução para todo problema, já Virgínia teve uma ótima noite de sono, os gritos do lado de fora pareciam funcionar como canção de ninar para ela. A mesma ao despertar, pegou um livro da sua estante, enquanto aguardava o café da manhã que Trisha lhe traria.

  Depois de alguns instantes, a bandeja de ferro, recheada com frutas vermelhas, suco de laranja, pão, bolachas e figo, chegara até sua cama. A princesa enquanto devorava seu café da manhã, ordenou que chamassem o rei para seus aposentos, que depois de alguns minutos, apareceu em seu quarto. Os criados os deixaram as sós e Virgínia indagou:

— Alguma novidade em relação a solução para a noite anterior?

— Não, tudo que sabemos é que quase dois terços da população está morta - Sebastian disse com pesar

— De se esperar...  — Virgínia disse enquanto mordia devagar um morango — Sinto muito ouvir isso, mas eu tenho uma ideia

— E qual seria?

— Uma expedição

— O que? Está maluca? Expedição? Não temos nem renda para matar a fome do povo...

— E também não temos outra opção Sebastian — Ela disse friamente enquanto tomava seu suco — Sinto em te dizer, mas essa é a única saída, e apostarei tudo que for preciso na minha idéia, você querendo ou não.

—  Não pode desafiar sua majestade, nada pode acontecer sem meu apoio—  O pai disse indignado, a fitando

— Ah Papai, mas você vai apoiar... — Ela sorriu limpando os dentes - Ou você quer que saibam sobre Vincent? — Ela sorriu e o rei arregalou os olhos , a mesma caminhou até ele e passou a unha na sua bochecha

— Dois barcos... Partindo do cais depois de amanhã, às 8h30 da manhã—  Sorriu e beijou sua bochecha saindo do quarto

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top