𝖈𝖆𝖕𝖎́𝖙𝖚𝖑𝖔 𝖈𝖎𝖓𝖈𝖔 - are we going to fly?

Já estamos a um tempo aqui.
Confesso que é melhor do que eu esperava. O ambiente é um pouco escuro, luzes vermelhas iluminam o que conseguem.
É espaçoso, tem um bar, mesas e uma pista de dança que creio ser a parte mais importante já que a maioria das pessoas estão amontoadas lá.

Estou sentada em um dos bancos do bar, já andei todo o lugar, falei com pessoas e quase fiz amigas mas acho que posso ter xingado algumas. Dancei e bebi alguns copos de uma bebida que Azriel conferia para mim.

Falando no encantador não consegui levá-lo para nenhuma de minhas pequenas aventuras aqui dentro. Nem para dançar, mas ainda tenho fé.

Reparei nos comentários que eram relacionados a ele. Todos, eu disse - TODOS - tinham algum contexto erótico.
Isso me deixou desconfortável, e me senti culpada por talvez ele esteja aqui, sofrendo assédio por minha causa, por que eu quis vir.

Vi que quanto mais íntima pareço dele mais as pessoas se afastam, não estou exagerando mas sentar ao seu lado já me parece um grande feito.

— Você quer ir embora. - constato, em voz alta. A música não está tão alta, a conversa pode ser ouvida normalmente.

Ele me estuda por alguns segundos.

Você, quer ir embora? - ele dá ênfase no "você", nao respondendo minha pergunta que não foi uma pergunta.

— Não se trata de mim sempre, sabe? Somos amigos, me preocupo com você.

— Somos amigos? - as respostas são tão automáticas que sinto como se fosse alguém em seu lugar, já que é um desperdício gastar frases construtivas comigo.

Isso me deixa com raiva.

— Somos, eu ordenei isso e não tem discussão. Mas por que você não fala comigo?

— Eu falo com você, estou fazendo isso agora.

— Você entendeu o que eu quis dizer!

— Não é sobre você, isso é... - ele solta um suspiro e passa a mão nos cabelos lisos. — Tentar... Dói, insistir dói,  doeu durante muitos anos e não quero isso de novo.

É a primeira vez que demonstra os sentimentos, mesmo com palavras que não sei o que significam.
Mesmo que eu não entenda eu sinto sua dor.
O quê fez isso com ele? O quê causou tal trauma? Como eu posso resolver isso?

— Acho que está na hora de irmos. - ele continua. A voz baixa.

— Também acho. - concordo.

Assim que eu me levanto ele segura meu braço e atravessa. Em um segundo estamos na minha pousada.

Minha boca está aberta em total choque.

- O quê? - me solto de sua mão para poder ficar de frente com ele. — Você consegue atravessar? Nossa isso é tão legal, tipo a gente atravessou de verdade! - estou falando rápido demais.

Seus olhos demonstram diversão mas ele não sorri.

— Volto amanhã para buscá-la, iremos almoçar com os outros, eles querem lhe conhecer. - ele caminha em direção a porta. — E se ficou assim por causa da travessia imagine quando voar.

— A gente vai VOAR? - meus olhos se arregalam.

Pode ter sido fruto da minha imaginação, mas acho que vi Azriel sorrir.

— Durma bem Bryanna. - diz saindo pela porta.

Ai meu caldeirão.

✦✧✧ X ✧✧✦

— Bom dia! - as gêmeas aspectro dizem em forma de cumprimento.

Me remexo na cama, afastando os lençóis para olhá-las.

- O que fazem aqui? - minha voz sai rouca.

Nossa Bryanna você sempre está usando a educação que lhe foi dada, não é? - me repreendo.

— Desculpe - me sento. — Bom dia.

— Não tem problema. Viemos lhe ajudar.

— Ajudar? Com o quê?

— Bom você vai ficar na Casa do Vento agora então...

— Ah sim - me lembro do acordo. - Tudo bem.

— Vamos preparar seu banho. - uma vai para o banheiro já Nuala mexe na minha bolsa.

— Cuidado. - aviso - pode ter coisas que machucam.

Ela me lança um olhar curioso e assente.

Com a cabeça de volta nos travesseiros lembro me de ontem, eu seria contraditório se dissesse que eu poderia aceitar a parceria?
Eu não sei, só... Já estive com outros homens, tenho experiências em corações quebrados.

Ontem me toquei que julguei errado Azriel, generalizei sem nem tentar conhecê-lo.

Na verdade não o conheço, sei coisas básicas, rasas.
Mas estou considerando tentar, não vou dar esperanças, mas quero mesmo tentar. Talvez possamos ser amigos.

A ideia ainda ronda minha mente. Vou deixá-la para outro momento já que Cerridwen me chama para o banheiro.
Depois de limpa e com minhas coisas arrumadas, fomos em direção a essa tal casa.

Paro na calçada e olho para cima.

— Que o caldeirão me ajude. - rezo.

Muitos degraus, muitos mesmo. A escadaria é enorme e meu pescoço dói ao olhar muito tempo para a imensa estrutura no topo, quase tocando as nuvens.

— Foi por isso que me trouxeram de manhã não é? - começamos a subir. — Até chegar lá em cima já está na hora do almoço.

Elas soltam uma pequena risada.
Devíamos estar no centésimo degrau quando começo:

—  Alguma idéia de quem estará lá?

— Cassian e Nestha moram lá, Elain também. Você verá os Grão Senhores e Amren, mas eles tem suas próprias casas. Lucien aparece as vezes mas não é sempre.

— Quem é Lucien?

— O parceiro de Elain. Ela ainda não aceitou a parceria. Foi um processo difícil para ela... O objetivo da maioria no momento é a própria saúde mental.

— Entendi. - realmente entendo, precisei fazer isso algumas vezes.

Mais algumas centenas de degraus depois elas voltam a falar:

— Está muito cansada? - Cerridwen tem um tom de preocupação na voz.

Levanto o olhar. Por que diabos elas estão perfeitamente estáveis?

— Só um pouco... - puxo o ar com dificuldade. — consigo continuar...

— Perdoe a demora. Tive emergências.

A voz não é das gêmeas, sequer é feminina.
Não, é uma grave, rouca e baixa que conheço bem.

— Obrigada, podem ir. - ele se despede das gêmeas, não tenho tempo de fazer o mesmo, elas já se foram.

— Ei. - cumprimento com um sorriso.

— Acho que está na hora de voar pela primeira vez, não acha?

— Se eu cair, te depeno com minha mãos. - ameaço.

Ele cruza os braços.

— Está brincalhona hoje. - debocha.

— Você sabe muito pouco sobre mim, espião.

— Não demorarei muito para descobrir. - ele estende a mão. Está usando luvas... Estranho.

Fico relutante, olhar para o tanto de degraus da escadaria que ainda faltam me dá o impulso necessário e a coragem.

Ele segura minhas costas firmemente. E depois minhas pernas. Estou parecendo um bebê sendo carregado.
Mas quando suas asas aparecem e se abrem dando impulso para o céu, sinto uma mistura de pior e melhor sensação do mundo. Arfo em surpresa.

Nunca voei, nunca vi os lugares e cima, mas é libertador, pensei que sentiria medo, porém não. E nesse momento desejo ter asas.

O increditavelmente agradável passeio aéreo não dura muito, já consigo ver a casa claramente.
Uma pontada de decepção passa pelo meu corpo ao tocar o chão. Não deixo transparecer.

— Acredito que ainda não tenha tomado café, venha. - ele diz as sombras girando em seu rosto.

Dou uma leve olhada no local, onde eu estou parece ser a varanda. Entro no local, seguindo Azriel. Não tem ninguém por enquanto além de nós. Ele passa pela lateral da onde suponho ser a sala e adentra a cozinha.

— Onde estão os outros? - pergunto.

— Virão depois. - ele remexe em algo, pelo barulho a louça. me apoio no balcão.

— Aqui é bem legal. Você mora aqui?

Ele se vira para me olhar.

— Tenho uma casa na cidade. Mas passo a maior parte do tempo aqui.

Isso é interessante.

— Sente-se, por favor.

Em um estalar de dedos as sombras colocaram várias comidas na mesa de jantar.
Nos sentamos e decido ir direto ao ponto.

— Eu quero conhecê-lo. - Indago.— você é tão você, que cada segundo fico mais interessada em saber sobre.
- Ele me encara, curioso.

— Essa será minha cláusula do acordo. Você me mostra as maravilhas de Velaris e eu conhecerei o Azriel sem filtros. - continuo.- Fechado?

— Por quê? - ele questiona, seu olhar está fixo em mim e isto está me deixando nervosa.

— Como eu disse, hum, você me deixou curiosa. -digo.

Depois de um longo e demorado minuto, seus lábios subiram apenas alguns centímetros para a esquerda.

— Fechado, mais uma vez.

— Olha que a diferença foi imediata, fez uma gracinha e quase sorriu, estou sentindo que isso será divertido. - brinco.

— Já reparou o quão injusto é? Eu não sei nada sobre você. - ele pega um pedaço de bolo e coloca em um prato, estendendo para mim.

— Bom ponto. - pego e agradeço. — Então pergunte o que quiser.

— Posso perguntar qualquer coisa? - ele leva a xícara a boca.

— Vá em frente. - com um garfo coloco um pedaço de bolo na boca, gemo com o gosto maravilhoso.

Azriel fica tenso, e se mexe na cadeira, limpando a garganta.

Devo ter feito algo errado, não me preocupo com isso, deve ser coisa da minha cabeça.




























SURPRISE

Eu particularmente adorei escrever esse e o próximo cap espero que gostem.

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Amo vcs babies💜 see ya!

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