༆ XXVIII
Wattpad tentou me tombar, mas esqueceu que eu sou serpente alada 🤪
viva capítulo novo IRRUUUUUUU
veio aí galera
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Encontrei minha mãe no mesmo lugar onde estávamos conversando antes. Ela não se virou para me olhar, no entanto. Me sentei ao seu lado e observei o céu estrelado. Estava de madrugada e quase todos já haviam ido dormir, até Shelly já estava instalada em um quarto que eu ocuparia essa noite.
Alaya e eu éramos de fato parecidas demais. Os cabelos como brasas no inverno. A pele clara como neve e as pequenas sardas salpicadas pelo nariz e bochechas. Longos cílios grossos emoldurando dois pares de olhos azuis como o oceano, com a diferença mínima do dourado nos meus. Sua postura impecável mesmo exibindo o rosto cansada e frágil. O que me incomodava era que mesmo parecendo tão frágil, estava muito melhor do que estava na corte Outonal.
Me senti horrível por perceber isso apenas agora. Apertei o nó do roupão de seda. Meus cabelos fizeram cócegas em minhas orelhas ao ondularem ao meu redor com o vento noturno. As estrelas brilhavam timidamente.
— Helion adora você. — Me assustei ao ouvir a voz da senhora ao meu lado. Me endireitei sentindo a tensão se acumular em meus ombros.
— Sou sua filha, não é poderia esperar outra coisa. — Respondi simples e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. Minha mãe se virou pra mim séria.
— Não tem nada a ver com isso. Helion já chegou a odiar boa parte dos meus filhos. Não tem nada a ver comigo. — Engoli em seco sob seu olhar avaliativo.
— Fui a única a tentar me aproximar, mesmo sem saber. — Digo. Então me recordo da pergunta que passei uma parte da tarde me fazendo. — Tem chances do Helion ser pai dos meninos? — Não me incluí, afinal eles terminaram quando minha mãe estava grávida de Lucien.
— Sim, digo tem sim. — Percebi suas bochechas corando e que estava constrangida. — Durante séculos dividi a cama com os dois, Beron e Helion. Não me orgulho disso, mas é verdade.
— Não tem razão para se envergonhar por isso, Beron era um miserável. Se você tivesse lhe matado eu teria te defendido, nem que Eris me matasse por isso. — Fui sincera. Alaya balançou a cabeça e sorriu. Lembranças da fêmea me segurando no colo e brincando comigo, 118 anos atrás.
— Eris não te mataria por me defender. — Disse, parecendo de repente retraída. — Meu filho errou muito na vida e precisa aprender sozinho a se resolver. Beron envenenou meus filhos e isso foi a pior punição que ele poderia me infligir. — Senti vontade de me encolher ao ouvir suas palavras. Desviei o olhar para as estrelas no céu. Me perguntei secretamente se eu estava inclusa quando ela diz "meus filhos".
— Eris precisa pagar pelos próprios erros, estou cansada de receber olhares atravessados. — Suspirei quando a mesma não disse nada. Eu odiava ser sempre desse jeito. Não pensar direito antes de deixar as coisas saírem da minha boca e acabar estragando tudo. Minha mãe estava se esforçando, eu devia isso a ela. Me surpreendi quando as palavras mais uma vez saltaram por meus lábios: — Quer ir até a cozinha roubar biscoitos? — Minha mãe me olhou de supetão e ergueu uma sobrancelha. Fiquei desconcertada e levantei. Sorri educadamente e me virei para sair. Paralisei ao ver Helion encostado nos observando. O mesmo engoliu em seco.
— Queria ver você. — Não soube exatamente para quem ele havia dito isso, já que é óbvio que ele ainda tem assuntos pendentes com minha mãe e comigo fazendo ele ficar afastado de ambas. Alaya ficou tensa ainda de costas para ele.
— Vou estar na cozinha. — Digo rápido tentando sair dali, mas antes que alcançasse as escadas Helion se colocou em minha frente e fez sinal para que eu ficasse. Gemi frustrada. — Ou não. — Murmurei voltando para o meu lugar ao lado de minha mãe. Olhei para Helion quando disse: — Me consegue um pote de biscoito? — Com um movimento de mãos ele fez o pote aparecer em minhas mãos e sorri agradecida. Duvido que ele fosse me negar algo, não quando ele está desesperado para consertar as coisas entre nós. Um silêncio desconfortável se seguiu sendo quebrado apenas pelo som das mordidas nos biscoitos. Me senti na obrigação de falar algo. — Querem biscoito?
Minha mãe assentiu quase tomando o pote de mim parecendo nervosa. Mordi os lábios para evitar um sorriso zombeteiro. Helion parecia corado? Céus, isso estava ficando estranho. Continuei encarando o macho enquanto comia. Após trocar o peso do corpo para o outro pé, Helion disse:
— Rhysand nos convidou para jantar em Velaris amanhã. — Franzi o cenho. Jantar na corte noturna com o círculo íntimo e os Grão-Senhores da Corte? Juntar meus amigos com lendas vivas? Deixar a corte sozinha durante uma noite? De jeito nenhum isso poderia ser uma boa ideia.
— Não podemos. — Respondi simples. Minha mãe me olhou, mas não disse nada pegando mais um biscoito. — Os ataques não tem uma ordem, são imprevisíveis. Se sairmos a corte pode ser atacada e até chegar até nós provavelmente iremos perder um número de soldados que não podemos. Já perdemos soldados da Estival, Invernal e Crepuscular, não temos o luxo de arriscar. — Helion sabe que eu estou certa. Fui em seu escritório mais cedo e vi os número nos papéis, vai ser um massacre se não tivermos nenhuma vantagem sobre eles, e não temos. Ainda.
— Está certa, mas já aceitei. — Disse dando de ombros. Respirei fundo para não jogá-lo do parapeito da torre. Contei até três de olhos fechados para acalmar a onda de raiva que me subiu.
— Velho burro. — Resmunguei. — Se não queria minha opinião porque falou?
— Por que foi antes de você voltar e eu precisava dar um jeito de tirar Fellius da sala de treinamento, Renard da biblioteca, Darren do quarto e Ystria da adega. — Respondeu impassível. Pisquei surpresa com a revelação. Não imaginei que eles tivessem se afastado durante minha estada fora.
— Ystria? — Minha mãe perguntou, um pouco surpresa. Lhe olhei confusa.
— Sim, a fêmea com cabelos castanhos e mechas cinzas, olhos cor de mel. Humor afiado e mau humorada. — Descrevi a fêmea irritadiça que me treinava e me fazia ler.
— Ah, sim. — Murmurou voltando a ficar séria. Troquei um olhar com Helion como se ele também tivesse percebido a estranheza. Silêncio recaiu sobre nós novamente.
— O que viu no Helion? — Perguntei do nada. Minha mãe se virou rapidamente para mim, a boca abrindo e fechando sem emitir som. Parecia muito um peixe. Helion estava tão imóvel quanto uma estátua. Contive um sorriso.— Pela sua cara acho que não foi coisa boa.
— Mas olha... — Helion disse me olhando. Sustentei o olhar. Minha mãe limpou a garganta e isso atraiu a atenção do macho. Fiz uma dancinha com as mãos comemorando a vitória.
— O laço de parceria se encaixou. — Fiz uma careta ao ouvir. Era só isso? Então quando conhecemos nosso parceiro, o laço encaixa e só? Não vai ter paixão ou seja lá que merda sentimos quando amamos alguém nesse sentido?
— Espera aí, não foi só isso. — Helion se defendeu e eu franzi o cenho. Eles iriam discutir? Aí minha nossa. Enfiei mais um biscoito na boca.
— Ok, ele era bonito e galanteador. Conseguiu me fazer rir e foi atencioso. — Minha mãe parecia que iria corar. Meus olhos se arregalaram. Em toda minha vida nunca havia visto ela corada ou algo parecido. Ergui ambas as sobrancelhas surpresa. — E tinha belas pernas. — Engasguei com o biscoito assim que entendi sua fala.
— É o quê? — Minha voz saiu estridente e pude jurar que um pedaço de biscoito voou para fora da minha boca.
— Alyn, não acho que você queira saber os detalhes. — Helion disse, sorrindo malicioso. Fiz uma careta horrorizada. Céus, eu não queria mesmo saber sobre as coisas que eles fizeram na cama que envolviam as pernas de Helion.
— Pelo amor da Mãe, eu sou uma criança!
— Helion é um idiota, não quis dizer nada nesse sentido, querida. — Minha mãe disse segurando minha mão e afagando carinhosamente. Helion protestou ao insulto e eu lhe mostrei a língua.
— Porco. — Minha mãe sorriu quando xinguei o Grão-Senhor. O macho revirou os olhos e fez um gesto de desdém. — Vocês realmente são parceiros? — Perguntei delicadamente. Só havia conhecido três casais com laço de parceria, sendo Urie e Nyara, Rhysand e Feyre, Kallias e Viviane. E agora, minha mãe e Helion.
— Sim. — Helion respondeu simples. Olhei para os dois com curiosidade. Lembrei da pintura de minha mãe usando a coroa de Helion. Aquela com triângulos perfeitos formando pontas, quase como o sol. Formavam um par diferente, mas combinavam. O que era estranho, dado ao fato de que eles não eram parecidos em nada, nem na personalidade.
— Se importam se eu fizer algumas perguntas? — Os dois se entre olharam, numa comunicação silenciosa entre si. Ouvi um zumbido em minha mente, o mesmo que havia ouvido minimamente durante a reunião dos Grão-Senhores. Pressionei o dedo no vinco entre as sobrancelhas e fiz pressão.
— Tudo bem? — Minha mãe afagou meu braço parecendo preocupada. Pisquei ao perceber que havia sumido. O quê...?
— A-acho que sim, eu... — As palavras morreram, o que havia sido isso? Geralmente só escuto os pensamentos de Renard que são jogados em minha direção pela ligação entre nós. — Estava ouvindo um zumbido, mas não sei de onde veio. — Eles se entreolharam novamente e o zumbido retornou. Encarei os dois, alternando o olhar entre Helion e minha mãe. Como eles estava fazendo aquilo? — Parem de fazer isso! — Resmunguei quando parou novamente. Que merda tinha nesses biscoitos?
— Como...? — Helion parecia confuso e então arregalou os olhos. — Você é daemati.
— Sim, você já disse isso uma vez. O que tem? — Uma leve dor de cabeça começava a latejar. Seja lá o que isso fosse eles tinham que parar. Minhas dores de cabeça são horríveis se misturadas ao estresse de um dia cheio como hoje.
— É possível que você escute quando parceiros se comunicam pelo laço de parceria. — Alaya explicou delicadamente. Franzi os lábios. Achei que apenas vulpes podiam se comunicar pelo laço. Mais uma vez provando que não sei nada sobre meu próprio povo. Resmunguei algo incompreensível.
— Você escuta apenas um zumbido ou... ? — O macho não completou sua pergunta, e também não foi necessário. Sabia o que ele queria saber. Enfiei mais um biscoito na boca na esperança nde distrair a dor.
— Apenas um zumbido, é irritante e doloroso. Não façam. — Propositalmente ele parece ter dito algo pelo laço. Rosnei mostrando as presas. Minha mãe fez questão de dar um tapa na cabeça do Grão-Senhor. A cabeça do macho pendeu para a frente e os cabelos caíram sobre o rosto ânguloso. Fiquei internamente satisfeita.
— Vai deixar a menina com dor de cabeça. — Avisou séria. Ela era boa lendo as pessoas, disso eu tinha certeza. Seu olhar se voltou para meu rosto e os olhos se suavizaram novamente. — Voltando para sua pergunta anterior, pode perguntar o que quiser, querida. — Sorri minimamente. Olhei para o macho que estava se recompondo e ajeitando os cabelos. A túnica branca costumeira pendendo apenas para um lado, exibindo parte do peitoral e os braços fortes.
— Então, como faço para ter um laço de parceria? — Helion ficou paralisado por um momento e minha mãe abriu e fechou a boca como um peixinho. Meu sorriso aumentou. Seria uma longa noite para eles, pois eu estava apenas começando. Como disse, nunca havia conhecido parceiros tão de perto.
Queria saber como é ter a vida e a alma dividida com outra pessoa. Será que é possível compartilhar sentimentos mesmo sem se conhecer? Como achar seu parceiro no meio de tantas pessoas? Prythian é enorme, duvido que muitos tenham essa sorte. Rhysand e Feyre não teriam se conhecido se não fosse pela maldição de Amarantha. Minha mãe e Helion não teriam se apaixonado se ele não salvasse sua vida. Será que um dia teria uma história de amor tão épica quanto?
Se bem que minha vida tem emoção suficiente para mais alguns séculos, então suspeito que amor não está nas prioridades do momento. Nem sequer sei como é estar apaixonada. Sinceramente, não me vejo como Renard e Fellius, trocando olhares silencioso e se agarrando pelos cantos. Talvez eu seja mais como meus biscoitos.
Nasci para ser comida e apreciada, talvez me adorem, me desejarão por um tempo, e depois serei substituída por uma guloseima mais saborosa. Seria o ciclo da minha vida? Pouco importava.
Contanto que eu esteja viva até o final do mês poderia perder a virgindade com meus próprios dedos e não faria diferença. A última pessoa que beijei foi minha amiga, que se ofereceu e deixou claro que foi apenas para me ajudar. E não foi como imaginei.
Sim, beijar Ystria foi bom. Mas não foi o que esperava. Onde estava as malditas borboletas no estômago que uma vez Renard me disse? Explosões dentro do peito? Nadica de nada. Apenas desejo puro e cru.
Com esses pensamentos, aluguei minha mãe e Helion por boas horas, até que o sol começasse a dar seus primeiros sinais e eu me forçasse a ficar quieta ao ver o gigante de luz se erguer no horizonte, conversando com os dois sobre amor e parceria. Depois disso, nós três decidimos ir deitar. Teríamos que levantar em pouco tempo, mas não importava.
E por alguns minutos sonhei com com os olhos dourados que a muito não apareciam para mim. Estava cada vez mais certa de que eu e o encantador de sombras temos alguma ligação, e irei descobrir qual.
[...]
— Pelo amor, se enfiar isso no meu olho mais uma vez eu arranco sua mão. — Ystria grunhiu em desagrado a mais uma tentativa de Darren de passar algo em seus olhos.
— Deixe-a em paz, a velhinha já está mau humorada hoje, não queremos que piore. — Digo simples. A fêmea de cabelos castanhos me encarou com os olhos semicerrados e pisquei um olho em sua direção. Darren largou o pincel e passou as mãos pelo vestido mais uma vez. — Relaxe, é apenas um jantar. O pior que poderia acontecer é um ataque, mas não acho que seria prudente dado ao fato de que estaremos com guerreiros centenários.
— Não preciso relaxar. — Retrucou firme e Ystria bufou se levantando. Ignorei as duas e voltei minha atenção para o livro em minhas mãos. Ystria havia me indicado dizendo que ajudaria na minha leitura. Não entendi muito bem como a história de um casal que se odeia e acabou de casando vai me ajudar, mas continuo lendo. É estranhamente cativante, e interessante a forma como quem escreveu descreve as cenas com precisão até mesmo nos momentos íntimos do casal e os sentimentos dos personagens principais.
— Você vai assim? — Ignorei a voz de Renard e continuei lendo. O casal estava no meio de uma cena incomum, com a mocinha sendo quase fofa com o seu par. Eles formavam um bom par. Protestei indignation ao ter o livro foi arrancado de minha mão.
— Filho da... — Uma mão cobriu minha boca e pela pele um pouco fria soube que era Fellius. Mordi sua mão e ele resmungou. — Devolve o livro, Renard.
— Está na hora de sair, fofa. — Ystria que respondeu, se colocando de pé. A mesma estava usando uma calça preta com o cós alto dando destaque aos quadris largos e uma camisa de mangas longas bordô curta deixando amostra um pouco de pele. Os cabelos presos em uma trança embutida. As botas pretas gastas. Não muito diferente de mim.
— Ótimo, tô mesmo com fome. — Respondi me levantando e puxando a barra do suéter preto que havia subido. Helion havia me pedido para relaxar, e foi isso que fiz. Escolhi uma calça confortável e justa preta que vai até um pouco abaixo do joelho, uma bota com salto médio também preta. Não tinha muita cor nas roupas, por isso meus cabelos estavam presos em duas tranças laterais e meus lábios naturalmente vermelhos estavam ainda mais convidativos. Eu me beijaria facilmente.
Darren havia feito uma coisa nos meus olhos, um traço fino semelhante a um olho de gato. Minhas mãos tinham alguns anéis e uma correntinha com uma safira azul no pingente, presente de Keala.
— Vocês duas são quase da família, aparentemente. — Fellius ironizou observando minhas roupas e as de Ystria. De todos, nós com certeza somos as mais informais. Ystria por não se importar e eu por conforto. Revirei os olhos.
— Qual o problema de ir confortável? Se eles estiverem vestindo trajes a rigor problema deles, estou vestida para jantar, não impressionar. — Joguei uma trança por cima do ombro. Renard me encarou dos pés a cabeça e sorriu felino. Tomei o livro de sua mão.
— Você está sempre vestida para impressionar, de diferentes formas, no entanto. — Com certeza Renard gostava de inflar meu ego, porém jamais teria coragem de lhe pedir para não o fazer. É bom ser apreciada, mesmo como uma mera amiga. Sim, eu sou hipócrita e confusa. Como adivinhou?
— Vamos logo, Helion já deve estar esperando. — Fellius disse com seu humor de sempre. Vestindo calça azul tão escura que poderia ser preta, uma camisa branca de linho e um casaco azul com prata, como sempre. Ele passava a mensagem de onde pertencia antes mesmo de abrir a boca. Era impossível não dizer que esse macho pertence a Corte Invernal, em meio a neve branca e ursos enormes.
Saímos do cômodo seguindo Renard, o mesmo vestia roupas parecidas com a de Fellius, diferente apenas em cores. A camisa amarelo tão claro que poderia muito bem ser os raios de sol ao amanhecer, um casaco verde e uma calça marrom. Os cabelos perfeitamente penteados e exalando a graça felina habitual. Sua presença sendo marcada pelos passos decididos das botas pretas indo até o joelho. Eram as de Fellius ou eu estava doida?!
Darren levantava a barra de seu vestido branco, acho que ninguém poderia vestir branco melhor do que os Spell-Cleaver. Helion, Manch, Keala e Darren ficavam absolutamente maravilhosos de branco. Era injusto, até. Os adornos dourados nas tranças finas perfeitas, e um bracelete no braço esquerdo sendo os únicos acessórios da fêmea. Além é claro, de sua sandália de tiras que era estranhamente parecida com uma que eu usei na corte outonal.
Assim que chegamos na sala encontramos Helion, minha mãe deveria ir conosco porém Nyara estava enjoada e então decidiu ficar com a nora. Nunca havia percebido o quão mimada Nyara era. Minha nossa. Manch saiu para aproveitar as noites na cidade e Keala disse estar, nas palavras dela "velha demais para esses compromissos".
— Todos prontos? — Perguntou se levantando, me assustei ao perceber que o mesmo estava usando calças. Ele me encarou e ergueu uma sobrancelha: — Alguém morreu?
— Engraçadinho. — Respondi sorrindo falsa. — Qual foi da calça?
— Nunca viu Helion usando calças? — Renard perguntou curioso. Espera, não era a primeira vez? Ok, eu posso não ser muito atenta nas roupas que eles usam, mas acho que lembraria.
— Não? — A resposta saiu mais como uma pergunta e todos deram risadinhas me fazendo encara-los com tédio.
— Bom saber que está sempre atenta ao seu redor. — Ystria ironizou com um sorriso felino. Resmunguei algo incompreensível e apertei o livro em minhas mãos.
— Vamos logo, é falta de educação chegar atrasado. — Darren disse impaciente. Todos lhe encararam surpresos, ela não havia ficado assim nem mesmo com a reunião. — O quê? Só eu quero saber como é Velaris?
— Ah, está explicado. — Fellius disse. Olhei de um para o outro procurando explicações.
— Pelo amor garota, temos que te atualizar semanalmente. — Renard disse vindo até mim. Revirei os olhos. Não é minha culpa que eu esqueço das coisas e não procure saber muito sobre outras. Estou meio ocupada ultimamente.
— Vamos logo Helion. — Digo rápido. Todos seguram no Grão-Senhor e a tontura familiar da travessia apareceu. Meus olhos se abriram e fiquei desnorteada com o que vi. Era tudo tão... brilhante.
Olhei para o céu e quase chorei ao ver os milhões de pontinhos prateados brilhando na escuridão da noite. A lua iluminando por trás de grossas nuvens. Céus, aquele era o céu noturno mais lindo de todos. Desejei morrer ali mesmo pois agora eu morreria feliz. Não consegui ficar quieta, olhei aí redor vendo as ruas iluminadas e pessoas andando por ela. Féericos e Grão-Féericos, dos mais diferentes aos mais comuns. Aquilo era lindo.
Um restaurante com varanda estava aberto e de lá saia uma música animada. Estava cheio, assim como todos os comércios ao redor. Várias lojas e comércios possuíam cadeiras e mesas delicadas no lado de fora de suas fachadas alegres. Eram tantas coisas para ver que me senti pequena diante daquela força pulsante da cidade. Será que se importariam se eu faltar o jantar? O cheiro vindo desse restaurante me parece melhor do que qualquer coisa que eu possa querer.
Deus, eu queria poder observar tudo. Andar pelas ruas e descobrir o que mais Velaris poderia me mostrar. Meus amigos não estavam muito diferentes de mim, acho que não precisaria pedir muito para eles concordarem em se mudar para cá. Montanhas de pedra vermelha se erguiam ao norte e no pico médio um palácio brilhante, seria ali a residência do Grão-Senhor? Não dúvido muito. Pude ouvir a música vibrando nas ruas e quase chorei de tanto desejar viver ali.
Aquela cidade provavelmente era exatamente tudo que um dia sonhei. Rhysand era um excelente Grão-Senhor. Não tinha dúvidas, mas agora, vejo o que de fato fez ele se sacrificar duas vezes por sua corte. Aquela cidade merecia, as pessoas que vivem ali provavelmente também. Porra, eu queria poder sair correndo pelas ruas cantando, e eu não gosto de cantar.
— Acho que a Alyn vai explodir a qualquer momento. — Ouvi um deles dizer, mas ignorei. Observar tudo que poderia era mil vezes mais importante. Vi quando um casal desceu a rua com suas crianças, sorrindo verdadeiramente. Aquele povo era tão... feliz.
— Aposto três moedas que ela vai pedir pra ficar na cidade.
— Cinco que vai nos obrigar a voltar aqui antes de uma semana, isso se não voltar sozinha. — Me virei para lançar meu olhar gélido para Fellius e Ystria. Os dois levantaram as mãos em rendição e me lançaram olhares inocentes.
— Vamos logo, essa cidade é perfeita demais. — Lamentei. Nunca poderia viver ali, Velaris era um sonho real e eu precisava acordar. Um Vanserra só viveria ali nos sonhos mais lindos e perfeitos. Eu já disse que essa cidade é perfeita? Acho que nunca vou esquecer.
Com um último suspiro seguimos rua a cima, comigo suspirando a cada passo. Quase voltei ao ver de longe uma parte da cidade ainda mais cheia e colorida e animada, mas era do outro lado do rio que flanqueava a cidade. Não cedi a vontade de ficar por consideração aos Grão-Senhores que nos convidaram. Assim que chegamos na base de mais uma montanha —, onde o palácio ficava — ergui as sobrancelhas ao ver o tamanho da escadaria.
— Bom, eu vou voltar pra cidade. — Me virei pronta para ir embora. Nunca que eu ia subir esse tanto de degrau por comida sendo que tem vários descendo a rua. Pelo amor eu não sou obrigada.
— Não vai, não. — Darren me segurou e me fez ficar. Resmunguei audivelmente. — Helion tem certeza? Geralmente esses palácios não permitem travessia direta.
— Está ficando tarde. — Fellius disse. Ele tinha razão, já estávamos atrasados. Grunhi impaciente.
— Vou achar eles. — Digo jogando o livro para Renard que o segura facilmente. Com um movimento abro o bolsão de magia e retiro o livro de vulpes. As unhas arranhando levemente o papel das páginas conforme procuro o feitiço. Pulei quando achei. — locate eam. — Assim que as palavras saem da minha boca meus dedos se movem em conjunto. Desenhando no ar os contornos de um mapa. Concentrei o feitiço todo para a presença do Grão-Senhor e cada parte do meu corpo vibrou quando um ponto dourado se iluminou entre as linhas traçadas. — Aqui! — Apontei. Estava próxima da linha curva, que provavelmente seria o rio. Feitiço não exato acaba em resultados não exatos.
— Bom, então vamos logo. — Darren segurou no braço do tio e no de Ystria. Fellius e Renard vieram para o meu lado e dessa vez eu atravessei com todos eles. Péssima ideia, ainda não estava acostumada a fazer isso. Observei a imensa construção de mármore diferente das outras casas da cidade. Luzes féericas ilumivavam a enorme porta, grande suficiente para um macho com asas.
Um muro baixo de pedra separava a calçada do jardim da frente. Flores de diversas cores e tipos. Pequenos insetos transitando. Um portãozinho de ferro forjado aberto. Fiquei animada ao sentir o cheiro de comida caseira, tinta e tempero. Helion tomou a frente junto de Darren enquanto eu, Fellius e Renard começamos uma briga aos empurrões e cotoveladas. Nossa risada aumentando conforme conseguíamos acertar o ponto fraco do outro.
Renard e eu atacavamos Fellius que se recusava a rir. Ystria que estava logo atrás de nós chutou a perna de Renard, numa tentativa de nos fazer parar. Mas apenas conseguiu que a atenção voltasse para si mesma. Então nós quatro continuamos nossa guerrinha infantil, minha risada estranha conforme Ystria acertava o local onde tinha cócegas.
— Boa noite?
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apostas sobre quem disse o boa noite, vamo lá quero ver quem vai acertar
é isso meu povo, tô estressada, mas tô aqui
bjo, tchau, amo cês
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