༆ XXII

essa reunião vai render viu

nem falar nada

Assim que chegamos na sala Helion e Manch se viraram, os dois machos vestiam os trajes da Corte. Branco com dourado e pela primeira vez vi Helion usando sua coroa. O mesmo brilhava, o sol personificado. E ele sorria para nós.

— Minha nossa, vocês estão esplêndidas, maravilhosas, perfeitas, verdadeiras deusas. — Elogiou fazendo minhas bochechas arderem e sorri timidamente. Ystria nem se abalou, apenas agradeceu. Sua autoconfiança me causa inveja, a mesma é tão segura de si.

— Peguem os casacos, não quero ninguém doente. — Keala diz aparecendo com vários casacos de pele. Peguei o que a mesma me estendeu e vesti. Comecei a suar.

— Vamos? — Manch chamou. O mesmo vestia uma túnica branca parecida com a de Helion, a diferença estava toda em quem a vestia. Enquanto o Grão-Senhor parecia imponente e forte, Manch exalava sensualidade e calmaria. Os músculos de fora assim como as longas pernas torneadas. Desviei o olhar rapidamente.

Keala me entregou uma cesta com biscoitos, doces e pães antes que Helion atravessasse conosco. Pisquei ao sentir o vento frio envolver meu corpo, olhei ao redor vendo a imensidão de branco e azul. Pinheiros e Carvalhos espalhados por lugares estratégicos. As calçadas cinzentas cobertas por finas camadas de neve fofa assim como os telhados das casas com chaminés fumegantes.

— Uau. — Respirei fundo deixando o cheiro de neve e pinho invadir meus sentidos. Minhas bochechas arderam dessa vez de frio, concentrei o poder para circular em meu corpo me mantendo aquecida. Fellius enfiou as mãos dentro dos bolsos frontais do grande casaco azul e observou o imenso palácio com o semblante fechado. — Aquilo são ursos? — Pergunto olhando para os grandes monstros de pelos brancos puxando um trenó. Me agarrei a Fellius.

— Sim, são ursos, mas eles são inofensivos.— voltei a respirar aliviada. Então ele completou: — Na maior parte do tempo.

— Não assuste a menina, Fellius. — Renard diz batendo na cabeça do mesmo que sibila um xingamento.

— Vamos logo, não é educado chegar atrasados. — Darren diz enganchando o braço no de Renard, Helion e Manch tomaram a frente. Ystria veio para perto de mim e de Fellius, nós dois ainda estávamos parados encarando os imensos portões de ferro.

— Quanto mais rápido formos, mais rápido acaba. — Confortou passando a mão em meu braço. Apertei a cesta nas mãos e assenti, mesmo querendo correr. Logo seguimos os outros, deixei que Ystria e Fellius fossem de braços dados. Eu tinha que encarar isso sozinha.

Foi por isso que fugi para junto deles. Para pedir apoio contra Velliard, não foi? Não tem razão para ter medo, eles não tem o direito de me julgar. Irão fazer sim, mas não podem. Vi o momento em que Helion foi recebido por uma fêmea de cabelos tão brancos quanto o de Fellius ao lado de um macho alto de cabelos também brancos. Seriam os Grão-Senhores? Respirei fundo e continuei em frente.

Parei ao lado de Fellius e vi o momento em que seus olhos cruzaram com a fêmea. A mesma parecia ter visto um fantasma, assim como o macho ao meu lado que parecia ainda mais pálido. Segurei em seu braço com a mão disponível, atraindo sua atenção. Sorri para ele encorajando.

Quando olhei para frente novamente vi os olhos azuis iguais aos de Fellius observando cada movimento meu e minha mão no braço do macho. Engoli em seco sob seu olhar curioso. Os olhos se demoraram ainda mais em meus cabelos, como se a cor lhe lembrasse alguém. Mas com um sorriso no rosto deu passagem para todos nós. Lhe ofereci um sorriso gentil quando entreguei a cesta de Keala, não sem antes roubar um biscoito.

— Bem vindos, não imaginei que você traria tantas pessoas, Helion. — O macho de cabelos brancos que não é Fellius disse. O mesmo liderava nosso grande grupo pelos corredores cheios de detalhes, me surpreendi quando percebi que o castelo não é feito de gelo. Eu torcia bastante para que fosse.

— É meu caro amigo, as coisas estão mudando ultimamente. — Helion respondeu com seu sorriso jovial.

— Rhys e Tarquin estão a caminho. Thesan e sua comitiva já chegaram e estão esperando na sala de reuniões. Tamlin não deu resposta. — Kallias indicou seguindo por um longo corredor largo. O carpete azul claro estava tão limpo que parecia feito de gelo, assim como o piso branco brilhante. Assim que chegamos a uma grande porta de gelo, — dessa vez é certeza — senti meu interior se contorcer em ansiedade.

Ontem tinha conversado com todos sobre o que deveria ser evitado, a qualquer custo e meu sobrenome foi o mais citado. Mas não vou conseguir mentir para eles, principalmente para Feyre, devo a vida de meu irmão e a minha própria a ela e sua corte. Quando a porta se abriu esperei que todos entrassem, mas ao contrário do esperado abriram espaço para que eu pudesse entrar.

Acenei com a cabeça conforme passei por Helion. O mesmo me dirigiu um de seus sorrisos ladinos e quase revirei os olhos. É fácil esquecer seu posto quando o mesmo é sempre tão presente em minha vida, ultimamente. Meus olhos logo se dirigiram para o macho em pé diante de vários outros, suas asas me lembraram as asas do anjo com auréola de espinhos. Desviei o olhar para o macho sentado, o mesmo tinha a pele bronzeada e os cabelos castanhos quase no mesmo tom que Ystria, pouca diferença. Os olhos espertos se grudaram em mim assim que cruzei o vão da porta, sendo seguida por Helion e Manch, Darren e Renard, Ystria e Fellius. Nessa ordem.

Kallias provavelmente havia retornado ao seu posto ao lado da esposa esperando os outros chegarem, apesar do semblante sério do Grão-Senhor da invernal pude notar o quanto é dedicado a fazer as coisas do jeito certo. Isso é bom.

Não sabia ao certo para onde ir então esperei que Helion tomasse a frente enquanto observo a ampla sala. Três paredes enormes inteiramente brancas e uma janela que ocupa a parede oposta inteira. Contei os lugares e me surpreendi por terem os sete principais, já que é de conhecimento geral a queda de Beron. Um lustre de cristais de gelo ilumina o centro da sala onde no chão tem um enorme desenho do que suponho ser um floco de neve. Cadeiras acolchoadas e grandes aparentemente confortáveis estavam distribuídas em sete lados do cômodo ao redor do mesmo.

Helion se acomodou e sorri ao ver o mesmo se arrepiar ao sentar e resmungar algo para Manch. Tirei o casaco e fui até eles. Darren estava sentada a esquerda de Helion e Manch a direita. Renard, Ystria e Fellius estavam logo atrás deles.

— Vou ter um ataque de nervos antes de começar a reunião, já estou até vendo. — Digo para ninguém em especial e coloco atrás da cadeira de Helion.

— Quer dar uma volta no jardim enquanto os outros não chegam? — Fellius perguntou atraindo minha atenção. Lhe encarei agradecida, embora saiba que ele apenas quer sair dessa sala. Assenti.

— Helion, — Com preguiça de dar a volta na cadeira me inclino entre ele e Darren. — tudo bem se nós dois sairmos um pouco? — Aponto para Fellius e eu. — Estou me sentindo um pouco ansiosa e não quero acabar passando mal aqui.

— Claro, mas voltem logo. Os Grão-Senhores já estão chegando. — Respondeu dispensando nós dois. Sorri e agradeci, logo enganchando meu braço ao de Fellius.

Paramos no meio da sala quando a porta foi aberta e dois machos e uma fêmea entraram. A pele escura bronzeada e os cabelos perolados indicava que eram da Corte Estival. O macho da frente tinha cabelos tão longos quanto os de Fellius. Alto, forte e poderoso. Tarquin, o Grão-Senhor. Esperamos pacientemente que eles entrassem junto de seus guardas para poder pedir licença e sairmos porta a fora.

Deixei Fellius me guiar entre os corredores, o mesmo parecia conhecer como a palma da própria mão. E isso é bem possível, pois já trabalhou aqui para as mesmas pessoas que agora nos recebem. Fellius me levou até um jardim congelado. Era isso que parecia.

Os arbustos cobertos de neve, tudo coberto de neve. As flores pintadas de branco sob as camadas de gelo. Inspirei o ar sentindo entrar em meus pulmões.

— Não está sentindo frio? — Fellius pergunta ameaçando tirar seu casaco para me dar. Sacudi a cabeça.

— Não, sabe como é, o fogo corre em minhas veias. — Fiz uma voz dramática para a frase de efeito. O mesmo sorriu. Mas ao olhar ao redor seu rosto se contorceu com tristeza e culpa. — Você vinha aqui com ela? — Perguntei indo até um banco que ali estava.

— Muitas vezes, Glacie era apaixonada por flores. — Respondeu me seguindo. Assenti. — Ela fez questão de pedir para Viviane flores desse mesmo jardim para fazer sua coroa no casamento. Como uma lembrança de como começamos, aqui. — Fellius acariciou as pétalas de uma rosa ao lado do banco. Nunca soube qual é a dor de perder alguém, nunca tive ninguém além de Renard.

— Acha que vão acreditar em mim? — Questionei insegura. Esse é meu maior medo. Lidar com magia, caçar ingredientes, recitar feitiços, treinar com Fellius. Tudo isso é fácil. Mas eu não sou diplomática como Darren. Principalmente quando estou nervosa, a prova disso foi ter quase queimado a sala de Helion, — sala essa que nunca voltou a ser usada.

— Pequena, se eles não acreditarem em você tenha em mente que tentou. Os homens que vai conhecer são poderosos e perigosos, eles escolhem as suas lutas. E se eles prezam pela própria vida, ou pela vida de quem ama, irão te escutar. — Uma parte de mim ficou mais calma ao ouvir isso. Fellius é o irmão que eu nunca tive, assim como Renard. Os dois estarem quase juntos me deixa feliz e com medo, se algo der errado, posso perder os dois.

— Obrigada, grandão. — Dou um beijo em sua bochecha deixando a marca vermelha de meus lábios. Sorrio para isso. — Vamos, não consigo ficar parada.

— Tem que descarregar um pouco toda essa energia. — Ele alerta me segurando pelos ombros.

— Não vou lutar com você. — Digo firme. Sem condições de treinar agora, nós quase destruímos a sala de treinamento da última vez que fui descarregar energia.

— Ok, então... — Ele olhou ao redor novamente parecendo procurar algo. Seus olhos pararam em grandes pilastras espalhadas pelo jardim como postes de luz. — Consegue acender todos eles? — Perguntou. Fechei a mão em punho e concentrei o poder nelas, quando abri a mão fogo dourado iluminava o jardim. Percebi que as pilastras foram feitos para isso.

Não me dei o trabalho de apagá-las. Me abaixei um pouco e peguei uma boa quantidade de neve, formei uma bolinha com as mãos e me preparei para jogar em Fellius que estava distraído. Porém uma voz me impediu. Nós dois viramos para ver uma fêmea de cabelos igualmente brancos e olhos azuis. Estava começando a achar o padrão.

— Ai meu Deus... — Murmurou cobrindo a boca com a mão. Seus olhos não estavam em mim, e sim no macho alguns passos atrás. Não precisei olhar para Fellius para saber que está tenso. — O que está fazendo aqui? — Com cuidado fui dando passos até Fellius, que parecia paralisado.

— Desculpe me intrometer, mas respondendo sua pergunta... — Digo com calma. — Estamos com Helion.

— Cale-se. — A fêmea sequer me olhou, mas seu tom raivoso me fez cerrar a mandíbula. Ignorei a mesma e olhei para Fellius.

— Se não quiser falar com ela, é só me avisar que abro um portão aqui mesmo e jogo ela no quartinho do Lex Talionis. — Digo gentil, o mesmo me olha com uma cara engraçada e revira os olhos.

— Nae, não a trate assim. — Me defendeu.

— Ou o quê? Vai fugir de novo? E Glacie? Não acredito que teve coragem de trocá-la por essa... — Me encolhi ao perceber que está se referindo a mim. Fellius percebeu e não gostou muito.

— Você não tem o direito nenhum de falar dela assim, não a conhece. Não me conhece. — Respondeu duramente. Nae parecia prestes a explodir.

— Eu falo do jeito que eu quiser, com quem eu quiser. E não defenda essa vadia que trouxe com você. — Ao ouvir o xingamento dei um passo a frente. Não iria deixar ser insultada por uma desconhecida.

— Eu não te conheço, você não me conhece. Não encha sua boca para me chamar de vadia quando sequer sabe meu nome. Está brava por ele ter fugido? Ótimo, eu também estaria. Inclusive quero muito agredir meu irmão que fez a mesma coisa. Mas não o julgue se não sabe o que aconteceu. — Respondi firmemente. A mesma parecia contrariada.

— Como sabe que ela é minha irmã? — Fellius perguntou me fazendo virar rapidamente para lhe olhar.

— Ela é sua irmã?! — Minha voz saiu estridente. — Seu idiota, como me deixou falar desse jeito com sua irmã? Perdeu o juízo?

— Você não perguntou... — Se defendeu, e bati em seu braço.

— Vou falar pro Renard. — Ameacei. O mesmo semicerrou os olhos para mim. — Se resolvam, vou voltar pra sala de reuniões. — Avisei indo para a porta onde a fêmea continuava parada, dessa vez um pouco confusa. — Entendo sua dor, mas escuta ele. Fellius merece ser ouvido.

Não fiquei nem um segundo a mais para ver sua reação e segui pelos corredores que consegui lembrar e quase fiz uma dancinha da vitória ao conseguir chegar em frente a porta. Passei a mão no vestido tirando alguns flocos de neve presos. Paralisei ao perceber que as conversas da sala haviam parado.

— Sala errada, criança. — Olhei para onde vinha a voz e minhas pernas fraquejaram por um minuto. Cassian, o general da Corte Noturna havia me chamado de criança. Na frente de todos os Grão-Senhores.

— Acho que não, venha se sentar. — Helion me chamou, e com um sorrisinho cínico segui para seu lado. Manch fez questão de se levantar, pegar em minha mão e me guiar até a cadeira reservada para Beron.

Sorri em agradecimento e o mesmo acenou e retornou para o lado de Helion. Renard, Ystria e Darren cruzaram a sala logo após e se colocaram ao meu lado. Podia sentir todos os olhares em nós e alguns segundos depois Fellius entrou. Seu olhar varreu a sala e logo pousou em nós e podia ver o ponto de interrogação em seu rosto enquanto caminhava até nós.

Apesar de estar me mantendo séria, por dentro cada fibra do meu corpo está rindo de nervoso. Gargalhadas. Senti garras negras rondando meu escudo mental. Sacudi a cabeça com um sorriso no rosto. Observei os membros da Corte Noturna, surpresa de ver o encantador de sombras me olhando.

Rhysand e Feyre estavam sentados lado a lado, o vestido de Feyre de um azul quase branco com detalhes prateados, os cabelos soltos e brilhantes, no topo de sua cabeça uma coroa linda e o casaco de pele grande parecendo lhe engolir. As feições sérias e neutras, mas ao mesmo tempo gentil. Ela emana luz própria, realçando o poder da noite ondulando de seu parceiro. Este vestia duas peças inteiramente pretas perfeitamente ajustada ao corpo do Grão-Senhor junto de um sobretudo ébano, uma coroa semelhante a de Feyre nos cabelos pretos azulados. Os olhos violeta focados no rosto de Morrigan que falava algo para o primo.

Encarei Azriel que me analisava, ergui uma sobrancelha e contive um sorriso de lado. Desviando a atenção para a fêmea ao seu lado de feições delicadas e gentis, usando um vestido fofo cor de rosa com detalhes de flores exalando pureza, um vestido que uma fêmea como eu jamais poderia usar. Os cabelos de um tom escuro de loiro assim como os de Feyre, mas foram os olhos que me fizeram arquejar. A imagem da cabeça da corça pendurada na árvore com os grandes olhos abertos invadiu minha mente e foi impossível não notar a semelhança entre os olhos do animal com os da fêmea.

Me virei para Renard atrás de Darren e puxei o laço entre nós.

"O que houve?" perguntou preocupado e se abaixou um pouco para olhar meu rosto.

"Nada, apenas queria ouvir você." mando de volta enquanto seguro sua mão. O mesmo aperta uma vez e volta para seu posto. Olho para Helion do outro lado que sorri tentando me confortar.

— Então, — Me viro para a voz e vejo o Grão-Senhor da Corte Crepuscular, Thesan, me olhando. — Imaginei que fosse da Corte de Helion. — Disse calmamente. Respirei tentando me acalmar.

— Ah, compreensível. — respondo. — Helion? — passo a palavra com calma.

— Alyn não aceita fazer parte de minha Corte, o que é uma pena. — Lamentou, lhe observei com tédio e o mesmo piscou um olho para mim.

— Oh, então imagino que esteja representando o príncipe Velliard. — Olho para o macho de cabelos brancos e pele negra ao lado de Tarquin. Meu sorriso se fechou. Seu tom presunçoso me deixou com raiva.

— Qual o seu nome? — Perguntei, séria. O mesmo me observou com o olhar afiado.

— Varian.

— Varian, — Digo. — Eu não estou aqui em nome de Velliard. Na verdade, vim representar a classe de animais irracionais que soltam fogo. — Escuto Renard engasgar atrás de mim e Ystria abaixa a cabeça. Helion colocou a mão na frente da boca, mas sei que está tentando não sorrir.

— Dragões? — Sorri minimamente para Cassian.

— Os Vanserra. — Vi o momento em que o general comprimiu os lábios e levantou a cabeça. Helion fingia tossir enquanto Renard e Ystria davam risadas baixinhas. Manch me encarava enquanto negava com a cabeça. Os Grão-Senhores da Corte Noturna me encaravam com diversão.

— Faz sentido. — Varian diz por fim, aceno em sua direção. A fêmea ao lado de Tarquin me encarava séria.

— Podemos saber, o que te faz representante deles? — Rhys perguntou, o tom de voz casual e perigoso. Me esquivei de sua pergunta.

— Irão descobrir logo logo. — Apesar da casualidade podia sentir o poder sombrio do príncipe da noite. Engoli em seco e senti olhos em mim novamente. Kallias e Viviane entraram na sala no mesmo instante, interrompendo o silêncio desagradável que se formava. O casal seguiu até as cadeiras desocupadas e se sentou, percebi que ainda tinha um lugar sobrando, mas não comentei nada.

O que não impediu Thesan de o fazer.

— E Tamlin? — Se dirigiu diretamente aos senhores da invernal, mas vi quando Feyre ficou um pouco mais tensa. Os sifões dos dois Illyrianos presentes brilharam rapidamente, uma demonstração do imenso poder da dupla.

— Não era uma certeza se o mesmo viria, aparentemente não. — Kallias respondeu, sempre sério. Ao contrário de Rhysand e Helion, que usavam a casualidade a seu favor, Kallias usa o tom duro para não dar aberturas para brincadeiras.

— Então vamos dar início a reunião. Helion, está com a palavra. — Feyre disse pela primeira vez.

— Bom, como dito na carta enviada a vocês pelo próprio príncipe, a Outonal foi tomada. — O macho disse, a voz controlada e séria. O mesmo tom que usa em nossas reuniões particulares. — Mas isso foi apenas o primeiro ato do show de horrores que irá acontecer. Alyn, por favor. — Passa a palavra para mim. Respiro fundo criando coragem e escondo meu nervosismo atrás da máscara impassível.

— Vamos direto ao ponto. Velliard quer guerra. Eu tenho relatórios roubados dos generais dele, os irmãos Barrwod. Nome familiar, general? — Perguntei diretamente a Cassian, que se mantinha sério. — Os três são movidos pelo mesmo objetivo de Velliard, vingança. O rei de Hybern substimava a capacidade de vocês, mas não tanto. Ele deixou tudo pronto para um segundo ataque a Prythian.

— Mas o que esse tal Velliard tem a ver com o rei de Hybern? — A pergunta veio da fêmea ao lado de Tarquin.

— Um fato interessante sobre a família Narttu, o rei de Vallahan era casado com a princesa de Hybern. Velliard não é apenas o herdeiro do trono de Vallahan, ele é o rei coroado de Hybern. Os herdeiros mais próximos seriam Brannagh e Dagdan, mas com a morte dos dois Velliard se tornou o próximo na linha de sucessão ao trono. — O silêncio da sala causava arrepios em mim, todos ouviam atentamente o que eu dizia, alguns até mesmo pareciam duvidar de minhas palavras. — A coroação deve ocorrer a qualquer momento, mas provavelmente ele está esperando pelo casamento.

— Como você sabe tantas informações sobre eles? — Kallias perguntou desconfiado. Não me surpreendi, é compreensível. Esse é o dever dele, assim como era o de Helion me questionar.

— Ela é noiva dele. — Todos olhamos para a porta assim que a imagem do macho de cabelos loiros apareceu. A sala explodiu em conversas e tive que me conter para não voar em seu pescoço.

— Você trouxe a noiva do inimigo para dentro de minha casa?! — Kallias gritava com Helion. Os demais Grão-Senhores estavam conversando entre suas próprias cortes. O zumbido em meus ouvidos fez minha cabeça latejar.

— Já chega! — gritei por cima de todos os outros. — Que inferno! Eu teria falado quem sou se tivesse tido a oportunidade, e quanto a você, — apontei para o macho loiro que acabou de chegar. Um rosnado saiu de sua garganta quando percebeu que estava me dirigindo a ele. — Não teve a decência de chegar no horário, então sente-se e faça o mínimo que é calar a droga da boca e ouvir, se não quiser que eu ferva seu sangue em suas veias. — Ameacei descaradamente lançando olhares raivoso em sua direção. Odeio ser interrompida, principalmente em momentos sérios.

— Quem você pensa que é para falar assim com um Grão-Senhor? — Me coloquei de pé no mesmo instante que o macho me encarou, as garras ameaçando saltar nos nós dos dedos.

— Eu não sou ninguém, mas se tenho que vir aqui e falar, espero ser ouvida. Se não estiverem dispostos, posso sair por aquela porta agora mesmo e deixar vocês sozinhos para lidar com uma ameaça que vocês não conhecem. O que vai ser? — Desafiei. Helion já estava ao meu lado quando o loiro deu um passo a frente. Não me intimidei diante de sua altura, poderia ser do tamanho de uma montanha, mas eu escalaria só pra dar na cara dele, se necessário.

— Tamlin, sente-se. — Thesan pediu. Todos haviam parado de discutir apenas para observar nós dois. Sabia que meus olhos tinham chamas brilhando em ameaça, mas não recuei nem mesmo ao vislumbrar um pedaço da besta escondida dentro do Grão-Senhor da Primaveril.

— Vadia. — Seu xingamento foi tão baixo que apenas eu ouvi, não me dei o trabalho de responder. Eris uma vez me chamou de vadia, e eu confirmei. Se tiver de ser uma para ser ouvida, serei a pior das vadias.

— Continue, criança. — Tarquin pediu. Ergui uma sobrancelha para ele. Sou mais velha que ele, e ele me chama de criança. Tudo bem.

— Como nosso querido Tamlin ressaltou, — Digo sarcástica. — Sou noiva de Velliard, ou melhor era. E não por vontade própria, acreditem. Beron me vendeu em casamento para Velliard, um plano de Eris para se livrar de mim sem deixar rastros em Prythian. Obviamente deu errado. — O rosto de Morrigan se contorceu de raiva e me admirei de ver o quanto a fêmea ficava linda de todas as formas. O vestido vermelho vivo fazendo jus as suas curvas e os cabelos dourados emoldurando o rosto da mesma. — Vou resumir bastante o que levou Eris a isso. Sou a filha mais nova de Beron, vocês não me conhecem, mas eu conheço vocês, estive presa por toda a minha vida. Enfim, — Desvio o assunto. — quando Velliard aceitou o acordo fui realocada até um quarto de verdade, e moldada para agradar o príncipe. Renard, minha raposa, havia começado a investigar Eris e Beron várias noites antes. Quando Velliard chegou na Outonal eu já sabia de todo o plano dos dois. Não demorou muito para que Renard descobrisse os podres e os planos do príncipe. Tudo piorou quando o mesmo invadiu meu quarto, eu já tinha um plano de fuga e uma rota traçada, e no dia que, suspeito eu, seria o casamento foi a minha fuga. Depois que eu, Renard e Eris presenciamos Velliard, Beron e uma criatura chamada valg. Esse é um ponto importante sobre Velliard. Ystria. — Passei a palavra para a fêmea a minha esquerda. A mesma tinha lido e relido o livro de lendas tantas vezes que poderia contar a história toda sem precisar do livro.

— Valgs são criaturas de outro mundo. Eles tinham uma rainha, mas no que diz a lenda ela foi morta por Aelin, portadora do fogo e rainha de Terrassen. O problema em questão é, como Velliard conseguiu a lealdade de criaturas como essas? — O silêncio dos Grão-Senhores estava começando a me incomodar, olhei para Helion que permanecia impassível. — Valgs não seguem ordens de ninguém a não ser sua rainha, e agora estão do lado dele. Alyn conseguiu ver uma delas de perto, são praticamente indestrutíveis. E só possuem uma fraqueza, fogo e luz. Eles odeiam calor e claridade, por isso prenderam a família de Alyn. Velliard controla eles sob a ameaça dos Vanserra.

— Que conveniente. — A fêmea ao lado de Azriel disse.

— Tenho que concordar com a irmã de Feyre. — Kallias diz e fico tensa. Depois de tudo que ouviram é claro que iriam ignorar e perceber apenas isso.

— Vocês realmente estão nos ouvindo? — Pergunto deixando toda a frustração escapar nas palavras. — O inimigo tem aliados vindo de outro mundo para destruir tudo que nós conhecemos. Apenas uma pessoa conseguiu vencer a rainha deles. E que não pode nos ajudar, a menos que saibam como atravessar o véu entre os mundos. — Uso a mão para massagear minhas temporas.

— Você não pode simplesmente dizer que temos que confiar em sua palavra e na palavra das pessoas ao seu lado. Como você mesma disse, não conhecemos você. — Olho para Feyre escutando atentamente suas palavras. — Acabamos de sair de uma guerra.

— Entendo, eu realmente entendo o lado de vocês. Precisei quase morrer para Helion acreditar em mim. Não peço que confiem em mim ou em minha família, — aponto para as pessoas atrás de mim. — peço apenas que acreditem. Eu quero mais do que tudo evitar essa guerra, e estou disposta a fazer qualquer coisa por isso, com ou sem a ajuda de vocês.

— Isso é suicídio. — Morrigan diz baixo, mas todos ouvem.

— Prefiro 'sacrifício pela paz' — Digo sorrindo pequeno. Percebo o olhar de Rhysand e Feyre em mim como se compreendessem meu plano. — Podem perguntar o que querem saber. — indico e o primeiro a falar é Tamlin. Contenho a vontade de revirar os olhos.

— Se é realmente filha de Beron, porque Lucien nunca falou a respeito de você, nem mesmo para mim? — Ergui uma sobrancelha para ele. Lhe observei dos pés a cabeça.

— Talvez por vocês não serem amigos? — Renard respondeu por mim. Tamlin olhou com desdém para Renard.

— Alguma pergunta relevante? — Darren disse pela primeira vez. — Não estamos aqui para falar sobre Alyn, e sim sobre a possível guerra pairando sobre nós.

— Disse que tem os relatórios, onde estão? — o General da corte Crepuscular perguntou. Assenti e indiquei Renard.

— Faça magia. — Brinquei fazendo o mesmo me olhar com tédio. Com um movimento de mãos o bolsão de magia se abriu. — Tem biscoito aí? — perguntei baixinho sendo ignorada. Bufei e me encostei na cadeira novamente.

Fellius e Ystria pegaram as pilhas de papéis e saíram distribuindo entre as comitivas. Encarei o encantador de sombras que não havia dito nada até agora e percebi que o mesmo estava entretido com algo que a irmã de Feyre falava. Estranhei ao perceber que suas sombras não estavam tão aparentes. Senti dois pares de olhos em mim e percebi serem de Viviane e Morrigan. Aproveitei que todos estão ocupados para levantar e esticar as pernas.

Não costumo passar tanto tempo sentada e nem sei se conseguiria fazer isso todo dia. Preciso estar em constante movimento para me sentir viva, não quero nunca voltar ao estado de topor que marcou meus dias enquanto presa. Parei em frente a Darren, percebendo que a mesma ainda usava o casaco de pele. E só assim percebi que todos, menos eu, Fellius, Kallias, Viviane e sua comitiva ainda usavam.

Pego suas mãos geladas e coloco em meu braço, o choque térmico lhe atingindo.

— Pela Mãe, como você consegue? — Diz esfregando as mãos em meu braço. Eu sou como uma fonte de calor, minha pele está sempre aquecida e adaptada para não me deixar ficar com frio por culpa do fogo.

— Já me disseram que eu sou bem quente. — Balanço as sobrancelhas sugestivamente e a fêmea belisca meu braço. — Ei! — protesto quando a mesma puxa meu braço para mais perto. — Vão pensar que você é louca.

— Posso até ser, mas não vou virar boneco de neve hoje. — Respondeu ironicamente. Dei de ombros e continuamos conversando baixinho.

— Alyn, venha aqui. — Me virei rapidamente e procurei quem me chamava. Franzi o cenho ao perceber que era Thesan. Parei a sua frente e fiz uma reverência.

— Em que posso ajudar? — Pergunto prestativa.

— Aqui diz que os exércitos de Vallahan tem um número pouco maior que cem mil. — Assinto. — Mas eles enviaram soldados para a guerra contra Hybern, como isso é possível?

— Algumas partes do plano deles não é são tão claras como as outras. Renard analisou junto de Helion todos esses documentos e chegamos a conclusão que houve um golpe contra Hybern. A mente de Velliard é complexa, ele era general das tropas do pai e conselheiro do tio. Ystria aposta que Velliard manipulou o tio, mas não é uma certeza ainda. — Dei ênfase na última palavra. O Grão-Senhor assentiu e fiquei quieta. Observei os traços de seu rosto e percebi o quão belo é, a pele dourada e brilhante, os cabelos e olhos de um tom brilhante de castanho.

Saí de lá rápido e fui até onde Helion estava, sentado observando a reação dos outros. Rhysand e Feyre estavam dentro da própria bolha enquanto Cassian, Azriel e Mor falavam baixo sobre os documentos nas mãos deles. Do outro lado Tarquin e Varian repassavam algumas páginas.

— Achei que seria pior. — Diz assim que me aproximo. Sorrio nervosamente.

— Acredite eu também.

— Soube conduzir bem, e não teve medo de enfrentar todos eles. Isso foi um ato de coragem. — Disse orgulhoso e sorri ainda mais. Finalmente consegui fazer algo certo.

— Vou voltar para o meu lugar, tchau. — Digo me virando para seguir até minha cadeira, ou melhor a cadeira de Beron. Só de pensar no ataque que ele teria de me ver sentada no seu lugar me deu vontade de me encolher. Parei na metade do caminho ao ouvir meu nome e me virei vendo os membros da Corte Noturna me encarando.

Engoli em seco e com passos lentos fui até onde me chamavam.

— Sim? — Fiz o possível para ignorar a quantidade de olhos em mim.

— Gostaria de levar isso para minha corte onde poderei analisar com mais calma. — Apesar do tom ameno sabia que não era de fato um pedido. Rhysand iria levar mesmo se eu dissesse não. Olhei por cima do ombro e vi Renard, deixei ele ter acesso a minha mente e depois de sua resposta fiquei mais aliviada.

— Sem problemas, Ystria e Renard já fizeram o dever de casa. — Digo encarando o chão. — Com licença. — Digo já me virando para sair, mas dei de cara com uma montanha de músculos dentro de muito couro. — Desculpe. — Murmurei tonta.

— Não precisa ter medo, nós não mordemos. — Olho para cima vendo o rosto de Cassian. Exatamente como Helion havia descrevido.

— Ah, não? Que pena — Devolvo irônica. O sorriso sarcástico cresce em seu rosto e me sinto ainda mais baixinha por ter que curvar o pescoço para lhe encarar.

— Gostei de você. — Disse e tive certeza de que meu cérebro escorreu pelas minhas orelhas.

— Você nem me conhece. — Ouvi uma risadinha atrás de mim.

— Ignore ele, querida, Cassian está tentando te assustar. — Me virei para Feyre que havia falado comigo. Prendi a respiração percebendo o quão linda ela é de perto.

— Você é exatamente o que disseram. — Digo baixinho, ainda olhando para os olhos azuis cinzentos.

— Bom, eu... — Começou engolindo em seco. Percebi então seu desconforto e me apressei a dizer.

— Você tem o brilho de uma estrela mesmo a luz do dia, foi isso que quis dizer. — Me desculpei. Me sentia inquieta e queria sair dali, mas todos estavam conversando entre si e Darren e Renard não iriam interromper.

— oh, isso é gentil. — Disse corando. Ela não tinha a beleza exuberante de Mor, nem a delicadeza de sua irmã, mas isso a tornava real.

— Não disse por gentileza, disse por ser a verdade. — Sorri de lado ao ver seu rosto corar um pouco mais. Seu parceiro parecia radiante ao ver a expressão em seu rosto. A adoração entre os dois me deixou encantada, me perguntei se todas as parcerias são assim. — Foi um prazer, mas agora tenho que ir.

— Claro, ainda temos muito o que discutir. — Acenei para a mesma e dessa vez Cassian não estava em meu caminho quando praticamente corri para perto de Renard.

"Ela é tudo que você disse que é!" Gritei pelo laço. Meu amigo chegou a levar a mão até a cabeça.

— Pelo amor, quer me matar?! — Perguntou esganiçado. Darren olhou entre nós dois e revirou os olhos.

— Aqui não, crianças. — Repreendeu e fiquei quieta. Mas por dentro cada parte de mim saltitava. Feyre merece todos os títulos que tem, a energia ao redor dela é outra. E talvez seja em parte pelo fato de que ela é, nas palavras de Ystria, uma lenda. Fêmeas como ela, Morrigan, minha mãe me fazem querer dar o meu melhor para talvez chegar ao seus pés.

Sentei na cadeira e esperei o momento em que todos devolvessem os papéis. Pedi para Fellius juntar todos em uma pilha e entregar para o general da Corte Noturna. Assim que meu amigo cruzou a sala com os papéis o burburinho começou.

— Eles vão ficar com documentos? — Tamlin perguntou em tom de zombaria.

— Sim, algum problema? — Perguntei me inclinando para a frente. Seu olhar ameaçador não fazia o menor efeiro em mim. Eu não vim de baixo pra perder pra um macho com problemas de autocontrole.

— E por que justamente eles? — Tentou desviar o assunto, mas apenas sorri falsamente e cruzei as pernas.

— Simples, — Digo calma. — Eles pediram.

— Só isso? — Zombou. — Desde que chegou está tentando impressionar eles, ganhar a confiança deles. Não fez o menor esforço para falar com os outros Grão-Senhores presentes. — Não consegui conter a risada e logo me curvei com a mão na frente da boca.

— Pelo amor de Deus, eu falei com quem falou comigo e saberia disso se tivesse chegado no horário. E não, não estou tentando impressionar a corte noturna, não tenho motivos para isso. Sim, estava curiosa para conhecê-los, mas em outras circunstâncias. — Digo sorrindo ainda, sem me deixar abalar. — Irei repetir pela terceira vez, isso aqui não é sobre mim. É sobre todos nós, e saberia disso se tirasse a cabeça de dentro da própria bunda. — Com um impulso Tamlin se colocou de pé e a cadeira atrás de si caiu. As garras a mostra assim como as presas.

Continuei sentada sem mover um músculo. Senti Renard estendendo um feitiço de proteção ao nosso redor e relaxei ao ver que os outros Grãos-Senhores fazia o mesmo. Olhei para Helion, o mesmo estava sério e os olhos presos no macho de cabelos loiros.

— Já chega de show, Tamlin. — Me odiei por ter o colocado nessa situação e odiei o Grão-Senhor da Primaveril ainda mais.

— Show? Você deixa essa criança sentar entre os adultos e desrespeitar um Grão-Senhor. — Rosnou ainda olhando para mim. Apertei o braço da cadeira e senti vontade de vomitar.

— Se agir como um Grão-Senhor ela não irá te desrespeitar, acredite. — Ironizou secamente. Olhei para Manch ao lado de seu tio e praticamente implorei com o olhar que não deixasse Helion tomar minhas dores.

— Aparentemente eu sou o único agindo de forma racional aqui. O que garante que essa garota não vai nos trair igual a mãe dela traiu Beron? — Senti as palavras como um tapa em minha cara e o ar escapou dos meus pulmões. Minha mãe já havia traído Beron? O que...?

— Não se intrometa nisso, Tamlin. — A voz de Helion se tornou sombria e me assustei com o olhar em seu rosto.

— Você não tem direito nenhum de julgar o caráter ou acusar alguém de traição quando eu me lembro muito bem que você e aquela sacerdotisa maldita entregaram as irmãs de Feyre para Hybern. — Meu olhar vagou até Azriel que estava com todos os sifões brilhando no traje de couro preto com escamas.

— Ora ora, o bastardo encantador de sombras tem língua. — Tamlin provocou e um rosnado escapou de minha garganta. Deslizei para sua mente e cravei as garras de brasa quente em suas paredes. Um grito saiu de sua garganta.

— Cuidado como fala sobre ele, Grão-Senhor. — Murmurei a voz tão sombria quanto a do próprio mestre espião. O macho já estava de joelhos quando soltei sua mente e deixei o mesmo livre. — Não quero mais ficar aqui. — Digo para Darren e Ystria, as duas se levantam e junto de Fellius e Renard me seguem para fora.

Assim que pisamos no jardim de mais cedo meu estômago revirou e vomitei o biscoito que comi mais cedo.

muito texto, deu sede.

menina, tamlin tem 0 amor a vida viu, melhor assim pq da brecha pra matarem essa praga de uma vez

legal q eu nem escondo meu ódio

e não era a Alyn tietando a Feyre, era eu, perdão

tchau tchau pessoal
amo vcs <33

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