༆ XVIII

o capítulo hoje é surto coletivo, ok?

a autora tá passando por um momento muito difícil, um grande amigo meu sofreu um acidente grave e tá internado, eu tô muito mal cm isso, mas não podia deixar vcs na mão.

então não sei qnd vou postar o próximo, mas espero que gostem desse. Eu amo vocês, ok?

Estávamos nos dando bem, até mesmo Helion havia começado a me tratar melhor, pareceu entender que eu não sou meus irmãos ou meus pais.

Meu treinamento foi retomado e meus poderes voltaram a ser treinados. Contei para eles meu plano, mas todos foram contra. Renard quis comer meu fígado quando contei, mas tenho que fazer alguma coisa.

Apesar de todos daquele lugar merecerem tudo o que está acontecendo com eles ainda tem pessoas que me importam naquele lugar. Cogitei a ideia de ir atrás de Lucien para me ajudar, mas não é possível. Não quando meu irmão está nas terras humanas. Queria lhe ver, saber se está melhor do que quando saiu de lá. Eu não o vejo a séculos. E principalmente queria lhe dar uns bons tapas por ter compactuado com o Grão-Senhor da Primaveril e se aliar a Hybern.

Se passou dois dias desde a chegada da carta. Continuamos procurando nas bibliotecas, Helion me ensinou a atravessar até outras cidades e desde então eu levo Renard e Ystria comigo. Renard que inclusive descobriu ontem a tarde um feitiço que abre portais onde nós quisermos e isso vai ser extremamente útil. Ainda não encontramos nada sobre seja lá o que aquelas criaturas sejam. Helion está se trancando em seu escritório e só sai de lá para comer e as vezes nem. Darren e Keala estão preocupadas, mas não dizem nada.

Nos reunimos todo dia de noite para beber e brincar enquanto podemos e é isso que todos estão fazendo agora. Sentei ao lado de Renard no meio das várias almofadas do chão dessa sala e repousei minha cabeça em seu ombro. O mesmo passou um braço ao meu redor e me apertou contra si em um gesto de conforto.

Manch contava uma história sobre a tecelã, o mesmo havia lutado na guerra e viu de perto as criaturas aliadas a corte Noturna. O mais aterrorizante sendo nomeado como Bryaxis, o macho contava que até os mais bravos soldados tem medo do monstro.

— Espera, então a Grã-Senhora conseguiu levar quatro monstros para a guerra contra Hybern? — Ystria pergunta, a mesma havia comentado que quando os boatos sobre uma guerra começaram ela pegou o máximo de pessoas que conseguiu e levou para longe. Não disse para onde, apenas que estão bem e que um dia ela retornaria para lá.

— Sim, ela e o Grão-Senhor fizeram acordos com a Tecelã do Bosque, o Entalhador de Ossos e a Bryaxis. A chegada deles no campo de batalha foi inacreditável, estávamos em menor quantidade e nossos soldados estavam perdendo. — Manch esclarece bebendo mais um pouco de vinho. Então percebi que ele não falou de um deles.

— E o quarto monstro? — Pergunto fazendo todos me olharem. Manch ergueu uma sobrancelha para mim. — Você disse que eram quatro, mas só falou sobre três.

— Você não sabe quem é o monstro da Corte Noturna? — Ystria pergunta. Nego com a cabeça, Renard me olha como se não acreditasse.

— Vamos lá Alyn, eu já lhe falei sobre ela. — Meu amigo diz beliscando meu braço. Bato com meu cotovelo em sua costela.

— Não sei, que coisa, vão falar ou não?

— O monstro do Grão-Senhor é Amren, ninguém sabe de onde ela veio ou quando ela chegou aqui, dizem que é mais velha que todos os Grão-Senhores e se alimenta de sangue. Esteve junto de Rhysand e Feyre na Corte Estival quando roubaram uma parte do livro dos sopros que estava em posse de Tarquin, o Grão-Senhor de lá. — Manch diz e eu fico surpresa. Não sabia disso, conhecia apenas o nome de alguns membros do círculo íntimo, mas jamais imaginei tal coisa.

— Ela é aterrorizante. — Ystria diz atraindo minha atenção.

— Conheceu ela? — pergunto. A mesma sorri de lado para mim.

— Já vi de longe quando fui contratada para um servicinho na corte dos pesadelos. — Responde. Corte dos pesadelos, ouvi falar dela. Renard me contou que Amarantha se inspirou nesse lugar para criar Sob a Montanha. Que o Caldeirão me livre de um dia colocar os pés na Corte Noturna. Fiquei curiosa sobre que servicinhos a mesma fez na corte, mas não me atrevi a perguntar.

— Me lembre de nunca chegar perto de ninguém da Corte Noturna, por favor. — Brinco fazendo eles rirem da minha cara. Reviro os olhos e tomo a taça de vinho da mão de Renard virando com um único gole.

Quando provei pela primeira vez não parecia tão bom, mas depois de beber toda noite com eles no navio ficou saboroso e arrisco a dizer que estou muito mais tolerante ao álcool.

— A Corte Noturna não é isso que dizem, deve saber disso. — Ystria defende apontando para mim.

— vamos lá, então me diga, o que há de tão bom nessa Corte? — provoco com um sorriso felino. Renard nega com a cabeça e pega a taça de volta.

— As fêmeas. — Respondeu com um sorriso malicioso. Renard iria falar alguma coisa quando Fellius entrou e foi impossível não notar a tensão entre eles. O sorriso de meu amigo morreu e apertei sua mão em conforto.

O macho de cabelos brancos ignorou todos nós e foi para a varanda onde Darren está. Desde sua briga com Renard o mesmo havia se mantido longe de todos, menos de Darren. As constantes pulsações de mágoa não pertencem a mim. Renard estava arrependido e havia tentado se desculpar, mas Fellius sequer o deixou falar e desde então ambos estão se evitando e se ignorando. Ninguém aguenta mais.

— Ok, mas alguém daqui já viu o Grão-Senhor da Corte Estival? Misericórdia, que o Caldeirão me ferva, mas aquele macho... — Ystria faz um ruído no final da frase deixando em aberto. Quase ri de sua expressão.

— Achei que gostasse apenas de fêmeas. — Manch diz confuso. Renard e Ystria reviram os olhos ao mesmo tempo.

— Porque gostar apenas de uma fruta quando existem várias outras por aí para experimentar? — Ystria pergunta sarcástica. Um sorriso malicioso crescendo nos lábios cheios — Tenho preferência por fêmeas sim, porém se achar um macho que aguente sou toda dele, por uma noite é claro.

— Exatamente! — Renard diz esticando a mão para bater na da fêmea.

— E você Alyn? — Demoro alguns segundos até perceber que está falando comigo. Encaro Manch sentindo minhas bochechas arderem.

— Eu não sei. — Respondo corando. É verdade, nunca beijei ninguém, nem fêmea, nem macho. Não por vontade própria ao menos.

— Como não sabe? — Pergunta sorrindo surpreso.

— Bom, não é como se fizessem fila na porta de minha cela para beijarem minha boca. — Ironizo me servindo mais vinho. Renard tosse em repreensão. Ele tão bem quanto eu sabe que certas coisas não devem ser lembradas.

— Ah... — O murmúrio de Manch me fez querer me estapear.

— Então vamos resolver esse problema agora! — Ystria grita, com certeza ela era a mais alterada graças ao vinho, estava bebendo desde o momento que chegamos da nossa caça a bibliotecas.

— Enlouqueceu? — Renard pergunta, sério. A fêmea apenas sorri em resposta e se aproxima de mim.

— Vamos lá, Alyn. Não tem nada a perder, tem? — Um brilho malicioso rondou os olhos avelãs enquanto estendia o desafio a mim.

— Elas vão realmente fazer isso? — Ouço Manch falar e o rosnado de resposta de Renard. Nenhuma das duas desviou o olhar enquanto nos aproximamos ainda mais. Os joelhos roçando um no outro enquanto as respirações se misturavam. Foi então que Ystria colou seus lábios nos meus. Suas mãos Subiram para minha nuca e enquanto uma se enganchava nos cabelos da minha nuca outra segurava meu rosto guiando os movimentos.

Sua língua lambeu meu lábio inferior e abri a boca dando passagem para mesma. Minhas mãos pousaram em sua cintura aproximando ainda mais seu corpo do meu. Não saberia dizer a sensação de ser beijada, é uma mistura de euforia e excitação. Frio e calor. Ystria tem gosto de vinho e algo mais. Não havia desespero ou pressa. Nos separamos assim que o ar nos fez falta e selei seus lábios duas vezes antes de me afastar completamente.

— Wow. — ouço, mas ainda estou raciocinando o que acabou de acontecer. Caí no meio das almofadas novamente e mantive meu olhar preso no carpete.

— Isso foi... — Renard começou e me assustei quando a voz de Helion surgiu.

— Inesperado? — Olhei rapidamente para onde o Grão-Senhor estava sentado. Quando havia chegado? Ou melhor, quando havia saído do escritório? Pela Mãe ele me viu beijar Ystria.

— Com certeza, essa é a palavra. — Manch concordou ainda abismado, parecia que a qualquer momento o mesmo iria entrar em colapso. Renard estava tão chocado quando, um sorriso nervoso em seu rosto.

Darren e Fellius surgiram na sala e suas sobrancelhas se ergueram ao olhar para nós.

— Perdemos alguma coisa? — Darren pergunta confusa e minhas bochechas queimam ao lembrar dos lábios da outra  fêmea cobrindo os meus.

— Alyn e Ystria se beijaram na frente de todos nós. — Renard responde despreocupado e o queixo de Fellius desce. Os olhos dourados de Darren se arregalam e ambos me encaram ao mesmo tempo. Coro ainda mais e desvio o olhar para as janelas grandes da sala.

— As duas, no meu quarto, agora! — diz estridente e pude jurar que ela deu um pulinho. Antes que eu pensasse Darren estava arrastando eu e Ystria para o quarto. Fiquei com medo do que a mesma pretendia.

Depois de subir vários degraus e andar por alguns corredores entramos no quarto da fêmea. Os tons de verde água e dourado destacando cada detalhe. Uma cama imensa se situava na parede ao lado da porta, um guarda-roupa imenso estava encostado a sua direita e na parede oposta uma penteadeira grande cheia de porta jóias, recipientes pequenos, pincéis e um grande espelho com moldura de ouro, o banco acolchoado logo a frente. Ao seu lado uma estante grande com diversos títulos e um mapa da corte.

Mas o que chamava atenção era o grande arco na parede oposta a porta que leva até uma varanda. Não havia portas, apenas duas cortinas finas impedindo a vista completa da cidade e das dunas de areia. Me obriguei a prestar atenção nas duas fêmeas ao meu lado.

— Antes que pergunte, não, não vamos namorar. E isso só aconteceu como experiência para Alyn que nunca havia beijado. — Ystria diz caminhando para a enorme montanha de travesseiros ao pé da cama. Almofadas grandes em vários tons de verde e azul água.

— É verdade? — Darren questiona se virando para mim. Assinto e sorrio sem graça. — Ah, é uma pena. — Dá de ombros indo até a cama e se jogando na mesma, quicando algumas vezes antes de pousar no colchão.

— Nunca tive experiências, como Ystria disse. Então ela deu a ideia de tentar, deu certo. — Digo e também dou de ombros indo até onde Ystria está deitada e também né deitando.

— Como assim? — Darren diz se sentando na cama. — Você não sabe como os bebês são feitos?

— Não, isso eu sei, mas nunca fiz. — Respondo, o álcool ingerido alguns minutos atrás me fazendo falar.

— Darren, não... — Ystria tenta interromper, mas a fêmea logo está sentada em minha frente segurando minhas mãos.

— Prometa que vai ficar aqui enquanto eu busco uma banana e uma laranja, por favor. — Diz me deixando com medo. Ystria nega com a cabeça e se afunda novamente entre as almofadas.

— Eu prometo, eu acho. — Respondo fazendo o sorriso da fêmea aumentar ainda mais. Darren se levanta em um pulo e logo está se encaminhando para a porta.

— Não vai se arrepender!

[...]

Pelo Caldeirão, porquê eu aceitei isso? Nunca mais conseguiria olhar para uma banana com a mesma inocência de antes quando Darren me fez enfiar uma na garganta. Ontem a noite a mesma contou tudo, e quando digo tudo é absolutamente tudo que sabe sobre o ato de "fazer amor" e como se dar prazer e dar prazer ao outro.

Traumatizada era pouco para o que eu estava. Não tomo mais suco de laranja e nunca mais quero me aproximar de uma banana. Ystria depois de tomar mais algumas taças de vinho também se juntou a maluquice e começou a me ajudar a usar os dedos na laranja. Com certeza aquilo foi estranho, e pela forma como ambas também estavam evitando as duas frutas não estavam muito diferentes de mim.

Bebemos bastante vinho com a desculpa que iríamos ficar mais relaxadas. Fomos dormir depois que Darren quase engasgou com a sua banana e Ystria começou a eletrocutar sua laranja, enquanto eu usava meu poder de fogo para fazer caramelo de açúcar na banana.

Nenhum dos rapazes perguntou o que fizemos ontem, mas pelas risadinhas de Manch e Helion sabia que Renard, aquele fofoqueiro do cacete havia contado o que viu pelo laço.

— Darren e Alyn, coma suas bananas. — Keala manda sem levantar os olhos das próprias frutas. Encarei os olhos dourados do outro lado da mesa com pesar e corte mais um pedaço da banana em meu patrão enfiando na boca. A fêmea do outro lado fez o mesmo. — Ystria, essa laranja não vai te atacar.

— E se ela atacar a laranja? — Renard brinca fazendo Manch engasgar e Ystria lhe fuzilar com os olhos. Prendi a risada e mordi os lábios para não sorrir. Helion parecia fazer um grande esforço para não fazer nenhuma piada.

— Renard, fique quieto! — digo sem o olhar. O mesmo me olha erguendo uma sobrancelha e antes que abra a boca falo: — Mutatio figura. — Enfio mais um pedaço de maçã em minha boca enquanto Renard se transformava em um gato. Um miado muito parecido com um xingamento saiu de sua boca cheia de presas minúsculas. A mesa então começou a rir e Renard miou alto novamente pulando de sua cadeira e saindo da sala de jantar. "isso é para aprender a manter a boca fechada, amor" mando pelo laço de Vulpes, sentindo as garras arranhando meu escudo mental.

Terminamos de comer e logo eu e Ystria já estávamos na varanda esperando Renard para partir até a mais uma biblioteca, dessa vez numa cidade próxima aos limites da Diurna com a Noturna. Não retornaremos hoje por conta da distância e por ter duas bibliotecas grandes lá, então iremos demorar. Desde a chegada da carta ando ansiosa, preciso fazer algo a respeito da queda de Beron. Odeio ele e todos daquele lugar, mas existem féericos que habitam lá e não merecem pagar pelas loucuras dos Vanserra e irei dar um jeito de impedir sua morte. Ao menos irei tentar.

Assim que Renard se junta a nós o transformo novamente em Grão-Féerico e seguro sua mão, assim como a mão de Ystria. Logo atravessando com os dois para a cidade de ******. Demorei alguns segundos até a tontura parar, ainda não sou acostumada a atravessar distâncias tão grandes. Observamos os moradores andando de um lado para o outro com cestos cheios de peixes, carnes, grãos e verduras. Algumas fêmeas nos encararam e cochicharam fazendo com que eu olhasse para minhas roupas.

Darren havia pedido para que eu vestisse as roupas da corte e opitei por um vestido de cetim branco com alças finas e costas nuas, um broce dourado preso logo abaixo do decote nas costas e uma jóia de corpo douradas descendo do meu pescoço e abraçando as curvas de minha cintura sobre as cicatrizes causando um arrepio em minha coluna, Darren prendeu parte de meu cabelo com um broche deixando os fios soltos em minhas costas e deixou duas mechas caindo nas laterais de meu rosto como uma franja e colocou várias pulseiras e anéis em minhas mãos. Fellius disse que estava semelhante a uma sacerdotisa.

Renard foi obrigado a vestir uma túnica branca presa por um broche em seu ombro direito e que vai até abaixo do joelho exibindo as canelas pálidas e finas não muito diferentes das minhas. Um bracelete foi colocado em seu braço esquerdo e quase ri da sua cara de emburrado ao perceber que teria de usar isso. Os cabelos penteados e arrumados.

Ystria estava completamente diferente, optou por uma saia longa com duas fendas laterais indo até acima do umbigo e uma faixa branca deixando um pedaço de pele de sua barriga a mostra. Dois braceletes estavam em seu braço direito e duas pulseiras no esquerdo assim como um anel no dedo indicador. Os cabelos castanhos soltos chamando atenção para as pontas cinzas onduladas naturalmente.

Helion havia dito que em algumas cidades da corte teríamos que ir vestidos como membros do seu conselho, e Argenti é uma dessas. Por ser uma das maiores cidades da Corte a quantidade de bibliotecas é maior e uma delas é a do Grão-Senhor onde apenas pessoas autorizadas entram.

Darren e Keala nos arrumaram de acordo, como lordes da Corte Diurna. Renard apesar de não gostar de seu traje adorou ter um título. Um grande prédio de uma das bibliotecas se erguia no final da rua, uma cúpula dourada brilhando sob a luz amanteigada do sol da manhã. Uma pequena escadaria de degraus compridos nos guia entre diversas colunas para as portas duplas com diversas figuras entalhadas. Os guardas pareceram reconhecer a insígnia da corte em nossas jóias e permitiram nossa entrada, mesmo ainda atentos a cada movimento nosso.

Horas depois e já havíamos revirado todos os livros sobre nosso mundo e outros que possam existir. Alguns estava danificados e outros não haviam nada que já não tenhamos visto nos outros lugares. Andamos pela cidade visitando o máximo de bibliotecas possível, não paramos nem para comer. Renard havia saiu para comprar algo para nos e voltou com um prato típico com várias carnes e vegetais espetados em um palito grelhados, não irei mentir eu adorei.

Fácil de comer e gostoso. Passamos o dia andando e pedindo informações sobre onde encontrar as bibliotecas, e agora estamos indo para a última. Ao todo são 16 bibliotecas por toda cidade, grandes, pequenas, organizadas, bagunçadas, escondidas e evidentes até demais. Nenhum lorde da cidade fez questão de nos acompanhar e o que nos encontrou apenas olhou para nós com desprezo e nos guiou até o lugar depois disso sumiu de nossas vistas.

Ystria queria usar a adaga presa em sua coxa para cortar a língua do macho.

Olhei para o céu mais uma vez, estávamos passando por uma espécie de oásis. É a primeira vez que vejo árvores desse tipo. Troncos altos e finos com palhas grandes e cachos de frutas grandes verdes. Perguntei a Renard e ele disse se chamar coco e que é possível beber água de dentro dele e comer uma polpa branca de dentro.

A última biblioteca é quase um templo escondido entre várias árvores e uma quantidade de musgo ao redor indica que a muito tempo foi abandonado, e talvez esse seja o único ainda intocado.

— Meus pés estão me matando, essa sandália é desconfortável e a areia quente entre meus dedos incomoda, podemos simplesmente atravessar até lá? — Renard resmunga mais uma vez e Ystria e eu o ignoramos.

— Helion disse que se fizermos isso os alarmes serão acionados e antes que consigamos explicar estaremos mortos pela guarda. — Digo colocando a mão em frente aos olhos para evitar o sol do final de tarde. Ystria estava derretendo aos poucos e sua saia já estava amarrada na metade das coxas bronzeadas.

— Aquele safado não sai do escritório e fica mandando a gente pro meio do deserto enquanto fica no bem bom lá no palácio. — Continua resmungando. Revirou os olhos e continuo andando. — Darren sabia que a gente teria de vir pra esse buraco do inferno? Ela bem que poderia ter escolhido umas roupas menos formais, pela Mãe eu consigo sentir areia em lugares que nem deveria ser possível. — Encarei meu amigo com uma careta e levantei um pouco mais a barra do vestido.

— Quando Manch disse que a cidade ficava nos limites com a Corte Noturna não imaginei que fosse realmente nos limites da Corte. — Aponto para a floresta de pinheiros ao longe assim como altas montanhas tão altas que não é possível se observar o topo. Assim que chegamos na entrada do templo nos deparamos com uma grande porta de pedra. Rodeamos o templo tentando achar alguma outra entrada, mas não achamos. Voltamos para o que achamos ser a entrada.

— ok, como vamos abrir isso? — Olho nervosa para Ystria e um gemido de frustração me escapa. É claro que a biblioteca antiga seria algum templo antigo com a entrada bloqueada, só me falta ter armadilhas também.

— Helion vai ter que pagar bastante. Oh, se vai! — Ystria resmunga.

— Espera, ele está lhe pagando? — Renard quase grita colocando as duas mãos na cintura e encarando a fêmea estupefato. Droga, já estava escurecendo e não podemos de jeito nenhum passar a noite aqui.

— Vamos descobrir isso amanhã, monstros demais rondam essa floresta a noite e não estou querendo virar lanchinho de criaturas. — Digo tateando pela pedra coberta de musgo e vinhas. Consegui arrancar algumas e me afastei vendo a insígnia da corte entalhada na pedra, mas nenhuma fechadura ou maçaneta.

— Eu vi uma estalagem a caminho daqui, passamos a noite lá e amanhã antes do amanhecer retornamos. — Ystria se afastou um pouco de nós e olhou para as montanhas ao longe.

— Fica pra esse lado? — Renard pergunta indo até ela, passando a mão na testa para enxugar o suor.

— Não, claro que não. Não posso entrar na corte noturna. — Olho surpresa para a fêmea e me aproximo rapidamente me enfiando entre os dois.

— Por que não? — Eu e Renard perguntamos ao mesmo tempo. Ystria revirou os olhos e não olhou para nós quando respondeu.

— Fui contratada uma vez para matar alguém importante da Corte dos Pesadelos, quando não consegui colocaram minha cabeça a prêmio com uma recompensa e tudo, também não posso entrar na Invernal, Primaveril, Crepuscular, Rask, Montesere, Hybern, Estival e Vallahan. — Listou cada um dos lugares com um sorriso felino esculpido nos lábios.

— Você era assassina? — Renard perguntou curioso. Ystria lhe olhou como se procurasse o julgamento que não viria, não de Renard.

— Sim, mas não é como se eu matasse por matar, até eu tenho meus princípios. — Se defendeu, mesmo sem o julgamento.

— Me ensina truques com a espada e a adaga? — Pergunto animada e sorrio, a mesma bufa e se vira novamente.

— Vamos logo para a estalagem antes que eu abandone vocês aqui e volte para Aurum.

Dito isso nós três seguimos o caminho que Ystria indicava até um grande albergue de madeira escura e quase lotado. Conseguimos dois quartos, Ystria ficaria em um e eu e Renard em outro já que somos mais acostumados um com o outro. Sairemos amanhã antes do amanhecer e entraremos naquela biblioteca custe o que custar.

amo vcs, cada um dos meus leitores tem um pedaço de mim e por mais triste q eu esteja agr eu prometo q vou voltar, eu sempre volto :)

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