༆XLI

supresaaa

atualização surpresa até pra mim pq acabei de escrever, então qualquer erro relevem pq a autora tá virando morcego

boa noite, ou bom dia fml

Cinco dias antes.

O illyriano acariciou a cabeça penuda da grifa, os dedos cobertos pelas cicatrizes brutais. Não havia pensamentos o rondando dessa vez, apenas aquele silêncio. O vazio gritante dentro de si.

Não sabia que Alyn havia se tornado tão importante para si até não ter mais ela ao seu lado. As coisas haviam mudado rápido demais, e a Mãe sabia o quanto o encantador de sombras demorou para sequer aceitar a mínima hipótese da fêmea sentir algo a mais por ele.

Azriel não tinha nada a oferecer a Alyn. Um macho de quinhentos anos cheio de cicatrizes e problemas, ninguém deveria se aproximar de alguém assim. Ele era a escuridão, e ela, a luz. As duas metades de uma piada ruim e sem graça da Mãe.

— Vai ficar para o jantar dessa vez? — O mestre espião levantou a cabeça, observando a fêmea de braços cruzados. Ystria Vaceny era uma incógnita até mesmo para o encantador de sombras, não sabia de onde viera, apenas do rastro de assassinatos que ela já havia deixado. Já haviam se encontrado uma vez, desde então trataram de se manter longe do caminho um do outro. Até o dia em que a viu no templo da Corte Diurna com ela. Com Alyn.

— Não estou com fome. — Respondeu de modo automático. A voz sem qualquer emoção. Parecia sempre dizer a mesma coisa para os irmãos, Feyre, Mor, Nestha, Elain. Até mesmo Amren já havia ordenado que o mestre espião fosse comer.

— Qual foi a última vez que comeu? — A fêmea peguntou entrando no quarto. Os olhos focados nas asas do illyriano, evitando observar o cômodo ainda cheio de Alyn. Das jóias na penteadeira, até às velas apagadas no parapeito da janela. Tudo ali era a fêmea de cabelos ruivos que agora só o Caldeirão sabia como estava.

— Essa parece a pergunta que mais fazem nos últimos dias. — Resmungou, as sombras se intensificando ao seu redor. Não sabia ao certo quando havia de tornado tão comunicativo.

— Posso ver a razão. — Ystria ironizou, um sorriso falso nos lábios, que logo desapareceu. Azriel estava acabado. Olheiras profundas, uma barba por fazer surgia em seu rosto e até sua postura havia mudado. Havia um novo peso ali, e ele parecia aumentar a cada dia que Alyn não estava de volta. — Sei que está difícil pra você, assim como está sendo difícil pra todos nós. — Os passos da mesma pararam ao pé da cama, os olhos desviando das duas figuras no chão para aquele lugar. Era ela quem acordava Alyn para os treinos. — Sabe, você conheceu ela, foi a fase "boa", digamos assim. A primeira vez que vi Alyn, nós duas discutimos por um motivo idiota, ali eu vi que aquela garota não quebrava fácil. Ela não tinha treinamento, não sabia escrever, ler, sequer conseguia dormir com os constantes pesadelos. Ela e Renard haviam acabado de fugir da corte outonal. — Contou, as lágrimas contidas não se atreviam a deixar os olhos da fêmea. — Dois dias depois, os guardas bateram na porta. Eu escondi Alyn na dispensa. Ela teve um ataque de pânico. Lugares escuros, apertados, fechados. Não conseguia ficar nem cinco minutos dentro de lugares assim. Foi a primeira vez que vimos Renard na forma de Grão-Féerico. Ele se transformou porque sabia que apenas eu, Fellius e Darren não saberíamos o que fazer com Alyn naquele estado.

Os dedos esguios de Ystria correram pelo tecido do lençol, e ela se sentou. As costas curvadas como se estivesse suportando um fardo maior do que aparentava. Até mesmo Shelly observava a fêmea com cuidado, ao lado do encantador de sombras.

— Juramos proteger Alyn naquele dia, acolhemos ela e nos fizemos sua própria família. Aceitamos ela do jeito que ela era, aceitamos lutar lado dela e por ela. Durante as noites, eu sempre sugeria que Darren a levasse para o deque do navio, onde todos passaram a se juntar. Fazíamos ela se distrair por horas, até que estivesse cansada demais, assim não teria pesadelos. — Uma risada baixa escapou, lembrando das duas vezes que Alyn quase caiu de cara no chão quando cochilou no deque. — Alyn estava quebrada, era como ver uma criança descobrindo o mundo. Ensinar Alyn foi a coisa mais pura que fiz em toda a minha medíocre existência. — Ystria virou o rosto para observar o mestre espião, que encarava o chão, assimilando toda a história. — A Vanserra foi a melhor coisa de muita gente aqui. Eu não tinha nada, e aí eu consegui esse acordo, essa família.

— E ela vai estar completa de novo. Vou trazer Alyn de volta para vocês. — Azriel disse com convicção, devia isso a eles. Aquelas pessoas haviam acolhido sua parceira e lhe dado amor quando tudo que ela conhecia era ódio e dor, e ele até poderia não ficar com Alyn ao fim de tudo, mas ele seria grato. Grato a eles por escolherem Alyn Vanserra quando poderiam ter lhe deixado.

— Não faça isso. — Grunhiu secando as lágrimas de forma brusca. — Dar esperanças agora é um erro que nem mesmo Renard tem coragem de nos dar. Darren já tentou todos os feitiços conhecidos naqueles escudos, não temos como entrar pela praia. Os navios de soldados estão todos lá.

— O que você disse? — O encantador de sombras piscou, sentindo a necessidade de confirmar se havia escutado certo.

— Os navios... — A fêmea começou a repetir, mas o macho interrompeu enquanto levantava do chão. As sombras agitadas com a possível chance.

— Antes disso. — Disse, os sifões azuis brilharam como um piscar de olhos. Ystria não saberia se havia sido real ou não.

— Darren tentou feitiços todos os feitiços conhecidos...? — Começou incerta. O illyriano passou a mão nos cabelos, jogando as mechas para trás.

— O livro dos sopros. — Sussurrou mais para si mesmo. Uma chance. Eles teriam uma chance. Só precisariam de Amren, a fêmea iria querer a alma de Azriel por isso. Mas para tirar Alyn da Corte Outonal ele daria.

— Você não... — Ystria murmurou antes de se levantar também em um pulo. — O livro que foi usado para criar o mundo, o único com poder de anular o caldeirão.

— Aquele desgraçado pode ter feitiços fortes, mas não tanto. — Respondeu. — Acho que é uma boa hora para tirar Helion, quebrador de feitiços do escritório.

— Pode ir se aquietando, vamos fazer isso direito. Vou chamar Fellius, Darren e Renard. Você é muito inteligente, mas no momento não está em condições disso. — O macho abriu a boca para retrucar, mas recebeu um olhar raivoso da fêmea. — Vamos até a cozinha, você vai comer. Está fraco e precisa estar com força total se quiser tirar a sua parceira das mãos daquele príncipe filho da puta.

Azriel odiava saber que Ystria estava certa. Havia sido desleixado com si mesmo, não sentia de fato fome ou vontade de se alimentar, as noites mal dormidas com os constantes pesadelos. Seus demônios haviam sido substituídos por novos, aparentemente. O grito de Alyn sendo ferida ecoava em sua mente, por horas e horas.

Havia sido tão burro. Colocado Elain acima de Alyn, de si mesmo. Não pensou nas consequências caso estivesse errado. Mas... Seus irmãos ficaram com duas irmãs Archeron, e ele e Elain... devia significar algo. Tinha de significar algo.

Alyn merece amor para o infinito e toda a eternidade, Azriel nunca seria suficiente para a fêmea de cabelos ruivos. A rainha não se prenderia em um único lugar depois de anos enclausurada. E o mestre espião nunca pediria para ela tal coisa, mas também não poderia largar seu cargo na corte noturna.

Cargo esse que também traria mais perigo para a vida da fêmea. Colocando ela como principal alvo para os inimigos do mestre espião. Azriel não é exatamente adorado por Prythian. A sombra da morte, como um dia foi chamado. Muitos séculos atrás, antes de Amarantha, antes que seu irmão fosse aprisionado por 50 anos, antes que conhecesse sua Grã-Senhora, quando suas únicas preocupações eram seu trabalho e quem levaria para sua cama. Morrigan ainda era nada mais que um sonho distante para o bastardo illyriano.

Morrigan. Fazia tempo, muito tempo que a prima de Rhysand não assombrava os pensamentos do encantador de sombras. Havia demorado, mas enfim Azriel conseguia deixar de lado aquela obsessão pelo afeto da fêmea que sempre desprezara suas tentativas. Não a merecia, e já passava da hora de aceitar.

O mestre espião não se considerava digno de amor ou da felicidade de seus irmãos. A Mãe havia lhe enviado uma parceira tão... Não conseguia encontrar palavras suficientes para descrever Alyn Vanserra. E tinha medo disso. Do que isso poderia se tornar. Por que Alyn poderia e merecia ter alguém tão maravilhoso como ela ao seu lado e Azriel jamais chegaria aos pés de sua parceira. As atrocidades que já havia cometido, as batalhas que já havia lutado. Quinhentos anos é tempo demais para guardar tanta coisa dentro de si.

— Antes de tudo, obrigada. — Disse, a voz baixa e calma. Ystria havia visto esse tom apenas algumas vezes, e todas eram dirigidas a uma única pessoa.

— Por quê? — A fêmea perguntou com um suspiro. Shelly se acomodou no chão, os olhos fechados enquanto pegava no sono. Azriel observou a grifa de Alyn. Dela não, deles. Ele era pai dela, Alyn havia dito naquele dia. Antes do beijo.

Antes dele ir embora com Rhysand sem dizer nada. Caldeirão, Azriel era um bastardo idiota e muito babaca.

— Por ser uma boa pessoa para todos eles. Você, Darren, Fellius e Renard foram os pais que Alyn nunca teve. — Respondeu com sinceridade. Alyn não teve dúvidas quando escolheu Ystria para lhe acompanhar, tanto em Vallahan quanto na corte outonal por que confiava nela com sua vida da mesma forma que Feyre confiava em Cassian e Azriel. E o mestre espião sabia. — Espero que saibam o quanto sou grato por isso, porque graças a vocês tive a honra de conhecer minha parceira. Alyn tem sorte de ter vocês.

Ystria segurou as lágrimas, mas riu baixinho: — Acho que nós temos mais sorte de tê-la do que o contrário, mas obrigada, mestre espião.

Enquanto isso, no quarto ao final do corredor Renard observava o céu estrelado da madrugada. Sentado no parapeito de sua varanda, o vulper deixava as lágrimas escorrerem por sua face enquanto Fellius não retornava.

Aquele céu que muitas vezes inspirava os sonhos de sua menina agora o fazia chorar. Por que sabia que Alyn estaria sentada ao seu lado, fazendo gracinhas e o empurrando até que ambos estivessem rindo e quase caindo. Havia criado ela, conhecia sua força e sua determinação, mas mesmo assim temia por sua garotinha.

O vulper se recordava dos dias que tinha de desembaraçar o cabelo ruivo da menina, ou quando seu ciclo descia e a raposa deitava sobre sua barriga para aliviar as dores. Quando Alyn teimou em redecorar sua cela, pedindo que a raposa pegasse flores e vinhas das florestas da corte.

Ele tinha ensinado a grã-feérica a falar, a identificar frutas e cores, coisas pequenas. Mas também havia lhe ensinado seus valores, sempre cuidando para que as torturas e as coisas horríveis que era obrigada a presenciar não tirassem sua humanidade. Não transformassem sua amiga em um monstro.

Alyn havia sido uma amiga, uma irmã, uma filha e uma mãe. Tudo que Renard precisou, ela foi para ele. Assim como ele para ela. E uma parte do macho parecia se quebrar sempre que se lembrava que deveria estar ao lado dela, segurando sua mão e dizendo-lhe para não ter medo, que vai ficar tudo bem.

Mas Renard sabia desde o começo que Alyn se sacrificaria quantas vezes fossem necessárias para manter todos em segurança, e se Velliard tivesse exigido que ela casasse com ele pelo fim da guerra, ela teria aceitado. Teria por que é isso que Alyn faz.

O vulper se orgulhava, mas também odiava esse lado da menina. O lado que colocava sempre os outros acima de si mesma. Que sorria mesmo estando exausta. O lado que não permitiu que desistisse durante um século.

E era isso que confortava o coração de Renard. Saber que aquela criatura teimosa não se permitiria quebrar enquanto não tivesse a cabeça de Velliard em suas mãos. Apesar é claro, que ela jamais usaria tais palavras.

Uma batida soou em sua porta e o vulper se virou rápido, enchugando as lágrimas com rapidamente e caminhando até a mesma. As mãos tremiam quando segurou a maçaneta e abriu, se deparando com uma Ystria de olhos vermelhos e inchados. Haviam descoberto um lado sensível da fêmea que nem nos sonhos mais distantes imaginaram.

— Reunião na biblioteca. — O macho assentiu desanimado. Não iria dizer que esperava uma notícia boa, mesmo que uma luz dentro de si tivesse se apagado um pouco. Agora era diferente de quando Alyn foi embora, naquela vez ela havia escolhido partir. Sabiam que ela estava em segurança. Agora, não se permitia pensar muito sobre. — Mas antes, Azriel está na cozinha.

Renard encarou Ystria com olhos frios. Havia escutado por Fellius que o encantador de sombras estava péssimo sem a parceira. O vulper entendia, mas desejava que ele sofresse ainda mais. Pagasse com lágrimas a dor que causou em sua menina ao deixar ela sozinha para ir atrás da irmã da Grã-Senhora.

O vulper não gostava nem de citar o nome da fêmea. Culpava ela por tudo isso. Ela, Azriel e Rhysand. Deviam ter procurado mais. Que invocassem o próprio inferno para a terra, antes de simplesmente decidirem que a florzinha estaria na Corte Outonal. Por culpa deles Alyn não estava junto de si.

— Que ele vá para o raio que o parta, se você puder facilitar... — Gesticulou para as mãos da fêmea que o encarou com uma careta. A assassina jamais usaria seus poderes contra um deles.

— Tente o entender... — Começou. Ystria já havia visto de perto o quanto pessoas confusas podem machucar. Não desejava aquilo para Alyn, mas entendia Azriel. Um laço de parceria não é qualquer coisa, principalmente para alguém que viveu tudo que o encantador de sombras já havia vivido.

Rhys e Feyre haviam sido feitos um para o outro, iguais. Cassian e Nestha, opostos iguais que só a Mãe poderia unir. Kallias e Viviane, ali o amor já era maior que qualquer laço assim como Rhys e Feyre.

Alyn e Azriel poderiam dar certo, ao mesmo tempo que poderiam dar muito errado. Eles só saberiam se tentassem, e o medo de tentar e não dar certo é maior do que o de não tentar. Os dois haviam se aproximado de uma forma que nem Renard poderia compreender, os olhares entre os dois. Era lindo, e perigoso. Para os dois.

Principalmente quando o encantador de sombras não consegue decidir o que quer. E se Renard soubesse, diria na cara de Azriel o ditado que ouviu certa vez andando pelos bosques da Outonal "Quem muito escolhe, fica sem" e de fato, o mestre espião pode ter perdido a melhor coisa que poderia dar certo em sua vida por medo de não ser suficiente.

Mas isso Renard não sabia. Conhecia apenas parte do problema. E tudo que via era um illyriano idiota brincando com o coração de sua menina e isso o vulper não permitiria nunca. Alyn sabe se defender em lutas, mas contra bastardos babacas não.

— Ystria? — Os dois se viraram para a figura de Fellius que alternava o olhar entre ambos. — Não está muito tarde?

— Sim, mas eu estava conversando com Azriel e ele lembrou de algo que pode nos ajudar a salvar Alyn. — Explicou, cruzando os braços e apoiando o ombro na parede. — Aparentemente, o livro dos sopros está na Corte Noturna. Talvez tenha algum feitiço nele que quebre as proteções da Outonal. — Deu de ombros com pouco interesse. Não iria depositar suas esperanças nisso, oh não.

— Espera, espera... — Renard disse exasperado. — Esse tempo todo você tinha vindo até aqui para dizer isso?! Por que não disse logo. Vamos antes que o morcego das trevas vire fumaça e vá para sabe-se lá onde é o esconderijo dele durante o dia.

— Vou chamar a Darren. Fellius, Renard... — Ystria encarou os amigos enquanto se afastava em direção ao quarto da princesa. — Tirem Helion daquele escritório. Temos uma nova missão, Taliones.

cap curto só pra iniciar a casa com aquela energia boa

você não chorou, eu chorei

é isso gente

oq cês acharam do cap, quero ver as teorias de voceees

byeee bjs bjs ily <33

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top