༆ XIX

4624 palavras amores, obgda por todas as msgs de carinho e meu amigo já tá melhor, muito obrigada por se preocuparem

hoje o surto vem

Fiz esforço para não socar a parede de pedra a minha frente. Estávamos a uma hora ou mais tentando abrir a porta e nada, nem um sinal de como conseguir tal coisa. Renard já havia sobrevoado o templo, mas não havia entrada nem mesmo por cima.

— Alyn, tente algum feitiço, você é boa com eles. — Ystria pede se sentando e encostando as costas na pilastra de pedra.

— Renard, me passa o livro. — Peço derrotada, havia usado o fogo em minhas veias para retirar as camadas de vinhas da porta. Renard estava fazendo uma inspeção minuciosa da parede, mas logo me jogou o livro com capa de couro gasta.

Procurei por algumas páginas e logo estava revirando o livro. Seria inútil usar qualquer feitiço de abertura sabendo que Helion é conhecido por ser bem cuidadoso com os seus. Principalmente depois de Amarantha, apostaria que o mesmo havia desenvolvido um sistema de feitiços para todas as bibliotecas. Me sentei no chão e continuei folheando.

Foi então que nas últimas páginas, nos feitiços que nem mesmo Renard se atreve eu achei. Um feitiço antigo e aparentemente poderoso, esse seria necessário alguns ingredientes. Puta que pariu, eu realmente iria fazer isso?

— Achei um, mas para fazer vou precisar de ajuda. — Digo me virando, Ystria indica para que eu continue: — Preciso de coração de boi, elfos negros, fibra de coração de dragão, ossos moídos e unha de sereia. Vocês ficam aqui enquanto eu pego tudo? — Mordo o lábio inferior enquanto olho de um para o outro. Ystria parecia chocada e confusa, enquanto Renard parecia debater se eu estou louca ou não.

— Fibra de coração de dragão? — Diz tomando o livro de minha mão e lendo o feitiço.

— É o que está escrito aí. Vou buscar o coração de boi e fibra de coração de dragão, vocês podem ir até a aldeia e buscar ossos moídos, unha de sereia e elfos negros, que tal? — Digo me erguendo do chão e passando a mão no fundo da minha calça, Renard havia conseguido roupas normais para nós ontem mesmo.

— Você não vai sozinha, sabe que está sendo caçada. É perigoso. Ystria pode ir pegar os três enquanto eu e você vamos para a floresta pegar o resto. — Renard retruca me devolvendo o livro. Nego com a cabeça, os meus são fáceis de pegar. Ossos moídos, unha de sereia e elfos negros são difíceis de achar já natureza, já os outros não.

— Vocês dois vão buscar os mais difíceis. Eu não vou muito longe, está vendo aquela floresta apenas alguns metros da gente? — Aponto. — Os meus ingredientes estão ali, tenho certeza. E os que não estiverem vocês vão conseguir, não se preocupe. Qualquer coisa eu mando um sinal de fumaça. — brinco me afastando em direção ao pequeno bosque. Consigo ouvir Renard resmungando e sinto o olhar dos dois me acompanhando até que eu entre no meio das árvores, a grama alta me rodeando e enroscando em minhas pernas.

Essa é a primeira vez que entro em uma floresta depois de minha fuga. Os sons do bosque poderiam causar medo em alguns, mas não em mim. Ouvir a floresta me faz sentir viva como nunca antes. O gosto agridoce da lembrança do dia em que eu finalmente percebi estar livre. E eu amo essa sensação.

Continuei caminhando com calma entre as árvores e os arbustos até que cheguei em um córrego pequeno que cruza o bosque, pude perceber que minha busca seria bem mais difícil do que esperei, mas eu não desistiria.

Essa é a primeira vez que fico sozinha em semanas, adoro a companhia dos outros, mas sinto saudade de colocar minha mente em ordem sem a presença de ninguém. Eles são muito espaçosos, sempre estão em todo lugar. No navio eu nunca estava sozinha, depois chegamos na Diurna e também não fiquei sozinha, e quando tive a crise todos decidiram grudar em mim. É como se eu estivesse sempre precisando ser protegida. Exaustivo.

Sei que sou apenas uma criança para eles e que eles gostam de mim e querem me ajudar, mas eu não sou tão burra assim, eu espero. Posso cuidar de mim mesma por alguns minutos, eles me ensinaram como me proteger. E se eles não confiam nisso, não confiam em na capacidade de si próprio.

[...]

Depois do que pareceram horas andando dentro do bosque encontrei os ingredientes, consegui alguns arranhões por conta dos arbustos altos. Olhei ao redor tentando identificar o caminho pelo qual vim. Observei as árvores praticamente iguais, havia marcado com minha faca pelas quais eu passei. Um barulho me fez virar abruptamente, mas não havia nada.

Decidida a ir embora me virei novamente, mas assim que dei um passo ouvi novamente. Atentei meus ouvidos para escutar o que diabos fosse. Parecia que estavam arrastando algo, depois o barulho de algo se partindo. Reconheci imediatamente o som de um osso quebrando. Forcei minha memória para tentar lembrar o feitiço de invisibilidade, mas nada me veio a mente e o livro de vulpes em meu bolso poderia facilmente se perder em uma luta.

Me aproximei de uma árvore alta e comecei a lhe escalar. Minhas unhas grandes afundando na casca como garras. Logo estava num galho alto suficiente para me dar visão dos arredores. Observei com cuidado cada animal passando por ali, foi então que vi. A carcaça de um alce grande, poderia alimentar uma família inteira, estraçalhada. Sangue manchava o solo por uma boa parte, aquilo não poderia ser obra de um lobo. Os olhos vidrados em algo além e parecia pálido, muito mais pálido do que qualquer animal morto que eu já tenha visto.

Marcas de corte em sua barriga deixavam as vísceras escaparem para fora do cadáver. E ele não era o único, ao seu redor haviam ao menos mais dois cervos, três coelhos e o que um dia deve ter sido uma corça. Engoli em seco e apertei os dedos em torno do galho. O que teria feito isso?

Todos os animais pareciam ter sido brutalmente mortos, o alce tendo sofrido muito mais com a fúria de quem os atacou. A cabeça da corça estava cortada e pendurada na árvore próxima, os pés dos coelhos haviam sido arrancados e os chifres do alce não estavam em seu lugar, os pequenos cervos tinham buracos sangrentos no lugar dos olhos. Uma verdadeira pintura do horror.

Ouvi o som de passos e duas figuras vestidas completamente de preto entraram na clareira. Dois macho. Seus rostos sérios e olhos ágeis estudando tudo. Um se abaixou próximo ao alce e o outro olhou ao redor. Me escondi de trás do tronco e prendi a respiração. Tentei ouvir o que os mesmos diziam, mas não consegui.

Olhei para o céu, o sol estava quase no ponto mais alto, algumas nuvens negras se aproximavam vindo do norte o que significa que meu tempo está acabando e possivelmente o céu começaria a cair em nossas cabeças. Renard. Deve estar me procurando. Droga, eu não posso sair daqui, não até que os dois sumam. E se eu atravessar talvez não consiga reunir magia para o feitiço e atravessar nós três para a corte Diurna. "Renard..." Chamei pelo laço, o mesmo não estava mais frágil o que era um milagre. Helion queria estudar ele de perto para saber o que seria isso que eu e Renard temos e como pode ser tão poderoso. Ele comparou a um laço de parceria, com vantagens de magia e sem as vantagens do sexo.

"Alyn, onde você está? É quase meio dia" Sua voz estava séria e tensa e sabia que teria muito o que explica quando chegasse novamente ao templo.

"Eu estou bem, escondida, mas bem" respondi, senti o momento em que o mesmo ficou ainda mais nervoso.

"De quem está se escondendo?" Prendi a respiração ao ouvir os passos se aproximarem de onde estou, se olhassem para cima iriam me ver.

"Dois machos, encontrei algo que não deveria e quando chegar aí explico melhor"  Silencio o laço e foco novamente nos dois, que agora estavam próximos de mim. Me espremi um pouco mais contra a árvore, mesmo sabendo que seria inútil. E se eu entrasse na mente deles? Não, isso seria baixo demais até para mim. Eles ainda não fizeram nada contra mim. Mas, quem eles são?

Pela Mãe, o quão dentro do bosque eu fui? E se eu tiver cruzado o limite com a Corte Noturna sem nem ao menos perceber? Droga, eu não poderia estar mais ferrada. Um trovão soou e soube que sim, eu poderia estar muito mais ferradas. Quando pingos d'água começaram a cair e aos poucos molhar a mim quase gemi de frustração. Me recordei de como abri um bolsão de magia e joguei o livro de vulpes e os ingredientes dentro. Se o livro molhar seria o meu fim e o de Renard junto. Se fosse possível entraria também, mas o ar não é respirável. É magia puta, crua e bruta.

Os passos se afastaram e logo não pude ouvir nada. A chuva estava aumentando e meus cabelos já estavam grudando em meu rosto e pescoço e ombro. Péssimo dia para escolher uma camisa branca, constatei ao ver que a mesma grudava na pele e marca os mamilos rígidos de frio. A calça de couro se tornou uma segunda pele, e demorei alguns segundos até conseguir mexer as pernas.

As roupas estavam pesadas e a espada e a adaga pareciam chumbo. Forcei o fogo em minhas veias a aquecer o corpo. Pulei da onde estava atingindo o chão com um joelho dobrado, usei as mãos para estabilizar e ergui a cabeça para olhar ao redor. Me bati mentalmente quando a curiosidade me atingiu. Os dois machos já haviam sumido, provavelmente decidiram que não era nada demais, e eu deveria fazer o mesmo.

Um raio cortou o céu e um arrepio percorreu minha coluna. Renard vai comer meu cu de colherinha quando eu voltar. Com passos rápidos me aproximei da clareira onde os cadáveres ainda estavam. O sangue sendo lavado pela água da chuva e o cheiro de podre entrando em meus pulmões fazendo meus olhos lacrimejar.

A tempestade caia cada vez mais forte, as gostas de chuva me atingindo como pedrinhas. Meus cabelos escorriam água e minha camisa já estava totalmente transparente. Me agachei em frente ao alce, usando um dedo para examinar os cortes. Perfeitos demais para serem de garras de lobos e simétricos demais para serem de lâminas. O que quer que tenha feito não brincou em serviço.

Ouvi um barulho atrás de mim e me ergui rapidamente. Virei de um lado para o outro procurando de onde vinham. As nuvens carregadas acima de minha cabeça deixando o lugar pouco iluminado. Ignorei a voz em minha cabeça me mandando sair dali e voltar para o templo e me abaixei novamente, dessa vez entre os corpos de uns coelhos e dos cervos. Fechei os olhos dos cervos e olhei atentamente para os cotocos onde deveriam estar as patinhas dos coelhos.

Renard uma vez me disse que davam sorte, seria essa a razão pela qual os mesmos foram mortos? Eu realmente deveria não ser tão curiosa, mas dizer que nunca havia visto algo assim é uma boa desculpa para continuar tentando adivinhar o que teria feito isso. Flashs da criatura de Velliard vieram em minha mente, mas rapidamente dispensei. Não é possível que aquilo esteja solto pelas terras de cortes tão longes, principalmente na corte noturna.

A cabeça da pobre corça pingava uma água manchada de vermelho ainda presa a árvore. Me aproximei da mesma, os grandes olhos estavam sem foco. Senti um vento frio em minhas costas e antes que eu pudesse assimilar, meu corpo estava sendo prensando contra o chão e algo frio pressionava minha garganta. Um raio cortou o céu e o estrondo de um trovão soou. Um corpo grande e musculoso cobria o meu. Me assustei ao perceber duas asas, mas não qualquer asas. Asas illyrianas. Lindas.

— Quem é você? — Uma pergunta baixa. A voz do macho era perigosamente baixa e algo no fundo do meu ser se contorceu.

Encarei os olhos castanhos dourados. Minha respiração lenta e cada músculo do meu corpo tenso. A adaga em minha coxa parecia queimar.

— Não irei perguntar novamente. — Senti o ardor em minha garganta e soube que teria de responder.

— É difícil fazer isso com sua garganta sendo prensada por uma adaga, licença. — respondo sarcástica, o macho parece não gostar muito. Engulo em seco, sentindo a pressão em meu pescoço. — Eu só estava passando por aqui, vi os cadáveres e...

— Quem é você? — Diabos, sua paciência estava acabando e eu precisava de tempo para conseguir pensar em como me livrar desse aperto.

— Achei que não fosse repetir. — Não consegui conter o sorrisinho insolente quando seu rosto rosto se fechou em uma carranca. — Olha, não fui eu que fiz isso. — Digo, uma sobrancelha grossa se ergue e percebi então um pequeno risquinho na mesma, quase como uma cicatriz pequena demais para ser vista. Não sou cega, ele é muito mais que lindo. Talvez não existam palavras para descrever, mas é isso.

A água da chuva escorria pelos cabelos grossos e curtos, as orelhas redondas não eram iguais as minhas ou de Renard, Fellius, Ystria, Darren ou qualquer um que eu conheça. Em um movimento rápido o mesmo me virou e puxou minhas mãos para trás.

— Ei! — gritei quando o mesmo prendeu meus pulsos com algum tipo de metal. Reconheci como algemas, assim como eu tinha as usado um dia. Pânico percorreu meu corpo.

— Calada! — rosnou, as duas mãos apertando meus braços.

— Meu pau! Eu não fiz nada, me solte! — Rosno me debatendo sob seu aperto. Em dado momento consegui acertar um chute em sua coxa e me virar novamente. Seu olhar raivoso se prendeu nos meus e devolvi com mais ódio.

— Não sei se percebeu, mas não é você que dá as ordens aqui. — Disse, contive a vontade de mandar o mesmo ir para um lugar muito legal.

— Não sei se percebeu, mas pegou a pessoa errada. Se tivesse prestado atenção nos cortes dos animais teria percebido que isso não pode ter sido feito por um Grão-Féerico ou outro animal. — Me sento no chão observando o macho de pé a minha frente. O mesmo continua me olhando com raiva, mas seu olhar se desvia do meu por alguns segundos. Olho para baixo e percebo que minha camisa está suja e transparente. — Porra, estragou minha roupa.

— Essa é realmente sua maior preocupação agora? — Ignoro a ironia em sua voz e viro a cabeça para trás. Tento derreter as algemas com fogo, porém a chuva impede. Quero gritar de frustração.

— Não, minha maior preocupação agora é... — Me interrompo antes que comece a falar coisas que não devo. — Esquece, só me solta disso aqui e eu sumo da sua frente num piscar de olhos.

— Não. — Disse simples. Lhe olhei incrédula, o mesmo havia se abaixado no mesmo lugar em que eu estive antes. Analisou a carcaça de cada um dos animais. Parando em frente a cabeça da corça. Conseguia ver os mil pensamentos rápidos em sua cabeça enquanto tentava assimilar o que houve nessa clareira. Controlei a vontade de entrar em sua mente e ver com clareza.

— Olha cara, eu não te conheço. Eu não sei seu nome, provavelmente não sei nem onde estou. Só quero voltar pra onde vim, sabe? E apesar da sua adorável companhia eu tenho mesmo que ir embora. — Revirei os olhos ironizando minha fala, tentei quebrar a corrente, mas apenas consegui ferir meu pulso. — Merda.

O macho parecia me ignorar completamente e isso me deixou ainda mais puta. Quem ele pensa que é? Observei atentamente o mesmo. As grandes asas fechadas atras das costas com duas garras e muitas gavinhas negras circulando ao seu redor, o traje de couro preto com algumas escamas. O cabelo castanho, a pele marrom-dourada. Mas uma coisa me chamou atenção, algo que eu ainda não tinha notado. Sete jóias azul cobalto presas no traje. Mãos, ombros, peito e joelho. Minha respiração ficou presa e meus olhos quase saltaram para fora da órbita.

Não é possível. Ele não pode ser o macho dos meus sonhos. Essa frase soou estranhamente estranha. Balancei a cabeça para espantar os pensamentos. Então tudo se encaixou, era ele. Pela Mãe. Como isso é possível? Eu achei que o mesmo nem sequer existisse.

Eu preciso sair daqui. Agora. Com muito esforço consegui me levantar. A chuva agora parecia fria demais, nem mesmo meu poder agindo conseguia conter os tremores e duvidei se realmente era de frio.

Minhas pernas fraquejaram e o mesmo se virou para mim. Minha respiração estava rápida e irregular. Desejei que Renard estivesse aqui. Droga, a última vez que quis tanto sua presença Velliard havia invadido meu quarto no meio da madrugada. Apenas a menção do acontecimento me fez recuar até cair novamente. Usei meus pés para me empurrar para longe.

— O que... ? — O macho a minha frente parecia confuso e tentou se aproximar. Forcei as algemas em meus pulsos sentindo a carne rasgando aos poucos. — Vai se machucar. — Avisou sério. — Pare. — Ordenou, mas eu o ignorei. Eu tinha que sair dali, rápido. Outro raio e mais trovões, meu coração prensando contra minhas costelas. Então como um passe de mágica uma faixa de sombra se enroscou em minhas pernas e logo estava em meus braços. Obriguei meu coração a desacelerar e manter a calma. Respirei fundo três vezes.

Demorei alguns segundos até perceber que meus pulsos estavam livres. Abri os olhos que nem mesmo percebi ter fechado. O macho Illyriano me estudava com cuidado, os olhos correndo por meu corpo. As duas orbes castanhas se prenderam em meus seios e uma centelha se acendeu dentro de mim. Meu cérebro estava confuso demais para raciocinar o que está acontecendo comigo.

Me levantei com calma e percebi que a gavinha negra continuava me rodeando. A mesma parecia se inclinar para mim e logo mais algumas se juntaram a ela dançando ao meu redor. Não contive o sorriso confuso.

— É uma encantadora de sombras? — Perguntou-me. Ergui os olhos para o mesmo, agora reconhecendo o fundo dourado no castanho.

— Como o mestre espião? — perguntei inclinando a cabeça. O mesmo semicerrou os olhos para mim. — Não, não sou. Você é?

— Sim... — Hesitou. Meus olhos desceram para os braços fortes cruzados, agora de pé percebi o quanto ele é alto. Bem mais alto que eu, de fato. A adaga em sua coxa me chamou atenção. E então me recordei...

— Pelo Caldeirão... — Minha voz não passava de um murmúrio. Ele é o mestre espião. E eu fiquei tirando com a cara do mestre espião. Eu estava tão ferrada . . .

— Acho que descobriu quem eu sou. Que tal me dizer quem você é? — Apesar de emanar calma, eu conhecia esse tom. Azriel, o mestre espião, não estava pedindo. Engoli em seco me recordando das palavras de Manch sobre o encantador de sombras.

— Sinto muito, mas não acho que isso seja possível. — minhas desculpas são sinceras, apesar de sempre ter sonhado com o dia que conheceria alguém do círculo íntimo da Corte Noturna não eram bem essas circunstâncias que eu queria.

— Não era um pedido.

— Eu sei... — um suspiro escapou de meus lábios e isso pareceu chamar a atenção do Illyriano. — Tenho que ir, boa sorte na investigação. — Digo rápido e me viro para ir embora, mesmo não fazendo ideia de que lado eu vim. Antes que eu desse dois passos para fora da clareira Azriel se materializou em minha frente saindo das sombras. Sua respiração quente em meu rosto. — Puta que pariu! — guincho levando a mão até o peito por conta do susto.

— Se me permite uma pergunta, para onde vai? — Eu já disse o quanto a voz desse macho é um atentado a sanidade? Principalmente quando está tão perto. Dei um passo para trás.

— Eu... bem... er... — passei a mão no cabelo e olhei para os lados. — Eu...

— Você... ? — o tom de zombaria me fez ter vontade de socar o rosto perfeito do mestre espião. Espera, o que?

— Inferno! — grito com raiva. — Eu estava na corte Diurna, então eu precisei pegar uma coisa no bosque, porém não estava fácil então continuei andando, em algum momento devo ter entrado na Noturna, não percebi, mas então eu estava em uma árvore e dois machos apareceram. Eu devia ter ido embora, mas eu estava curiosa sobre o que teria feito isso nos animaizinhos e desci para ver, então quando estava indo embora, boom, você apareceu e me jogou no chão enquanto pressionava a droga de uma adaga no meu pescoço, esse inclusive deve tá cortado graças a você! E embora eu não deva satisfação nenhuma a você, aqui estou eu explicando para você, já que aparentemente você é obcecado por extrair informações e eu não consigo ficar quieta! — respiro fundo no final ao perceber que não havia tomado fôlego enquanto falava. O encantador de sombras parecia surpreso com minha franqueza e ao mesmo tempo indeciso sobre acreditar em mim ou não. Quis gritar mais um pouco com ele para ver se ele entendia que eu não sou uma ameaça, mas entendo que esse é o trabalho dele.

— Você realmente não sabia que entrou na Corte Noturna? — Perguntou por fim, neguei com a cabeça e o mesmo assentiu. As sombras pareciam sussurrar algo para ele. — Vamos, vou te levar daqui. — Diz me estendendo a mão.

— Oi? — pergunto confusa. Eu tinha gritado com ele. Se eu soubesse que ia funcionar tão rápido teria feito primeiro ao invés de pedir educadamente.

— Disse que está na corte Diurna, sei que esse bosque realmente fica nos limites e que é fácil se perder. Vou te levar de volta, você deve estar na cidade, certo? — Ainda o encarava com uma careta confusa quando o mesmo perguntou.

— Não exatamente... — começo. — Não precisa me levar, apenas aponte a direção que tenho que seguir e...

— E deixar você ir sozinha com uma criatura que consegue fazer um estrago assim — apontou para os corpos sem vida dos animais ao nosso lado. — a solta?

— Eu sei me defender, ok? Não preciso de escolta.

— Percebi isso quando consegui te imobilizar em menos de 5 segundos. — Abri a boca horrorizada. Ele estava mesmo fazendo piadas sobre mim? Um sorriso ladino brilhou em seu rosto.

— Isso é injusto, você é um guerreiro com mais de 500 anos, eu sou apenas uma camponesa. — Joguei o cabelo molhado por cima do ombro e o encarei com desdém. A sombra de um sorriso cresceu em seu rosto e desapareceu tão rápido quanto.

— Então considere como um pedido de desculpas por ter lhe jogado no chão e estragado sua roupa. — retruca. Eu não conseguiria lhe convencer do contrário então bufei e aceitei sua mão. Sentindo a aspereza e os calos, o mesmo me puxou para perto e mexeu as asas.

— Então, vai atravessar até o... — minha fala foi interrompida quando o mesmo me ergueu nos braços e se lançou nos céus. Um grito agudo saiu do fundo de minha garganta e passei meus braços por seu pescoço, pressionando o rosto no traje. — Quer me matar me avisa, caralho! — Rosno para o mesmo que ri fraco.

— Garota, você é quente. — Ele diz, minhas bochechas queimam e sei que estou corada.

— er... você não é de se jogar fora. — respondo e o mesmo gargalha. O som rouco e harmonioso fazendo meu estômago encolher.

— Não, você é realmente quente. Sua pele. — responde. Olho para o seu rosto e vejo um sorriso leve. Senti vontade de passar os dedos nos lábios dele, o mesmo me olhou de canto de olho.

— Ah, isso. — respondi, tentei esconder o desapontamento. — É uma longa história.

— Está doente? — perguntou preocupado. Lhe olhei rápido.

— Não, não. É só, difícil de explicar. Te conto na próxima vez que nos encontrarmos por aí. — brinco. A chuva havia diminuído e agora os raios e trovões estavam distantes. Ele voava com calma, as enormes asas cortando o céu com perfeição. Não me atrevi a olhar para baixo.

— Então vai ter uma próxima vez? — perguntou sarcasticamente, senti um beliscão na parte de trás do meu joelho.

— Não sei, você quer que tenha uma próxima vez? — devolvo. O sorriso felino que cresceu em seu rosto enviou uma onda de calor ainda maior por meu corpo. As sombras ao nosso redor pareciam acariciar minha pele.

— Talvez, contando que você não esteja em nenhuma outra cena de assassinato. — Reviro os olhos e dou um tapa em seu peito. Me peguei então observando a jóia azul em seu peito, no centro do traje negro de couro.

— O que é? — Azriel me olhou rápido e viu para onde eu estava olhando. Soltei uma mão e dedilhei por cima da pedra.

— Sifão. — respondeu simples. Bufei, mas não respondi. A pequena pedra azul brilhou sob meu dedo. Sorri para mim mesma. Então o mesmo mergulhou no ar, meu estômago revirou e me agarrei novamente ao seu corpo.

— Droga, quer me fazer vomitar? — digo entre dentes. meus cabelos ricochetearam e aos poucos começaram a enxugar. Os dele já estavam quase secos, sortudo.

Então pousamos no entrada do bosque, estranhamente no lugar pelo qual eu havia ido. Azriel me colocou no chão com cuidado e quase caí.

— Calma. — brincou me segurando. Dei um tapa em seu braço.

— Isso é culpa sua. — Resmungo tentando me firmar.

— Não sabia que te fazia ficar com as pernas bambas.

— Ora, seu... — me preparei para começar a xinga-lo quando ouvi meu nome sendo chamado. Olhei por cima do ombro e vi Renard e Ystria parados na frente do templo, pareciam cansados e aliviados. — Já vou! — gritei de volta. Me virei para agradecer o encantador de sombras, mas o mesmo não estava mais lá. Contive um suspiro triste e me afastei seguindo para onde os dois estão.

— Onde diabos você estava, menina? — Ystria perguntou vendo meu estado. Ergui um dedo pedindo um minuto. Respirei fundo e endireitei as costas.

— Longa história, conto quando voltarmos pro palácio.  Consegui os ingredientes! — Sorri docemente para os dois que reviraram os olhos. Renard levantou um fraco com líquido negro e um saco escrito "ossa terra", Ystria por sua vez ergueu um pequeno saco escrito "syreni clavus". — Ótimo! — bati palmas. Me afastei dos dois e abri o bolsão pegando o livro de Vulpes, os ingredientes que eu consegui. — Renard, abre aquele bolsão onde você guardou sua vasilha de comida. — peço enquanto vou até a frente da porta. Coloco os ingredientes todos alinhados e o livro aberto na página do feitiço. Logo meu amigo coloca a vasilha em minha frente. Me sento em minhas pernas e começo a misturar. Recitando o feitiço sempre. Senti meu corpo formigar conforme a magia ondulava por mim.

Aperi ad omnes, Ostende mihi, quid habes ad me:  — depois de misturar todos me levantei e fui até a porta. Melei dois dedos na mistura e desenhei a runa indicada no livro. Assim que o desenho se iluminou o som de engrenagens do outro lado foi ouvida e a porta de pedra deslizou para o lado. Minha boca se abriu em um O perfeito e a vasilha em minha mão quase escorregou.

— Aí meu Deus, Alyn você conseguiu... — Ystria Murmurou surpresa parando ao meu lado. O interior da biblioteca é escuro e não é possível se ver. Abaixei e deixei a vasilha ali mesmo, peguei o livro e joguei para Renard. Graças a Mãe a chuva havia passado, se bem que não havia nem sinal de chuva por aqui. Com um sorriso felino e uma coragem não pertencente a mim, dei um passo a frente e entrei no templo. Olhei ao redor e vi algumas tochas presas a parede, as acendi com meio pensamento. Ystria e Renard estavam logo atrás de mim, os olhos brilhando de curiosidade sobre o que de tão valioso está aqui dentro que precisou ser lacrado.

— Que a caçada comece, crianças.

QUEM SURTOU MAIS, EU OU VCS???

COMO O PROMETIDO, AI ESTÁ

AZRYN MEUS AMORES

adeus, vou deixar vcs surtando aq e ir pro twitter

qm quiser me seguir lá meu user é @/SHWNKIWI, até a próxima pessoal

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