༆ VIII

Aviso: graças a minha mãe eu saí da era clean então a partir de agora é só dedo no cu e gritaria, quem gostou bate palma, quem não gostou me processa

Decidi postar mais cedo pq sim ouch KKKKKKKKKK

boa leitura amores

A Corte estava uma loucura, com a proximidade do equinócio os preparativos para o festival estavam a todo vapor e agora a uma lua para o dia da colheita todos estavam ansiosos.

Velliard e seu círculo iam embora duas luas atrás, porém Beron os convidou para participar dos festejos. Renard quase caiu duro no chão ao ouvir e passou o dia inteiro resmungando sobre como Beron é um velho maldito. Eris e eu começamos a nos dar bem, por incrível que pareça depois de nossa pequena discussão e seu sumiço ele tem sido diferente. É como se ele realmente tivesse me visto, como se finalmente tivesse me enxergado de verdade.

Mas não podia confiar, durante anos fui submetida a torturas graças a ele e os outros. Mas nos últimos dias era ele quem me salvava de Velliard já que Urie sem Nyara voltava a ser o cretino desgraçado de sempre. A primeira vez que sentei ao seu lado ele me olhou como se eu tivesse acabado de criar chifres, mas era assim que conseguiria sentir sua essência, se eu o estudasse por bastante tempo conseguiria saber se ele de fato estava sendo verdadeiro comigo ou apenas me manipulando como faz com os outros.

Minha mãe as vezes nos encarava quando ficávamos perto um do outro. Parecia procurar semelhanças entre nós dois, Renard fazia questão de destacar o quanto era imprudente se aproximar do "inimigo". Apenas revirava os olhos, Eris ainda tinha meu ódio porém comparado a Ignner e Orian, os dois eram cópias exatas de Beron, mais parecidos que o próprio Eris. Apesar de tudo que Eris fez comigo, nada realmente me machucava. Se pensasse com clareza, Eris não era igual aos outros, ele não me machucava por puro prazer com meu sofrimento, ele me machucava por saber o que eu sou. Uma sonhadora. E sonhadores não sobrevivem, não na Corte de Beron.

Era estranho de se pensar, de certa forma eu sou grata pelo que ele me fez, Eris me ensinou a ser forte mesmo sem querer, Urie me ensinou as várias faces de uma pessoa, Orian e Ignner me ensinaram o quão cruel o mundo pode ser e Beron me ensinou que família nem sempre é aquela que tem seu sangue. Nunca fui próxima de Lucien, principalmente pelo fato de que os outros também lhe torturavam e não perdiam a oportunidade de feri-lo.

Muitos me chamariam de tola por simplesmente pensar isso, Renard seria o primeiro, mas eu não vejo assim. Ok, eles são uns desgraçados que ferraram o quanto podiam comigo, mas o que eu seria se não isso não tivesse acontecido?! O que seria de mim se Beron não tivesse me trancado?! Se não tivessem me privado do amor de minha mãe?!

Será que eu saberia dar valor?! Eu seria mil vezes pior que eles, meu poder é desconhecido e claramente maior que o Eris, não pensaria duas vezes antes de matar cada um deles por um simples capricho de ser Grã Senhora, e depois?! Eu ficaria sozinha, porque esse é o destino de todos dessa família.

Mas nunca, nunca sequer por um minuto consegui odiar Eris. Ignner e Orian não são dignos nem do meu desprezo, Urie tem meu ódio desde o assassinato de jesminda e da tentativa frustrada de matar Lucien. Nyara podia dizer o que fosse, ele poderia agir da melhor forma comigo, posso até ser "gentil" com o mesmo, mas nunca irei esquecer, era uma vida inocente que foi tirada apenas por ser inferior ao que eles consideram nobreza. De personalidade eu sempre me pareci mais com Lucien e Eris, de aparência sempre com Urie e minha mãe, talvez tivesse herdado dela a paixão por livros mesmo sem saber ler, o que é irônico.

Incrível, ninguém nunca explicou que ser nobre e ser rico são coisas diferentes? Para mim são, ser uma pessoa nobre é ter coragem e ser bondosa, ser rico tem diversas variáveis, você pode nascer rico e herdar de sua família, você pode trabalhar até conquistar sua riqueza, ou você tira pode fazer como Beron, pague mau aos agricultores e assim leve toda a Corte a falência. Não era segredo para ninguém que as jóias colocadas em meu quarto são de minha mãe e só não foram vendidas pois estão comigo por enquanto.

( g a t i l h o )

Me aninhei mais aos lençóis ao sentir o vento frio passar por meus pés, mas a calmaria deu lugar ao medo assim que a porta se abriu e fechou quase que imperceptível. Mantive os olhos fechados esperando o próximo movimento de seja lá quem for que entrou. Sabia que não era Renard, esse saiu a pouco tempo para ver em que ponto seria possível atravessar.

Sim, seria a primeira vez que eu iria atravessar eu nem ao menos sei se posso fazer isso. Me atentei ao ouvir passos leves, porém não como o andar de uma raposa, esse era o andar de um predador. Rondando sua presa, indefesa.

Deixei o fogo fluir por meu corpo aquecendo até o último fio de cabelo, já sabia quem era e não o queria em meu quarto jamais, quero apenas distância. Velliard pareceu não gostar do calor e recuou para longe da cama.

Não precisaria de Renard para me socorrer. Abri os olhos e o que vi em minha frente era algo pior. Velliard estava horrendo, a pele mais pálida do que a de Eris chegando a ficar azulada, profundas olheiras, não chegava nem perto do macho que chegou aqui. Não sabia o que era aquilo, era como se estivesse sendo destruído de dentro pra fora, Eris havia observado ontem mesmo o desleixo do príncipe com sua aparência, mas parecia que apenas nós dois o víamos.

- o que está fazendo no meu quarto?! - indago enquanto puxo o lençol até o peito para cobrir minha camisola. Seu olhar seguiu o movimento parando em meus seios e de repente fiquei com nojo de mim mesma, queria esfregar cada centímetro do meu corpo até que não sobrasse o que olhar - saia daqui!

- Alyn, não se faça de sonsa, percebi os olhares ontem a noite, desculpe não ter vindo mais cedo - responde com doçura?! Do que esse maluco está falando?! Se eu me lembro, ontem no jantar eu estava falando a Eris como "o príncipe é um ser nojento preso em um corpo bonito que nem bonito está mais, como você" inclusive meu irmão quase me queimou os dedos por isso.

- não sei o que você pensou nessa sua cabeça doente, mas agora eu quero que saia do meu quarto - Velliard me encarou procurando uma única brecha para me atingir, não deixaria fácil para ele. - se não sair irei chamar os guardas, sentinelas, se precisar até os demônios, então saia do meu quarto antes disso, ok?!

- não teria coragem - diz por fim, sua voz estava diferente, sombria e antiga, um cheiro pútrido invadiu o quarto, um calafrio percorre minha espinha e bile queimou em minha garganta. - sabe as consequências de trazer um macho ao seu quarto? O que será que o Grão-Senhor pensaria de sua caçula? Eu quis vir aqui desde o dia em que você apareceu com aquele decote até o umbigo, se exibindo para os machos - me assusto com seu raciocínio, ele dá um passo para a frente. - seria o assunto perfeito para um Suriel, imagine "filha desconhecida de Grão Senhor se assume vadia após ir para a cama com príncipe de Vallahan", eu acho esplêndido e você? Mau posso esperar para te marcar como minha.

- o que... - as palavras ficam presas em minha garganta e lágrimas borram minha visão. Não, de novo não, é apenas um pesadelo, eu vou acordar daqui a pouco e não vai passar de um maldito pesadelo.

- de repente perdeu a fala, princesinha - uma gargalhada seca ecoou pelo quarto e foi suficiente para me fazer derramar as lágrimas. Corri até a porta, mas a mesma estava trancada, queimei a fechadura e mesmo assim não abriu parecia lacrada com magia, ouvi os passos dele atrás de mim e sabia que não tinha mais pra onde fugir, Renard saiu, qualquer um que passasse iria ignorar.

Não me virei, senti seu corpo cobrir o meu por trás e um soluço silencioso ficou preso em minha garganta. Ele afastou meu cabelo e colocou o rosto entre a curva do meu pescoço. As lágrimas embolavam em minhas bochechas e eu não conseguia mais me mexer, sentia suas mãos percorrendo meu corpo por cima da camisola, até o momento em que chegou na base. Como se um estopim fosse acesso comecei a me debater, e tentar abrir a porta.

Quebrei a maçaneta e minhas unhas deixando a marca de sangue dos meus dedos na porta, era uma visão horrível.

- fique quieta e será bom para nós dois, não finja que não quer, conheço seu tipo - sua voz me deu náuseas e sem controlar vomitei o jantar da noite passada em seus pés. Um urro de raiva saiu de sua garganta, e enquanto se distraia tentando limpar seu sapato foi suficiente para que eu conseguisse lançar fogo contra a porta de madeira que cedeu sob a investida de poder.

Não me importei se estava apenas de camisola, não me importei se a camisola fosse até a metade das coxas eu tinha que fugir dali, todos os meus instintos me mandavam fugir então eu o fiz. Estava com nojo de mim, estava com raiva por ter olhado para ele, por ter dado a entender em algum momento que eu queria aquilo, eu tinha provocado aquilo, Eris estava certo eu sou uma vadia.

Não sei como meus pés me levaram até ali, mas quando dei por mim estava batendo na porta do quarto de Eris. Assim que abriu eu não pensei duas vezes antes de correr para dentro. Me encolhi em cima da primeira poltrona que vi e os soluços faziam meu peito doer.

- Alyn, o que está fazendo? - por um momento esqueci de quem era o quarto que estava. Respirei fundo e tentei enxugar as lágrimas que continuavam caindo.

- Velliard invadiu meu quarto... - senti quando o mesmo enrijeceu e se prostrou aos pés da poltrona. - ele começou a me olhar, eu pedi para ele sair, mas ele não saiu, eu juro que eu não tive culpa, tem que acreditar em mim, eu implorei para ele parar, mas ele não me ouviu então ele se distraiu e eu fugi, eu não tive culpa, eu juro, acredita em mim...

- o que aquele maldito fez?! - ódio. Era isso que estava em sua voz. Não sabia o que dizer, eu não conseguia dizer, eu ainda sentia suas mãos em meu corpo, em meus seios, minha barriga, nas coxas, os lábios no meu pescoço. Levantei rápido e corri para o que suspeitava ser o banheiro. Me debrucei sobre o vaso e mesmo não tendo mais o que colocar para fora, vomitei.

Assim que acabei caí ao lado, me encolhendo nas sombras do canto da parede. Elas pareciam sussurrar palavras confortantes para mim. Eris observava tudo estático da porta do cômodo, assim que percebeu as sombras me acomodando se aproximou e apenas esse ato me fez encolher e me esquivar de seu toque.

- calma, sou eu, seu irmão, o que te odeia lembra? - assenti e deixei que ele se aproximasse. Eris me pegou no colo e levou de volta para o quarto. Não sem antes me sentar no balcão da pia e amarrar meus cabelos, como se eu fosse uma criança. - consegue me mostrar onde ele te tocou? - perguntou com calma. Percebi que o mesmo estava tentando não me deixar mais assustada, essa foi a coisa mais gentil que ele já fez por mim em toda minha vida, talvez ele não fosse tão ruim quanto desmonstra.

- tem tinta?

[...]

Eris me encarava - ou melhor as marcas com tinta que eu fiz- com o rosto indecifrável. Assim que ele trouxe a tinta, agradeci e me tranquei no banheiro. Usei as palmas para os lugares onde ele apalpou e apenas as pontas dos dedos onde seus lábios tocaram. Assim que pintei a primeira desmontei, era como se o último pedaço intacto da minha alma estivesse sujo, imundo, nojento. Era isso que eu era, suja.

Conforme fui pintando as outras a dor em meu peito aumentava, ao ponto de que cheguei a gritar em meio as lágrimas. Ouvia os passos de Eris do outro lado, sabia que ele estava nervoso por minha causa, duvido que já tenha acontecido algo parecido antes. Eris não é do tipo que ajuda os outros, não sem querer algo em troca.

- ele vai pagar por isso, eu prometo - diz sem esboçar reação. Não consigo acreditar em sua palavra, nunca acreditaram em mim quando eu pedia misericórdia, quando eu implorava para pararem, quando eu gritava que eu não havia feito nada.

- não conte a Beron - digo por fim, engolindo o choro. Ele me olha espantado e eu desvio o olhar - Velliard está certo, a culpa foi minha, e se contar para Beron é exatamente isso que ele vai dizer, agora eu só preciso tirar toda essa tinta, eu vou superar, não é? - sorri triste e ele me estendeu um casaco grande o suficiente para cobrir até os joelhos. - obrigada, bom dia irmão - digo saindo do quarto. Eris assentiu não parecendo convencido. Assim que dei os primeiros passos no corredor que leva ao meu quarto travei. E se ele ainda estivesse lá? E se ele me encontrasse no corredor? E se...

Ouvi a porta se fechar e Eris parou ao meu lado.

- se ele ainda estiver lá eu corto e você frita, ok? - diz mostrando uma adaga. Não sabia o que havia feito Eris mudar comigo, não sabia sequer o que estava acontecendo, mas espero que não mude. Vou precisar dele para cuidar da nossa mãe.

Morri, favor colocar led na sepultura

Eu tô mau? Tô mau, porém certas coisas são necessárias e ontem eu tomei uma decisão que vai mudar um pouco o rumo do livro, ok? Não me matem, quem pegou pegou, quem não pegou vai descobri apenas no 3/4 Capítulo (lembrando que ainda estamos no 1)

Próximo capítulo é o penúltimo antes de Casa de Recomeços quem amou?

agora falando sério, se vcs já tiverem passado por isso e quiserem conversar, desabafar podem ir na minha dm, denunciem, nunca fiquem caladas por mais dolorido que seja, ok?

See u later
Xx

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