༆.prologue

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ACOFAS


ERIS DESCIA OS DEGRAUS COM PRESSA. Havia pensado em uma solução para os problemas financeiros da Corte, uma que não incluía pagar mais aos agricultores. E que ainda lhe garantia o posto de Grão Senhor.

Ao contrário dos outros não era cego, sabia que a irmã mais nova era a mais poderosa entre os irmãos e jamais permitiria que ela fosse coroada como Grã Senhora, já que aparentemente isso agora é normal. Maldita fosse, pensou.

Alyn não sabe nem viver direito, quem dirá governar?!

Enquanto isso em uma torre do andar superior da Casa da Floresta.

Renard observava a dona e amiga tentando enfaixar as próprias costas. Se sentia culpado por não poder ajudar, mas sabia que mesmo se pudesse ela não aceitaria. Era orgulhosa demais, mesmo para aceitar ajuda.

Não a culpava por isso, desde sempre Alyn fora enganada pelos irmãos que prometiam lhe ajudar para no fim acabarem a torturando. Perdeu a conta de quantas vezes teve que assistir sua dona engolir as lágrimas, mas nunca esqueceria de quem tinha feito aquilo.

Alyn era ingênua e não tinha noção do mundo, e também não era sua culpa, cresceu presa e era mantida até hoje. Os 50 anos que a Grã Rainha esteve no poder foram os melhores da vida de ambos, ao contrário do resto de Prythian, mas não era como se eles também não sofressem. Graças a Mãe Urie, o quarto filho de Beron, encontrou sua parceira e deixou que Alyn se aproximasse da fêmea.

Mas até mesmo Renard sabia que não por vontade própria. Nyara é uma fêmea de coração bom e assim que descobriu as barbaridades cometidas para com Alyn intimou o noivo a lhe levar até a cunhada. O primeiro encontro das duas não foi um dos melhores, a fêmea de cabelos pretos como nanquim não esperava o que vira.

Renard lembrava das lágrimas que caiam dos olhos verdes da Grã-féerica enquanto a mesma engasgava com os próprios soluços, causando agitação na garota o que acarretou a perda do controle sobre os poderes e uma queimadura pequena na mão de Nyara.

Urie deu 10 chicotadas nas costas da irmã por isso.

— Se vai continuar a lembrar desses momentos, por favor, erga o maldito escudo — rosnou Alyn baixinho. As chicotadas desta vez foram por culpa de um guarda que entrou no quarto/cela enquanto a mesma trocava de roupa, mas a versão que chegou aos ouvidos do Grão Senhor ele ordenou que ela fosse punida.

desculpe, as vezes esqueço que você é bipolar — Renard respondeu pelo laço de Vulper, ganhando um olhar raivoso da parte de Alyn.

Os dias dos dois eram baseados em implicâncias e Renard ensinando o que sabia para a fêmea. O mesmo era um ótimo professor, mas perdia o foco facilmente falando sobre a vida dos Féericos que vivem na Casa da Floresta.

dou meu suor... — a voz soou não mais que um sussurro na mente de Renard, e acenou para o sorriso que se formava nos lábios secos de Alyn.

— ... meu sangue ... — continuou a promessa que fizeram a muitos anos, e que selou o laço Vulper. E não era mentira, tanto Renard quando Alyn se sacrificariam se isso significasse a vida do outro.

— e minha vida — disseram em uníssono em suas mentes. A fêmea esticou a mão e fez um leve carinho no pelo alaranjado de seu companheiro.

Ao longo dos anos os irmãos de Alyn tentaram diversas vezes ferir Renard, que lhes rendeu ótimas cicatrizes graças as garras da raposa. Não era um simples animal, ele fora ensinado ainda um filhote que deveria proteger sua Vulper.

Com um suspiro ela se levantou e mancou até a janela da cela. Sabia que aquilo não era um quarto, Nyara - sua cunhada - tinha lhe levado até os próprios aposentos. A riqueza dos detalhes dourados e do vermelho que parecia estar sempre presente nos corredores e cômodos do palácio. Ficara encantada, e quis chorar quando sentiu a centelha de esperança que havia em seu coração se apagar um pouco mais.

Se odiava por ainda acreditar que tudo que eles faziam era para lhe proteger, corrigir e ensinar, mas não passava de ódio e crueldade. E enquanto ouvia a cunhada tagarelar sobre como era difícil organizar um casamento praticamente sozinha, pensou como seria ter uma família que realmente se importasse, ou alguém para limpar suas feridas e beijar sua testa quando estivesse doente.

Alyn não entendia como funcionava o laço de parceria e nem sabia como era de fato amar alguém. Nyara a tratava como uma criança, ingênua e inocente, e não contava quase nada e nem ensinava muito para a mesma. E Renard estava sempre perambulando pelos bosques da Corte e pelas terras dos agricultores, ou ouvindo as conversas dos sentinelas e guardas ou criados.

Olhando pelo vidro quebrado e grades da janela observou o sol descer no horizonte colorindo o céu em tons de laranja, rosa e lilás com grandes nuvens fofas parecendo mais próximas do que eram. Observou as florestas brilhando em vermelho e dourado e verde e marrom, dando vida aquele lugar cheio de pessoas horríveis.

Ficou encostada no batente até que as estrelas brilhassem e o vento frio entrasse pelas cortinas velhas e rasgadas e sujas fazendo ela se tremer e decidir se aprontar parar dormir. Não muito mais tarde já estava deitada de bruços sentindo a ardência nas costas e imaginando se viriam lhe ajudar.

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