Capítulo 4 - ༄𝐶𝑎𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑃𝑜𝑒𝑖𝑟𝑎

encerramos mais uma casa, e abrimos mais uma.

Casa de Poeira, veio aí!

espero que amem bastante, pq eu só lembrei agora que tinha que mudar as Casas.

— Então temos um acordo. — Concordo apertando a mão do encantador de sombras. — É melhor que saiba o que está planejando fazer, não vai ter uma segunda chance.

— Não confia em mim, mestre espião? — Provoco com um sorriso. Sinto um pinicar no vale entre meus seios e controlo a vontade de olhar.

— Me dê uma razão para isso, princesa. — Um arrepio percorreu minha pele com a provocação do macho a minha frente. As sombras rodopiaram ao meu encontro conforme um canto da boca de Azriel se erguia.

— Bom, vou fingir sua parceira, isso não é motivo suficiente? — Seus olhos brilharam com o desafio. Foi difícil o convencer do meu plano. Fingir uma parceria e fazer — quase — todos acreditarem nisso. Apenas Rhysand e Feyre saberiam a verdade. Só existe duas coisas no mundo que Velliard quer no momento, vingança. E eu. Por algum motivo ainda desconhecido, mas não por muito tempo.

— Não vai dar certo se continuar dizendo que irá fingir. — Resmungou baixinho. Bufei e olhei para nossas mãos ainda juntas. As cicatrizes cobrindo a pele bronzeada, retorcida. Azriel soltou minha mão e ficou um pouco tenso, acho que notou meu olhar nas cicatrizes.

— As minhas são maiores. — Me gabei vendo o mesmo me olhar com uma sobrancelha erguida, a mesma com um risquinho, quase como uma falha. Céus, aquela falha sexy na sobrancelha me fazia querer passar os dedos nelas. — Ficam nas costas, vão da lombar até um pouco acima das omoplatas.

— Na sua fuga? — Fiquei confusa com sua pergunta, até entender. Ele pareceu interpretar meu silêncio como desconforto: — Não precisa contar se não quiser. — Lhe encarei com um sorriso pequeno.

— Oh não, estou bem, Eris, Urie e Beron fizeram a maioria. Iggner e Orian não passavam tanto tempo na casa da Floresta, mas quando iam deixavam sua marca. —  Brinquei, tentando deixá-lo mais a vontade. Nós dois havíamos sido mandados por Nestha – que se juntou a Renard e Darren - para buscar uma sobremesa. Suspeito que isso foi apenas uma desculpa para me jogar para o encantador de sombras.

Mas não iria reclamar, jamais.

— Desgraçados. — O rosnado baixo do macho não passou despercebido. Não poderia estar mais certo. Não iria mentir os defendendo, eles sequer merecem que eu ainda lembre deles.

— E então, me conte, biscoito com ou sem gotas? Dependendo da sua escolha talvez não possa me casar com você. — Brinco mais uma vez, recebendo um olhar engraçado do encantador de sombras . Olho mais uma vez para a porta por onde a mulher havia ido buscar a sobremesa. É melhor que seja algo muito bom.

— Er... — Por um momento Azriel pareceu desconcertado e as sombras cobriram parte de seu rosto. Sorri para ele vendo uma mecha cair sobre sua testa. — Só é possível comer biscoito com gotas, não? — Meu sorriso aumentou e evitei o pulinho comemorativo.

— Assim que se fala, querido. — Puxei sua mão e bati na minha. — Vamos ser uma boa dupla, ruiva engraçada e moreno perigoso.

— Apelidos? - Disse com ar engraçado. — Isso não estava incluso no acordo.

— Não, estava incluso no pacote parceria. Se vamos fazer isso, tem que ser do jeito certo. Qual sua comida favorita?

— Calma lá, a gente vai fingir. Ninguém vai perguntar essas coisas. — Ergui as duas sobrancelhas para ele. Lhe encarei em silêncio enquanto o mesmo bufava: — Ok, talvez Cassian marque em cima.

— A-ha! — Grito apontando para ele. — Ou seja, eu tenho razão. Mas não vamos ter nossa primeira discussão como parceiros agora, temos uma sobremesa para entregar. — Provoco com um sorriso felino. Me afasto até o balcão assim que vejo a fêmea dona da padaria aparecer sendo seguida por uma fêmea. Uma estava com duas tortas e a outra com um bolo.

— Eu levo as tortas e você pega o bolo e atravessa com a gente. — Azriel disse passando por mim e arrancando um suspiro surpreso. Franzi o cenho e dei de ombros indo até a fêmea com o bolo.

— Obrigada, aqui está. — Entreguei as vinte moedas de ouro que Nestha havia me entregado. A fêmea arregalou os olhos e me olhou pronta para devolver algumas, quando fechei minha mão por cima da sua. Nestha havia me avisado sobre isso. — Aceite isso. Por favor. — Lhe encarei com os olhos gentis que aprendi a utilizar a meu favor. A fêmea cedeu aos poucos e sorri pegando o bolo. Me virei vendo Azriel segurando as duas tortas. Agradeci mais uma vez e fui até a porta, abrindo para o macho passar.

— Primeiro as damas. — Disse parando ao meu lado e segurando a porta com o ombro. Revirei os olhos, mas não escondi o sorriso pequeno. Depois do comentário de Elain talvez precisasse me sentir um pouco mais feminina.

— Se importa se formos andando? Queria poder ver a cidade melhor. — Pedi, olhando ao redor vendo as outras lojinhas com fachadas coloridas e alegres. Céus, essa cidade é tão brilhante.

— Não, vamos por aqui. — Disse simples e comecei a segui-lo com cuidado para não derrubar o bolo. Ele andava com as duas tortas em apenas uma mão, como se não fossem mais que uma bandeja de papéis. Se bem que com esses braços dúvido muito que ele esteja achando pesado.

Chegamos na ponte que levava até a casa do rio, o Sidra passando por debaixo de nós. Me aproximei das muretas da ponte e vi a água refletindo as luzes da cidade parecendo ainda mais lindo. Eu poderia muito bem estar parecendo uma criança olhando a vitrine de uma loja de doces pela primeira vez. Eu meio que fiz isso quando fomos buscar as tortas.

— Se deixar o bolo cair aí Nestha te mata. — Azriel brincou e me virei para ele com uma careta. Para alguém que diziam ser reservado e contido, ele é bem falante e engraçadinho quando está comigo.

— Você iria amar ver ela tentando me matar de novo — Devolvi seguindo nosso caminho. Ouvi uma risada baixa atrás de mim conforme ele vinha atrás.

— Ora, tem que admitir que te derrubar não é tão difícil. — Parei olhando para ele com a boca aberta em surpresa. Ele tinha um sorriso provocativo e arrogante no rosto que, lembrando agora está sempre sério e impassível.

— Aquilo foi um deslize, me pegou de surpresa. Não lutei com Nestha por falta de interesse, arriscar uma guerra civil por machucar a irmã da Grã-Senhora nao está nos planos. — Retruco firme, sopro uma mecha que se soltou da franja e caiu em meu rosto.

— Então você machucaria ela? Não acho que seja possível, Nestha treina com Cassian e até comigo às vezes. — Responde com a voz calma, um vinco se formando entre suas sobrancelhas. Uma expressão fofa de confusão.

— E eu treino com Helion, um Grão-Senhor, Fellius, ex general da corte Invernal, Renard, que foi treinado para me proteger a todo e qualquer custo e Ystria, uma ex-assassina de aluguel. — Respondo com um sorriso enorme. Pisco um olho para ele conforme ele me estudava. — Vamos lá, mestre espião, temos um bolo e duas tortas para entregar, e se for bonzinho treino com você. — Provoquei passando em sua frente e subindo na calçada de pedra, já era possível ver a casa do rio.

— Sua arrogância me comove. — Ironizou atrás de mim. Ri alto, e quase tropecei. O braço do encantador de sombras circulou minha cintura e me firmou. — Você está bem? — Sua voz parecia preocupada e minha cabeça rodou por alguns segundos antes de conseguir me concentrar em seus olhos. O castanho tão claro que poderia ser uma piscina de mel. Inferno de olhos lindos.

— Sim, claro. Eu só tropecei, acontece mais do que você poderia imaginar. A sola da minha bota engatou em uma pedra, eu acho. — Olhei para baixo onde meu pé estava um pouco torcido. Um pouco mais forte e eu teria machucado o tornozelo feio. — Obrigada por me segurar, você é o meu herói. — Brinquei quando ele tirou o braço da minha cintura, mas seus olhos ainda pareciam preocupados.

— Cuidado por onde anda. — Avisou sério, sorri agradecida e continuamos em silêncio. Assim que chegamos em frente ao portão da Casa do Rio lhe encarei.

— Hora do show, baby. — Ele não sorriu dessa vez, os olhos cobertos por um véu de preocupação e ansiedade. Ele era estranhamente transparente para mim. — Vai dar tudo certo, com sorte eles vão acreditar. — Sorri encorajando mais a mim mesma do que ele. Azriel assentiu fraco enquanto eu ia até a porta da frente. Hora do show. Abri a porta com tudo fazendo barulho. — Não vou aceitar, desculpe. Não é o momento certo para isso!

— Fique quieta, temos que conversar sobre isso em particular. Pare de gritar! — Ele disse mais alto que eu. Sutileza com certeza não era com a gente, já sentia vontade de rir. O encantador de sombras bateu a porta e olhou para a mesma como se pedisse desculpa. Aí meu Deus.

— Não vamos conversar mais, Azriel! Somos parceiros, ok, ótimo. Mas não vou aceitar a parceria até que isso tudo se resolva! — Eu deveria ter parado aí, mas meio que perdi o controle sobre minha boca. — Além do mais, você já tem alguém com você. Elain é uma ótima fêmea e vocês ficam bem juntos! — Engoli a série de xingamentos que estava fazendo oara mim mesma e baixei os olhos. Azriel me encarou divertido, pela primeira vez.

— Está com ciúmes? — Ele deu um passo para mais perto e eu dei dois para trás. Não estava com ciúmes, não tinha razão para estar com ciúmes.

— De você? Não, nunca. — Neguei veementemente. — Vou levar o bolo para sala. — Disse mais para mim mesma do que para ele. Assim que entrei na sala todos desviaram o olhar, menos Amren e Rhysand. O Grão-Senhor tinha um meio sorriso assim como a fêmea de olhos prateados. — Aqui está seu bolo.

— Vocês estavam brigando? — A voz divertida de Cassian me fez levantar os olhos da mesinha de centro.

— Sim. Não. — Encarei Azriel que respondeu ao mesmo tempo que eu. — Não? — Perguntei fingindo raiva.

— Qual o problema? — Feyre perguntou, mas seu rosto dizia que tinha escutado tudo que falamos na entrada. Isso aí, baby. Morrigan estava imóvel olhando para sua própria taça de vinho. Nestha estava extasiada assim como Darren ao seu lado. Renard apertava a mão de Fellius como se estivesse passando mal.

— Nenhum. — Azriel resmungou indo para o canto perto das janelas. Ele iria mesmo me deixar mentir sozinha? Frangote. Lancei meu olhar raivoso para ele.

— Alyn, se continuar fazendo isso vai queimar Azriel e precisamos dele. — Helion diz calmamente, lhe encaro feio.

— Eles são parceiros. — Encarei Amren fingindo surpresa, assim como os outros. — Parem de fingir, vocês todos sabem disso desde que ela chegou aqui.

— Como? — Agora eu estava verdadeiramente confusa. Só começamos a fingir isso agora, mas está dando certo, bem demais aparentemente. — Eu disse para não comentar. — Improvisei jogando para o encantador que me encarou feio.

— E eu não o fiz. — Disse, podia ver a confusão em seus olhos, mas sua voz continuava firme. Amren olhou entre nós dois e sorriu abertamente, como se visse por trás de nossa mentira. — Você contou para os seus amigos!?

— Claro que não, nem sequer vi eles nos últimos 30 dias. — Retruquei parecendo ofendida.

— O amor é lindo. — Ystria ironizou me fazendo rosnar para ela.

— Eu não amo ele. Nem sequer o conheço. — Olho para Azriel vendo que Elain está de pé, indo até ele. — Mais uma razão para não aceitar.

— Alyn, pense com calma. — Darren aconselha. Não lhe olhei, meus olhos presos na fêmea perto de Azriel. — Se recusar a parceria o laço poderá ser quebrado, vocês podem morrer.

— O quê?! — Ok, agora ela tem minha atenção. Nem Helion, nem minha mãe disseram isso ontem. Isso estava ficando cada vez melhor. — Elain recusou o laço de parceria com Lucien e está vivinha, tão viva quanto eu. — Provoco sem querer. A irmã de Feyre se vira para mim, desviando os olhos de Azriel por um momento. Os olhos de corça dessa vez pareciam acusadores e julgadores, endireitei minhas costas.

— Não recusei seu irmão. — Disse simples, a voz não mais alta que um murmúrio.

— Mas também não está com ele. Seu ponto não foi provado. — Retruquei. Feyre massageava a tempora enquanto Rhys parecia dividido entre intervir ou deixar continuar. Mas quem nos interrompeu foi Renard:

— Alyn. Azriel. Os dois, quero falar com os dois. — Meu amigo saiu da sala tão rápido quando podia, troquei um olhar com o mestre espião e segui Renard para fora sabendo que o encantador de sombras estava logo atrás de mim. Estranhei quando o mesmo entrou na sala de jantar e continuou até a porta pelo qual as gêmeas haviam entrado durante o jantar. Cruzei a soleira e parei logo a frente de meu amigo, que andava de um lado para o outro. — Quando descobriram?

— Na reunião dos Grão-Senhores, Azriel foi atrás de mim nas montanhas. — Respondi antes que o mesmo fizesse. — Ele já havia me salvado uma vez, quando me perdi no bosque perto do templo milenar de Helion.

— E não pensou em me contar? — Perguntou sério e eu ergui uma sobrancelha. Hipocrisia agora?

— Renard, sem drama. Não é como se fossemos aceitar. — Respondi cruzando os braços como uma criança mimada.

— Mas vocês vão aceitar. — Olhei para ele rápido, isso não estava no plano. — Velliard quer você, Azriel tem você. Ele vai vir até nós assim que descobrir.

— Isso não é um plano, é a minha vida! — Discuti, já sem saber exatamente o ponto de tudo isso. Meu plano a muito havia se perdido, e Renard estava armando em cima disso um ainda mais arriscado.

— Ele tem razão. — Olho para Azriel que se mantinha calado até então. Traidor. — Ora, já estamos fazendo isso. Aceitando ou não, Velliard vai acabar descobrindo sobre a parceria e acabará vindo atrás de mim. - Deu ênfase na última palavra me fazendo perceber o quão ruim é tudo isso. E não dá de voltar atrás, pois na sala próxima daqui sei que tem no mínimo doze pessoas falando sobre isso.

— Inferno, você não vai ser colocado em perigo se não ficar comigo. O perigo inteiro estar se ficar por perto. — Gesticulou exageradamente. — Segue o raciocínio: Velliard vai saber sobre a parceria, ou seja você vai ser uma ameaça para ele, mas se eu recusar a parceria ele vai achar que não quero ficar com você, ou seja você não será mais uma ameaça se eu não quiser nada.

— Espera, você quer algo? — Olho para Renard com ódio. Não é o momento para perguntas difíceis e que não podem ser respondidas. — Não tá mais aqui quem falou, podem continuar.

— O acordo não era esse.

— Eu sei!

— Que acordo? - Dessa vez nós dois olhamos nada amigáveis para Renard.

— Não deveria ter te envolvido nisso, agora só vai ficar maior. Essa porra de efeito bola de neve é um inferno na minha vida.

— Do que exatamente você está falando agora?! — O encantador de sombras estava ficando impaciente, fiquei surpresa de ele ainda estar falando e não apenas me ignorando.

— Você está no radar de Velliard apenas por ser quem é, agora a atenção inteira vai para você por ser meu parceiro. — Resmunguei começando a fazer o mesmo que Renard.

— Ei, isso não é exatamente ruim. — Pulo ao ouvir a voz de Ystria. — Vocês precisam ouvir a voz da razão, no caso eu.

— E o que tem em mente então, gênio? — Ironizei parando e lhe encarando. A mesma semicerrou os olhos para mim e faíscas roxas brilharam nas íris castanhas.

— Velliard vai começar a desviar sua atenção para Azriel e você, e esquecer o resto de nós. Se conseguirmos distrair eles por um tempo, um ataque bem orquestrado poderá ser feito e tomaremos a Outonal, forçando eles a saírem de Prythian. — Disse simples. Repassei o plano em minha mente procurando todas as falhas. Muitas, na verdade.

— Milliken, Joen, Kol e Eridion jamais permitiriam que ele desse atenção total para nós, e isso provavelmente atrairia os ataques para Velaris. — Azriel me observa impassível enquanto argumento contra a proposta de Ystria. — Não negociamos vidas.

— Milliken e os generais jamais poderiam impedir Velliard de fazer o que quer. A prova disso é que você ainda está viva, eles não podem te matar. Você é a rainha deles. — Me remexi desconfortável com a forma que ela falou. — E não precisam ficar em Velaris.

— E onde ficaríamos? Azriel é o mestre espião daqui, Rhysand precisa dele assim como eu preciso das minhas pernas para andar. — Não estava gostando do rumo dessa conversa. Estava ficando cada vez mais difícil e para piorar Azriel não diz nada, apenas observa.

— Um mestre espião tem uma rede de espiões espalhados por todo o continente, subordinados que podem muito bem repassarem suas informações para pessoas de confiança dele e lhe entregarem. — Olhei para Azriel no mesmo instante. Suspeito que o vinho estava estragado, não é possível. — Se isso for ajudar de alguma forma. Precisamos ser inteligentes, não iremos ganhar em números, mas se formos espertos poderemos vencer a luta.

— Você tem muita fé na gente. — Renard balança a cabeça com um sorriso leve.

— Não, ele não tem fé na gente. — Digo indo até ele, para na frente do encantador de sombras encarando seus olhos. — Ele tem um plano.

— Agora sim está falando a nossa língua. — Ystria disse atrás de mim.

— Você está disposta a fazer tudo para tirar eles daqui, não é? — Perguntou baixo, sua voz rouca fazendo cócegas em meu rosto. Assenti. — Então o plano é o seguinte...

E então Azriel falou. O plano dele era extremamente maluco, do tipo que só daria certo com muito trabalho. Céus, de onde ele tirou isso? Mas Renard e Ystria, oh eles gostaram. Eles amaram o plano. Poderia muito bem dizer que Renard quase beijou o mestre espião. Os dois saíram da cozinha deixando-me sozinha com o encantador de sombras.

— Isso é... — Parei procurando as palavras. — Insano, com certeza. Você não era o quietinho?!

— Não, eu sou o discreto. Rhysand é o quietinho. — Disse baixinho, um dos cantos de sua boca se erguendo. Revirei os olhos. Ergui o dedo e uma sombra se enroscou.

— Renard nem mesmo sabe se consegue virar um.

— Temos de tentar, nossa prioridade é tirá-los daqui. Situações drásticas precisam de medidas drásticas.

— Vamos contar aos nossos Grão-Senhores, você lida com Feyre e Rhysand, eu lido com Helion. — Suspiro. — Converse com Cassian, se o seu plano der certo teremos de estar prontos para um ataque direto. Nós vamos escolher o campo de batalha, levaremos até eles.

— Assim que se fala. — Ele brinca timidamente. De repente ele volta a ficar sério. — Os Grão-Senhores podem recusar.

— Anjo, não preciso de Grão-Senhores para por fogo em Velliard. Mas entendo seu ponto, e vou convencê-los e se não conseguir, entro em suas mentes e os obrigo. — Mordo meu lábio inferior fazendo cara de má. O mesmo bufa uma risada.

— Você tem certeza que está do lado certo da guerra? Poderia ser muito útil na vingança de Velliard.

— Esse é o sonho dele. — O mesmo sorri e nega com a cabeça e saímos da cozinha voltando para a sala. Mais uma vez todos ficam em silêncio.

— Por acaso vocês foram se casar na cozinha? Que demora! — Cassian provoca me fazendo sorrir falsamente.

— Reunião de emergência. — Digo tomando meu lugar ao lado de Helion. Todos ficam imediatamente tensos. — Relaxem, ainda não é nada grave.

— Ótimo. — Fellius resmunga se acomodando melhor quando Renard se senta ao seu lado. Azriel abre a boca, mas eu faço um sinal pedindo para esperar. Preciso testar uma teoria. Na última reunião alguém vazou informações, levando a um ataque pelo que Helion havia dito. Entrei na mente de Fellius e fiz uma lista de pessoas que estavam nessa reunião, e não me esqueci que Elain era uma delas.

Havia compartilhado minha suspeita com Fellius e Renard, e olhei para meu amigo. "Não vou ser a vila duas vezes hoje"

"Vilã não, anti-heroína" Zombou. Olhei feio para ele. Era sempre assim.

— Achei que Azriel era seu parceiro, não Renard. — Elain diz inocentemente. Fecho os olhos contando até três.

— E quem disse que Renard é meu parceiro? — Ergo uma sobrancelha para ela que fica na defensiva, dando de ombros ela pisca doce para mim.

— Vocês se olham como se amassem um ao outro. — Diz simples. Então se vira para Azriel: - Não acha estranho que sua parceira tenha um melhor amigo tão íntimo? — Ela parecia genuinamente inocente e odiei cada palavra que deixava sua boca. Insinuando coisas sobre mim que não chegavam nem perto da verdade.

— Florzinha, da fruta que ela gosta eu chupo até a semente. Criei a Alyn, se quisesse ficar com ela, não estaríamos aqui. — Engasguei com saliva no momento que Renard respondeu. Ystria e Darren começaram a rir baixinho, Helion não escondeu o sorriso enquanto olhava para Fellius.

— Ai meu Deus! — Feyre diz sorrindo surpresa. - Você é... ? — Renard assentiu timidamente. Poucas vezes o vi ficar tímido, geralmente o mesmo é tão extrovertido que não parece sentir nada. Mas se olhar bastante consegue ver o quanto meu amigo tem medo de ser ele mesmo.

— Boa parte de nós, na verdade. — Helion diz olhando entre Ystria, Fellius e Renard. Seu olhar paira sobre mim, provavelmente se recordando do beijo com Ystria em uma de suas salas.

— Se saia, aquilo foi de brincadeira. — Respondi seu olhar, agora todos me olhando. — Viu o que você fez! — Acusei sentido meu rosto esquentar. — Vamos logo para a reunião, tem uma sala com mapa aqui, não é?

— Sim, mas pra que... — Interrompo Rhysand rapidamente me colocando de pé.

— Não se importe, Rhys, ela é sempre assim. — Helion diz dando um tapinha no ombro do amigo.

— Ela já fez pior. — Darren relembra me fazendo resmungar "De novo não". — Quando Velliard enviou a carta para a Corte ela estava no banho, ela estava com tanta pressa que foi para a reunião de roupão.

— Roupão de dormir ou de banho? — Morrigan perguntou confusa.

— Banho, eu estava com pressa. — Resmungo. — Sequei meu cabelo com as mãos. Reunião, por favor, vamos. — Implorei fazendo Rhysand e Feyre darem risada e saírem, sendo seguidos por todos. Voltei para a sala para pegar uma das tortas. Elain me encarou por um tempo sentada no sofá, percebendo o que estava fazendo agora e o que eu fiz antes.

— Não pense que ele vai te escolher. — Disse assim que me virei para ir embora. — Azriel merece coisa melhor que você, com ou sem laço de parceria.

— Você, por acaso? — Ironizei saindo de lá. Odiei ter que tratá-la assim, mas se ela acha que irei escutar calada ela me diminuir e me fazer sentir pequena, está ficando doida. Tenho coisas demais para fazer do que ficar com rixa inútil com uma garota um século mais nova que eu. Ela literalmente é uma criança, age como uma mais do que eu. Ao menos quando estou presente.

Encontrei Azriel no meio do corredor.

— Torta? — Apontou para a minha mão, peguei a colher e enfiei no doce tirando um pedaço e levando até sua boca.

— Não comi durante o jantar, e sinto que toda essa conversa vai me deixar com fome. — Sorri enquanto o mesmo lambia a colher. O mesmo fez um barulhinho quase imperceptível provando o doce.

— Vamos lá, parceira. — Provocou me fazendo sorrir maldosa.

— Você primeiro, parceiro.

Isso não iria terminar bem, pra nenhum de nós dois, mas o que é um sereno pra quem já está na chuva?

Azryn sendo parceiros e fingindo parceria, eu simplesmente amo a lerdeza deles

A Amren falando pra eles do laço 💀💀

sério, eles são TÃO lerdos

e pra quem se pergunta pq a autora não conta os planos, é pq ela fica mudando toda hora e só Jesus sabe o q vai ser o final desse livro kkkkrying

amo vocês, byeee

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