04 | Claws, Teeths And An Angry Witch
❛Você não pode acordar, isso não é um sonho
Você é parte de uma máquina,
você não é um ser humano
Com seu rosto todo maquiado,
vivendo em uma tela
Com a autoestima baixa,
então você funciona a gasolina
Oh, oh, oh, oh, oh, oh
Acho que há uma falha no meu código
Oh, oh, oh, oh, oh, oh
Essas vozes não me deixarão sozinha
Bom, meu coração é de ouro
e minhas mãos são frias❜
SAHAR BLOODPETALS ERA COMO UM DEMÔNIO DENTRO de uma casca diabolicamente bela. Uma força da natureza. Com longos cachos cor de mel que se enroscavam por suas costas e olhos verdejantes regados por dourado reluzente, a bruxa era tão infernal, se não mais, que Arabella. Com lábios doces e palavras melodiosas que encantavam a qualquer um. Arabella fora uma dessas. Quando era jovem e tola o suficiente para acreditar em sussurros doces suavemente murmurados contra seus lábios e juras de amor estúpidas.
A bruxa pode observar as grandes bestas se aproximando, as asas encourçadas cortando o ar e a saliva pegajosa escorrendo pelas enormes bocas enquanto caçavam o alimento. Eles, enquanto caçavam eles. Sahar deu um aceno curto para que suas sentinelas se dispersassem pelo céu mesclado por nuvens cinzentas. Arabella não recordava-se de conhecer a montaria de Sahar, por nome é claro, mas jamais havia visto tão de perto. Tinha consciência de que a serpente poderia destroça-los assim como ela o poderia fazê-lo com um filhote de cervo indefeso; não havia como Arhes salvá-los, não com a ordem que ela dera a ele de permanecer nas montanhas a quilômetros dali ── não que Arhes costumasse acatar suas ordens, pois a bruxa tinha quase certeza que se voltasse lá encontraria-o rolando nas folhas de alguma planície não muito distante como um gato de tamanho um tanto excedido.
Os olhos de Arabella dançaram pelo céu cinzento fitando a bruxa que saltara de seu montaria em uma guinada feroz. Talvez fosse aquilo que interessara tanto a herdeira, a ferocidade nos olhos turmalinas de Sahar que fizeram o coração da jovem bruxa palpitar. Ela lembrava-se bem do dia em que a conhecera, com os cabelos cor de mel em uma trança justa e carranca mal-humorada nas feições ferinas. Tão diferente de todas as outras que andavam pelas passarelas ladrilhadas de Agaphantus com sorrisos divertidos e olhos audaciosos, Sahar era uma guerreira. Arabella ainda admirava isso nela.
O cabelo encaracolado da herdeira do Pétalas de Sangue ricocheteou contra o couro de seu
traje quando ela se levantou, um sorriso perverso trilando os lábios rosa-pálido.
── Vejamos o que temos aqui ── ronronou Sahar, se aproximando a espreita. As botas de couro negro tintinando contra o chão lamacento. Ela deslizou os olhos verdes pelo Illyriano, lambendo os lábios com satisfação ── Entre todas as coisas que é, Arabella, jamais imaginei que fosse uma traidora.
Arabella não se dignou a responder a provocação. Pois sabia que aquilo só traria mais agrado a outra. Ela também não direcionou o olhar para o homem-morcego ao seu lado, apenas para Sahar. Em Sahar, nos olhos verdes, prevendo cada movimento que ela poderia ousar fazer.
Ela parecia gostar daquilo, de seu efeito sobre Arabella. No final, Sahar era mesmo filha da Casa de Sangue.
── Ora, vamos, Bel. ── disse a bruxa, arrastada. Ela era a única que chamava-a assim, no ínicio, Arabella achava memorável, agora lhe parecia como uma sentença de morte. ── Me dê ele. Não será nada demais, digo que cheguei primeiro, você ganhará apenas algumas novas cicatrizes. Nada comparado a pena de uma morte dolorosa por traição, é claro. ── os pés de Sahar se arrastavam sob o solo lamacento, enquanto ela sorria ── Estou salvando você. ── sussurrou.
Arabella sentiu seu estomago se revirar e tornar-se fuligem.
Vaca presunçosa.
── Você não quer fazer isso, Sahar ── disse Arabella, com cuidado ── Estou avisando.
A risada sarcástica de Sahar veio em resposta.
── Avisando? ── debochou ela ── O que acha que pode fazer, Arabella? Tenho sentinelas prontas para zarpar em direção ao Quadrante caso eu não retorne viva. ── Arabella quase riu, ela achava mesmo que iria mata-lá? ── Você está de mãos atadas.
Sahar lançou um olhar divertido ao emaranhado de nuvens cinzentas, sorrindo. Tempo, ela precisava de mais tempo, droga.
Vamos. Vamos, Thory. Vamos.
Um grito ecoou vindo do sul, seguido por um ao norte, outro a oeste e um ao leste, então. Logo depois três batidas consecutivas.
Pach.
Pach.
Pach.
Alívio se derramou pelo corpo de Arabella no mesmo instante que os olhos de Sahar dispararam do azul cinzento para os dela, fogo queimando por trás do verde-grama, a herdeira pode sentir a terra abaixo de seus pés pinica-los como milhares de adagas afiadas. Ela se forçou a dar o sorriso mais podre que poderia, agora com os olhos repletos de ódio e aspereza de Sahar queimando sobre si sobre si.
Em perfeita sincronia.
Arabella havia certificado-se de que sua imediata também soubesse onde estava, o que fazia. A mensagem havia sido rápida, porém eficiente. Códigos delineados abstrusamente em uma pedaço de tecido velho, de um modo que apenas a genial e elegante Athorya compreenderia.
── Acho que você não tem mais tantas sentinelas, não acha? ── ronronou ── Eu poderia te indicar algumas de minhas tropas, sabe ── ela se preparou para tagarelar cinicamente, mas Sahar cambaleou para trás antes disso.
── O que você fez?
Ela teve que apertar as garras contra as palmas das mãos de trás das costas para não voar no pescoço de Sahar. Ela, logo ela acreditou que Arabella faria tal coisa. Ela que havia passado cinquenta anos se escondendo sob escadas para encontrá-la, ela. Sua garganta oscilou. A herdeira não sabia porque algo dentro de si quis que Sahar não caísse, quis que não acreditasse em seu blefe meramente fajuto. Ela poderia ser muitas coisas, poderia ter matado muita gente, mas jamais mataria uma de seu povo, nem mesmo as Pétalas de Sangue pelo que haviam feito a Gwen.
Deveria agradecer, agradecer por sua reputação ser tão podre e decrepita que nem mesmo seu primeiro amor acreditara que ainda havia algum tipo de decência dentro do gelo que se tornara. Ela não culpava Sahar por cambalear com os olhos arregalados e pele excessivamente pálida. Não a culpava, pois não, aquilo não era apenas uma reputação. Era realidade.
Arabella não se importou com o Illyriano estático ao seu lado. Por um momento não se importou com o que ele pensaria. Daria a ele uma explicação mais tarde. Ou sequer o daria o crédito para isso.
──Você não entendeu, não é? ── Arabella disse, um nó pensando em se formar em sua garganta, aquele fiapo minúsculo de decência se amontoando sob sua língua. Ela deu um passo a frente, mesmo assim, sem tirar o sorriso presunçoso do rosto, mesmo quando ondas de nojo quebravam contra seu peito ── Eu sempre ganho, Sahar. Sempre.
Mas não ganhara daquela vez. Por mais que parecesse, algo dentro dela gritava.
Perdedora.
Eles caminharam sob a vento gélido do inverno por horas, ouvindo apenas o estalar de passos sobre a terra úmida e a bruxa que hora ou outra parava, cutucando Azriel e resmungando para que ele andasse mais rápido. Eles não conversaram por sequer um momento depois que Sahar ── como havia a chamado ── fora embora, muito contragosto e prestes a esguelhar a bruxa, levando toda galhardia da fêmea consigo.
E então voltavam a andar mais, mais e mais, sem descanso ou paradas.
Quando os músculos de suas pernas começaram a doer e seus braços beiravam a exaustão, ele tomou coragem para abrir a boca, sem o medo de ser esquartejado, ao menos. Olhando de relance para a bruxa, Azriel pode ver que a caminhada do que pareceram horas a fio mal parecia tê-la afetado, como se já tivesse percorrido tantas vezes a extensão daquela floresta que não passava de um pequeno passeio ao jardim. Não que ele estivesse cansado, é claro, já havia feito caminhos muitas milhas mais longos que aquele.
A curiosidade pinicava dentro de Azriel como uma cobra se remexendo no ninho, as perguntas davam a volta em sua cabeça diversas vezes. Por quê? Qual era a porra do sentido daquilo tudo? Morte, pena de morte, dissera a outra bruxa. Ela estava arriscando a própria vida em prole de algo que Azriel não fazia sequer ideia. Ele sabia o que foram os gritos e o porquê fizera Sahar recuar, mas não pensaria em nada daquilo, não agora. Não quando ela poderia ser a única bruxa disposta a negociar, a informa-los sobre o que acontecia do lado de dentro daquele labirinto sem fim.
A bruxa não falara com, não olhara para ele, sequer parecia respirar.
É claro que ele percebera, não era um completo imbecil. Entre ela e Sahar. Azriel não sabia o que era exatamente, mas sem dúvida não era apenas rivalidade, era mais. Bem mais.
── Qual seu nome? ── disparou ele.
A bruxa parou de supetão, se virando bruscamente em sua direção. Ela piscou, então piscou de novo, como se houvesse escutado errado.
── O quê?
── Seu nome ── repetiu ── Quero saber seu nome.
Uma confirmação. Apenas isso, apenas um nome. Assim saberia se era de fato ela a bruxa que havia encontrado na clareira tinha séculos. Ela pareceu prender a respiração por um momento, a tempestade turbulenta se dissipando dos olhos dourados aos poucos.
── Arabella. ── murmurou, baixo ── Arabella Silverclaw.
Ele arfou sentindo algo se remexer em seu estômago.
Arabella. Sussurraram as sombras. Arabella. Arabella. Arabella.
── Sou Azriel ── disse, por mais que ela não houvesse perguntado. ── Mestre Espião da Corte Noturna.
Ele havia recebido a resposta de Rhys no mesmo momento que o perguntara, horas atrás. Ele avisara seu Grão-Senhor que tinha encontrado uma bruxa disposta a negociar, não lhe contara em detalhes, afinal não sabia que tipo de habilidades a bruxa possuía além da força, agilidade e suas armas naturais. Em troca, Rhysand dissera para que ele levasse a bruxa o mais rápido possível para a Casa do Vento, na qual arranjaria um de seus melhores quartos e deixaria Nuala e Cerridwen à disposição de sua "convidada de honra". Antes que Azriel pudesse pensar em um modo de dizer-lhe que sua "convidada de honra" era um tanto selvagem, Rhysand cortara a ligação de forma afoita. Ele tinha certeza de que se a própria Mãe decidisse agradar Arabella, ela cuspiria na cara de mesma com muita satisfação. Não tendo certeza do que se daria por fim com seu irmão, que Azriel sentiu os olhos da bruxa parados não nele, mas em suas asas. As íris de ouro pareciam devorar toda enorme extensão membranosa, levemente salpicada por cicatrizes que havia ganhado ao longo dos anos.
── Pode usá-las? ── perguntou ela. Azriel a encarou, erguendo a sobrancelha ── Para voar, quero dizer.
A pergunta o pegou de surpresa por um momento. Justo ela, que tinha bestas colossais aladas a disposição duvidava que ele pudesse voar? Ele assentiu, brevemente.
── Parece incrível. ── murmurou.
Seus olhos se voltaram para Arabella, que explorava suas asas avidamente com o olhar, os olhos brilhantes e os lábios vermelhos levemente entre abertos. Uma carranca se formou aos poucos no rosto dela quando percebeu sua atenção, o sorriso que tinha se repuxado em seus lábios involuntariamente se desfez. Ele limpou a garganta, lembrando-se da missão que tinham lhe destinado.
── Meu Grão-Senhor deseja sua presença ── ela piscou, parecendo despertar ── em nosso território. ── prosseguiu.
Ela não respondeu.
── Posso levá-la voando.
Então Arabella balançou a cabeça.
── Há sentinelas a norte, oeste e leste. Seríamos vistos. ── ela encarou o sul, ponderando ── Iremos até a Caverna da Eternidade e, só então, partiremos ao sul. É uma longa caminhada pela frente. ── concluiu ela, então se virou, prosseguindo floresta adentro. Porém olhou de canto de olho para Azriel e um sorriso cresceu nos lábios da bruxa.
── Espero que não seja um fracote, Azriel.
Ele riu, satisfeito pela forma como seu nome disparava pelos lábios dela, então a acompanhou em direção a escuridão engolidora entre os galhos e raizes daquela floresta assombrosa.
O manto azul desbotado estalava ao vento frio da meia-noite. E o homem sob o capuz deslizava pelos becos escuros, se esgueirando em meio as pessoas e desaparecendo entre sombras. Como um sussurro da escuridão entre as estrelas, ele apertou mais o saco velho, pesando sobre o ombro; as mãos e a pele dourada estavam grudentas e viscosas, sujas pelo líquido espesso, que manchava até sob suas unhas.
Enquanto caminhava pelas ruas, o homem suspirou, sentindo o vento fresco beijar sua pele úmida. O cabelo dourado ── agora manchado por um tom de vermelho escuro e macilento ── passava em torno de dez centímetros dos ombros largos do guerreiro; ele não se importava com tais futilidades, muito diferente de sua herdeira, que provavelmente deceparia os fios com as garras de ferro afiadas, mesmo que o tivesse que amarra-lo para o fazer. Ele deveria cortar o cabelo antes que encontrasse a bruxa novamente, caso não quisesse parecer uma galinha muito mal depenada. Isso o fez sorrir.
Sorriu ao lembrar da amiga que não via a meses. Ele não sabia como havia aguentado tanto tempo longe dela. Arabella o completava, e ele a ela. Sempre fora assim, desde crianças. Não era nada sexual ou romântico, como tantos pensavam ── nem poderia ser ──, era uma ligação de corpo e alma, os entrelaçando eternamente.
Mas dado as ocupações da bruxa como herdeira e, dele como seu General, o caminho dos dois não se encontrara.
Ele chutou uma pequena pedrinha no velha estrada. Odiava aquela cidade de merda. Os grandes prédios todos construídos por pedras negras forjadas nas brasas do próprio inferno, que ainda queimavam ali, no Quadrante. Ele aumentou as passadas, se espremendo mais entre as pessoas, o palacete já se formava distante, brilhando em sua visão. As portas gêmeas, entalhadas com mármore e ouro, as sentinelas, em posição de vigia.
Seus ombros se ergueram no mesmo momento que seu maxilar trincou. Machos não eram comuns entre as bruxas, nem desejados. Faziam parte da escória da sociedade e, os poucos que sobravam, para que a linhagem permanecesse pura, viviam trancafiados nas fortalezas de cada distrito. Não ele.
Não o Lobo, General das forças Garra Prateada, comandando seus exércitos terrestres. Ele tinha certeza de que a Matriarca o odiava, mas poderia levar isso como orgulho. Arabella jamais confiara em alguém que não ele para liderar seus exércitos, para matar e massacrar em pro de sua causa. Era o que todos diziam, pensavam.
Que continuassem, então.
Continuassem a difamar os boatos da Bruxa Demoníaca e seu Lobo Sanguinário, não era uma completa mentira.
Seus olhos varreram as pedras gastas enquanto andava em direção ao portal aberto.
Garras o impediram de entrar.
Quando ergueu o queixo, olhos de um azul cristalino o encaravam, nem mesmo uma gotícula de dourado brilhando ali. O cabelo de uma noite sem estrelas fora trançado para trás, as adagas e garras polidas e a insígnia prateada reluzindo no traje negro que cobria cada pequeno pedaço da pele marfim pálido. A insígnia das Matriarcas.
Rayna, Capitã Geral da guarda do Quadrante, ergueu ainda mais a coluna os reconhecê-lo. Os olhos azuis viajaram até a sentinela parada na porta, observando, quando deu um aceno curto em uma ordem silenciosa para que se distanciasse. As garras não deram qualquer sinal que se distanciariam seu peito, no entanto.
── Identificação.
Uma ordem.
Uma resposta atrevida pinicou em sua língua quando ouviu o tom da capitã. Mas não. Não perderia tempo com isso. Ele puxou o capuz, afastando os fios grudentos do pescoço. Pode ver o corpo da bruxa enrijecer ao olhar a marca cravada ali. A marca dos Filhos de Dauhra; a serpente sagrada da deusa, enrolada a sua espada divina, dada pela própria a aqueles que a mereciam. Arabella ganhara em algum momento da infância; já ele, se lembrava bem do leve comichão que sentira e então ela estava lá, entre a curva de seu pescoço e clavícula. Logo após desafiar o seu antigo General, que espancava um jovem injustamente. Aquilo havia lhe dado grandes cicatrizes sob o tronco e descendo as costas musculosas, mas pouco se importara no momento.
Pode observar, com certo desgosto, Rayna recolher as garras, abrindo caminho para que ele passasse e dando uma simples reverencia com a cabeça. Nos tempos antigos, os Filhos de Dauhra eram tão raros, que os tratavam como divindades em corpos mortais, porém, após a Segunda Guerra, quando os Clãs venceram as Rainhas, foram caçados e massacrados por inveja; os poucos que sobraram, esconderam-se em meio a tabernas sujas e becos escuros. Mas é claro que, quando a herdeira de um dos principais clãs, exibiu a marca negra que descia a lombar repleta por diversas cicatrizes como uma conquista, não mais uma vergonha, as Matriarcas foram obrigadas, pelo mínimo de respeito que ainda houvesse a deusa, a criarem um templo sagrado para os Abençoados, como chamavam. Era então de fato muita ironia que os únicos marcados ainda vivos ── até onde todos sabiam ── estivessem na guarda particular da herdeira. Ele, Athorya, Gwenevyer e Arabella; ele conhecia a herdeira bem o suficiente para dizer que ela adorava o fato de poder desfilar com sua guarda pelas ruas tumultuadas do Quadrante, as ruas da avó. Ele não a julgava.
A capitã esperou que Samuel adentrasse a construção de pedra negra para segui-lo, dando um sutil aceno para suas sentinelas ao deslizar silenciosamente atrás dele. Ele havia sido treinado pelos mais cruéis generais entre o gelo cortante das montanhas Callygam para reconhecer alguém que o apunhalaria assim que tivesse uma chance; Rayna Okanen era uma dessas pessoas.
Mas a Capitã Geral era sua última preocupação no momento, não com os reinos feéricos a oeste respirando em seu pescoço em procura de Arabella. Suas passadas foram rígidas até o grande portal em direção a sala dos tronos. Continuava da mesma maneira desde que o guerreiro o vira pela primeira vez. Os três grandes tronos no meio do salão.
Ele caminhou com a coluna reta e queixo erguido até os tronos; espinhos, ferro e ouro reluzindo a fraca luz do luar que dançava sobre o chão de pedra. O General fez uma reverencia acentuada as três Matriarcas, sentindo seus músculos arderem com o esforço. Ele se recordaria de mandar a herdeira ao quinto dos infernos por o designar para tal missão. Quando ergueu o corpo rígido pode observar os olhos azuis salpicados por dourado lhe observando, o desprezo e indiferença pareciam dançar sob o azul cristalino. Ele se perguntou, por um momento, como Arabella havia aguentado aqueles olhos pousados nela por tantos séculos, a frieza cortante raspando a milímetros de sua pele.
Um frio dançou em sua espinha. Ter os olhos das três Matriarcas grudados em si era mais assustador do que ele imaginara. Samuel lambeu o lábio inferior, sentindo a ferida recentemente aberta arder, então ele limpou a garganta, sentindo um nó crescer ali.
Droga, droga, droga.
Ele não tinha nem metade da habilidade de Bella e Gwen para sorrir e enganar a qualquer um com palavras difíceis e propensão diplomática. Arabella deveria ter pensado nisso, mandar um guerreiro para uma negociação não era um bom feito.
── E então, não tem nada a nos dizer, garoto? ── a voz graciosa de Falihnia retumbou diante de seus ouvidos, ele deu mais uma simples referencia com a cabeça antes de falar;
── Trago-lhes noticias da caçada, Majestades. ── ele puxou o saco que apertava sobre o ombro, derramando o conteúdo satisfatoriamente no chão de pedra negra. A cabeça semi decomposta guinou sob a rocha polida, manchando-a de vermelho embolorado. Ele pode ver o rosto de Aenya se contorcendo em desgosto minimamente, as feições sabias de Womalia sequer dando movimento a pele marrom escura enrugada e o suspiro exasperado de Falihnia, logo substituído por um sutil biquinho.
── Pedi a ela a carcaça, não uma cabeça mal decepada. ── resmungou ela, as outras pareceram não ouvir ── ou ignorar, Sam não sabia dizer ao certo.
O corpo de Aenya se moveu para frente sutilmente quando a voz áspera perguntou:
── E poderíamos saber o motivo de minha neta não dar a noticia por si própria? ── o ronronar ácido fez o corpo de Samuel ficar em alerta, por mais que soubesse que, se ela não quisesse que ele saísse dali vivo, ele não sairia. Principalmente com Rayna Okanen aguardando de trás da porta, de certo radiante com a possibilidade de dar cabo dele.
Ele, entretanto, escondeu o sorriso com a pergunta. Ótimo.
── Arabella constatara que seria uma grande frivolidade entregar a Vossas Grandezas apenas uma imundície feérica, então prefirira por caçar direto da fonte. Creio que ela chegue em torno de semanas. ── concluiu, com satisfação.
── Mais de um, é? ── a voz engelhada da Matriarca Coroa de Ouro rangeu em seus ouvidos. Ele assentiu.
Ele pode ver o sorriso estranho crescendo nos lábios da Grã-Bruxa.
── Garota esperta.
Falihnia ainda estava sentada sobre o trono de espinhos e rosas obsoletas, emburrada; Aenya olhava diretamente para ele, como se pudesse ver a camada de mentiras que haviam criado cuidadosamente.
Ele sorriu uma última vez antes de fazer uma reverência paras as três e se retirar, pouco se importando se a capitã ainda o seguia. Pouco se importando com qualquer coisa.
Vingança.
Eles teriam vingança.
༄ ── Chegou um ou dois dias atrasados? Sim. Hahahaha, sei que eu prometi que iria postar em homenagem ao dia das mulheres, porém acabei tendo muitas coisas para fazer e só pude finalizar ele hoje; então aqui está: feliz dia das mulheres atrasado, bruxinhas 🎉
༄ ── Agora podem falar que eu tô curiosa, o que acharam do Sam? 👁👄👁
༄ ── Quero trazer mais capítulos em diferentes pontos de vista mais para o futuro, tanto para vocês verem como a Bella é interpretada por outras pessoas, tirando o Az, que claramente baba ovo pra ela huahauha, quanto para conhecerem mais do universo e dos personagens.
༄ ── Eu fiz um grupo sobre as minhas histórias no WhatsApp, pra vocês tirarem dúvidas e darem opiniões e receberam conteúdos exclusivos, tanto de Acobas, quanto das outras histórias. Quem estiver interessado pode me chamar no privado ou deixar o número aqui mesmo para ser adicionado シ
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