02 | The Beautiful Woman Locked In The Dark

❛Tem uma tempestade se formando
E estou presa no meio disso tudo
E isso toma o controle
Da pessoa que eu pensei que eu era
Da garota que eu costumava conhecer
Eu assisti minha visão de mundo
Desaparecer na frente dos meus olhos
Momentos de mágica e maravilha
Me parecem tão difíceis de encontrar
Isso vai voltar algum dia?❜

O QUADRANTE SEMPRE FORA MAIS FRIO QUE TODO RESTO DE KETTER. Não um frio agradável, daqueles que a bruxa se enrolava em um cobertor quentinho e se entupia de chocolate quente com marshmellows, mas sim uma coisa gélida e sombria que se impregnava em seus ossos, corroendo sua alma aos poucos. Ela não deveria se preocupar com isso, no entanto, bruxas não tinham alma. Nada disso não fazia aquele lugar mais agradável. E a jovem herdeira almejava o momento que voltaria para as tavernas barulhentas de Mazaq, para Sam, Thory e Gwen. Havia algo de muito importante para a Grã-Bruxa convocar a neta insolente e arrogante para o renomado Quadrante das Matriarcas, algo ruim o suficiente para arriscar trazer a bela e jovem herdeira para perto das outras governantes. Arabella havia visto poucas vezes as outras duas Grã-Bruxas; Falihnia, a alta e esguia Matriarca das Pétalas de Sangue, com o cabelo mais dourado que o brilho do sol e olhos de um verde intenso, atraia homens e mulheres sedutoramente, para que virassem nada mais que carniça. E Whomalia, de pele cor de chocolate, sempre com a capa azul celeste e todas as joias que pudesse, ronronando belos versos e poemas venerando Dauhra. E sua avó. Aenya, com cabelo de lua líquida e uma simples, porem eficaz, armadura do preto da noite. Todas tão venenosas e manipuladoras, cada uma com seu modo depravado e devasso de corromper aqueles a sua volta.

A caverna de pedra escura, iluminada pelo luar, parecia como sempre: fria e sem graça. As rochas negras haviam sido polidas e lustradas e os três tronos estavam onde sempre estiveram. O da direita de pétalas e espinhos, de Falihnia, o da esquerda de ouro e âmbar de Whomalia e o do meio de garras e espinhos de ferro puro de Aenya. Nada mudara, constatou Arabella.

A herdeira caminhou de queixo erguido até os tronos, a armadura negra reluzindo em meio a escuridão e a capa dourada ── o dourado de sua casa, de seu lar ── estalando contra o vento. O cabelo prateado parecia roubar a luz de todo ambiente, brilhando como um só. Ela fixou os olhos nos azuis cristalinos da avó, levemente pontilhados por dourado, e se curvou perante a mulher que arruinara sua vida.

Música na mídia

── Arabella ── a voz da Grã-Bruxa retumbou friamente contra as paredes de pedra, soltando uma fúria calma e letal pela coluna da jovem. ── Levante-se.

  A herdeira obedeceu. Fez uma breve reverência para as outras Grã-Bruxas, o rosto congelado em uma mascara de frieza. Então encarou a avó, e balançou a cabeça tediosamente.

── Há algo que possa fazer por vocês, Senhoras? ── ela tomou cuidado para soar respeitosa, mas não demais, e permanecer desinteressada o suficiente para não trazer a atenção das Matriarcas para si.

Sua avó semicerrou os olhos em desconfiança, então estalou a língua irritadiça.

── Fará uma caçada ao norte de Amoena. ── uma ordem, percebeu, não um pedido ── E encontrará o feérico imundo que impregna nossas terras.

Arabella prendeu a respiração, sentindo a cabeça girar.

Feérico.

── Nos trará a carcaça dele ── a voz delicada de Falihina soou fútil quando ecoou pelo salão, enquanto a bruxa limpava as unhas, desatenta a tudo e todos ──, preciso mesmo de nova compostagem para minhas Rosas da Madrugada.

Ela não conseguia respirar. Precisava de ar. Não conseguia...

Feérico. Feérico. Feérico.

── E guarde um pouco do sangue para mim. ── fora Whomalia desta vez, o cabelo cor de mel reluzindo fracamente ── Nossa Deusa ficará radiante com sangue de feérico fresco.

  Arabella ergueu a cabeça então. Teste, disse a si mesma, não passa de um teste.

── Voltarei em três dias ── disse, se forçando a dar um sorriso presunçoso e deslizar uma mecha do cabelo prateado para traz da orelha  ── Com um bastardo feérico de presente para vocês, Matriarcas.

  Ela sentia os olhos da avó sobre si, sentia eles varrendo cada pequeno centímetros em busca de uma falha, de um erro. Mas não acharia. Não quando ela própria treinara a neta tão meticulosamente. Os lábios de Arabella se repuxaram para cima e ela encarou a Grã-Bruxa sentada no trono de ferro e brasa. Um aviso silêncio, de que não tinha medo. Nunca teria. Pode ver a avó trincar os dentes de ferro, enquanto erguia o braço acenando preguiçosamente.

── Suma de minha frente.

Arabella tremeu da cabeça aos pés durante todo o percurso até a colina florida que havia deixado Arhes, tremeu enquanto caminhava pelas ruas rochosas e enquanto deslizava pelos sulcos da montanha. A besta alada estava estirada na grama fresca de barriga para cima com os olhos fechados, Arabella não tinha energia o suficiente para repreendê-lo, apenas se aconchegou com ele sentindo a grande asa envolvê-la, como um casulo que a protegia do frio congelante lá de fora.

Então, a bruxa acordou antes que o sol banhasse o céu de laranja, vermelho e dourado, cutucando Arhes que bufou preguiçosamente, ela revirou os olhos. Besta preguiçosa boboca. O vento fresco da manhã açoitou os cabelos da bruxa, beijando o rosto pálido. Ela encarou o horizonte, esperando que a encarasse de volta. Encarou o Sul, onde um dia vivera feliz, dançara, cantara e rira, o que agora parecia tão distante. Feérico, dissera a avó. Ela ela parte feérica, sua mãe um dia fora também, com as as orelhas levemente pontudas e cabelo negro, os olhos azuis-turquesa. Arabella se lembrava de quando a mulher penteava seus cabelos e a contava histórias de um reino cheio de magia, governado por uma belos reis e rainhas, e uma jovem princesinha que portava do fogo do sol.

Mas tudo aquilo se fora, e parte dela havia ido também.

Ela encarou Arhes, que a olhou de volta, como se sussurrasse

Talvez ainda haja. Talvez haja um pouco de você dentro desta casca de ódio que se tornou. Procure, Arabella. Procure.

Mas não, ela sabia que não. Que a princesa que corria pelas ruas de pedra dourada, que pegava pães doces escondido e cantava alegremente para seu povo havia morrido. Ele e Sam era tolos de pensar do contraio. Ela trincou os dentes, puxando as rédeas da montaria, não daria ouvidos a nenhum dos dois. Se pós na cela e avançou contra os céus.

Azriel chegara ao Reino das Bruxas após onze longas horas de viagem, onze horas voando contra o vento até a ilha. Beron não mentira, notou.

  Ele passara por cima dos três reinos. Não haviam sentinelas a sua espera, com arcos apontados em sua direção. O Mestre Espião não fazia ideia de como as bruxas haviam passado tanto tempo escondidas sem nenhum tipo de proteção. E não tinha certeza se gostaria de descobrir. A culpa de não ter se despedido o atingiu com uma pedra entalada em sua garganta, talvez sequer voltasse vivo dessa. Azriel acampou em uma floresta escura, não sendo tolo o bastante para acender uma fogueira e comendo maçãs e frutas que reconhecia no caminho, quando as estrelas brilharam no céu ele não ousou fechar os olhos por um segundo sequer, não enquanto ouvia as bestas noturnas sussurrando a seu encalço, espreitando da escuridão crescente.

Então, assim que o primeiro resquício do sol pingou no céu escuro, Azriel soube que deveria partir em busca da Rainha, Governante, Imperatriz ou seja lá quem comandasse o sombrio e sinuoso Reino das Bruxas.

Agora, que o sol dançava no céu, ele pode observar com mais atenção a seu redor; as árvores levemente inclinadas, com copas de um verde morto quase preto, a grama parecia molhada e cogulos e plantas brilhantes se espalhavam pelo chão, pequenos besouros gorduchos batiam repetidamente contra os galhos. Tudo ali parecia estranho.

Ele balançou a cabeça, sentindo a brisa fria do inverno, muito diferente do calor reconfortante que sentira na Corte Estival, não muito tempo atrás. Caçou a bolsa de couro gasto com a mão, sentindo-a quase vazia, ele precisava caçar, urgentemente. O Illyriano caminhou em direção a qualquer lugar que fosse bem longe daquela flores horrível, deslizando os pés silenciosamente, as sombras se enroscando em volta de seus ouvidos, apertando seus braços.

Está perto. Ela está perto.

Sussurravam elas. O corpo de Azriel parou no mesmo instante, quando deslizou a mão até Reveladora da Verdade, guardada no coldre em sua cintura. Quem? Quem está perto? Perguntou de volta.

Ela.

Ah, que fantástico. Ele empunhou a adaga olhando seu raio de visão, não havia ninguém perto, nem mesmo uma alma viva, até que sentiu. Foi rápido demais para que pudesse prever, silencioso demais.

  Sentiu garras pressionarem seu pescoço, cortando tão de leve. Suas costas bateram fortemente em uma árvore, quando pode finalmente ver. O cabelo branco de luar e os olhos de ouro líquido que emolduravam o belo rosto, a capa dourada faiscava atrás da traje preto encandeceste. Ela.

Era ela.

── Ora, ora, ora ── a voz melodiosa que atormentava seus sonhos ronronou maliciosa, se aproximando, trazendo o aroma de lírios e cereja e canela, apenas para sussurrar muito perto de sua boca ── O que faz em meu território, morceguinho?

༄ ── Olha quem deu as caras, ui ui ui. Pois é, mas nem podem reclamar dessa vez, eu nem demorei tanto vai. E lembrem-se de me corrigir caso achem algum erro ortográfico e fiquem vontade para me chamar no privado ou no intagram @mofoliterario para soltar todas suas teorias.

༄ ──  Agora é só dedo no cu e gritaria Hahahaha, quero só ver o que vocês vão dizer

༄ ── Não se esqueçam de votar e comentar para dar mais visibilidade a história, mas também me deixa muito feliz 💕🤧

༄ ── Adendo; estava pensando em fazer uma pasta no pinterest para salvar as fanarts que acho meio parecidas com os personagens, o que acham da ideia 😁✨

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