Parte 5


– Ruan não voltou. – concluiu Jô após revistar a cabana.

– Então vamos procurá–lo. – a oriana sugeriu.

Escutaram um zunido, Shanda puxou o jovem lixeiro pelo braço para que se escondessem. Uma nave sobrevoou o local.

– O que você está fazendo, sua louca? Eles podem nos ajudar.

Ela permaneceu em silêncio, observando.

– São sucateiros? – Jô perguntou antes de olhar, mas ficou quieto quando viu que era uma pequena nave negra com uma estrela rubra de aspecto suspeito.

O rapaz foi arrastado para fora.

– Precisamos nos esconder no lixo. É aqui o ponto de encontro.

Um estampido. Em seguida a mulher estava caída no chão com o ombro sangrando.

Ruan se revelou saindo de um esconderijo no meio do lixo, a arma constantemente apontada para Shanda.

– Hei, hei, hei, para! – Jô se colocou entre eles – Ela é amiga. Abaixa essa arma.

– Sai da frente, garoto. Não posso atirar em você. – disse o ex–soldado.

Com uma rasteira a guerreira psiônica derrubou o jovem lixeiro e com um chiado estrondoso acertou um raio no peito de Ruan. Em seguida puxou uma adaga e colocou–a contra o pescoço de do rapaz.

– Me entregue a chave do Big Bang ou eu mato o garoto. – sentenciou.

Jô não entendia o que estava acontecendo. Ficou sem reação, imobilizado por aquela mulher que até poucos segundos estava começando a confiar a ponto de tentar salvar sua vida.

– Acha mesmo que eu me importo. – o veterano de guerra cuspiu no chão.

Os olhos profundos da oriana pareciam penetrar nos mais íntimos pensamentos de Ruan enquanto o encarava.

– Não pense que me engana. – ela disse – Eu posso ver em sua mente o quão esse garoto é importante para você. General Armstrong.

– General? – Jô estranhou. Ele sabia que este sobrenome pertencia a uma das famílias mais importantes da corte imperial.

O homem jogou sua arma no chão e sorriu com escarnio.

– Malditos psiônicos. Cãezinhos do imperador.

– Não me enrole! Entregue logo a chave! – Shanda ordenou com firmeza, forçando a adaga contra o pescoço do rapaz, onde uma fina linha de sangue já começava a escorrer.

– Pelos deuses! O que está acontecendo aqui? – Jô implorou por uma explicação.

A telepata sentiu que o jovem merecia saber a verdade, então começou a falar:

– Quando nos encontramos pela primeira vez eu não imaginava que vocês tivessem algo a ver com a negociação da chave do Big Bang. Na verdade até me preocupei que estivessem correndo risco por minha culpa. Mas quando você contou que havia me descoberto como clandestina no cargueiro eu percebi a mudança de postura do seu amigo e logo fiquei desconfiada. Usei minha telepatia e vi no fundo da mente dele que ele era o contato dos servos do lorde sombrio. Quando fugi do ataque dos espectros, ele me seguiu e nos enfrentamos, eu teria o matado, mas ele fugiu. Eu sabia que ele voltaria até você então voltei à cabana.

O general Armstrong bateu palmas e deu alguns passos em direção a ela.

– Realmente. – ele disse – Parabéns. Me pegou.

Jô parecia incrédulo presenciando aquela cena.

– Você só não é uma telepata melhor porque deixou algo escapar. – disse o general – Não tenho como te entregar a chave do Big Bang.

Shanda franziu o cenho.

– Você já está segurando ela! – o homem gritou ao mesmo tempo que armou um chute que acertou o rosto da oriana.

Shanda rolou de dor enquanto o Ruan levantava Jô pelo braço. Quando ela tentou se erguer para contra–atacar o homem a alvejou com três tiros no abdômen.

Jô tentou se desvencilhar dos braços do general, mas levou um soco de esquerda e perdeu a consciência. A nave negra planou sobre eles e abduziu os dois homens.

A mulher usou seus poderes para retirar os projéteis de seu corpo e permitir que suas feridas se curassem com sua regeneração acelerada. Se levantou decidida a não permitir que os inimigos conseguissem pôr as mãos na chave do Big Bang. Estendeu os braços, se concentrou e, com muito esforço, conseguiu imobilizar a nave no ar. Depois, com um segundo movimento, fez com que a mesma despencasse sobre as montanhas de lixo.

Novamente usou suas habilidades telecinéticas e se lançou em um salto gigante, pousando próxima ao veículo espacial. Mas antes que Shanda fizesse qualquer coisa, o general Armstrong e quatro capangas desembarcaram e abriram fogo contra ela, que por sua vez parou todos os projéteis no ar com suas habilidades.

A oriana usou novamente seus poderes e desarmou todos os inimigos com um único gesto. Em seguida partiu para o combate físico, combinando seu treinamento marcial com a telequinesia. Levou alguns golpes e recebeu um corte profundo acima do joelho esquerdo, mas conseguiu derrotar os quatro servos do lorde sombrio. Porém, quando se virou para enfrentar o general, deparou–se com uma arma apontada para sua cabeça e quedou paralisada.

– A essa distância você não conseguiria se salvar de um tiro, psiônica maldita.

Não havia o que fazer, se Ruan apertasse o gatilho, mesmo que Shanda se concentrasse muito, jamais conseguiria parar o projétil antes que esse atravessasse seu cérebro.

Por fim o tiro foi certeiro. Espirrou sangue para todo lado. O estampido foi ensurdecedor.

Quando o general Armstrong finalmente caiu no chão, com a vida se esvaindo, Shanda avistou Jô segurando a arma com a qual efetuara o disparo que a havia salvado.

Os dois se aproximaram e trocaram olhares intensos. Aquela pequena aventura que tiveram juntos fora mais significativa do que eles pensavam.

– Então você é a chave do Big Bang? – ela perguntou.

– Bem. Devo ser. – o rapaz respondeu entre um sorriso e outro – Pelo menos assim você não fica com toda a graça.

De repente a nave negra afundou na terra e foi abraçada por vermes gigantes que em poucos segundos já abriam enormes rombos no casco e devoravam o metal.

Chocado, o lixeiro levantou a questão:

– E agora, como a gente vai sair daqui?

FIM.

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