Parte 3
Três horas depois, Jô já beirava o desespero. Se sentia impotente no meio do nada e desconfiava que o amigo não iria mais voltar. Olhou para o céu, não havia sinal de que amanheceria. Zelava para que as chamas das fogueiras não se extinguissem, mas começava a pensar que não poderia ficar ali para sempre.
Voltou para dentro da cabana, encontrou o exemplar da Garotas Estelares, que havia guardado dentro do colete, folheou algumas páginas e pensou que ao menos poderia bater antes morrer. Janeviev Lmoir, uma celebridade humana do planeta Nouvelle seria sua última companhia.
Quando abriu o zíper da calça, escutou um baque do lado de fora. Espiou para ver o que era e encontrou a clandestina misteriosa caída à entrada da cabana. Ferida e inconsciente.
– Merda, agora mais essa. – ele resmungou.
Arrastou a mulher para dentro e se sentou ao lado dela, sem saber o que fazer. Olhou suas feridas e viu um enorme corte no antebraço, por onde escorria muito sangue. Pegou seu canivete, cortou um pedaço de sua jaqueta e usou para estancar o ferimento.
Jô foi para fora, verificou as fogueiras, olhou em volta esperando ver seu amigo voltar. Caminhou de um lado para o outro pensativo. Olhou para o céu, a noite parecia interminável. Escutou o estômago roncar, estava faminto. Precisava fazer algo.
Alimentou as fogueiras, tentou se certificar que elas continuariam acesas por mais algumas horas. Pegou o mapa digital de Ruan dentro da cabana, acendeu uma tocha e se preparou para partir.
– Vou com você. – ele escutou a voz em coro da mulher.
– Acho melhor você ficar e descansar. Está ferida.
Ela olhou para o braço enfaixado com certa curiosidade e arrancou a faixa com desdém. Jô percebeu que o braço estava curado, sem nenhuma marca.
– Só estou um pouco cansada. – disse em seguida.
Depois de um tempo olhando um para o outro, o rapaz tomou fôlego e abriu a boca para falar, mas a alienígena de pele negra foi mais rápida e sentenciou:
– Eu sei que não confia em mim, humano, mas vai precisar de mim se quiser viver. Não vai durar muito tempo com os espectros por aí.
Ele hesitou por um momento, percebeu que se ela quisesse lhe fazer mal, teria feito quando teve a chance dentro do compartimento de carga.
– Tudo bem, colega, mas vai me contar quem é você e porque estava com os espectros dentro do cargueiro.
– Pode me chamar de Shanda, eu sou uma oriana. Se eu disser qualquer coisa a mais que isso vou ter que te matar.
– Certinho então, bonitona. Mas se tentar alguma gracinha...
– Não se preocupe, acredito que vou precisar da sua ajuda para completar minha missão.
...
Juntos eles seguiram o mapa digital. Ruan havia feito marcações que levariam direto à nave destruída. Caminharam por boa parte do caminho em segurança, não havia sinal algum dos espectros.
No momento em que avistaram o cargueiro ao longe, foram surpreendidos por seis das temíveis criaturas sombrias. As chamas das tochas os mantinham a uma distância segura, mas eles sabiam que não adiantaria muito. Não menos que esperado, um dos monstros disparou em um ataque traiçoeiro.
Jô rolou para o lado e perdeu sua tocha. Outras criaturas aproveitaram o momento e partiram para cima do rapaz, que sentiu que morreria naquele instante. Porém, os espectros foram surpreendidos por um jato de fogo que pulverizou dois deles de uma só vez.
– Ande, humano! – disse a oriana – Eu não tenho poder para enfrentar todos eles.
Quando o lixeiro olhou ao redor ele pode perceber dezenas de pares de olhos brilhantes na noite escura. Havia muitos espectros ao redor. Jô escutou um estrondo quando viu Shanda erguer seu dendo indicador e percebeu que uma estranha onda transparente se expandiu a partir do dedo dela, afastando as criaturas das trevas como se as empurrasse com força.
Aproveitando a chance, os dois se colocaram a correr em disparada na direção do cargueiro espacial, mas não deixaram de ser seguidos. Vez ou outra a mulher usou suas habilidades sobrenaturais para arrebatar um ou outro inimigo que se aproximava.
Quando enfim chegaram ao destino final, cansados de fugir, pensaram que não haveria salvação. Estranharam ao perceber que os espectros não se aproximavam do cargueiro, então notaram que já estava amanhecendo. O sol nascia do oeste em Fuji.
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