Arquivo 38
R arregalou os olhos debaixo d'água e se levantou esbaforida, o ar quente lhe queimava os pulmões... Ela havia lembrado de cenas cortadas de sua mente, imagens que ainda eram desfocadas na sua mente. Mas se recordava de um dia em que havia ido falar com o seu pai, pois não estava conseguindo dormir e ao entrar em seu escritório o viu saindo de dentro de um ármario de madeira que permanecia sempre trancado...
- Pai? - chamou a pequena R. - Você consegue fazer mágica?
Seu pai na hora havia se assustado ao vê-la ali, mas logo soltou uma leve risada e abraçou a filha.
- Não exatamente minha princesinha.
- Mas eu vi você saindo de dentro do armário... E não tem como você atravessar a parede atrás dele papai.
- É uma sala escondida filha... - Os olhos de R se arregalaram de incredulidade, fantsiando um outro mundo e vendo seu pai como um herói. - Esse será o nosso segredo... Vai haver um dia em que você poderá entrar nessa sala, mas não poderá dizer a ninguém.
- Nem para a mamãe e a mana?
- Nem para a mamãe e a mana!
- Tudo bem papai...
R sempre quando criança havia se perguntado o que havia naquela sala secreta, mas por algum motivo aquela lembrança havia sido apagada de sua mente até aquele momento. O que deveria haver ali? Deveria ser algo muito importante para que sua família inteira tivesse sido assassinada. R despertou de seus pensamentos ao ver a luz do corredor acesa e ouvir sons fortes de batidas na porta.
- R saia daí! Estamos preocupados... - Gritava F, batendo na porta.
R saiu do banheiro toda encharcada e foi encarado pelo olhar de estranhamento de todos. Ela os devia uma explicação...
- O que aconteceu R? Te procuramos pela casa inteira, então vimos a lamparina quebrada no chão, os arranhados nas paredes... Só conseguimos te encontrar quando vimos água saindo por debaixo da porta desse banheiro. - Dizia F preocupado com ela. - Você estava tentando se matar..?
- Eu só... - Ela não poderia mais esconder o que estava acontecendo ali, todos agora corriam perigo. - Tem alguém nesta casa...
Após descerem até o hall R explicou tudo que havia acontecido desde que chegou na casa, a presença que ela sentia, os jornais que estavam sobre a cama de seus pais, sobre suas últimas memórias que havia recuperado na banheira... quando quase morreu...
A expressão de todos ali ao receberem aquelas notícias foram desoladoras, aquilo seria assustador para qualquer um. Sobre a mesa haviam várias armas e munições que eles haviam conseguido nos fundos da casa.
- Então quer dizer que tem mais alguém além de nós nessa casa? - Perguntou M incrédulo.
- Sim... - Disse R com pesar. - Mas não faço idéia de onde possa estar, a casa é enorme, e não seria bom para nenhum de nós se aventurar pela casa a noite.
- O que sugere então boneca? - perguntou P que aparentava estar com raiva e preocupado. - Que a gente durma tranquilos com um hóspede fantasma escondido na escuridão?
- R está certa! A pessoa aparece quando estamos afastados. Vamos dormir todos juntos aqui na sala de estar da casa, alguma objeção? - Z encarou todos ali com uma expressão mais séria que o normal ao proferir aquelas palavras. Todos permaneceram quietos aceitando a decisão de Z.
Aquela seria uma dura noite para eles. Depois as horas começaram a passar mais rápido, logo todos caíram no sono, exceto Z que permanecia acordado lendo um livro que havia pego na biblioteca da casa e R que havia acabado de desligar a televisão.
- R... - chamou Z. Ela o olhou por sobre os ombros. - Eu e você sabemos que a pessoa que está nessa casa foi a outra que sobreviveu no dia do assassinato... Arriscaria dizer que ela está aqui desde aquele tempo.
R o encarou em silêncio. Z se aproximou dela e se sentou ao seu lado, falando agora quase sussurrando, seu hálito quente lhe acariciava o rosto de tão perto que ele estava.
- Apesar das fotos estarem rasuradas com caneta dá para presumir que a pessoa deveria ter por volta de 35 anos e era do sexo masculino. Tenho três perguntas que talvez você não saiba me responder... e se isso acontecer está tudo bem... mas reflita sobre elas.
Lá fora um trovão forte cruzou os céus e logo a chuva forte o precedeu.
- Pergunta número um, onde estava essa pessoa na hora do assassinato? Se ela tivesse saído junto com a sua família de manhã estaria morto como todos os outros. Pergunta número dois, por que ela não te matou no momento que a observava no quarto de sua irmã? Você estava distraída o suficiente na hora para notar essa pessoa se aproximar. Pergunta número três, onde essa pessoa poderia estar agora? Teria de ser um lugar onde não desse acesso aos outros cômodos da casa e fosse fácil de se esconder na claridade.
R tentava seguir a linha de raciocínio de Z e por um momento ela entendeu onde ele queria chegar. Todos os cômodos de dentro da casa tinham enormes janelas, a claridade iluminava toda a casa durante o dia. Seria impossível para qualquer um viver tanto tempo escondido em um lugar que alguém poderia entrar em qualquer momento. R começou a pensar em todos os lugares da casa, poderia ser o... escritório de seu pai... poderia talvez ser... a sala secreta?
- Poderia ser a sala secreta de papai? - perguntou R incerta para o rapaz a sua frente.
- Talvez, mas como essa pessoa teria conseguido entrar ali? Para a sala ser secreta deveria haver uma espécie de senha ou chave que somente seu pai teria acesso.
- Tem algo... que não entendo. Não sabia que também tinha perdido memórias até hoje ter relembrado na banheira... E se... se talvez eu tiver rabiscado essas fotos? As vezes pode ser uma memória minha que não tenho mais... As vezes eu sou a culpada disso tudo.
- Nenhum de nós sabe R! - Disse ele segurando os ombros dela com delicadeza. - mas você está errada! Não foi você que rasurou as fotos. Foi a própria pessoa, ela queria manter sua existência apagada... então acabou com todos os vestígios sobre ela.
R estava em choque, como em tão pouco tempo Z havia conseguido deduzir tanta coisa apenas com as poucas informações que havia recebido. Z era realmente incrível, mas ainda tinha algo que não fazia sentido.
- Mas não seria mais fácil a pessoa ter sumido com as fotografias e ter substituído por outras em vez de rasurar? Aliás... agora me lembro o que mais me chamou a atenção na estante pela primeira vez... - R lembrava da imagem desfocada da estante na sua infância. - As fotos... não haviam fotos nessa estante. Espere... talvez possamos descobrir quem seja a pessoa lendo o diário da minha irmã.
- R... Você consegue lembrar quem te disse aquela frase? A frase que dizia que mataria toda a sua família exceto você?
- Não... - Disse R enquanto retirava de dentro da bolsa o diário de sua irmã.
Os dois juntos começaram a virar páginas e mais páginas em busca de algo que pudesse responder em parte aqueles questionamentos. Eles passaram por coisas do tipo " Ai hoje meu cabelo está perfeito!" "O meu horóscopo disse que vou achar o amor da minha vida hoje, tenho de usar a cor azul.". Não havia muitas páginas naquele diário, então logo chegaram no final e viram algo importante.
Data: 25/05
Hoje acordei com uma mensagem aterrorizante no meu celular! Fiquei com muito medo, a mensagem dizia que minha família inteira seria morta depois de amanhã. Eu sinto muito medo, outro dia vi meu pai em seu escritório conversando com algum amigo de trabalho. Dizendo que se não desse certo eles iriam ter de sacrificar "aquilo". Não imagino papai fazendo nenhuma mal a nenhum ser vivo e não tenho ideia do que está acontecendo.
Data: 26/05
São 08:00 horas da manhã, e estou na escola. Decidi escrever fora de casa depois de ontem... Eu estava escrevendo até ouvir um barulho da minha porta se abrindo lentamente... Olhei para trás e vi alguém que me olhava pela brecha da porta... um olho me encarando, acho que era papai.... Acho que ele soube que ouvi sua conversa no telefone. Estou com medo. Hoje antes de sair de casa para vir a escola eu mudei meu espelho de lugar, botei ele de frente para a porta, assim poderia ver com mais clareza se alguém tentasse me espionar.
Agora são 15:00 horas da tarde, estou desesperada. Disse que não escreveria mais em casa, mas a situação me permite burlar essa regra que impus a mim mesma. No teto do meu quarto apareceram uma série de pegadas... Sim, pegadas! COMO? Isso é impossível, gritei papai e disse que a brincadeira dele estava indo longe demais, que ele não iria me assustar com aquilo. Mas ele parecia não entender o que estava acontecendo ali.
Bem, nesse momento são 22:00 horas da noite. Mamãe havia ficado desesperada o dia inteiro, parecia que ela também havia sido ameaçada por uma carta anônima que dizia que nossa família morreria amanhã, papai havia juntado toda a família para uma reunião... exceto R que era nova demais para saber daquilo. E papai sugeriu que fizessemos um passeio pela manhã para poder aliviar a tensão que estavamos passando... Ele acredita que não estão pregando peças e que isso não é nada sério. Mas algo ali me deixou confuso, ele disse que todos iriam... exceto a R.
R havia parado de ler... Até hoje ela acreditava que seu pai havia insistidopara levá-la e que sua mãe e irmã haviam falado para deixá-la só em casa. Mas na verdade havia sido idéia de seu pai, ele que não queria a presença de sua própria filha, ela morreria sozinha naquela casa, todos saíram para se salvar e a deixaram lá incapaz de mover um dedo. Por culpa dele ela teve de correr para se esconder no único lugar onde ninguém nunca a acharia naquela mansão para se esconder...
- Espere... - R olhou para Z com os olhos arregalados. - Eu sei onde essa pessoa está agora...
... no sótão.
Juro que transcrevendo esse cap para cá a essa hora da noite e sozinho na cozinha eu gelei de medo. E vocês? O que estão achando dessa sequência?? Não sei vocês, mas esse arco da mansão da R é o meu favorito 🥰🥰🥰 Gente eu to muito feliz de ver leitores tão incríveis comentando bastante, lendo bastante, me cobrando capitulos, podem cobrar que nao ligo. Espero que estejam ansiosos pelos próximos... Beijos e quarta tem mais ❤
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