Arquivo 37

M e Z conversavam discutindo o que fariam dali em diante e para onde iriam depois dali. Poucas vezes F apresentava uma idéia colaborando para a solução desses problemas, mas algo nele demonstrava que tinha suas próprias preocupações que o atormentavam desde cedo. P deitado no sofá com as pernas para o ar parecia se divertir com a conversa enquanto bebia uma cerveja, R não fazia idéia de onde ele havia tirado aquela bebida alcoólica, mas nem ousou perguntar. O rapaz de aproximadamente 35 anos que agia como se ainda fosse jovenzinho tinha o poder de tirar a paciência de R com apenas algumas palavras, vivia com o seu jaleco branco, calça jeans escura e uma blusa social, que ele insistia em manter os três primeiros botões abertos. Ela não entendia como aquele grupo havia se formado de formas tão distintas, Z aparecendo aleatóriamente em um depósito junto de V e P aparecendo na hora que queria só para dar pistas e depois sumir. Algo não fazia sentido nenhum, mas ela não estava mais só agora... Até agora R não conseguia controlar as lágrimas que vinham sempre que pensava em J, se ela não tivesse envolvido sua amiga naquilo tudo... Talvez ela estivesse viva agora. R desviou o pensamento antes que começasse a chorar ali na frente de todos novamente, e voltou a prestar atenção na conversa deles.

- Talvez se saíssemos da cidade estaríamos a salvo. - dizia M tentando arranjar uma solução.

- Princesa, tenho certeza de que não será tão fácil assim. As saídas devem estar muito mais vigiadas do que a cidade em si. - Disse P passando a mão em seu cabelo escuro, jogando seus fios molhados de suor para trás.

- Já disse que não sou uma menina seu velho bêbado! - Retrucou M ao se levantar da mesa. Parecia que P não tirava só a paciência de R afinal.

- Eu não sou velho! Estou na melhor fase da vida, se eu fosse tão velho como você diz a loirinha não estaria tão desesperada para sair comigo!

- Eu o que? - Gritou R vermelha de fúria indo na direção delr.

Z se pôs entre os dois apaziguador. Retirando a lata de cerveja da mão do perito.

- Vamos dar uma parada com a bebida né amigão? Você já está bem!

P soltou um murmúrio em protesto pouco compreensível e Z voltou a se sentar.

- Acho melhor deixarmos para pensar nisso amanhã, estamos seguros por enquanto, não tem como ninguém entrar na mansão devido o sistema de segurança da casa. - Z dizia sem muita emoção aparente, com aquele mesmo estilo clássico dele. - Será melhor repôr nossas energias, aqui na mesa tem quantos coquetéis molotovs?

- Uns 50, eu e P passamos a tarde inteira fazendo vários, felizmente tinham várias garrafas vazias no depósito da casa. Mas não temos mais dinheiro nenhum. - Disse F abaixando a cabeça.

- Não é culpa sua! Obrigado por terem se esforçado tanto. - agradeceu Z com um sorriso. - Somos cinco, cada um deve andar com dez garrafas em suas respectivas bolsas, e portar suas armas. R tem seu facão, eu tenho o revólver, que infelizmente não tem mais munição e F tem a navalha. Precisamos de armas para M e P.

- Eu... eu posso ajudar vocês! -disse R prestativa. - Sobre questão de dinheiro, posso conseguir no cofre aqui de casa. E sobre armas, nos fundos da casa... perto das árvores, tem uma casinha... uma espécie de dispensa que guardava as armas dos seguranças, munições, entre outras coisas.

Todos encararam R maravilhados, até Z por um momento pareceu fascinado com a informação.

- Isso é maravilhoso R! O que mais tem lá? - perguntou Z empolgado.

- Não sei! Meu pai dizia para que eu nunca, em hipótese alguma me aproximasse de lá... - R desviou o olhar ao dizer aquilo.

- Não se preocupe, não precisa entrar lá! Eu e o resto do pessoal vamos lá e traremos o máximo de coisas que conseguirmos, enquanto isso você fica aqui, pode ser?

R não queria... Não queria ficar sozinha naquela enorme mansão, mas ela não queria preocupar ninguém também. Se sentiu novamente como voltasse a ter dez anos, sofria em silêncio e não falava com ninguém para não preocupá-los mais.

- Tudo bem... - Ela disse ignorando o medo.

Os rapazes saíram. Aos poucos ela começou a relembrar as imagens da sua infância... As pegadas no teto do quarto de sua irmã... As conversas dos empregados que planejavam a morte da família... Aqueles olhos negros que ela sempre via pela rachadura da parede de seu quarto...

... Os mesmos que ela vira coberto de sangue no hall da casa...

... O mesmo que vira de relance nas escadas da biblioteca quando F havia acendido a lanterna de seu celular.

Destemida R subiu novamente as escadas e seguiu direto ao antigo quarto de sua irmã. Ela nunca havia entrado ali, sua irmã vivia trancada lá dentro ouvindo músicas no último volume e conversando com suas amigas por telefone. Pela primeira vez R entrava ali, nas paredes haviam vários pôsteres de boyband que tapavam uma parede inteira, na cama vários ursos de pelúcia e uma agenda rosa - provavelmente o diário de sua irmã - poderia não ser correto mas R pegou o diário e o guardou na bolsa para ler mais tarde, talvez assim poderia saber como era sua irmã. E no lugar da janela havia um enorme espelho paralelo a porta. R acendeu a lamparina do quarto e deixou a luz bem fraca, não queria permanecer no escuro, mas também não queria invadir o santuário que sua irmã tanto preservou. Só então... olhando para o espelho a sua frente... um medo crescente tomou conta dela... alguém estava ali, parado próximo a porta e ficava a observá-la. Mas as luzes do corredor estavam apagadas e a luz da lamparina naquele quarto era tão fraca que não conseguia clarear aquele vulto escuro, que logo se deu conta de que havia sido visto, saiu da porta e correu pelo corredor.

O que era aquilo? Isso é impossível...

R pegou a lamparina e começou a correr pelos corredores seguindo o som das pisadas fortes no chão... Na corrida desenfreada R tropeçou no tapete indo direto ao chão, para seu azar a lamparina se estilhaçou no chão, quebrando a pequena lâmpada. Ela estava na mais repleta escuridão, arregalou os olhos ao extremo para conseguir enxergar nas trevas à sua frente, mas não conseguia. O som dos passos apressados haviam cessado, fosse quem estivesse ali havia parado. O coração de R parecia que a qualquer momento saltaria pela boca, ela nunca havia sentido tanto medo na sua vida, mas seu maior medo só estava começando...

... Lentamente... passo por passo... o som começou a se aproximar dela pelo corredor...

... R não tinha forças para se levantar, prendeu sua respiração pesada para tentar se camuflar no escuro...

Eu não consigo... Por que? Por que? Alguém me ajude...

R sentiu a respiração daquela pessoa na sua frente... tão perto...

... Ela começou a correr, enquanto se desvencilhava das mãos que a puxavam. R corria cegamente pela casa que um dia pertencera a sua infância, se batendo contra a parede, escorregando no tapete e se sentindo aquela mão fria como o gelo puxar seus pés. Desespero não chegava aos pés do que aquela jovem sentia no momento, se arrastando pelo carpete e se agarrando a tudo ao redor para fugir daquele destino inevitável... R se lembrava de frases aleatórias de sua infância enquanto lutava pela sobrevivência...

"Eu não sei o que fazer, não quero envolver as crianças nisso. Mas se esta mensagem for real... todos nós iremos morrer amanhã a noite nesta casa."

"É hoje a noite..."

A blusa de R havia sido rasgada, agora ela havia conseguido chutar quem a tentava segurar, e se levantando começou a correr, mas não sabia para qual direção seguir em meio a penumbras... Ela precisava dar tempo até os rapazes voltarem para a casa... Precisava de mais tempo...

"Pai... Apareceram pegadas no meu teto... Eu estou com medo!"

"É hoje a noite!"

R tateava as paredes, não escutava mais nenhum som, estava a salvo? Ela continuava a passar a mão nas paredes, se ela pudesse encontrar o caminho de volta ao hall da casa... estaria a salvo, pois lá havia claridade... só precisava achar as escadas...

Ela continuava a tatear as paredes até sua mão tocar em uma outra mão parada ali!

- ARGGGGGGGGGGGGGGGGGGGH!

"Amor isso éso é criança pregando peças, mandando trotes..."

"É hoje a noite..."

R caiu para trás gritando e derrubando quem estivesse atrás com um chute... Ela já não tinha mais forças... Nem coração para aquilo... Ela havia achado uma maçaneta e a abriu entrando no cômodo e trancando a porta com a chave... estava no banheiro. Sons fortes de batidas contra a porta revelavam que a porta não aguentaria mais tempo... Estava cercada. R seguiu até a banheira e deitou lá dentro... abrindo a torneira...

A água começava a tapar seus ouvidos, logo tudo estaria acabado, se ela pudesse escolher a forma da sua morte que fosse uma menos desesperadora...

"Vai haver um dia R que eu matarei sua família inteira, mas não você..."

"É hoje a noite..."

A água agora transbordava da banheira... R não acreditava que tinha voltado aquela casa só para morrer ali, junto de sua família...

"...É uma sala escondida filha... Esse será o nosso segredo..."

"Tudo bem papai!"

R havia acabado de relembrar uma lembrança importante, os sons das batidas aumentaram, a água a cobriu por inteiro... Seu ar começou a lhe faltar...





































😱😱😱😱😱 OMG! E esse capítulo galera? O que será que os próximos nos aguardam... 5 Days tem esse dom de surpreender e aterrprizar ao mesmo tempo...

Será que esses mistérios estão perto de serem realizados?

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