Arquivo 35
- Pessoal, levantem rápido! - Z sussurrava aparentemente aflito enquanto sacudia as pessoas ao redor e se preparava para pegar sua mochila que já estava arrumada sobre a bancada de divisória da cozinha para a sala.
Todos se levantaram aturdidos, sem entender o que estava acontecendo e a urgência no tom de voz de Z, por que ele estava tão desesperado? Agora eles estavam a salvo... não era? A campainha tocou não dando tempo para mais perguntas e especulações, R e F se olharam em uma espécie de confirmação silenciosa, os olhos dourados de R entregavam o medo crescente que vinha, ele sabiam o estava acontecendo.
- F, olhe a mensagem no seu celular! - disse Z num sussurro alarmante.
F confuso fez conforme o pedido de Z, pegou o celular e a mensagem congelou sua espinha....
" Saiam do prédio, vocês foram encontrados, você foi..."
F sabia o que viria depois, ele havia sido observado, mas e agora? Como fariam para sair daquele prédio? Eles estavam cercados, não havia mais escapatória, F apertou a mão de M que o olhou preocupado.
- Não temos saída... Nossa única saída está bloqueada, a qualquer momento eles vão arrombar a porta. - Disse F abaixando a cabeça. - Eu seguro eles para que vocês saiam daqui, mas me prometam que vão proteger o M...
A campainha tocou novamente. Todos se olharam atentamente, apreensivos, os olhos de M se encheram de lágrimas... aquele poderia ser o último encontro dos dois. F iria sacrificar sua vida por ele, porque ele o amava... de verdade. Sua mão se desprendeu da dele. M correu até a varanda do apartamento e se segurando na sacada procurou alguma possibilidade de fuga, ele olhou para o lado e viu a poucos metros a sacada do apartamento ao lado, era uma idéia desesperadora mas era a única saída que tinham.
- Vamos sair daqui rápido! Pela janela, temos que alcançar o outro lado. - Todos permaneceram paradas o olhando, quase que petrificados. - Preciso de lençóis! - R correu até o quarto revirando o guarda roupa e trazendo diversos lençóis até M. - E preciso que alguém pule até o outro lado para que possamos conectar os dois lados com nossa corda improvisada.
- Eu pulo! - Disse Z confiante, enquanto F e R em uma rapidez surreal conectavam os lençois uns aos outros numa sequencia de nós. - Seu plano é totalmente desprovido de senso, mas se temos uma chance de sobrevivência vamos nessa!
- Acabamos de amarrar os lençóis - Disse R em uma euforia contida.
Agora o som da campinha era precesido por batidas na porta. Em poucos minutos ela seria arrombada. Z já tinha ido para a varanda da janela para saltar até o outro lado. Sem sombra de dúvidas Z se sentia aliviado por M ter conseguido criar um plano rápido, mesmo que isso significasse sua possível queda de uma sequencia de oito andares. Ele estava agora sobre a sacada de mármore da varanda... Ele só precisava saltar e faria a sua parte no plano para fugirem dali, o vento frio silvava rente a seu rosto, ele evitava olhar para baixo enquanto se concentrava. Ele deu impulso e pulou...
Todos prenderam a respiração ao ver aquela cena, mas ele havia conseguido alcançar o outro lado, estava estabelecido a passagem para os demais passarem para o outro lado. Mas apesar de ser uma passagem arriscada também era algo que demandaria um certo tempo e extrema força de P que estava debilitado. E tempo era algo que eles não poderiam perder. Algo invadiu a mente de Z, ele poderia complementar esse plano de ação. R se agarrando aos lençóis atravessava até o outro lado, era visível o medo da garota que tremia quando Z do outro lado a ajudou na sua chegada. Z entrou no apartamento que estava com a porta da varanda aberta, e silenciosamente como um gato começou a vasculhar a cozinha em busca de fósforos ou isqueiro. Se ele conseguisse acionar o sistema de incêndio no prédio eles poderiam fugir despercebidos na confusão de pessoas que se criaria. Porém, como ele faria para abrir a porta sem acordar as pessoas do apartamento? Ele teria de ser rápido, achar a chave do apartamento, abrir a porta rápido e acender o fogo.
- R me ajude aqui! - Chamou Z. -precisamos achar, um isqueiro ou fósforos e a chave desse apartamento, cuidado com o barulho...
Lá fora P atravessava a corda de um lado a outro soltando sons esganiçados de dor entre dentes cerrados. A barriga dóia com o esforço, mas ele precisava fazer isso para sobreviver. M e F no apartamento ao lado começavam a preparar uma armadilha para segurar os invasores que agora forçavam a porta para abrí-la. Colocaram o sofá contra a porta e o encheram de álcool.
- se eles conseguirem entrar antes de nós dois sairmos daqui jogamos o fóforo. - Disse M com a voz trêmula.
F não o culpava, era a primeira vez que passava por uma situação assim, os outros já tinham passado por diversas situações semelhantes com ele. Então olhando para o lado F viu uma papelada no chão, e então pegou os papéis e os enrolou em forma de cone.
- Acho que seria melhor atear fogo no bolo de papél como uma tocha e depois jogar, acho que P já chegou até o outro lado. Agora é a sua vez! - disse F abrindo um sorriso protetor para aquele que amava, por aquele que tanto lutou tanto para estar perto e agora estava a centímetros de si.
- Pode ir você primeiro! - retrucou M.
- Não! Todos estão me protegendo desde o começo... Mas eu dei a minha palavra de que eu faria tudo para te proteger desde o início... Então por favor vá na frente.
Oa dois se olharam por segundos que para F parecia uma eternidade, M segurou suas mãos e seu rosto começou a se aproximar lentamente do dele. F parecia não acreditar, seus olhos se fecharam lentamente e...
Um estrondo.
Os dois abriram os olhos. Os rapazes haviam arrombado a porta e agora tentavam tirar o sofá do caminho para passarem.
- Depressa! - Gritou M acendendo o fósforo nos papéis que estavam na mão de F, que em seguida jogou no sofá. F e M correram para a sacada, M subiu na corda e começou a atravessá-la o mais rápido que conseguia, apesar do medo de cair, e conseguiu chegar até o outro lado. Agora F começou a atravessar até o M. Ele começou a ouvir diversos gritos e as luzes de vários apartamentos começaram a ser acesas ao mesmo tempo. Um som alto soava, deveria ser o alarme de incêndio que jogava água por todo o lado. F estava chegando perto de M quando a corda arrebentou...
M se desesperou agarrando o lençól que F ainda se segurava, mas o garoto não tinha forças para aguentar todo aquele peso e começou a gritar por ajuda enquanto o pano deslizava pela sua mão.
F sabia que não aguentaria ficar se sgurando por muito tempo naquele nó, mas ele não poderia atrapalhar o plano de fuga deles, reunindo toda a força que ainda lhe restava ele começou a escalar a corda se apoiando nos nós que R havia feito. Ele agora ouvia seus perseguidores do outro lado. F se agarrou no muro de mármore e M o ajudou a subir. M o abraçou fortemente e logo o puxou para junto dos outros que já estavam do lado de fora no corredor do prédio os esperando. Todos agora corriam desenfreadamente desviando da multidão pelo corredor inundado. O som de tiros no fim do corredor os amedrontou enquanto eles seguiam até a escada de incêndio.
Seus perseguidores queimados atiravam para todos os lados em seu encalço. R corria na frente descendo pelas escadas abrindo caminho pela multidão enquanto seus amigos vinham logo atrás.
Todos haviam conseguido sair do prédio misturados a multidão, molhados e com frio, viram um carro policial levar os três rapazes e sentados no meio fio agora eles não sabiam mais para onde ir, não poderiam ir para a casa de F, nem voltar para a de E e H novamente, e a de P agora não era mais uma opção...
- Não temos para onde ir. - disse F exteriorizando o pensamento dos demais.
- E a sua casa Z? - perguntou R esperançosa.
Z abaixou o olhar como se o que R tivesse dito o tivesse afetado de alguma forma. Logo R se arrependeu da pergunta que fez.
- Não tenho para onde voltar... - Ele disse não dando abertura para falar sobre.
O sol começou a raiar distante. A expressão de Z era desoladora, novamente ele havia se afastado do grupo por um tempo, disse que iria comprar algumas coisas no posto e depois retornava. Todos permaneceram esperando.
- O Z é muito misterioso as vezes. - soltou R pensativa. - Ainda me pergunto como ele apareceu do nada ao lado de V naquele galpão.
- Ele nos ajudou muito R, se não fosse por ele não estaríamos vivos. Ele deve ter os motivos dele para ser tão distante as vezes. Também me pergunto as vezes por que motivo você aceitou entrar nessa loucura toda e me ajudar, você nem me conhecia... Peço desculpas por ter meter nisso, sua família deve estar preocupada.
- Minha família está morta...
P e M abaixaram a cabeça, agora F também se sentia mal por ter feito ela tocar naquele assunto, queria mudar o rumo da conversa mas nada lhe vinha à mente, então permaneceu observando-a com uma cara de bobo.
- Não se preocupe, está tudo bem... já faz muito tempo. Eu era apenas uma criança. Armaram uma emboscada para a minha família. Eles estavam sendo alertados que morreriam naquele mesmo dia e nesse mesmo dia os empregados da casa assassinaram minha família inteira, eu fui a única sobrevivente. - R omitiu a parte sobre aquele ser de olhos negros que estava coberto de sangue naquele dia, isso ainda lhe causava terror e náuseas.
- Como... - Em nenhum momento lhe passou na mente que aquela garota tão determinada tivesse tido um passado tão perturbador.
- Passei anos internada em um hospício... os detetives pouparam seus serviços, nem se importaram em descobrir o que de fato havia acontecido ali. Eu quero poder fazer pelos outros o que eles não fizeram por mim, e por isso quero te ajudar, e também porque... Sinto que tem algo errado. Além do mais, não tenho ninguém, nem amigos e nem família, a única família que tinha era... a J.
- Mas como assim não tem amigos? - perguntou F confuso.
- É confuso falar sobre isso... porque sinto que tinha uma vastidão de amigos, como se tivesse um namorado e uma vida feliz de fato. - dizia R esboçando um sorriso ao falar. - as vezes sinto que se fechar bem os olhos posso sentir aquele clima de felicidade e brincadeiras que havia ao meu redor, que me cercavam. Eu não tinha para onde seguir antes F, agora eu tenho, e sei que apesar de tudo, estou indo no caminho certo.
Agora F entendia tudo. Ela também havia perdido tudo de um dia para o outro, todas as suas memórias. E tentava desesperadamente achar uma saída para aquilo, assim como todos ali. Será que F realmente já havia lembrado de tudo na sua vida antiga ou será que ainda faltava algo importante que ele estava deixando ser esquecido por sua busca desesperada por M?
Fechamos o capítulo da semanaaaa!!! E aí o que estão achando, eu to me amarrando porque estamos cuegando na minha parte favorita do livro, logo logo muitas respostas vão começar a aparecer, mas será que eles conseguirão lidar com isso? E os perseguidores e a V? Misterios e mais misterios. Até o próximo capítulooo!!!
SEGUNDA TEM MAIS CAPÍTULO!!!!
NÃO esqueçam de curtir os capítulos e comentar bastante, motiva bastante o autor(vulgo eu), beijoooos!
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