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Tudo se iniciou em uma manhã nublada. O céu parecia um vasto oceano branco, por onde pequenos flocos de neve começavam a cair e salpicar as calçadas. Pessoas caminhavam normalmente com seus cafés, em seus trajes de frio tentando se aquecer da impiedosa frente fria. À esquerda meninas davam risadas enquanto mexiam em seus celulares e cochichavam algo. Do outro lado da rua, um casal apaixonado saía de uma pequena boutique de mãos dadas a caminho da estação de trem. Ver aquelas cenas cotidianas só fazia M ter a certeza de como sua vida estava tão nublada quanto aquele céu vazio... Ele se pegou parado em meio à calçada, perdido em reflexões, fitando aquele mesmo céu que parecia representá-lo. Logo tornou a andar ignorando seus pensamentos negros. E por um instante tudo mudou...
- Garoto espere!
M se limitou a virar a cabeça, deixando que uma mecha de seu cabelo negro caísse por trás de seu ombro, enquanto mirava um garoto claro com uma cara abobalhada que o olhava e espremia suas mãos para dentro dos bolsos de sua jaqueta jeans, tentando não demonstrar que havia sido pego de surpresa por aquela mudança climática repentina.
- Sim? - M perguntou curioso enquanto sua mente se desdobrava em mil questões.
O olhar cor de amêndoa do rapaz à sua frente parecia perdido e ao mesmo tempo confuso. M estava intrigado com ele. Os flocos de neve em minutos haviam coberto aquela calçada como um enorme tapete branco. Não havia mais ninguém naquela avenida, exceto eles dois ali, parados se encarando. O jovem misterioso, e de certa forma estranho, se precipitou.
- É... Desculpe pela pergunta... Mas, nos conhecemos de algum lugar? - Seus lábios finos haviam tremulado ao final da frase. M não deixava de reparar em sua respiração que começava a ficar ofegante.
Apertando o tecido de seu sobretudo bege, M, por um momento, olhou para o seu reflexo no vidro de uma livraria ao seu lado, rápido o suficiente para não se afundar em pensamentos novamente.
- Talvez sim... De onde?
- Não sei... só sei que precisava saber disso. - Um sorriso se desenhou em seu rosto. Um sorriso que pareceu iluminar todo aquele dia cinza.
Tudo mudou ali...
- M...M! Está tudo bem? - um amigo de classe perguntou o sobressaltando no mesmo instante.
M virou sua cabeça levemente concordando e conseguindo forçar um leve sorriso para seu amigo que se inclinava sobre a mesa para perguntar. A sala estava cheia e todos permaneciam prestando atenção na matéria que era explicada no quadro negro, enquanto o professor manuseava seu giz contra a tela lisa, como um maestro move a batuta para guiar uma orquestra. O céu lá fora permaneceu nublado desde o encontro com aquele garoto. O ar frio e abafado da sala às vezes lhe parecia rarefeito, o que dava a ele uma sensação de claustrofobia. Algumas gotas de chuva escorriam na janela competindo para ver qual delas chegaria primeiro ao fim... Uma delas venceu, o seu prêmio havia sido se explodir...
O celular vibrou em seu bolso... Uma gota de suor brotou na testa de M. Ele detestava aquilo, pois sabia que ele havia mandado outra mensagem...
O garoto comprimiu seus olhos e pediu desesperadamente em seu interior para que não fosse mais uma daquelas mensagens. Se permitindo tirar seu celular do bolso, o jovem com as mãos trêmulas deslizou o dedo pela tela do celular para ver a mensagem...
...Era ele.
Suando frio, M olhou para seu amigo ao lado, que assim como os outros alunos prestava atenção no professor, fazendo anotações em seu caderno. Todos pareciam zumbis,todos,robôs. Um desespero interior começava a crescer dentro de seu peito, ele não poderia contar com ninguém... Olhando novamente para o lado, M se assustou ao ver que seu amigo agora o olhava fixamente, com um olhar assustado, perdido... Sua boca se movimentava lentamente, sussurrando algo quase inaudível...
- ...Quem está te olhando?
O coração de M pareceu parar por um segundo, assim como tudo naquela sala... Foi aquilo que ele ouviu ? O garoto permanecia movendo a boca, mas a cabeça de M agora parecia girar, seu cérebro não conseguia registrar nada que ocorria à sua volta. De solavanco, o garoto se levantou e seguiu para a porta saindo da sala de aula.
A mensagem do seu celular era clara... Mas ele não conseguia entender o porquê e nem se era real ou somente mais uma pegadinha de terror psicológico. Ele rezava para que fossem apenas palavras. Pegando o celular ele se atreveu a ler novamente.
Como vão as aulas?
Hoje está bastante cinza, não é?
Vou deixar as coisas mais divertidas
Uma morte na sala 7
Sua cor do dia é vermelho...
Olá galerinha! Nesse exato momento estou comemorando meu aniversário, provavelmente com o teor alcoólico levemente elevado, para não dizer bêbado Kkkkk. E acabo de publicar o primeiro capítulo de uma sequência em cadeia que virão nas próximas semanas. Espero de coração que tenham gostado, deixem suas estrelinhas e comentários pois eles ajudam bastante, chamem os coleguinhas para lerem também e é isso aí.
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