La Vie en Rose ( Parte I)
01h36
Sabe, depois de descobrir sentimentos novos sobre Heloise, nós nos acalmamos e encontramos um hotel, não era lá grande coisa, mas dava pro gasto, afinal só iríamos passar ali uma noite. Bom, era isso que esperávamos.
- Desculpa, Fred, mas você pode se virar rapidinho? - Disse Heloise, indicando através de um leve movimentos de mão que ia trocar de roupa.
- Ah, claro, me desculpa. - Eu me virei e pude ouvir ela começar a tirar as vestes, pequenos barulhinhos eram formados conforme a roupa esfregava por sua pele.
Sabe, era até meio desconfortável estar num quarto onde uma garota estava tirando a roupa, mesmo não sendo para você, aquilo era algo novo para mim.
- Pronto! - Ela disse depois de enfiar suas roupas sujas na mochila que ela trouxera.
Imaginem uma coisa fofa e meiga, aquilo que você imaginar não chegará nem aos pés de Heloise. A garota usava uma regata rosa bebê, com alguns detalhes em renda na costura, além de um shorts branco cheio de pandinhas, alguns com laços rosas, além de tudo isso, ela ainda usava uma pantufa cheia pelinhos cor-de-rosa.
- Pareço uma criança de oito anos de idade, né? - Ela disse, acanhada.
- Não, que nada, até as de oito tem mais estilo. - Disse, provocando-a.
Ela me olhou indignada e até mesmo abriu um pouco sua boca, inconformada com minha resposta.
- Troxa. - Ela disse em desdém, agarrando a travesseiro daquele hotel velho e jogando em meu rosto.
- Sério? - Respondi. - Está mesmo me desafiando?
- Se você tiver a ousadia. - Ela colocou a perna direita na cama, provocando-me de volta. Eu corei, aquilo foi involuntário.
- Você não me conhece, Senhorita Heloise.
- Mostre-me então, senhor Chase.
Eu a encarei no profundo dos olhos, tentando desvendá-la. O que ela queria?
Quando tudo ficou calmo, eu agarrei o travesseiro e joguei nela de volta, que exclamou, surpresa. Agarrei o meu travesseiro e dei a volta nas duas camas de solteiro que nos dividiam, atacando-a furtivamente.
- Há! - Ela gritou, relativamente feliz em ter bloqueado meu ataque e ter acertado-me no rosto.
- Não deveria ter feito isso. - Disse.
- Eu não faço as coisas porque os outros mandam, eu as faço porque eu as quero. - Então ela me bateu novamente.
Eu peguei o travesseiro e lancei o mesmo na garota que, vitoriosamente, o pegou no ar.
- Agora estou armada com dois travesseiros, o que fará a respeito? - Então ela sorriu.
Eu concentrei minhas forças nos braços e a agarrei pelas cochas.
- Não! - Ela gritou, animada, quando eu a levantei do chão e a derrubei na cama.
Nós dois ficamos extremamente próximos, agora. Eu a olhava por cima, tentando entendê-la, e ela me olhava de volta, controlando-se.
- Você ganhou. - Respondi, levantando-me da cama dela para também me controlar.
Voltei para minha cama e relaxei meu corpo.
- Sabe, - a ruiva começou a ajeitar-se sob os lençóis - Emily tem muita sorte em ficar com você. Você é um cavalheiro, Fred, merece o melhor.
Nós apagamos as luzes e eu adormeci rapidamente.
- Pena que eu não sou o melhor pra você - ela sussurrou para si mesma. Heloise era forte, determinada, nunca quis que ninguém senti-se pena dela, ela só queria amar.
..................
09h50
O dia estava relativamente calmo, parecia que nada tinha acontecido. As pessoas caminhavam na rua enquanto o sol refletia no jornal de uma mulher que lia uma revista numa cafeteria. O vento soprava de leve trazendo uma brisa quente, nada refrescante, fazendo muitas das pessoas quererem ir para as piscinas. Infelizmente, o hotel em que estávamos hospedados não havia nada para nos refrescar a não ser o chuveiro.
- Bom, dorminhoco. - Disse Heloise, saindo do box com uma toalha branca enrolada na cabeça e uma blusa cinza do tonari no totoro e um shorts amarelo, seus pés descalços tocavam o assoalho velho. - Não vai levantar?
Eu me mexi na cama, a noite tinha sido tão quente que eu acabei tirando meus shorts.
- Vou, vou sim. - Respondi, sonolento.
Eu bocejei e me espreguicei, deixando toda a preguiça na cama.
- É hoje. - Disse, de pé, em frente às duas janelas do quarto.
- Preocupado? - Ela perguntou.
- Receoso talvez seja a palavra certa.
Heloise acabou de se arrumar e foi até o meu lado, agora usando chinelos também cinzas.
- Relaxa. - Ela passou a mão em meus ombros nus. - Acharemos ela. - Então a garota se virou e abriu a porta do quarto. - Será que ainda estão servindo o café? - Indagou Heloise.
..........................
12h10
Não, infelizmente onde nós estávamos hospedados não servia café da manhã depois das 09h30, então fomos até o centro de Campos e comemos numa lanchonete. Neste momento, Heloise nos trouxe uma água, um chocolate quente para ela e um pão de queijo para mim.
Eu agarrei o pão de queijo e o devorei em quatro mordias.
- Caramba, você estava com fome, meu deus. - Ela bebericou a sua xícara.
- E como você pode beber chocolate quente nesse calor?! - Retruquei.
- Enfim, eu peguei esse mapa da cidade. - Ela pegou o mapa de dentro de sua bolsa, abrindo-o sobre a mesinha de metal do café em que estávamos. A fachada do estabelecimento era muito bonita, algumas rosas entalhadas no mogno com uma placa em preto e branco, algo bem rústico.
- E?
- Calma. - Ela bebeu novamente e pegou uma caneta. - Acho que o restaurante pode estar por aqui. - Ela circulou o mapa na área que representava o Alto do Capivari.
- Chique, não? - Disse.
- É da máfia, não é? O que esperava?
Eu assenti e limpei minha boca com um guardanapo. Abri a garrafa d'água e bebi o líquido gelado e refrescante.
- Que delícia. - Disse quando abaixei a garrafa.
- Obrigado por me perguntar se eu ia beber a água. - Disse a garota de shorts amarelo ironicamente.
Revirei os olhos e disse:
- Você não acha muito arriscado irmos num restaurante da família de Marco? - Disse e, quando levantei o olhar, percebi que Heloise também usava um óculos de sol marrom naquele dia.
- Claro que acho. Mas vou confiar em Pietro.
Eu fingi que engasguei para satirizar o que comecei a dizer:
- Pietro? O cara que nos atacou, o caro que provavelmente está morto!? - Eu disse, surpreso.
- Sim, Fred, eu quero acreditar nele.
- Pelo menos me diga o por quê.
- Pois - ela acabou sua bebida quente - quando estive na casa dela momentos antes dela fugir, se refugiar talvez, eu ouvi o irmão dela dizendo para ir visitar o tio dela, depois me escondi no quarto de Marco e achei uma caixa, aquele que te mostrei a foto, o resto você já sabe, eu só tentei interligar as peças.
Eu acenei com a cabeça, concordando com ela. Apoiei meu queixo em minha mão esquerda.
- O que foi?
- Eu....eu... - meus olhos bobearam e começaram a lacrimejar.
- Hey. - Ela encostou em mim. - Não se preocupa, você realmente a ama, e ela tem o mesmo sentimento por você. Não precisa temer nada.
- Sim, Helô, infelizmente temos de temer tudo.
O toque dela começava a se tornar relaxante ao meu ver, me acalmava, ela me lembrava Emily e, mesmo que inconscientemente, ela me fazia seguir em frente.
.........................
13h40
- Então, é aqui? - Indaguei em frente a um estabelecimento.
Nós caminhamos por uma longa calçada de pedras escuras, no alto do Capivari, uma longa subida, até que encontramos um restaurante, um tanto quanto refinado aparentava ser. Era um lugar largo, com um arco de videiras na porta, com alguns vasos com pequenas bolas buchos sintéticas, haviam largas janelas de vidro polido que revelavam uma grande quantidade de mesas no seu interior, na frente havia uma fachada super parecida com à da cafeteria que tínhamos ido, porém a placa da mesma era em amarelo, com uma escrita em vermelho, onde estava escrito: La Pasta: A melhor comida Italiana. Algumas pessoas lotavam o restaurante.
- Acho que sim. - Heloise baixou o olhar para o celular. - É igual à da foto.
Então ela olhou para mim e eu olhei para ela.
- Você sabe por quem procurar?
- Não. - Ela respondeu. - Está tudo bem?
- Não. - Respondi, hesitando a cada passo que dava em direção à porta.
Logo quando entramos estava tendo uma apresentação de salsa no palco de verniz, o ambiente era maior do que pensávamos. Nós olhamos para a esquerda, onde dava direto à área da cozinha, logo, olhamos para à direita, onde havia uma área cercada por seguranças.
- Vamos começar por lá. - Disse, arriscando.
- Tem certeza? - Indagou Heloise.
- Ninguém mais está com seguranças além daquele lugar.
Nós andamos, cautelosos, até o segurança.
- Oi. - Disse e comecei a andar além dele.
- Parado aí, o que pensa que está fazendo? - O alto e corpulento segurança indagou para mim. - Só entra quem o chefe autoriza.
- Pode deixar que ele nos autoriza. - Heloise tentou abrir passagem.
- Calma ai, mocinha.
- Nós precisamos falar com ele. - Ela insistiu.
- Jura? - O segurança satirizou. - Por favor, não o perturbe.
Heloise ficou vermelha.
- Calma, Helô. - Disse, segurando sua mão.
- Paulo, o que está acontecendo aí? - Perguntou a voz do homem que sentava numa mesa atrás do segurança.
Eu esgueirei o olhar e enxerguei o homem. O rapaz era mais alto do que Marco, magro, porém ainda assim musculoso, seu cabelo louro mel assemelhava-se ao de Emily, assim como seus olhos.
Eu comecei a andar mais rápido até que senti a mão do segurança pesando sobre meu ombro.
- Já disse que não pode entrar. - O segurança apertou meu braço e eu grunhi.
- Para! Larga ele. - Ordenou Heloise.
- Chega! - Disse o homem, colocando o guardanapo de seu colo por cima da mesa e caminhando té eles.
- Você é.... - O homem levantou a mão e me fez parar de falar.
Ele usava uma polo branca com gola preta e uma calça jeans cinza, sua barba mal feita lhe atribuía uma feição mais séria.
- Eu disse chega! - O homem de polo branca arfou. - Deem meia volta, por favor, estou com muitos assuntos a pensar.
O segurança começou a me empurrar e eu gritei em uma última tentativa:
- Talvez sobre a fuga de sua sobrinha?
O homem parou, talvez eu tenha captado sua atenção.
- Emily, não é? Emily West, você é o tio dela. - Comecei a falar, rapidamente, uma palavra atrás da outra.
O homem virou-se.
- Deixe-os entrar. - O homem voltou a sentar-se a mesa e nos convidou a fazer o mesmo. - O que duas crianças fazem aqui? - Recomeçou ele.
Heloise abriu a boca, pronta para questioná-lo sobre o argumento de nós sermos "crianças" ao ver dele, quando eu assumi a dianteira e perguntei:
- Qual o seu nome?
- Sou eu que faço as perguntas aqui, meu jovem.
- Estamos atrás de Emily - Desta vez Heloise respondera.
- Desculpe, mas não posso ajudá-los.
- Pois eu acho que pode. - Retrucou ela. - Qual o seu nome?
- Insistente você, não? Garotinha ingênua. Mas, está bem, meu nome é Geovanne Farinazzo.
- Então você é o irmão de Marco - Disse, antecipando até mesmo meus pensamentos.
- Obviamente.
Um silêncio instalou-se no ar.
- Acho que vou pedir alguma coisa. - Disse Geovanne, chamando um garçom ruivo que estava por perto. - Por favor, traga-nos um vinho de 1984 e pra vocês....... talvez um refrigerante?
Geovanne parecia estar brincando com a nossa cara.
- Eu aceito um guaraná - Respondi de prontidão.
- Eu me sinto mais a vontade com o vinho, se me permite. - Respondeu Heloise, da mesma forma sarcástica que Geovanne utilizava.
- O que irão comer? - Indagou o irmão do homem mais perigoso que eu já conhecera.
- Um rondele de carne ao molho branco já está bom.
- Um penne a carbonara. - Disse Heloise.
- Que falta de criatividade. - Disse o Geovanne. - Traga-me um capelleti de frango em massa verde com molho Alfredo e um pedaço de filé de frango. - Geovane fechou o cardápio.
Quando o garçom se retirou, Geovanne disse:
- Suponho que já tenham conhecido meu irmão.
Assentimos
- Que pena. - Ele respondeu e começou a rir.
- Não é engraçado, Geovanne. - Desafiou Heloise, sobrepondo sua voz à dele. - Achamos que Emily corre perigo.
Ele, Geovanne, adquiriu uma expressão séria.
- E vocês acham que ela está aqui?
- Possivelmente. - Respondi.
- Por que achariam isso?
- Pois - começou Heloise - eu ouvi seu nome na noite em que ela fugiu, Pietro disse para ela vir atrás de você e, depois, encontrei o nome do seu restaurante nas coisas de Marco.
O garçom chegou e entregou minha bebida, depois abriu o vinho e serviu os pratos quentes. Geovanne pegou sua taça cheia de vinho tinto e, antes que ingerisse o líquido cor de sangue, debochou:
- E você se acha muito perspicaz não é?
Não sabia com quem ele estava se redirecionando.
Heloise ficou vermelha.
- Ela não está aqui. - Ele respondeu e começou a comer.
- Escuta aqui seu mimadinho - Heloise se levantou e bateu os punhos na mesa - nós quase fomos mortos na noite passada tentando chegar até aqui para conseguir respostas. Não vamos ficar aqui, sentado, ouvindo sua arrogância.
Geovanne fuzilou-nos.
- Eu já disse - ele engoliu o capellete - ela não está aqui.
Heloise enfureceu-se.
- Helô, calma. - Eu me levantei e a abracei. - Vamos embora.
- Obrigado por nada. - Ela respondeu e jogou um dos talheres no prato dele.
............
- Você tem que se acalmar, Heloise.
- Acalmar, Fred? - Disse a garota, indignada. - Nós estamos ficando sem tempo, sabe lá o que pode estar acontecendo com ela, onde ela pode estar.
- Vamos embora. - Eu disse e comecei a andar em direção ao nosso hotel, já havíamos decido todo o caminho do alto do Capivari e agora estávamos no centro de Campos novamente, lá para as 20h56. - Não devíamos ter vindo aqui desde o começo.
- Ah, cale a boca. - Ela gritou, surpreendendo-me.
Ela me encarou, agitada.
- Freduardo, você vai me ouvir e vai calar essa boca. - Disse a ruiva, parando na frente de uma rosticceria. - Todos nós já sofremos por algo, e não é por isso que iremos jogar tudo fora, muitas vezes nós só temos três segundos para decidir se vamos lutar ou morrer, se vamos persistir ou desistir - ela começou a abaixar o tom de voz - se iremos amar ou não.
Eu cheguei perto dela e fiquei a centímetros de seu rosto.
- Nós só temos esses 3 Segundos, Fred, eles irão decidir o que iremos fazer e quem iremos ser.
Eu coloquei minha mão, delicadamente, envolto ao pescoço de Heloise, ela colocou seus braços entorno de meus ombros, nossos rostos se aproximaram de forma harmoniosa, sem pressa, nós dois estávamos receosos.
E foi aí que tudo mudou.
- O senhor gostaria de mais alguma coisa? - Ouvi a única voz que era inesquecível para mim. Eu olhei para o lado antes de encostar meus lábios nos de Heloise. A ruiva fez o mesmo e olhou através do vidro da rosticceria.
Lá estava ela, arrumada com um avental preto com uma pólo branca por baixo, com seus cabelos loiros presos em um coque e com um lápis vermelho por detrás da orelha.
- Emily? - Disse com minha voz trêmula.
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