Alice e o coelho

Capítulo 2


Eu estava em no meu quarto quando resolvi ler o convite de Emily, mesmo que este não tivesse sido dado diretamente a mim. Meu quarto, bom, não era lá essas coisas. Tinha uma cama bagunçada, na qual eu estava deitado, com um edredom vermelho, bem na sua frente havia uma prateleira cheia de livros, os quais me orgulho muito de possuir. Ao lado de minha cama havia duas mini bancadas, onde eu colocava porta retratos e desodorantes ( este último típico masculino, eu acho).


Resolvi, então, ler o convite:



Meu pai saiu para uma reunião de negócios então darei uma

festa e ficaria honrado com sua presença.

Ela ocorrerá às 21h no Edifício Parque Alfredo Volpi, cobertura, no dia 12.

Espero sua presença!

P.S: Vá com a fantasia que preferir


Quando acabei de ler o convite, tive de rele-lo mais uma vez, primeiramente por que não acreditei que ela morasse num dos apartamentos mais caros de São Paulo, e outra por que não acreditei que a festa era a fantasia.


Minha cabeça começou a girar, a festa estava marcada para dia 12 e hoje já era dia 09, que roupa eu poderia usar?


Sei que esse pensamento parece estranho, mas usar uma roupa boa é um ótimo jeito de ser autoconfiante e também de impressionar. Acho que li umas dicas num site uma vez, se não me engano eram essas:


1.0 - Use roupas confortáveis

2.0 - Não esqueça de deixa-la falar.

3.0 - Não force as coisas, elas devem acontecer naturalmente.

4.0 - Seja confiante.


Há! Comecei a rir sozinho no meu quarto, essa quarta dica era uma das mais estúpidas das quais me lembro, como ser autoconfiante quando todos os seus sentimentos estão em jogo? Como ser confiante quando a garota que você está afim está bem na sua frente? Como não fazer papel de bobo?!


Respire, eu pensei, mantenha a calma, não surte. Vamos pensar primeiro no que é mais importante, achar uma fantasia.


Peguei o meu notebook, que estava ao lado da minha cama, e comecei a procurar no "google" fantasias que me seriam interessantes. Não posso negar, há inúmeras opções, mas também não posso mentir, a maioria é horrível , deixe-me lhe dar um exemplo, quem iria numa festa fantasiado de sapo? Vaca? Camisinha humana? Ketchup? Onde está o sentido dessas fantasias?


Aff, eu tenho de parar de me fazer essa pergunta: "onde está o sentido das coisas?" Fantasias foram feitas para não terem sentido, para que você pudesse ser outra pessoa por um dia, fantasias são malucas.


Pera ai, eu disse malucas? Maluco, é claro! Eu joguei meu notebook de lado e levantei da minha cama e corri para minha estante de livros.


Meus dedos faziam movimentos frenéticos procurando o título do livro que minha mente não parava de gritar ensurdecedoramente, eles pareciam voar por entre várias historias, até que cheguei no livro desejado.


Quando o retirei da estante a voz que gritava na minha cabeça calou-se, sua capa amarela pareceu me acalmar, a árvore no canto inferior me fez lembrar do campo e, a menina loira parada na frente de um gato sorridente me fez lembrar da loucura das fantasias. Exatamente, o livro que procurava era: Alice no país das maravilhas.


Então, de repente, meu pai abriu a porta. O livro quase voou de minhas mão devido ao susto que eu levei, Alice sempre me prendera muita atenção,ela é uma das personagens fictícias de que mais gosto.


- Filho queria saber se..... - Meu pai parou e ficou me encarando. - Isso é maneira de se vestir?


Acho que minhas roupas não agradaram muito ao meu pai. Eu estava usando uma cueca boxe preta com o simbolo do Batman do lado direito da coxa e uma blusa cinza.


- Eu estou bem assim, estou no meu quarto.


- Enfim, só ia te perguntar se você ia querer pedir uma pizza hoje, sua mãe está cansada e não pretende cozinhar.


- Ah, claro. - Eu respondi e, antes que meu pai fechasse a porta eu lhe perguntei. - Pai você pode me levar para alugar uma fantasia?


Meu pai abriu a porta surpreso, de certa forma.


- Para que você quer uma fantasia filho?


- Para ir numa festa. - Eu fui diminuindo o tom de minha voz conforme falava mesmo assim a audição de meu pai era muito boa.


- Uma festa?! Já?! Mal começou o novo ano, não esperava isso de você.


"Muito bom pai, um soco na minha autoestima" eu pensei.


- Fez algum amigo novo? - Ele me perguntou.


- Na verdade é por causa de uma garota que estou indo.


Meu pai fez uma cara surpresa e depois uma cara que indagava: esse é mesmo o meu filho?


- Julliene, nosso filho conheceu uma garota! E vai numa festa pra vê-la! - Meu pai começou a gritar do segundo andar da nossa casa para o primeiro andar onde minha mãe estava. Mesmo depois dele fechar a porta eu pude ouvir minha mãe dizendo: nossa, que bom!


Mesmo que as vezes eu não conseguisse demonstrar, eu os amava de mais, eles representam tudo o que eu mais acredito, um amor certo e puro.



.....


12/02/15

19h57


Os dias voaram muito rápido, eu nem tive noção de quão rápido eles passaram até o momento que Sidney ligou para meu celular e disse:


- Ei, Fred, posso te chamar assim né? Que bom que posso. Então, eu queria te perguntar se você podia me dar uma carona até a festa da Em.


- Claro, posso sim.


No momento que desliguei o telefone eu estava saindo do banho, enxugando minha cabeça com uma toalha azul clara.


Eu coloquei a toalha a cintura, sai do banheiro e andei até meu quarto, onde minha fantasia me esperava.


20h35


- Então, você já conhece a casa da Emily? - Eu perguntei a Sidney, já dentro do carro e indo na direção da casa dela.

Eu estava no volante ( graças ao bom Deus meus pais me emanciparam), enquanto Sidney colocava o GPS na direção da casa de Emily.


- Já fui uma vez, mas foi na casa antiga.


- Antiga? - Eu indaguei enquanto virava à esquerda.


- Sim, falam que os West tiveram de se mudar rápido da Itália para cá e compraram a primeira casa que puderam pagar, então o pai dela ganhou muito dinheiro e eles estão onde estão hoje.


- Pera, eles são da Itália?


- Nossa, cara, você precisa aprender muita coisa sobre Emily West.


Sim, eu sabia que tinha de saber, eu só não sabia se estava preparado.


21h20


Quando chegamos ao prédio de Emily nós ficamos impressionados por sua magnificência e soberania, parecia que ele já estava ali há anos mas a natureza se recusava a toca-lo.


Nós nos identificamos para o porteiro e este abriu o portão para nós, pude jurar ouvir o segurança dar risada da fantasia de Sidney. Bom, eu também ri.


Lembra de quando eu fiz quelas pesquisas de fantasias e apareceram muitas absurdas? Então, Sidney pegou uma delas. Sid estava vestido como uma vaca com varias manchas pretas e seis tetas rosadas no meio de sua virilha, Sid era aquela pessoa inesperada, ele era um ótimo amigo.


21h30


- Acho que devíamos ter pedido informação para o porteiro Sidney.


- Por que? Confie no meu instinto e siga-me. - Ao terminar a frase Sid agarrou o rabo de sua fantasia e ficou rodando-o com o pulso, não consegui conter a risada.


Pegamos o elevador e, antes que chegássemos à cobertura, nosso elevador parou no 11, onde uma senhora de cabelos crespos entrou no elevador com a gente, ela usava grandes óculos redondos e um colar de pérolas cobre um casaquinho roxo.


Nosso elevador, finalmente, subiu para a cobertura. Nós nos despedimos da senhora e Sid mugiu para ela, o que a assustou.


Eu fiquei parado em frente a uma grande porta de madeira maciça.


- Não vai tocar a campainha? - Sid perguntou. Antes que eu respondesse Sidney a tocou e nós ouvimos barulho de salto alto vindo em nossa direção, mesmo que este fosse abafado pelos gritos das pessoas que já estavam dentro.


Então a porta de madeira se abriu e uma voz feminina ecoou:


- Podem entrar gente.


Então Emily apareceu na porta, usando uma fantasia de Alice. Sua fantasia era curta, batia acima de metade de suas cochas, cheia de babados e rendas que ficavam por baixo de um tecido de ceda azul. Um corpete acentuava sua cintura e empinava seus pequenos seios. Ela estava com os cabelos em progressiva e uma maquiagem azul marinha cobria suas pálpebras, dando profundida aos seus olhos.


Sidney entrou e foi aí que ela me viu. Suas bochechas enrubesceram na hora, não foi aquele enrubescido de felicidade, mas sim um enrubescido de coincidência.


Naquela noite, ela seria a Alice, e eu lhe serviria o chá, como seu Chapeleiro.


Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top