Segunda hora
Caminhamos lado a lado até meu quarto e ao nos aproximarmos sinto Duda apertar minha mão com força.
— Gata se continuar a esmagar meus dedos, vamos ter um problema. — Digo sorrindo e ela me olha meio receiosa.
— Desculpa. - Pede tentando separar nossas mãos.
— Porque está nervosa? É só o meu closet.
— Tem certeza que me quer aí dentro?
— Claro!
— Hobi eu sou a rainha do desastre. - Agora o rosto dela estava num misto de nervosismo e pânico.
— Não pode ser tão ruim assim, ademais, eu convivo com o Namjoon e acredite ele realmente é o Deus da destruição. - Respondo cruzando os braços. Duda sorri soprado e logo começa a falar.
— O Nam não é desastrado, ele é cego. Já viu o último exame dele? E sim é muito ruim. Eu quebrei todos os copos que ganhei em apenas uma semana. Agora estou tendo que beber água no copo de requeijão. - Arregalo os olhos e tiro alguns segundos pra tentar absorver tudo que disse.
— Primeiro, o que é "recajao"? E segundo, nunca tinha parado pra pensar que ele é cego. - Esfregou o polegar e o indicador em meu queixo refletindo sobre isso.
— REQUEIJÃO. - Ela diz pausadamente. — É um tipo de queijo. Aí como posso explicar isso. É como uma pasta de queijo. Ah quer saber, o dia que você voltar ao Brasil eu te mostro.
— Vou te cobrar isso. Agora deixa de graça e entra logo.
— Aí Jesus, Maria, José, não me deixe quebrar nada. - Acho graça do jeito que ela faz o sinal da cruz e entra no quarto.
— Pedi que colocassem suas coisas ali. Espero que não se importe. - Digo apontando para o meu sofá que fica próximo à janela. — As roupas de cama são 100% algodão espeto que não se importe.
— E-eu vou mesmo dormir com você?
— Tá no contrato. Você não leu? - Pergunto ao ver o espanto dela.
— Amor eu sou brasileira, normalmente pulamos essa parte. - Responde se sentando no sofá e rindo. — Mais sendo sincera, eu vou amar ficar aqui com você.
— Vem cá então. Vou te mostrar o meu tesouro. - Pego nas mãos dela novamente e a levo para dentro do closet.
Achei uma graça a cara dela ao olhar o imenso espelho e depois analisar com calma as prateleiras.
— E então... O que achou ?
— Hobi do céu! Se tem noção que minha casa inteira cabe aqui dentro? - Parou diante da minha pochette Louis Vuitton e seus olhos cintilaram.
— Pode pegar se quiser. - Ofereço.
— Prefiro preservar a integridade física dela e os meus órgãos intactos. - O comentário me fez rir e estou quase acreditando que ela realmente é desastrado. — Armys tem muitos sonhos, um deles é esse aqui. Estar aqui.
— Posso te mostrar o outro closet se quiser. Fica no fim do corredor principal. - Ofereço e vejo sua boca se abrir em um grande O. — Lá eu guardo coisas mais casuais e alguns itens de fãs. Os colecionaveis geralmente dou para minha mãe então não tenho quase nenhum aqui.
— Acho muito fofo sua família sabia? Queria ter irmãos, mas somos só minha mãe e eu. - Começamos a sair do closet e ela para muito próximo de mim. Enquanto se enpolga vou percebendo certos detalhes de seu rosto que me fascinam. Duda tem um perfil incrível e quando sorri usa a face toda e não somente os lábios, o que a torna uma pequena bola de luz. — Por que está me olhando assim? - De repente questiona e em resposta lhe faço um carinho na bochecha antes de responder.
— É que você está encantadora nesse momento. - Disse isso sorrindo e me aproximando mais.
Foram alguns apenas segundo que nos separaram da prova real que ela pode ser desastrada. Ela começou rir sem jeito e deu dois passos pra trás e foi aí que o desastre aconteceu.
— Duds cuidado isso aí não é uma parede. - Aviso antes de ve-la sumir entre meus casacos pendurados e me levar junto de quebra. — DUDA CADE VOCÊ? - Gritei ao perceber que ela não estava embaixo de mim.
— Aqui debaixo de todas as marcas famosa e cools do mundo. ‐ Só vi sua mão pra fora da grande pilha de roupas que se formou.
— Deixa eu te ajudar, vem cá. ‐ Lhe seguro com uma certa força com uma de minhas mãos e com a outra vou retirando algumas peças e as pendurando novamente.
— Hey se sabe que tem mais uma sala ali atrás né? - Pontuou assim que sua cabeça ficou totalmente visível
— Eu sei. É onde guardo minhas joias. Devagar, isso com calma. - Digo a levantando e olhando com atenção.
— Perdão pela bagunça é que minhas pernas falharam e na real a culpa é sua.
— O que foi que eu fiz? - Perguntei mesmo sabendo exatamente do que ela estava falando.
— Não pode olhar uma army assim e achar que ela vai sobreviver. É como perder completamente a capacidade de andar. - Enquanto ela gesticulava acabei percebendo um arranhão em seu braço.
— Machucou. Poxa. Será que devo te levar ao médico? Será que bateu a cabeça?
— Relaxa rei do drama. Só preciso de algodão e antisséptico pra limpar o arranhão. - Levo ela até o banheiro e a sento no vaso. Pego o kit de primeiro socorros e começo a limpar o pequeno arranhão. — Não bati a cabeça tá.
— Isso quer dizer que você é doidinha assim mesmo? - Brinco com ela e mais um sorriso sincero nasce naqueles lábios lindos.
— Acho que é pré requisito pra ser army... Quer dizer, todas temos uns parafusos a menos.
— Ei! Vou contar as outras.
— Não ache que vocês são super normais, por que não são. - Cai na gargalhada enquanto finjo uma indignação que não sinto de mofo algum. — Valeu Hobi. -Diz verificando o curativo e logo se põe de pé. — Vou arrumar a bagunça que fiz e depois você pelo amor de Deus me tira de perto das suas coisas.
— Eu te ajudo.
— Imagina! Fui eu quem causou tudo isso.
— Vai tentar me impedir de fazer uma boa arrumação?
Acho que minha cara de "pidão" deu certo por que ela simplesmente não disse mais nada e assim voltamos ao closet. Duda começou a erguer as peças e as colocar em qualquer ordem e aquilo estava me deixando louco, mas, tentei tentei controlar.
— Que foi? ‐ Perguntou de repente.
— Nada.
— E você está me olhando com a mesma cara que olha para os meninos quando eles erram a coreografia por que então? - Pego no flagra, droga.
— É que... Estão na ordem errada. - Aponto sem jeito para as roupas que ela tinha acabado de colocar de volta na arara. — Desculpa é que...
Duda me surpreende ao vir até mim e acariciar meu rosto. Olhar naqueles grandes olhos dela é como mergulhar em um lago profundo e cheio misterios.
— Não peça desculpa por ser organizado. Na verdade eu amo isso em você e vou te falar uma coisa, queria eu ser assim. Sou péssima com essas coisas. - Me soltou e voltou a encarar a arara. — Me ensina?
— Claro! Primeiro as brancas, depois as pretas. Costumo organizar por tons. Primeiro os neutros e depois vamos subindo em escala assim. - Digo mostrando o outro lado do closet.
Estava me divertindo tanto que nem percebi o tempo passar, até ouvir o estômago dela reclamar.
— Acabamos! - Comemora orgulhosa.
— Bem em tempo antes que essa farinha aí dentro salte pra fora. - Digo rindo.
— Você ouviu isso né?
— Foi bem alto de fato. - Respondo brincando e ela empurra meu ombro. — Vamos! - Puxo ela porta a fora.
— Aonde você vai nos meter agora?
— Vou te levar pra experimentar a melhor comida de Seul.
— Sério? Oba já fiquei empolgada. - Ao dizer isso ela acabou levantando os braços pra comemorar e quase derrubou meu abajur. — Ops! ‐ Coloco o abajur de volta em seu devido lugar e me volto pra ela envolvendo um de meus braços em sua cintura a puxando contra meu corpo.
— Se não parar de tentar destruir minha casa vou começar a te cobrar em beijos.
‐
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