Capítulo 33
Pointes of view — Any Gabrielly
Ooh, baby
Eu sei que te amar não é fácil
certeza vale a pena tentar.
Mexo meu corpo adorando a temperatura do local, o cobertor grosso em volta do meu corpo me dá uma sensação maravilhosa.
Abro meus olhos com muita preguiça e a cena que vejo ao meu lado, com certeza, será a cena mais linda que eu verei durante todo esse dia que acaba de amanhecer.
Ariel está com o dedão dentro da boca dormindo em cima do Noah precisamente em cima de seu peitoral, o caipira a abraça quase que por completa e tem a boca levemente aberta.
O que me surpreende é que eu também estou agarrada ao seu corpo, não foi algo intencional, mas por estarmos em uma barraca apertada com certeza ajudou a acordar apoiada em seu braço. O que eu não vou reclamar pois adoro a temperatura de seu corpo.
Eu ainda não acredito que esse anjinho conseguiu convencer nós dois a dormirmos em uma barraca do lado de fora do trailer, melhor, eu não consigo acreditar como ela me convenceu a dormir aqui. Logo eu que sou medrosa e não troco uma cama por nada neste mundo, mas por incrível que pareça foi divertido e não senti frio, muito menos achei o chão duro, Noah deixou o local o mais confortável possível.
— Bom dia, bonequinha de plástico.
Depois que me recupero do susto repentino que Noah me causou, sorrio admirando a beleza desse homem. O que eu não posso mais negar é sua beleza incontestável.
Ele é lindo a qualquer hora do dia, mas pela manhã pode ser considerado um pecado. Seus olhos estão apertados devido às horas de sono, a voz está mais rouca que o habitual.
— Bom dia, Noah.
Falo igualmente baixo, nós dois nos olhamos sem nenhuma quebra de contato, nenhuma palavra precisa ser dita, é claro que ambos estamos lidando com as sensações recém descobertas, sensações que descobrimos e que provocamos um no outro.
Seria um eufemismo dizer que estou apaixonada pelo caipira, pois isso seria uma mentira e com certeza um exagero. Ainda não esqueci o Benjamin. Contudo agora percebo detalhes que antes eu me recusava a enxergar pelo fato de estar cega por alguém que jamais me mereceu. Lembro a mim mesma que é passado e lá ele deve ficar e, não preciso ficar a todo instante me lembrando quem foi meu ex-namorado.
É óbvio que Noah e eu temos uma atração enorme, quase dolorida, arrisco-me em dizer que temos uma química. Noah tira Ariel de cima de seu peitoral e a coloca no colchão inflável, a cobrindo um pouco mais. Ontem, Ariel fez questão de Noah dormir no meio, alegando que ele era o Nono de nós duas e eu não protestei, afinal ela ainda pensa que sou esposa de seu irmão e não iria confundir a cabeça de uma criança.
O ponto mais importante, não acho um absurdo continuar dormindo com Noah, eu me acostumei com sua presença felina.
Desde o dia que ele me desenhou nua, a dois dias atrás não tocamos mais no assunto, mas a todo instante nos olhamos, Noah me olha como se prometesse algo e eu o olho querendo entender quando tudo mudou entre a gente e eu passei a gostar dessa mudança, tudo está acontecendo tão naturalmente que é assustador.
Assusto-me quando Noah coloca seu dedão em meu lábio inferior e o desliza levemente, contornando o desenho e espessura do mesmo.
Olho para cima enquanto meu coração acelera em minha caixa torácica, conforme seus olhos se transformam em labaredas e conseguem me queimar interiormente.
— Ah, porra, você não imagina um por cento do que eu poderia fazer com essa boquinha.
Ele sussurra e se aproxima um pouquinho mais, mordo um pedaço de meu lábio inferior quando seu dedo desliza sobre o lábio superior.
— Any. — Noah está nitidamente interessado em mim, ele já não esconde mais, é como se ele finalmente decidiu quebrar todas as barreiras que o impediam de se aproximar, ou fui eu que quebrei a barreira que não o deixava se aproximar?
A resposta é confusa e talvez jamais tenhamos a resposta, mas acho que a mais correta seria que: nós permitimos que a barreira fosse quebrada.
Agora a questão é: quero mesmo me envolver com alguém neste momento? Estou pronta para deixar que outro homem chegue carnalmente até onde Benjamim chegou?
Não sei se eu conseguiria fazer sexo apenas para me divertir, mesmo sabendo que eu posso fazer isso, que posso fazer o que eu quiser com meu corpo e com minha vida, entretanto sou eu que não sei se quero chegar nesse patamar. É confuso, eu sei.
E tem mais, Noah é um homem fogoso, isso qualquer pessoa percebe, e duvido que ele fique somente nos beijos.
Quer saber...foda-se, eu irei fazer o que meu corpo quer e não o que meus pensamentos falam.
Seus lábios tocam os meus, algo leve, não consigo me importar com o fato que nenhum de nós dois tenhamos escovado os dentes ou se estamos com bafo de onça, eu só quero saber que meu corpo quer com esse homem.
Correspondo seu beijo com fervor, meu coração está acelerado e há borboletas em meu estômago, não há língua no beijo, é algo exploratório, é como se estivéssemos conhecendo nossos limites um com o outro por enquanto.
Noah me beija calmamente, contudo me puxa e faz com que nos ajeitemos e nossos corpos fiquem unidos, o calor se torna um momento íntimo, sua mão abraça minha cintura e a outra alisa meu pescoço. Sem que eu me contenha suspiro em sua boca. Ele desliza a língua um pouquinho em meus lábios os deixando ainda mais úmidos.
Não consigo evitar chupar seu lábio inferior quando ele aperta meu quadril com um pouco de força, nós dois gememos em uníssono. É, ele é quente e eu quero me queimar.
— Bom dia. — Noah e eu nos separamos tão rápido que fico tonta — Ops, eu atrapalhei o beijo. — Ariel têm a carinha inchada e um ar de riso no rosto, ela é muito esperta.
— Vamos levantar, eu estou com fome. — A loirinha fica em pé com seu pijama roxo de unicórnio e nos olha com uma carinha engraçada. — Não fiquem bravos, depois que me derem meu chocolate quente, podem se beijar mais.
Olho para Noah que sorri para a irmã e tem a expressão tranquila em seu rosto, é bom saber que ele não está arrependido desse momento inexplicável.
Deixo Noah do lado de fora recolhendo os itens que usamos na barraca e vou com Ariel até a cozinha matar o leãozinho que está em sua barriga implorando por comida.
— Que tal fazermos panquecas com gotas de chocolate? - pergunto quando entro dentro de casa.
Ariel começa a pular e isso a torna engraçada ainda mais com o pijama que tem um chifre e um rabinho.
— Sim, mil vezes sim. — Ariel bate palminhas animada, mas para rapidamente. — Meu Nono não gosta de nada doce… - sua feição se entristece depois da revelação e eu sorrio com isso.
— Então, eu faço as dele sem chocolate, e quer saber o que eu penso sobre seu Nono não gostar de doce? — Ariel assente como se eu fosse contar um segredo de estado a ela.— Ele é doido.
Faço o sinal típico de rodar o dedo perto da cabeça arrancando dela uma risada alta e fina.
— Posso saber o por que de minhas garotas estarem rindo tanto?
Quase quebro o ovo de maneira errada quando escuto sua voz e por incrível que pareça eu gosto da forma que ela saiu.
O dia passa entre risadas e conversas bobas, Noah sempre me observa em algum momento e de verdade eu gosto da atenção que estou recebendo dele.
Olho em meu pulso e vejo que faltam apenas algumas horas para levar Ariel até o aeroporto, é triste deixá-la ir depois de toda alegria que ela trouxe para essa casa.
Noah está colocando o dvd do karaokê que ele comprou, depois de uma fervorosa discussão que ele não iria cantar de forma alguma e que seria o jurado, e, sua irmã como uma verdadeira Urrea o chantageou, agora ele está aqui resmungando como um cachorro raivoso mas incapaz de contrariar a pequena.
Eu só sabia rir da irmã dizendo que iria contar a mamãe que Noah mora em uma lata no meio do nada. Pois era exatamente o que eu pensei quando cheguei aqui na primeira vez.
Conserto o vestido azul marinho em meu corpo e observo o sapato de salto alto vermelho que escolhi, eu amo essa combinação de cores. A trança lateral me deixa com um ar mais jovial e despojado.
Noah me olhou intensamente depois que me viu completamente arrumada.
Mordo meu lábio ao perceber o que desperto nele, que o deixo desejoso. A tanto tempo eu não me sentia assim: poderosa, capaz de ter o homem que eu quiser.
Eu não estava bem há um tempo atrás com Benjamin e tentava a todo custo forçar um relacionamento perfeito e pior de tudo era que eu não percebia, hoje eu vejo que meu antigo relacionamento era tóxico.
Relacionamentos não foram feitos para aprisionar e te fazer esquecer quem é você, o amor é para te fazer livre e feliz e foi quando eu me perdi, foi quando eu fiz tudo o que ele queria e esqueci que eu era parte daquele namoro também.
Os acordes começam a tocar no aparelho de karaokê e levanto minha cabeça na hora pois reconheço a música no mesmo instante.
— Eu não vou cantar essa porra, isso é coisa de viado.
Noah esbraveja, sei que ele não é machista e muito menos homofóbico, senão ele não me apoiaria quando tudo ocorreu e não respeitaria as pessoas que convivem em nosso meio, ele é apenas grosso e fala tudo sem cerimônia alguma, ele não tem papas na língua.
O que me deixa horrorizada é a forma como ele falou perto da sua irmã de cinco anos.
— Noah. — Minha voz de advertência é nítida, ele revira os olhos e começa ler as músicas querendo achar outra.
— Não liga, princesa Any! Mamãe sempre me fala que o Nono tem a boca porca, é só eu não falar como ele fala, que está tudo bem, faça isso também.— Noah com essa começa a rir e eu o acompanho, Ariel é a criança mais linda desse mundo todinho.
Ela para o irmão que continua resmungando baixinho.
— Não vai mudar, Nono, é essa música e pode cantar.
A música é de um cantor canadense, não me recordo do nome, mas sei que a música se chama Die in your arms e é linda a letra.
Ariel se põe ao lado do irmão e começa a cantar incentivando-o a acompanhá-la, Noah fica duro feito pedra, porém ele ama a irmã mais que tudo e sempre cede aos seus caprichos, ele assente ressentido mostrando que irá cantar com ela.
Me ajeito no sofá. Isso eu preciso ouvir e ver, jamais imaginaria que Noah cantaria algum dia, quando abre sua boca eu quase caio do sofá, a voz dele é absurdamente linda, eu não tenho palavras para descrever quão maravilhosa ela é, ele tem afinação e canta um pouco rouco, é algo que me deixa atônita.
Sua irmã tem os olhos presos na tela e tenta acompanhar o ritmo da música já que ela não lê tão perfeitamente por enquanto, mas Noah olha vez ou outra para a tela e consegue cantar.
— Porque toda vez que você me toca, eu apenas morro em seus braços Oooh, isso parece tão certo..
Agora ele me olha fazendo meu corpo inteiro se arrepiar, eu não quebro nosso contato, ele sorri um pouco sacana e volta a cantar com a irmã, me deixando aos suspiros.
(...)
Noah se senta ao lado do motorista, ele já acostumou a dirigir o meu carro e até prefiro, pois não é bom dirigir de salto.
Seus olhos estão um pouco vermelhos, ele acabou de se despedir da irmã que ficou com o empregado da família para retornar para casa.
— Podemos trazer ela mais vezes, agora que você viu que não é tão complicado assim. Eu vou sempre estar aqui para te ajudar.
Não percebi em que momento segurei sua mão, só percebi agora pois ele apertou um pouco, umedeço meus lábios e olho dentro dos seus olhos.
— Obrigado, Barbie humana. — Fecho meus olhos quando sua mão um pouco áspera toca minha bochecha direita, sinto sua respiração mais próxima, penso que ele vai me beijar outra vez, mas não, ele chega próximo a minha orelha. — Você está me deixando maluco, Any Gabrielly.— Noah morde meu lóbulo e então da partida no carro, ele consegue sair facilmente e age como se nada tivesse acontecido.
Nunca pensei que um arrepio pudesse ser tão forte, é claro que eu já me arrepiei, mas como agora nunca. Noah Urrea está criando uma tensão sexual tão forte entre nós, que isso está me deixando cada vez mais certa que estou disposta a ir com ele até o fim.
— Que tal irmos comer? Tem uma lanchonete a mais ou menos quinze minutos daqui.
Noah me olha rapidamente e volta a atenção para estrada novamente.
— Vamos lá, depois podemos ir na casa dos meus pais? Já está na hora de conversar com eles.
Ele assente engatando a segunda marcha no carro totalmente em silêncio até a tal lanchonete. Eu não me incomodo com o silêncio, sei que ele é assim.
Noah faz a baliza depois de alguns minutos na estrada e para em frente a uma lanchonete verde água, desço do carro assim que ele termina e ele faz o mesmo, Noah empurra a porta e espera eu passar para depois entrar, penso em provocá-lo com sua atitude de cavalheirismo, entretanto deixo para lá, a fase de ser chata e implicar com cada coisa que ele faz acabou, mas isso não significa que ainda não posso pegar no seu pé às vezes.
Sentamos na mesa mais próxima a porta que encontramos, olho o cardápio decidindo o que pedir, meu telefone vibra dentro da minha bolsa, pego e leio a mensagem da minha promoter e sorrio feliz com o conteúdo, só então lembro o que tenho que entregar ao caipira.
— Caipira. — abro minha boca para falar, mas no mesmo instante que eu começo preciso fechá-la diante do que eu vejo, não desgrudo os olhos da ruiva que vem em nossa direção, ela também percebe que sou eu e vem um pouco desnorteada, Noah percebendo meu olhar focado vira sua cabeça e como eu se assusta com a visão de Blair próxima de nós, vestida em um vestido branco e vermelho com um avental vermelho em volta da cintura, seus cabelos estão em um coque bem firme e um bloco de notas está em sua mão. Ao contrário de mim que estou estupefata, Noah tem um sorriso sacana no rosto.
— Boa Tarde, meu nome é Blair e serei sua garçonete esta tarde, o que gostariam de pedir? — Ela se mantém profissional.
Pigarreio, não suporto sua presença porém me mantenho de cabeça erguida.
— Um suco de maracujá sem açúcar e um sanduíche de peito de peru. — falo sem encarar a mulher a minha frente, não por medo ou vergonha, apenas porque ela não merece minha atenção e muito menos meu desconforto.
Mantenho-me séria, mas ao contrário de mim, Noah tem um sorriso encapetado, ele parece se divertir com toda situação.
— E o senhor o que vai querer? — Noah cruza o braço em frente ao peito, intimidando até mesmo a mim.
— Vou querer um sanduíche natural de frango, mas preste bastante atenção, pois se vir qualquer coisa errada, eu faço você ser demitida hoje mesmo, Chuck. O tomate tem que estar sem semente, pois não gosto delas, azeitonas pode ser batida junto com o creme e sem cebola, porém pode usar cebolinha em dobro. Vou querer um suco de laranja com açúcar, apenas duas colheres de sopa e o gelo pode vir triturado. É só isso mesmo, obrigado! Se acertar tudo que eu pedi talvez lhe deixe uma gorjeta. Agora vaza.
Blair sai como chegou em total silêncio e de cabeça baixa, olho para Noah boquiaberta, ele foi maldoso mas sem sair da pose de cliente e sei que ele não é assim, ele quis constranger a mulher.
Passamos alguns minutos conversando banalidades sobre curso de faculdade e logo nossos pedidos estão sobre nossa mesa.
Noah come seu sanduíche com tranquilidade, eu fico bebericando do meu suco, observando Blair em outras mesas, porque ela está trabalhando aqui? Não que seja errado uma pessoa trabalhar, o que me encuca é o fato dela estar aqui como garçonete sendo que Blair odeia trabalhar e quer vencer na vida a todo custo de forma rápida.
— Já que você não vai comer, eu como por você.
Noah pega meu sanduíche e o come, eu continuo apenas no meu suco.
Com alguns minutos, depois de uma briga besta de quem que iria pagar a conta, Noah vence pois teve o argumento que ele comeu mais do que eu. O que é verdade. Estou dentro do carro esperando pelo caipira que foi até o caixa acertar a comanda e me pego pensando em Blair, sei que não vou odiá-la para sempre e é melhor assim, pois o ódio faz mais mal para quem o sente do que para quem o recebe, mas estar com ela nos mesmos locais por enquanto não é fácil, eu ainda não tenho essa estrutura.
— Deixei dois dólares de gorjeta para a aquela Chuck, não queria, mas já vem em cada comanda o valor, porra, ela vai ficar rica desse jeito, imagina o tanto de gente que ela atende durante o dia e durante toda a semana. — Noah me olha enquanto coloca o cinto e fala ao mesmo tempo. — Essa lanchonete atende muita gente pelo fato de ser perto do aeroporto.
— Só vamos para casa dos meus pais, Noah. — encerro o assunto dando a entender que não quero conversa por enquanto, e ele entende perfeitamente que preciso de um momento comigo mesma. Um momento nos poucos minutos até a casa de meus pais...
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