Capítulo 29

Point of view — Noah Urrea

- Eu tenho que dizer o que se passa na minha cabeça alguma coisa sobre nós não está certo nesses dias.

Um sopro sai de meus lábios quando percebo que Benjamin não vai mesmo soltar Any, eu não queria mesmo ter que entrar em confusão hoje e muito menos na porta da faculdade por causa da bonequinha de plástico, contudo está fora de cogitação eu ver uma mulher ser maltratada perto de mim e não fazer nada em relação a isso.

Já passou da época que eu era a merda de um moleque que via a própria mãe ser maltratada dia após dia sem poder fazer nada, por não ter força suficiente para aguentar um adulto, força para aguentar o meu pai.

Porém desisti de tentar ajudar minha mãe quando percebi que ela jamais deixaria aquele caralho e que ela sempre encontraria e daria desculpas para atitudes daquele filho da puta.

Pensei por um tempo que a Any fosse como minha mãe e de fato lembrava, sempre a via fazendo tudo por esse palerma, contudo tenho que admitir que Any nunca soube de algum motivo que a fizesse acordar como minha mãe teve. Então mesmo sendo uma idiotice de sua parte literalmente morrer pelo Benjamin, era meio por cento justificável e agora que ela descobriu não vejo em seus olhos a vontade de perdoar esse caralho mesmo sofrendo como nunca.

Então sim, Any merece ser ajudada!

— Eu mandei você a soltar, porra. — o empurro quando me aproximo face a face com Benjamin, ao que consigo o empurrar meu punho esquerdo encontra seu nariz o acertando com força fazendo seu sangue vazar na mesma hora.

Eu nunca suportei esse cara, não existe ninguém tão perfeito assim, esse merda sempre tentava mostrar a todos essa falsa perfeição e confesso que observava o casal por isso, pois tive em toda minha vida o mesmo exemplo em casa e ao ver a forma que Benjamin se comporta chamou minha atenção. Também sempre percebi Any com o pensamento que deveria agradar seu namorado a todo custo e que deveria fazer tudo o que ele quisesse, burra feito mula.

E esse desgraçado sempre com aquela máscara de: Eu sou o cara, sou santo e perfeito, nunca engoli essa história, perfeito é somente Jesus Cristo, pois nós somos e sempre seremos todos uns fodidos de merda.

Benjamin dá dois passos para trás com a força do impacto provocado pelo meu soco e empurrão. Pela minha visão periférica posso ver Any se desequilibrar e Brandon a amparar, fico grato quando ele a tira da zona de guerra que se formou entre mim e esse pau no cu.

Benjamin avança sobre mim como um cachorro bravo, ótimo, eu estou mesmo precisando quebrar uns dentes para aliviar esse maldito estresse. Posso até apanhar mas sai como perdedor isso jamais, nem aqui nem no inferno.

O punho de Benjamin acerta minha bochecha esquerda, meus dentes do canto batem contra a carne sensível de minha bochecha e na mesma hora sinto o gosto metálico em minha boca, cuspo o sangue ficando ainda mais irritado.

Nós dois nos agarramos cegos de raiva, soco seu estômago no mínimo duas vezes, Benjamin por sua vez levanta o joelho me soca na barriga, fazendo com que eu quase vomite.

Eu vou matar esse desgraçado!

Agarro seu pescoço e consigo acertar seu olho esquerdo com uma força extrema, então sou puxado para trás com muita força, ao mesmo tempo que Benjamin é agarrado por Ricardo que ri divertido, gostando de toda situação.

Mas que porra, eu só estava começando.

Benjamin leva a mão ao olho fazendo uma careta, seu peito sobe e desce entregando sua raiva e ele faz questão de me mostrar isso me olhando raivoso, eu olho para trás olhando a peste que me puxou e não sei de onde esse porra saiu, pois não sei quem é esse demônio.

— Me solta, porra. — Me sacudo com ignorância, o homem atrás de mim me solta, mas fica por perto querendo evitar que eu pule no Ken falsificado, eu ainda quero matar Benjamin.

Ricardo solta Benjamin me olhando divertido e ao contrário de quem me segurou, ele está relaxado.

— Qual é, Urrea vai bancar agora o defensor de meninas indefesas? Todos aqui sabem que você usa as mulheres como se fossem objetos. Então não seja patético.

Direciono meu olhar para ele no mesmo momento, ele não vai sair por cima de forma alguma, ele não vai continuar com essa fachada de bom moço para todos.

— Eu as uso como objetos, tem certeza disso? Eu nunca iludi ninguém, nunca contei histórias da carochinha para nenhuma mulher, eu sou que o sou, se querem transar comigo elas sabem que vai ser uma noite ou mais, mas nada que vai ter um futuro relacionamento. E eu sou o que elas permitem que eu seja, se querem um homem para se divertirem por uma noite, eu sou esse cara, mas se querem namoro, casar e ter filhos, eu não sou esse homem e sempre deixei isso bem claro. Então quem é que usa quem aqui? Me poupe de sua ladainha.

Benjamin aperta as mãos em punhos, levanto a sobrancelha cansado dessa merda. Olho para Any que está séria mas seus olhos brilham com o acúmulo de lágrimas, ela está se segurando , aprendendo a controlar suas emoções.

— Chega dessa porra, o show acabou, vão cuidar das suas malditas vidas, bando de imprestáveis. — falo auto suficiente para que as pessoas que estavam ali.

Vou até a bonequinha de plástico que encara Benjamin com raiva, algo nela mudou esta noite mas não sei dizer o quê.

Brandon me olha com vincos formado em sua testa, ele está analisando cada passo meu, tenho vontade de o mandar se foder, contudo só consigo olhar para Any.

Mas que merda? Mesmo assim me aproximo dela e seguro sua mão e começo a puxá-la.

— Onde está me levando, caipira? — Any me questiona aparentemente irritada, mas não reluta em me acompanhar.

— Precisamos beber, bonequinha de plástico e acredite todo corno ou uma pessoa com muita raiva precisa de álcool no sangue e olha a ironia do destino...nós somos essas duas pessoas. — Any levanta seu dedo do meio para mim e do nada começa a rir escandalosamente conseguindo me fazer rir também.

Point of view — Any Gabrielly

- Se a minha forma de ser incomoda tanto quem deveria me amar, prefiro engolir o meu amor e me amar por dentro.

Minha visão está turva porém não consigo parar de rir feito uma louca, sei que é devido o álcool presente em meu sangue, mas não me importo com isso, não me recordo quando foi a última vez que me diverti assim.

Noah toma apenas cervejas agora pois quando chegamos aqui ele tomou duas doses de um whisky caro, suas bochechas estão rosadas e os seus olhos estão quentes.

— Como você se quer nunca gozou com aquele cara? Isso é impossível, não tem como uma mulher de vinte anos nas costas e ter um namorado por quase dois anos meio não saber o que é ter um orgasmo tão forte que não consegue ficar de pé durante alguns minutos.

Noah está realmente chocado agora com o que falei, não sei como viemos parar no assunto sexo, contudo eu resolvi falar mal do meu ex namorado e Noah apenas deixou que eu vomitasse o que eu quisesse.

Todas a ex namoradas falam mal do seu antigo relacionamento, certo? Não sei dizer a resposta, mas sei que me faz bem ver todos os defeitos que antes pela meu amor cego não me permitia ver.

Gargalho de novo e tomo um gole da minha cerveja gelada e espeto uma linguiça apimentada levando a mesma até minha boca.

— Eu não sei o que é gozar, caipira. O sexo nunca foi ruim, mas gozar como muitos falam por aí, eu não sei o que é.

Agora eu ganho mesmo a atenção de Noah, homens são tão patéticos às vezes.

— Mas aquele caralho nunca percebeu isso? Digo, nunca te ajudou?

Sei que a bebida está me deixando mais falante, nunca considerei o assunto sexo tabu ou proibido, mas daí conversar sobre isso com o Noah, logo com o caipira,  jamais passou em minha mente. Se me falassem isso a três dias atrás, que meu futuro seria estar em um bar, bebendo por causa de chifres e falando sobre sexo com o cara mais irritante do mundo, eu iria explodir em gargalhadas e aconselhar que a pessoa escrevesse uma história pois imaginação ela tem.

— Eu fingi durante todo esse tempo, caipira. E quando não conseguia atuar bem dizia que estava estressada por algo. Benjamin nunca percebeu, mas hoje acho que ele nunca deu importância. — olho para o garçom que passa perto da nossa mesa, o mesmo que nos atende esta noite. — Ei, ruivinho me traz um desse whisky duplo que meu amigo tomou mais cedo.

Assisto o garçom assentir e entrar onde fica as bebidas, eu preciso beber. Ele estava com a Blair antes mesmo de estar comigo, mas porque então ele ficou esse tempo todo comigo? Porque diabos Blair aceitava isso calada? E a melhor pergunta: O que eles pretendiam com toda essa farsa?

Dou de ombros, eu sei que tenho mais coisas para descobrir, sei também que beber não é a solução, mas hoje eu só quero ser uma garota normal de vinte anos sem preocupações e dores.

Volto a olhar para o caipira que me olha quente como o inferno.

— Se eu não fosse seu amigo... — Noah fala sarcástico, usando o termo que usei ao pedir uma dose ao garçom, e com isso minha bebida chega à mesa, o garçom recolhe alguns pratos e guardanapos sujos secando a mesa onde molhou por causa da cerveja, deixando o lugar novamente confortável.— Eu te foderia com tanta força e por tanto tempo que você iria encharcar toda minha cama, e eu faria questão de te secar com minha língua.

O garçom olha de Noah para mim chocado e eu explodo em gargalhadas quando o mesmo sai rapidamente, visivelmente constrangido por ter ouvido uma conversa tão íntima, percebendo o homem à minha frente é tão sincero e direto, já estou me acostumando com isso.

Noah me olha como se prometesse algo, no mesmo instante sinto meu baixo ventre se contrair,  entretanto pigarreio e bebo minha dose em um grande gole.

Faço a desentendida pois sei que o álcool está falando por mim.

— Posso te fazer uma pergunta? — mudo drasticamente de assunto, ele assente comendo das batatas fritas crocantes. — Na verdade é mais uma curiosidade, sabe aquela vez que dormir no sofá e você me levou para cama?

— Qual das duas vezes? — Sua voz está arrastada e seus olhos começam a ficar pequeninos.

— Aquela vez que eu acordei e você disse na maior cara de pau, era para eu tomar cuidado e não sujar sua cama, pois sabia que eu estava vazando. — minimizo a forma como ele falou, mas jamais esqueci isso, é realmente intrigante ele saber algo tão pessoal. — Como você sabia que eu estava menstruada?

Agora sim ele ri com vontade, seus olhos se fecham ficando apertados.

— Ah porra, você não sabe o prazer e a alegria que me deu em ver você tão chocada por eu saber algo assim, bonequinha de plástico. Estava bem escrito na sua cara que você não sabia como isso era possível. — o escuto atentamente. — mas é simples, eu não sou um homem bobo, eu sempre observei as mulheres para entender como o corpo feminino funciona e também aproveitei para nunca receber uma desculpa de que está em seus dias para não ter que transar comigo, prefiro um não sincero do que desculpas tolas. E, com você não foi diferente, te observei e percebi que alguns dias do mês você está com os peitos maiores, aparece sempre uma espinha em seu rosto e você fica mais calada, me privava de ouvir sua voz enjoada.

Ele fala assim, como se dois mais dois fossem quatro.

Não posso negar que já usei essa desculpa com o Benjamin para não ter que sair com ele e sabendo que o mesmo iria querer transar comigo e eu não estando tão afim. Ele sempre acreditava. — ou não fazia tanta questão assim de tê-lo rejeitado, talvez até gostasse. — Então Benjamin sumia o resto da noite, Agora eu imagino com quem ele passava a noite.

Será que Blair era tão boa na cama e por isso ele me enganou com ela por tanto tempo? Será que ele a fazia chegar lá? Sacudo minha cabeça, Benjamin e Blair é um passado eu não vou deixar que eles destroem meu futuro, não vou viver somente para pensar em porquês envolvendo meu nome e os deles.

Sei que terei dias difíceis por agora, mas hoje escolho sorrir ao invés de chorar, escolho me embebedar em um bar com o caipira do que ficar deitada em uma cama chorando vendo o tempo passar diante dos meus olhos.

— Você é um completo louco, acho que vou começar a te chamar de obsessivo ao invés de caipira.

Noah solta um arroto totalmente tranquilo me fazendo ao mesmo tempo contracenar uma cara de nojo e vergonha por ele não estar nem aí para as pessoas ao nosso redor. Mas pensando bem... eu deveria ser mais como ele: despreocupada com o que vão pensar sobre mim.

Notas Finais:
Início de uma amizade, será? 👀

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