E um amor
Florença, Itália, vinte e cinco de Agosto
O despertador como sempre me acordou às seis da manhã, mas aquele dia foi diferente, eu não iria me levantar para mais um dia desesperador em que eu correria pela cidade à procura de um trabalho, não.
Aquele dia, naquele vinte e cinco de agosto eu iria realizar o maior e mais especial dos meus sonhos, eu iria inaugurar a minha loja.
Sorri com esse pensamento, olhei para o lado ainda deitada sobre a cama, Adam já despertava, ele é era o cara que fez com que esse sonho se tornasse real, ele era por essa e muitas outras razões, o grande amor da minha vida, eu não poderia está mais radiante.
- Bom dia - Ele sorriu, sua voz ao amanhecer era linda e extremamente sexy, o encarei sorrindo - Está animada ?
- Se eu estou animada ? - Perguntei alargando o meu sorriso, meu sorriso que ao menos um pouco expressava o tanto de felicidade que eu tenho acumulada dentro de mim - Eu já passei da fase de está animada à dias, hoje eu estou eufórica.
- É, eu imaginei - Ele disse, e me beijou em seguida - Que tal uma comemoração por este início de melhor dia de todos?
- Você está sugerindo o que eu acho que está ? - Perguntei com um sorriso travesso brincando em meus lábios.
- É - Ele disse puxando as cobertas sobre nossas cabeças - Eu estou.
Depois de um início de manhã pra lá de animado com Adam, interrompido somente porque infelizmente ele tinha de resolver alguns detalhes da loja, caminhei até o quarto depois de um relaxante banho e me vesti, uma blusa de seda que tinha uma levíssima estampa floral, uma calça flare azul marinho e calcei um scarpin nude, minha doma e meu toque blanche, meu alvíssimo chapéu de chefe de cozinha o qual eu obviamente não abriria mão, estavam dobrados sobre a cama, os encarei e senti o brilho transpassar meus olhos.
Depois de arrumar meu cabelo num delicado coque e passar um leve batom vermelho, peguei minha bolsa com a doma e o chapéu e caminhei até a sala, um sorriso escapuliu dos meus lábios quando encarei minha grande e por vezes fiel companheira, a minha cozinha, ali tudo começou.
Já dentro do táxi eu sentia ondas em meu estômago, que hora estava tomado pela ansiedade, hora pela alegria, e quando as duas sensações se debatiam dentro de mim o resultado era um sorriso inebriante em meus lábios.
A lista com pouco mais de trinta convidados foi inteiramente preenchida pelas presenças confirmadas, Madame Bertolli foi a primeira a confirmar, minha mãe logo após, disse que todos estavam entusiasmados para que o dia chegasse logo, eu sabia que meu pai possivelmente não estava incluso nessa afirmação, estou ansiosa para ver como ele irá reagir ao nos encontrarmos na loja, no meu negócio.
Era por volta de dez da manhã quando o táxi estacionou a entrada do longo beco que abrigava a Rua Dubai, o caminho até o n° 27 nunca fora tão lindo, meus pés pareciam não tocar o chão, sorria para todos que encontrava, era uma maneira de expressar o quanto estava feliz.
Enfim parei em frente ao n° 27, o pequeno batente da loja agora era ladeado por variados tipos de flores, margaridas, gérberas, flores do campo e astromélias se acumulavam em vasos, a imagem era adorável, a fachada de vidro já dava a noção de como a loja havia ficado.
Subindo o olhar, logo acima da pequena cobertura cinza que ficava junto a porta, cercado de arabescos lia-se o nome do empreendimento, DubCake, o nome não poderia ser melhor, retratei o que eu fazia e o lugar que eu mais amava no mundo, depois da minha cozinha, peguei as chaves na bolsa e caminhei até a porta, passei levemente os dedos pelo n° 27 entalhado na mesma, girei a chave e a abri em seguida, um sininho tilintou junto a porta assim que eu realizei o gesto.
Fechei os olhos um segundo e aspirei o cheiro que emanava de lá, um aroma cítrico mesclado ao doce e que era extremamente bom.
A loja era da forma que eu via em meus sonhos, o papel de parede quadriculado, rosé e cinza cobria todas as paredes, as mesmas tinha alguns quadros pendurados com frases como "Misture muito afeto, amor, paixão, alegria e viva bem" , pequenas luzes dentro de delicados lustres pendiam do teto, o espaço amplo tinha várias mesas e cadeiras, foi estrategicamente deixado um corredor entre as mesas que levava ao balcão, que continha prateleiras abaixo e uma vitrine já recheada com doces.
Logo atrás do balcão a enorme porta dupla se abria para revelar a cozinha, mais precisamente o coração de toda loja. Ela era espaçosa, as paredes tinham azulejos até a metade, logo acima foram instalados diversos armários, assim o espaço seria maior no chão, uma longa mesa ficava ao centro, duas pias ficavam num canto e junto delas uma enorme geladeira, fazendo tudo isso ainda tivemos dinheiro de sobra para adquirir dois fornos profissionais, o que tornaria o trabalho bem mais acelerado.
Contratamos uma equipe com cinco garçons, eles nos ajudariam a servir nessa inauguração, e a depender da demanda dos próximos dias, que eu espero ser muita, iremos contratar algumas pessoas para trabalhar conosco.
Arrumei alguns doces que ainda precisavam ser finalizados sobre a bancada, coloquei meu chapéu e um avental igual aos que os garçons usariam nesta tarde, era simples, mas charmoso, em tom cinza e rosé e com o nome da loja no centro.
Já estava terminando de arrumar tudo quando Adam chegou, trazia os garçons consigo, eles se arrumaram e nós passamos as instruções.
- Quero que esse dia seja inesquecível - Sorri para os quatro rapazes e a moça que me encaravam - Deem o seu melhor e trabalhem com amor.
- Dito isso, podem ocupar seus lugares - Adam completou - Pelas minhas contas os convidados estarão chegando em meia hora.
- E olha que ele é bom de conta em - Falei por fim, todos riram e em seguida se dispersaram pela loja.
- Vai Adam, só mais esse - Disse tentando fazer com que ele provasse mais um dos doces que eu havia feito. Uma coisa que eu não previ acabou acontecendo, um nervosismo descomunal começou a tomar conta de mim, senti a boca seca e comecei a achar que nada do que havia preparado estava bom.
- Meredith - Ele sorriu calmamente - Está tudo uma delícia.
- Não ria do meu desespero Adam Bennett - Completei enquanto vestia a doma - Eu estou suando feito um porco - Apertei as mãos nos olhos, não era possível que lágrimas desesperadas fossem começar a cair justo agora, no dia mais especial da minha vida.
- Ei - Adam disse suavemente tirando as mãos do meu rosto e me encarando em seguida.
- O que? - Perguntei com a voz embargada pelo choro preso na garganta.
- Respira meu amor - Tomei fôlego e voltei a encará-lo - Sua loja está linda, você é maravilhosa e toda comida está uma obra prima, você não tem porque se descontrolar, está entendido?
Assenti levemente, meu coração começou a bater de forma mais controlada e eu enfim voltei a respirar, até ouvi o sino acima da porta de entrada tilintar, era exatas 15:00 horas, levantei os olhos arregalados para Adam que sorriu.
- Vai da tudo certo - Assenti rapidamente - Vai lá - Me indicou a porta, sorri e caminhei, respirando lento e profundamente, parei em frente a porta dupla e sussurrei para mim mesma.
- Tudo vai dar certo - Empurrei as portas e sorri quando meus olhos pousaram sobre as pessoas que já preenchiam o lugar.
- Boa tarde a todos - Deslizei por entre as pessoas, os cumprimentando - Obrigado por terem vindo, fiquem a vontade, espero que apreciem a comida.
Minutos depois mais da metade dos convidados já havia chegado, os garçons circulavam com bandejas lotadas de doces.
- Meredith - Me virei e lá vinha Madame Bertolli sorrindo, carregando um maravilhoso buquê.
- Madame - A abracei - Que bom que está aqui.
- Eu não perderia por nada - Replicou e eu sorri - Especialmente para você, eu mesma o fiz - Me entregou o adorável buquê com rosas, begônias, violetas, lavandas e hibiscos vermelhos.
- É maravilhoso - Aspirei o delicioso aroma - Muito obrigado.
- Ei Meredith - Adam acenou para mim do balcão.
- Madame, fique à vontade.
- Claro, e você por favor, relaxe. Tudo está maravilhoso - Retribui seu sorriso e então caminhei até Adam.
- Algum problema ? - Perguntei olhando dele pra um caderno que ele tinha em mãos.
- Problema? Sabe o que é isso? - Ele sorria de orelha a orelha, neguei levemente com a cabeça - Encomendas.
- Encomendas ? - Perguntei dando a volta no balcão - Adam, tem tipo uns vinte pedidos aqui - Folheei o pequeno caderno um tanto quanto surpresa.
- Vinte e cinco na verdade - Levantei os olhos para ele e sorrimos - Aparentemente os doces estão na validade - Brincou, o empurrei de leve sorrindo ainda mais.
As flores que eu ganhei foram postadas num gracioso jarro no balcão, mais pessoas chegavam e a ansiedade que eu havia controlado tinha voltado a me dominar, já que a cada vez que a porta se abria eu corria para ver se era minha família, nem que fosse um deles.
Comecei a achar que nenhum familiar meu viria até ali naquele dia, foi desanimador e um tanto deprimente.
- Mais encomendas - Adam cantarolou me entregando um pedaço de papel com alguns nomes e números - Passa pro caderninho.
- Você e essa sua mania de organização - Falei rolando os olhos.
- Anda logo - Ele bateu os papéis de leve sobre meu nariz - Sorri e os agarrei, olhei para o caderno, enquanto anotava mais uma encomenda ouvi o tilintar do sino, e ao levantar os olhos pra porta meu coração disparou mais uma vez naquele dia.
Meus irmãos e minha mãe vinham entrando na loja, sorri assim que os vi, e antes que a porta pudesse se fechar meu pai se fez presente.
Dona Aída sorriu ternamente, ela e meus irmãos traziam na feição uma alegria plena, já meu pai que vinha logo atrás corria os olhos por toda loja, sua expressão por enquanto ainda era indecifrável.
Caminhei até eles, sentia um misto de alegria por tê-los aqui e ao mesmo tempo incerteza, queria muito saber a opinião do meu pai e mesmo que fosse pouco provável, almejava a aprovação dele.
- Mamãe - A abracei fortemente - Estava com saudade.
- Naturalmente, nos últimos quatro meses você sumiu.
- Andei muito ocupada, como pode ver - Girei a mão ao redor da loja e ela sorriu.
- Como vai irmanzinha ? - Luigi perguntou me abraçando.
- Vou indo muito bem.
- Teríamos chegado mais cedo - Franchesco exclamou - Se papai não tivesse se atrasado - O olhou de relance e ele bufou ao seu lado.
- Meredith - Ele disse, os lábios quase encobridos pelo espesso bigode.
- Papai - O abracei, não esperei que ele desse seu veredicto na mesma hora, ele ainda percorria o olhar pelos quatro cantos da loja, como se procurasse uma falha - Vou leva-los a uma mesa.
Os encaminhei a uma mesa que eu havia deixado reservada, próxima ao balcão e de onde meu pai conseguiria ter uma vista ampla de tudo.
Em seguida, com uma desculpa esfarrapada caminhei a passos largos em direção a cozinha, sentia meu coração palpitar aceleradamente no peito.
Mais uma crise, não, agora definitivamente não era a hora. Os garçons entravam e saiam, os doces eram consumidos com tamanha rapidez, abri um sorriso amarelo para um deles e segui com as mãos trêmulas para a geladeira, precisa com urgência de um litro de água com açúcar.
Minhas mãos tremiam demasiado rápido naquele momento, fechei os olhos tentando respirar controladamente, meu peito subia e descia com certa rapidez.
- Meredith, o que houve? - Adam perguntou entrando na cozinha - Lorenzo me disse que você estava pálida.
- Eu acho que vou infartar Adam - O encarei, ele soltou uma risada.
- Como é dramática, me da isso que eu faço - Ele tomou a jarra de minhas mãos, encheu um copo e foi pegar o açúcar - Você precisa relaxar.
- Eu estou tentando - Disse entre os dentes, respirando pesadamente. Ele sorriu e me entregou o copo de água com açúcar.
- Obrigado - Bebi rapidamente.
- Tudo vai ficar bem, vem aqui - Disse abrindo os braços, o abracei e encostei minha cabeça em seu peito - Você enfrentou seu pai e moveu céus e terra para está aqui, agora não é hora de se desesperar, tudo está dando certo e hoje é o seu grande dia, relaxa e tenha em mente que independente do Sr. Sanders, você chegou até aqui.
- Obrigado Adam - Fechei meus olhos diante de seus carinhos.
As seis horas, a maioria das pessoas já tinham ido embora, eu não tive mais crises de ansiedade desde que Adam me acalmou, ele era minha âncora, meu porto seguro.
Enfim, com o chapéu em mãos caminhei até a mesa que todos estavam, além deles somente Adam estava na loja, pedi que ele me acompanhasse.
- E então ? - Perguntei com um sorriso tímido.
- Parabéns minha filha - Minha mãe de levantou - Estou orgulhosa de você.
- Ora mamãe - Sorri - Muito obrigado.
- Parabéns irmãzinha - Franchesco me abraçou.
- Mãos abençoadas Meredith, é isso que você tem - Luigi disse sorrindo para mim - Que sobremesas incríveis - Sorri, estava grata, no entanto era difícil transparecer, meus olhares mantinham-se atentos ao meu pai.
E eu já não podia mais esperar para saber o que ele achou de tudo, o encarei e sorri.
- Papai ?
- Bom - Ele disse firmemente caminhando em minha direção, eu mantinha meus olhos pregados nos seus - Eu sempre te admirei Meredith, minha pequena filha, que sempre demonstrou ser uma grande mulher, determinada, com fibra e muito audaciosa.
- Fico muito grata papai - Diferente de como eu imaginei que seria, seu tom era doce e amável.
- É claro que eu fiquei irado quando você disse que não queria seguir os passos de toda família.
- Ficou muito irado - Franchesco disse rindo.
- Não interrompa - Minha mãe o repreendeu.
- Continuando, foi um baque, no entanto com um tempo eu acabei me acostumando - O olhei espantada.
- Foi isso mesmo que eu ouvi ? - E pela primeira vez na noite ele sorriu.
- Exatamente isso, e hoje eu estou vendo que foi um grande erro não ter te apoiado desde o início - Meu coração parecia querer saltar do peito - Aquele contrato não existe mais, à muito tempo Meredith.
- Como papai ? - Ele mais uma vez sorriu.
- Eu o destruí a muitos dias, sabia bem no fundo que você nasceu para a culinária e eu comprovei isso esta noite, juntar flores e bolos foi um grande acerto.
- O senhor não sabe como é maravilhoso ouvir isso.
- Meredith Sanders, minha filha - Ele tirou o chapéu que eu trazia apertado nas mãos e pôs em minha cabeça - É uma verdadeira chefe, e eu me orgulho muito de você.
O abracei com todas as minhas forças, eu era agraciada e agora sentia a minha felicidade completa.
Acabou que minha família inteira ofereceu serviços para a loja, e agora a Sanders Advocacy que cuidaria de tudo.
Sentei-me numa cadeira com Adam a minha frente, restou somente nós dois, ele massageava suavemente os meus pés.
- Obrigado Adam - Disse sorrindo e o encarando - Por tudo.
- Eu estou muito feliz por você - Ele sorriu e se levantou - Espera um minuto, tenho uma coisa para te da.
O observei caminhar até a cozinha, me ajeitei na cadeira e desprendi o coque, massageando meus cabelos em seguida.
- Meredith - Abri os olhos e Adam me entregou uma linda rosa vermelha.
- Obrigado Adam - Sorri, e vi algo tremeluzir sobre a luz do lustre dentro dela - O que tem aqui ? - Indaguei e ele sorriu.
- Pega, é seu, se aceitar é claro - De dentro da rosa eu retirei um lindo anel com uma delicada pedra azul.
- Ai meu Deus, é lindo - O encarei.
- Me permite ? - Perguntou tomando o anel e se ajoelhando a minha frente - Não tem porque esperar quando o amor está envolvido e fala mais alto, você aceita ser minha noiva ? Meredith Sanders.
- Ah, Adam Bennett, deixe-me pensar - Ele sorriu e eu me ajoelhei a sua frente - Eu te amo tanto, é claro que eu aceito.
E então nos beijamos, eu estava plena, realizada, extremamente feliz. No fundo eu sempre soube que a Rua Dubai me traria coisas boas, maravilhosas por sinal, o n° 27 será meu número da sorte, definitivamente.
Tudo deu certo e eu posso comemorar, pela minha vida profissional e por enfim ter encontrado o meu amor.
The end...
Espero que tenham gostado ,é o primeiro conto que eu escrevo. Adorei pôr essa ideia no papel e espero muito que vocês tenham tido uma boa leitura.
Grande beijo!!
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