𝑪𝑨𝑷𝑰́𝑻𝑼𝑳𝑶 𝑸𝑼𝑨𝑻𝑹𝑶🌙
Liam Dunbar
— Segurem o instrumento com amor, vocês precisam tocá-lo delicadamente como se fosse algo precioso.
O professor dizia no meio da sala, explicando e nos guiando da maneira certa.
Mais um novo dia se iniciou.
E a história sobre formar uma banda era realmente verdade, aparentemente a banda da escola fará apresentações em eventos especiais da escola, vamos ter aulas uma vez por semana e ensaiar para uma futura apresentação para o colégio.
Hoje, descobri que o professor Gabriel também é padre. A escola é uma escola religiosa e de uma renda não tão boa, então o padre Gabriel estava nos contando que ele faz o trabalho de graça aqui na escola, ele trabalha nas aulas de natação, é professor de música e como padre, sempre está disposto a ouvir os alunos e dar conselhos quando eles precisam.
— Vocês precisam usar o instrumento como se estivessem apaixonados, aproveitando cada pequeno momento — ele continuava dizendo.
A sala foi dividida entre os alunos que sabem tocar algum instrumento e os que não sabem. A maioria dos alunos sabem tocar algum instrumento porque é muito comum na igreja ter aulas de música e como a maioria de nós fomos criados dentro da igreja, muitos aprenderam por frequentar essas aulas.
A banda foi formada por instrumentos de sopro, apenas alguns foram destinados a tocar o bumbo e o triângulo.
— Padre, o senhor diz tanto sobre o amor, mas como pode saber disso se nunca se apaixonou? — Scott perguntou, segurando a flauta um pouco sem jeito.
— E quem disse que eu nunca me apaixonei?
— O que? — todos eles pareceram surpresos com a resposta — o senhor já se apaixonou?
— Isso é sério? E como foi? — Brett, Gabe e Stiles se levantaram também, ansiosos pela resposta do padre.
— Eu tinha a idade de vocês.
— Uau — eles disseram em conjunto.
— Ela também era da França?
— Era sim.
— Padre, você já beijou? — Isaac perguntou, eles estão realmente impressionados com tudo isso.
— É! E o que você sentiu? — Brett perguntou.
— O amor não é apenas sobre o toque físico, o amor vai muito além disso — falou Gabriel.
— Mas isso é o mais interessante!
— É, é mesmo!
— E como vocês se conheceram?
— Isso foi interessante — padre disse com um sorriso, como se estivesse se lembrando disso no momento — nós estávamos em uma festa, quando eu olhei para ela, ela já estava olhando para mim. Ali eu percebi que era amor à primeira vista.
— Uau.
— Isso foi intenso.
— Eu não sabia que padre namorava.
Corri meus olhos pela sala, procurando por Mason que não estava aqui e eu não o vi pela manhã.
Mas meus olhos se encontraram com outros olhos, um par de olhos verdes que estava me olhando atentamente. Pela surpresa, o meu coração acabou batendo mais rápido, Theo estava olhando para mim e depois de alguns segundos nos encarando, ele sorriu para mim e eu senti uma falta de ar esquisita.
Eu sorri de volta, sentindo meu rosto esquentar, então voltei a minha atenção de volta ao professor.
O Theo me faz sentir coisas estranhas.
A aula correu e foi bem barulhenta, foi até divertido ver os garotos que não sabiam tocar nenhum instrumento tentando aprender, pela primeira vez desde que cheguei eles não pegaram no meu pé e foi uma aula divertida.
Eu estava guardando o saxofone em seu devido lugar, a maioria dos garotos já haviam saído da sala para almoçar, enquanto o restante ficou para guardar os instrumentos que o professor havia nos pedido.
— Você toca muito bem — ouvi Theo dizer enquanto ele se aproximava de mim.
— Obrigado.
— Onde foi que você aprendeu?
— Nas aulas gratuitas que tinham na igreja, meu pai me colocou para fazer as aulas e eu acabei ficando bom nisso — digo. Tocar saxofone é algo que eu posso dizer sem preocupação que eu sei fazer muito bem.
— Eu nunca gostei dessas aulas, minha mãe me levava até a igreja para praticar e eu fugia para ler quadrinhos no jornaleiro — Theo disse e nós dois rimos.
Ele colocou as mãos no bolso e olhou ao redor, vendo que a sala já estava ficando mais vazia.
— Escuta, será que você poderia me ensinar? O padre disse que teremos uma apresentação em breve e do jeito que eu estou vou acabar passando vergonha na frente do público — ele falou, parecia até um pouco sem jeito.
— Eu posso, mas o padre disse que ficaria responsável por isso — digo.
— Sim, mas eu queria poder treinar mais de uma vez por semana, assim eu aprenderia mais rápido — ele explicou.
— Tudo bem... então quando você quer começar?
— Eu te achei! — Scott entrou na sala ofegante, apontando para Theo — você não acredita no que estão dando no refeitório! — ele anda apressado na direção de Theo.
— Por que você está com um jeito de quem vai tirar o pai da forca? — Theo o questionou.
— São batatinhas! Batatinhas em conserva!
— Não brinca comigo! — Theo quase deu um salto no seu lugar.
— Eu nunca brincaria com uma coisa dessas — Scott disse — vamos logo!
— Eu estou indo! Liam, depois nós conversamos, tá bom? Eu tenho que ir — Theo mal terminou de falar e já estava fora da sala com Scott.
Os garotos são realmente bobos.
...⏳...
— Estou dizendo, vai ser a maior festança! — Isaac falou.
— Eu não perco essa festa por nada — Gabe disse.
— Espero que tenha muitas meninas.
— Eu também, quero uma namorada — Brett disse.
Eu estou com sono, ainda temos que ir jantar, mas eu me sinto cansado. Estamos agora voltando do banho, o supervisor deu uma bronca em todos nós pela bagunça em nosso dormitório e a desorganização, então Theo como líder da classe decidiu organizar nossos horários, agora temos horários para limpar o quarto e vir tomar banho, está proibido sair do quarto depois do jantar.
Os meninos estão animados porque parece que vai haver uma festa no fim de semana, será em algum lugar perto da casa de Isaac e parece que todos foram convidados.
— Você vai à festa? — Nolan veio ao meu lado, passando o braço em volta do meu pescoço.
— Eu?
— Todos podem ir, é uma daquelas festas onde não precisamos de um convite formal — Mason falou, também ao meu lado.
Viramos o corredor e estávamos quase chegando no dormitório.
— Vamos comprar bebidas naquele bar onde a garçonete tem peitos grandes — ouço Brett dizendo para Gabe.
— Se ela me deixasse tocá-los... eu fico duro apenas de imaginar — Gabe murmurou e Brett riu.
Gabe olhou para trás e nos viu andando atrás deles, então cochichou alguma coisa no ouvido de Brett e os dois se virarem, ainda andando, mas dessa vez de costas.
— Vocês vão na festa? — Brett perguntou.
— Talvez eu vá — Mason disse.
— É, eu também — disse Nolan.
— E você? — ele apontou para mim.
— Eu não sei.
— É seu dia de tomar chá?
— Ou será que a mamãe não deixa? — os dois começam a rir juntos.
Eu estou cansado disso, preciso fazer alguma coisa para esses idiotas pararem de me incomodar. Eles pensam que eu sou indefeso apenas porque são mais altos que eu, mas eles podem ser mais altos, de qualquer forma eu continuo sendo mais esperto do que esses cabeças de vento.
— Parem de encher — Mason diz.
— Eu não gosto de festas — digo.
— Aposto que você nunca esteve em uma de verdade — Gabe falou.
— E eu aposto que seu cérebro não funciona como deveria funcionar.
— O que foi que você disse, seu baixinho? — Gabe parou de andar enquanto me encarava.
— Eu disse que o seu cérebro não funciona direito. Você não entendeu? — parei de andar e me aproximei de Gabe — Além de burro, você também é surdo?
— Seu nanico atrevido — Gabe estava com um semblante furioso, então veio para mais perto e me deu um empurrão — quero ver se você tem coragem agora — ele estava prestes a acertar um soco em mim, eu senti meu estômago revirar naquele momento percebendo que não foi uma boa ideia enfrentá-lo logo agora, eu nunca briguei com ninguém antes. Mas antes que Gabe pudesse realmente me acertar, Brett segurou seu punho com força.
— Cara, aqui não — ele murmurou para Gabe.
— Seus idiotas, deixem ele em paz — Nolan falou.
— Se vocês chegarem perto do Liam de novo, nós vamos falar com o inspetor! — Mason falou. Mas eu confesso que duvido um pouco que o inspetor possa fazer alguma coisa para me ajudar.
Os dois ficaram perto de mim e me fizeram sair do corredor, deixando Gabe e Brett para trás.
— Você vai se arrepender do que disse, Liam Dunbar! — ouvi Gabe gritar pelo corredor.
— Relaxa, ele não vai fazer nada — Mason disse mais baixo para mim.
— Eu espero que não...
Eu preciso estar preparado caso Gabe queira realmente se vingar, mas a culpa não é minha se ele não consegue competir contra os meus argumentos, ele partir para a violência apenas prova o que eu disse a ele, ele é burro.
Entramos no quarto e os outros meninos já estavam lá dentro conversando em um tom alto como sempre, enquanto ia até a minha cama eu vi Theo entrando no quarto em silêncio e indo até sua própria cama. Eu não o vi mais depois que saímos das aulas e nem o vi no banho, não sei onde ele poderia estar, mas talvez isso seja normal, ele é líder de classe e provavelmente estava resolvendo alguma coisa referente a isso. De qualquer forma, não é da minha conta.
...⏳...
Theo Raeken
Hoje eu levei uma baita bronca.
O diretor me chamou em sua sala depois da aula porque descobriu que os meninos estão saindo escondidos durante à noite, então acabou sobrando para mim. Ele brigou comigo dizendo que eu não fui um bom líder, também ordenou que no fim do mês quando a minha liderança terminar eu não terei mais chance de ser o líder da classe depois das férias.
Eu me esforcei para ser um bom líder, mas é tão difícil com meus amigos agindo dessa forma, eles nem pensaram que as consequências poderiam vir e apenas saíram escondidos como sempre fazem.
Estou em mais uma noite acordado pela falta de sono, todos no quarto estão dormindo, os roncos de hoje parecem ainda mais altos do que da noite anterior e eu acho que será ainda mais difícil dormir.
Ouço alguém se mexer na cama e olhei na mesma direção, vendo Liam virando de um lado para o outro. Ele está dormindo, mas está se remexendo como se tivesse acordado. Será que ele está tendo um pesadelo?
Liam começou a murmurar baixinho enquanto se mexia, então eu me levantei devagar, passei pelas camas checando se todo mundo estava mesmo dormindo até chegar na cama do Liam. Ele continua murmurando sem parar e está fazendo algumas caretas, acho que está mesmo tendo um pesadelo.
— Não! — Liam disse um pouco mais alto, se sentou na cama e abriu os olhos — T-Theo?
Ele olhou para mim e só agora percebi que estou parado em frente a sua cama como um tonto perdido.
— Você está bem? Teve um pesadelo? — perguntei me aproximando.
Na cama ao lado, Stiles soltou um ronco mais alto enquanto se virava para o outro lado.
— Eu tive um pesadelo... — Liam parecia assustado, ele puxou os lençóis para mais perto dele e se encolheu na cama — você pode ficar aqui... comigo?
Liam me olhou como se estivesse prestes a chorar.
Eu não posso negar esse tipo de pedido, ele acabou de ter um pesadelo e pesadelos são horríveis.
Me sentei na ponta da cama e Liam enxugou uma lágrima que eu nem percebi que havia caído.
— Você quer falar sobre o seu pesadelo? — perguntei em um sussurro.
Ele assentiu com a cabeça e segurou firme o lençol.
— Eu sonhei que... eu estava em casa, eu chamava pela minha mãe e ela não respondia, então eu procurei ela por todo lugar e ela não aparecia... a minha mãe havia ido embora e eu fiquei sozinho, Theo.
Liam cobriu o rosto com as duas mãos e eu acho que ele começou a chorar.
Eu não sei o que fazer agora. O que fazer quando alguém começa a chorar?
Já sei!
Me levantei rapidamente e fui até ás minhas coisas, procurei pela minha bolsa o que eu queria, então assim que encontrei o saquinho com amendoins dentro, voltei para a cama de Liam e me sentei dessa vez ao seu lado.
— Não chora, foi só um pesadelo — eu o cutuquei e ele tirou as mãos do rosto para me olhar — comer alguma coisa pode te ajudar a se sentir melhor.
Abri os saquinhos com amendoim e tirei a casca de um deles e ofereci para Liam, que me olhava com os olhos molhados.
— Obrigado — ele pegou e então comeu.
Descasquei um para mim e também comi.
— Eu fiquei com medo, eu não quero ficar sozinho — Liam voltou a dizer baixo.
— Mas se sua mãe não estivesse aqui, você ainda teria o seu pai — digo.
— O meu pai não gosta de mim.
— É sério? O meu também vive me dizendo que eu sou um erro — murmurei.
Temos uma coisa em comum!
Mas não sei se é algo bom...
Liam não diz nada, apenas pega mais um amendoim.
Nós somos amigos agora, eu deveria agir como um bom amigo.
— Hum... mas mesmo se seus pais não estivessem mais aqui, você não estaria sozinho.
O baralho da casca se quebrando se parece com o som de um coração batendo.
Parece que eu só consigo ouvir isso pelo quarto
— Eu não tenho mais ninguém....
— Você tem a mim.
Estar ao lado do Liam faz eu me sentir confortável, é como se ele fosse me entender independente do que eu dissesse a ele, mesmo que tenhamos nos conhecido em tão pouco tempo, eu sinto como se fossemos amigos há muito mais tempo.
— Somos amigos agora e eu prometo ficar ao seu lado — digo — é uma promessa.
Liam me encara como se eu tivesse lhe dito a melhor coisa do mundo.
Ele chega mais perto, sinto meu coração acelerar e meu corpo ficar um pouco mole.
Então ele estica seu braço e pega mais um amendoim. Ele sorri.
Meu estômago está fazendo cócegas e minha garganta está seca.
Será que eu estou ficando doente?
— Então... já que somos amigos eu quero te dizer algo — Liam falou, descascando o amendoim em sua mão.
— O que é?
— Você é muito bobo por gostar tanto de batatinhas em conserva — ele falou e em seguida sorriu novamente.
— Você não gosta? Isso é um pecado! — eu acabei falando um pouco mais alto e alguém se mexeu na cama ao lado e Liam rapidamente tapou minha boca com sua mão.
— Xiii! — alguém resmungou do outro lado do quarto e engasgou com o próprio ronco.
Eu e Liam nos entreolhamos e seguramos o riso. Passei minha língua por sua mão que ainda estava cobrindo minha boca e roubei o amendoim que ele segurava.
— Ei, seu ladrão! — ele tirou a mão da minha boca.
— Isso é por falar mal de batatinhas em conserva.
— Você é o único do mundo inteiro que gosta desse tipo de coisa.
— Os meus amigos também gostam.
— Os seus amigos são idiotas.
Ficamos em silêncio.
— Você que é — sussurrei.
— Pelo menos eu sei tocar saxofone.
— Seu metido.
— Com muito orgulho! — Liam disse e nós dois começamos a rir.
— Cala a boca aí do outro lado...! — alguém murmurou.
— Eu posso perguntar uma coisa?
— Se eu gosto de chocolate? — Liam passou a mão por uma mecha do seu cabelo e eu não sei porquê, mas ele ficou... bonito? Fazendo isso.
— Não, bobo...
— O que é?
— O que foi que te disseram ontem? Sabe, por que o diretor te chamou?
Liam suspirou e desviou o olhar.
— É que... o meu gato morreu, a minha mãe me ligou para avisar porque eu gostava muito dele.
Liam pareceu ficar triste de novo, eu não deveria ter perguntado.
— Eu sinto muito — toquei o seu ombro na tentativa de confortá-lo um pouco.
— Ele deve estar em um lugar melhor agora — Liam diz.
— Tipo um céu para gatos — digo.
Liam olhou para mim e tapou a boca para rir.
— O que?
— Não existe céu para gatos, Theo.
— Como é que você pode saber?
— Eu apenas sei.
— Não sabe não.
— Eu sei sim.
— Não sabe nada.
Nós dois estávamos rindo de novo, na tentativa de ficarmos quietos acabávamos rindo ainda mais.
— Quando é que você vai começar a me dar as aulas? — eu perguntei, passando meu polegar no canto do lábio de Liam que estava sujo de amendoim.
Eu senti uma coisa esquisita quando meus dedos tocaram os lábios do Liam, naquele momento era como se seus lábios fossem os mais bonitos que eu já vi em toda a minha vida. Eu não sei o que pode ser isso, um ato repentino e sem planejamento causou isso em mim, uma coisa estranha no meu estômago e o coração acelerado.
— Eu acho melhor nós irmos dormir — Liam disse, ele está me olhando de uma forma como se tivesse sentindo o mesmo que eu.
— Eu também acho — digo, me afastando um pouco — amanhã nós vamos jogar futebol no campinho, você vem?
— Eu posso?
— É claro. Todos nós vamos, vai ser depois da aula — expliquei.
— Tudo bem.
— Então... boa noite, Liam.
Eu me levantei para voltar à minha cama.
— Boa noite, Theo.
Talvez eu precise ir a um médico, meu coração anda meio estranho.
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