↻Enfermaria

— Vinte e oito

— Não

— Vinte e nove?

— Não

— Então, trinta

Estou tentando adivinhar a idade do Theo, depois que dividimos o cookie ontem, ele parece um pouco menos grosseiro do que o normal. Pelo menos agora ele está falando um pouco mais comigo, mesmo que suas respostas ainda sejam curtas.

— Pareço ter trinta? — ele pergunta

— Não — respondo — vinte e um?

— Não

— Vinte e oito?

— Você só conhece esses números? — ele pergunta descendo de sua cama e indo até a grade onde estou

— Já sei, vinte e dois — tento esperançoso

— Vinte e três, Liam — ele diz finalmente

— Ah, foi quase — digo — Theo, por que não senta com a gente hoje no café?

— Não quero — disse olhando para a cela a nossa frente

Essa cela está vazia desde que cheguei aqui.

— Por que? Você sempre fica sozinho, não se sente triste? — eu pergunto

— Estou acostumado — disse — foi assim durante toda a minha vida

Isso soou um pouco deprimente, será que devo perguntar?

— Eu posso fazer uma pergunta?

— Já fez — ele diz e suspiro

— Você me entendeu… você… você morava sozinho? — pergunto, Theo olha para mim e depois desvia o olhar

— Sim — ele responde — a minha mãe morreu quando eu era pequeno, meu pai sumiu com sua amante e eu não tinha ninguém. Vivi em um abrigo até meus dezessete anos, quando saí eu não tive outra escolha a não ser esse caminho

Essa foi a coisa mais longa que ele disse desde que cheguei, isso é bom né?

— Não deve ter ser sido fácil — digo. Eu realmente não sei o que dizer, ele me pegou de surpresa, eu não esperava uma resposta tão longa

— Eu me acostumei, ficar sozinho nunca foi um problema pra mim

— As vezes ter alguém que você possa confiar é bom — dei um passo para frente e busquei pela mão de Theo, ele pareceu se assustar com isso mas não se afastou, apenas me encarou tentando entender o que eu estava fazendo — eu… eu sei que você não quer e nem precisa, mas caso mude de ideia você pode conversar comigo quando você não estiver bem ou… ou apenas quando quiser conversar

Eu fui muito sentimental?

Espero que não.

Antes que Theo dissesse algo, um policial apareceu destrancando nossa cela, Theo se afastou de meu toque e seguimos para o refeitório.

Eles podiam fazer uma combinação melhor dessas comidas, vitamina de abacate não combina com mingau de aveia.

— Recebeu os cookies? — Stiles pergunta assim que nos sentamos no refeitório

— Cara, como você conseguiu aquilo? — pergunto ao Stiles que sorri

— O Derek sempre pede alguns favores pra um guarda daqui, ele tem alguém lá fora que pode pagar. Então eu convenci o Derek de pedir isso pra ele — explica

— Não sabia que você e o Derek são amigos agora

— Não somos — ele diz

— E aí pessoal — Scott chega na mesa com sua bandeja

Isaac passa por nós e dá um sorriso fraco e se senta em uma mesa afastada.

— Por que ele não sentou com a gente? — pergunto e nós dois olhamos para Scott — o que você fez?

— Por que acha que eu tenho alguma coisa com isso? — Scott pergunta

— Porque você tem — Stiles afirma

— Eu não sei porque ele está bravo comigo — Scott parece preocupado

— Você fez alguma coisa? — pergunto e ele coça a nuca e depois nos encara com um sorriso de quem fez besteira

— Meio que rolou um clima ontem e a gente se beijou, mas eu não sabia como agir depois e eu acho que fui grosseiro com ele — ele confessa

— Vocês se beijaram? Isso é tão empolgante — digo entusiasmado

— Foi bom, mas eu me sinto um pouco confuso — diz

— Transa com ele, isso sempre resolve — Stiles sugere

— Cala a boca, Stiles — digo — conversa com ele, não deixa esse beijo estragar a amizade de vocês

— Como eu faço isso?

— Só fala com ele, não é tão complicado assim — foi a vez de Stiles

— E se ele continuar bravo? — disse receoso

— Aí você tá fodido — Stiles deu dois tapinhas no ombro da Scott

— Ele vai te ouvir, só começa pedindo desculpas — digo e ele dá um pequeno sorriso

Termino de comer e me levanto para levar minha bandeja, no caminho de volta vejo Theo conversando com Parrish de novo, o que será que esses dois tanto falam? Será que isso tem relação ao lance do Isaac?

Por estar distraído, acabo esbarrando em um cara sem querer.

— Foi mal — digo, vendo o homem me olhar furioso

— Qual é a sua, baixinho? — arregalo os olhos quando ele vem pra cima de mim, dou dois passos para trás rapidamente e ele erra o soco que ia acertar em mim

— Calma aí foi sem querer, eu não quis esbarrar em você — me explico

É sério que um cara duas vezes maior do que eu, quer me bater porque acidentalmente eu esbarrei nele?

— Sem querer o caralho — ele aumentou seu tom de voz, e em questão de segundos vi o refeitório todo nos olhando

— Relaxa aí Careca, também não é pra tanto — digo, e claramente ele não gostou do apelido carinhoso que lhe dei, pois me acertou um soco no meio da cara

Tudo ao meu redor pareceu girar, dei um passo para trás um pouco desnorteado e por um instante esqueci o nome.

— Você não tem medo da morte mesmo, né Hércules? — ouvi Theo dizer antes de acertar um soco na cara do homem em minha frente

Quando volto para a realidade, vejo que Scott, Stiles e Isaac estão ao meu lado perguntando se eu estou bem, os presidiários ao nosso redor gritam incentivando a briga, onde Theo está apanhando.

— Scott, Scott ajuda ele — eu digo desesperado

Theo está apanhando por minha causa.

Tento ir até o Theo mas sou impedido pelos meninos.

— Liam, você está sangrando — Isaac falou

O olhei confuso e senti algo escorrer pelos meus lábios, assim que toquei e olhei para a minha mão vi ela suja de sangue.

— I-Isso é sangue? — pergunto assustado

Vejo alguns policiais chegaram gritando e separando a briga, a última coisa que ouvi foi a voz de Scott.

— O Liam não pode ver sangue, ele sempre desmaia

De repente tudo ficou escuro.

[…]

Acordo com uma luz muito forte em meu rosto, abro os olhos devagar e percebo que não estou na cela. Olho em volta vendo que aqui tem várias camas e em uma das paredes está escrito "Enfermaria".

Eu morri?

— Liam — ouço a voz de Theo e me sento na cama, sentindo minha cabeça doer — você está bem? — Theo está sentado na cama ao lado, quando olho para ele vejo seu rosto machucado

Ele tem um corte no lábio, um curativo perto da bochecha, seu olho está roxo e seu pescoço avermelhado.

— O que aconteceu?

— Você levou um soco, não se lembra? — perguntou

— Eu me lembro… espera, você tá bem? — me levanto da cama e quase perco o equilíbrio

— Aonde você vai? Volta pra sua cama — Theo se levanta também

Ele vem até mim e segura minha mão, me direcionando de volta para a cama.

— Minha cabeça dói — eu digo

— Quando você desmaiou você bateu a cabeça — Theo me olha com um semblante preocupado — a enfermeira vai cuidar disso

Theo estava prestes a voltar para a sua cama mas segurei seu braço e ele me olhou. Ainda sentado na cama me aproximo um pouco e o abraço, sinto seu corpo tenso e ele não se move.

— Obrigado por me defender — digo

— Não precisa agradecer — ele disse do seu jeito seco como sempre

— Só aceita o meu agradecimento, você se machucou por minha causa

Sinto seus braços se envolverem em volta de mim, ele me abraça de volta e sinto seu corpo relaxar aos poucos. Seu toque me fez ter arrepios, acho que bati com a cabeça muito forte, ele está mesmo acariciando minhas costas?

— Vejo que alguém acordou — ouvi uma voz feminina e Theo se afastou de mim rapidamente, voltando para a outra cama — como se sente, querido? — a moça veio até mim com um pequeno sorriso simpático

A julgar pela sua roupa, acredito que ela seja a enfermeira.

— A minha cabeça dói — digo

— Eu vou te dar um remedinho — ela deu um pequeno sorriso

— E quanto a ele? A senhora não vai dar um remédio pra ele? — perguntei me referindo ao Theo

— Eu já cuidei dos ferimentos dele, mas ele insistiu ficar até você acordar — ela diz

Olho para o Theo e sorrio.

Ele desvia o olhar mas vejo um pequeno sorriso em seus lábios.

Theo se faz de durão mas no fundo ele não é tão durão assim, ele até fez carinho quando o abracei.

Talvez eu tenha ganhado um novo amigo, mesmo que ele nunca admita.

..

Deixem o seu voto e comentem o que acharam


Vejo vocês no próximo capítulo, beijoss.💓

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