↻A solitária
Esse lugar é definitivamente o pior lugar do mundo.
As pessoas são ruins, a comida é estranha, os policiais são muito grosseiros e eu não tenho nada pra fazer.
Lá fora eu costumava ir para a casa do Scott quando não tinha trabalho a fazer, nós sempre estavamos aprontando alguma coisa.
Sinto falta da minha liberdade, as vezes fico imaginando como seria se eu não estivesse aqui, claro, eu ia estar na merda lá fora sem dinheiro, mas eu pelo menos estaria com a minha família e minha mãe não estaria me odiando.
Mas por outro lado, não foi tão ruim assim entrar aqui, aqui dentro eu conheci o Theo.
— A minha mãe veio me visitar — Scott falou assim que nos sentamos na mesa do refeitório com o nosso café da manhã
— É sério? O que ela disse? — pergunto
— Ela só não me deu uma surra porque aquele vidro a impediu
— Cara, sua mãe deve estar furiosa — Stiles diz
— A mãe do Scott é a mulher mais brava que eu já conheci — digo ao Isaac
— Ela disse que não vai me tirar daqui e eu só vou sair quando eu cumprir a minha pena — ele diz
— Ela está certa, ninguém mandou você roubar uma joalheria — Stiles diz simples
— E você é tão culpado quanto eu — Scott diz
— Eu não disse que não era — Stiles mostra a língua para Scott que faz o mesmo
— Essa é a mesa dos caras bonitos? — Jackson aparece atrás de nós com um sorriso largo
— E aí, cara — o cumprimento e ele se senta entre eu e Theo, vejo Theo largar sua colher e o encarar com um olhar furioso
— Posso falar com você, Liam? — Jackson olha para mim
— O que quer com ele? — Theo pergunta
— É que ele me pediu para-
— Ele conseguiu um cigarro pra mim — digo e eles me olham desconfiados
— E por que você tá fazendo tanto mistério por causa disso? — Scott pergunta
— Porque sim!… vem, Jackson — me levanto e puxo o loiro comigo para longe da mesa
— Fofo, se você quer mentir é melhor fazer isso direito, tava na cara que eles não acreditaram em você — Jackson diz
— Eu não sou muito bom com mentiras, eu não sabia o que dizer — digo — então, você conseguiu?
— Claro — ele olha em volta e chega um pouco mais perto — abre a mão
Faço o que o que ele me pediu e ele coloca o pacotinho da camisinha na minha mão.
— Use com moderação — ele sorri e sai andando
Aonde eu vou esconder isso?
Com a mão fechada eu volto para a mesa e vejo que Theo e os meninos estão conversando, é legal ver ele conversando com meus amigos, eles nunca conversam quando estão juntos.
Logo estávamos no banho de sol, estou empolgado para hoje a noite, quero fazer uma surpresa para o Theo, ele vai gostar de saber que consegui a camisinha.
Enquanto ando pelo pátio vejo alguns presidiários cochichando entre si, de repente um deles dá um soco na cara do outro, o homem revida acertando outro soco na cara dele e em questão de segundos haviam uns cinco presidiários brigando entre si.
Eu acho melhor eu sair daqui porque se não, vai acabar sobrando pra mim.
Merda.
Tarde demais.
Um deles esbarrou em mim e me olhou com um olhar matador enquanto eu o olhava assustado.
— É… foi mal? — digo e ele abre um sorriso amarelo antes de acertar um soco em meu rosto
Quase caí no chão com a força de seu soco e ele se aproveitou disso vindo pra cima de mim.
Eu não acredito que estou passando por isso de novo.
— Filho da puta — vejo Theo tirar o cara de cima de mim e socar a cara dele arrancando sangue do seu nariz — você tá bem? — ele me pergunta, mas antes que eu pudesse responder o mesmo cara que ele bateu a segundos atrás o puxou pelo ombro e deu um soco na cara do Theo
Theo revidou e os dois caíram no chão enquanto batiam um no outro, eu tento separar mas é inútil, enquanto isso os outros presidiários ainda brigam entre si tornando tudo a maior zona.
Logo alguns guardas vieram separar todos eles e agradeci por isso, eu não faço ideia do do que está acontecendo aqui. Me assusto quando de repente um dos presidiários dá um soco no meio das pernas de um guarda que tentava o segurar, o mesmo se encolhe pela dor e o presidiário começa a dar chutes nele.
Outro guarda chega e com a maior brutalidade acerta o homem com uma arma de choque, os outros guardas começam a ir pra cima dos presidiários e sinto um deles segurar meu braço com força.
— Vocês acham mesmo que somos burros né? Eu sei qual é o plano de vocês mas vocês não vão ter o que querem — o guarda diz segurando meu braço com muita força
— Eu não fiz nada, ele esbarrou em mim e- — ele não me deixou terminar de falar pois me jogou no chão com força e começou a vir pra cima de mim
— Fica longe dele! — Theo empurrou o policial e acertou um soco na boca dele
— Theo!! — eu gritei enquanto me levantava, o policial cuspiu o sangue da sua boca e tirou uma arma de choque da cintura
Ele começou a ir pro lado de Theo e me coloquei no meio para impedir isso. Theo rapidamente me jogou para longe e o guarda acertou um choque em sua barriga.
— Não! — eu corro até o Theo vendo ele cair no chão
— Se chegar mais perto eu mato ele — o policial disse me deixando ainda mais irritado
— Filho da puta! Ele não fez nada, por que você fez isso? — digo sentindo as lágrimas virem. Por que tenho que chorar justo agora?
— Você tem muita coragem mesmo, seu merdinha — o policial disse ríspido, antes de vir pra cima de mim e acertar meu rosto
A última coisa que me lembro é de ver tudo ficando escuro.
[…]
Acordo com uma luz forte em meu rosto, quando abri os olhos vi que eu estava na enfermaria, rapidamente eu me sentei na cama e comecei a procurar Theo com o olhar.
— Devagar, meu jovem, você pode se machucar — a mesma enfermaria de antes veio até mim
— A senhora sabe aonde está meu amigo? Ele já voltou pra cela? — pergunto
— Você está falando do mesmo que veio com você da última vez? Não trouxeram ele pra cá
— Pra onde levaram ele? Ele estava machucado — digo sentindo um nó em minha garganta
— Eu não sei, querido, mas fica calmo — ela toca o meu ombro e dá um sorriso doce para mim
— Ele apanhou por minha causa e eu não fiz nada — meus olhos se encheram de lágrimas — eu faço tudo errado, o Theo está sempre me ajudando e eu estou sempre metendo ele em problemas. Eu sou um burro — comecei a chorar enquanto ela tentava me confortar fazendo carinho em meu ombro
— Ele é muito especial pra você né? — assenti com a cabeça enquanto limpava minhas lágrimas — ele deve estar bem, não se preocupe com isso.
— Mas se ele estava machucado por que não trouxeram ele pra cá?
— Olha, querido — ela suspira — esse lugar é um lugar sujo, poucos policiais aqui dentro fazem o seu trabalho corretamente, como o seu amigo se envolveu em uma briga e bateu em um policial, provavelmente ele está na solitária
— Mas deveriam cuidar dos machucados dele primeiro — eu digo — isso não é justo
— Infelizmente aqui é assim — ela diz — mas tenta descansar. Você está com fome?
— Um pouco — digo
— Eu vou buscar comida pra você — ela estava prestes a sair mas parou de andar e voltou até mim — isso estava com você quando chegou — ela olha ao redor e me entrega a camisinha que Jackson me deu, sinto minhas bochechas esquentarem e ela dá um sorriso doce como sempre
Ela sai da sala e me deixa sozinho, daqui consigo ver um policial vigiando lá fora.
A senhora voltou com uma marmita para mim mas não consegui comer nem a metade, não consigo parar de pensar no Theo, se acontecer alguma coisa com ele eu nunca vou me perdoar.
Logo eu estava de volta na cela, ficar aqui sem ele é ruim, esse lugar me dá medo mas com ele eu me sinto protegido. Eu só queria que Theo estivesse aqui com sua cara fechada de sempre brigando comigo por alguma coisa boba
Ele foi pra solitária e não sei quando ele vai voltar, eu espero que ele esteja bem e volte logo pra cá, eu já estou sentindo saudades.
[…]
Assim que acordei eu fiquei esperando algum policial vir me buscar para o café, tentei perguntar pra um deles sobre onde Theo estava mas ele foi super grosseiro comigo.
— Você podia ser menos chato, as vezes — Stiles chega perto da mesa e hoje ele não está sozinho
— Não me provoca, Stilinski — o cara ao seu lado diz e Stiles sorri
— E aí, Liam, esse aqui é o Derek — Stiles se senta em minha frente enquanto Derek continua de pé
— Oi Derek — acenei para o mesmo que me olhou com uma cara fechada e depois voltou seu olhar para o Stiles
— Eu vou indo, sabe onde me encontrar
— É, eu sei — Stiles sorri para ele e o mesmo sai andando depois de acenar com a cabeça — ele não é simpático? — Stiles diz empolgado
— Super — digo
— Claro que eu não aceitei, você acha que eu sou o que? — Isaac chega perto da mesa junto com Scott
— Nós combinamos ajudar um ao outro — Scott diz a ele
— Você deveria dar um jeito nesse seu vício de merda, você vai acabar sozinho por causa disso — Isaac falou bravo e se sentou ao meu lado
— Tudo bem? — Stiles pergunta aos dois
— Tudo ótimo — Scott falou
— É, tudo ótimo — Isaac falou ríspido
— Ok… — Stiles dá atenção para a sua comida
— Isaac, você já foi pra solitária? — pergunto
— Não, mas dizem que lá é péssimo. Por que?
— O Theo foi pra lá ontem — todos eles olham para mim
— Como ele foi pra lá? — Scott pergunta
— Rolou uma briga ontem — respondo
— Ele estava envolvido? Como eu não vi isso? — Stiles pergunta
— Ele tentou me defender — digo
— Você também brigou? — Isaac perguntou confuso
— Aonde vocês estavam? — perguntei e eles se entreolharem
— Meio que eu estava em outro lugar… sabe, eu estava ocupado — Stiles diz
— Nós também — Scott diz — não estávamos ocupados juntos, mas estávamos ocupados na mesma hora
— Falem de uma vez — eu digo
— Eu estava com o Derek e esses dois estavam juntos atrás da arquibancada — Stiles diz e Scott dá um tapa na cabeça dele
— Vocês são ótimos amigos, enquanto estávamos apanhando vocês estavam se pegando — eu digo
— Não é bem assim — Scott diz
— Na verdade é sim — o loiro falou
— Eu espero que ele volte logo, ele estava machucado… será que vão cuidar dele lá?
— Eu acho difícil, lá não tem cama e muito menos comida, eles jogam os presidiários lá e deixam até quando quiserem — Isaac diz
— Agora eu me sinto ainda mais culpado — digo — ele só foi pra lá por minha causa
— Não fica assim, logo ele está de volta, eu tenho certeza — Scott disse confiante
— Espero que esteja certo.
[…]
Acabei de voltar do banho mas Theo ainda não está aqui.
Será que se eu me envolver em uma briga eu consigo ir pra solitária junto com o Theo?
Acho que é burrice.
Ele deve estar com fome, será que lá e frio?
Espero que ele não esteja com medo assim como eu estou agora.
Sinto uma lágrima correr por minha bochecha e em seguida várias delas começam a molhar meu rosto.
Eu faço tudo errado, por que eu tive que passar por ali justo naquela hora?
Eu sou um bobo que não sabe nem se defender sozinho, eu sou um imbecil, um idiota!!
Me assusto quando ouço a cela sendo destrancada, me levanto rapidamente da cama e acabo batendo a cabeça na beliche de cima.
— Aii! — levo minha mão até a cabeça e vejo o policial empurrar Theo para dentro da cela — Theo!! — eu corro para abraça-lo
— Você estava chorando? — Theo perguntou enquanto senti ele retribuir o abraço
— Eu pensei que não teria você de novo — confesso — me desculpa, Theo
— Pelo que? — ele separa o abraço para me olhar e vejo seu rosto machucado, ele limpa as minhas lágrimas com o polegar e faz carinho em minha bochecha
— Você foi pra solitária por minha causa
— Você não tem culpa, e agora está tudo bem — ele diz
— Você deveria me odiar — eu digo
— Mas eu odeio — olho para ele indignado e ele ri — você é um pé no saco, Dunbar
— Vai se foder — empurro seu ombro de leve enquanto rio — Você está bem mesmo?
— Sim, não foi nada demais, aqueles guardas de merda vão precisar de muito mais pra acabar comigo
— Ok, machão — levanto as mãos em forma de rendição
— Pelo jeito você tá ótimo, né? — ele pergunta
— Emocionalmente ou fisicamente? Emocionalmente eu nunca estive ótimo, mas tudo bem — digo — enfim, eu tenho uma surpresa pra você
— O que é?
— Se eu contar não vai mais ser surpresa — brinco e ele me puxa pela cintura me deixando surpreso
— Vai ter que me contar, Dunbar — senti meu corpo se arrepiar com sua voz perto do meu ouvido
— Então vamos fazer assim — levei meus braços em volta de sua nuca — eu ganho um beijo e em troca te conto qual é a surpresa — ele sorri de canto
— Só um? — sorrio enquanto ele se aproxima mais de mim até que nossos lábios se encontrem
Nós iniciamos um beijo calmo, é tão bom sentir seus lábios nos meus de novo, sua língua viajando por minha boca devagar, deixo ele ter controle sobre o beijo e vai ficando mais intenso.
— Vocês dois — um policial aparece na grade e Theo bufa irritado, o homem nos olha de cara feia e nos afastamos um do outro
Enquanto o guarda destranca a cela eu aproximo minha mão da do Theo e lhe passo a camisinha, ele olha para a sua mão e depois para mim com um sorriso pervertido.
— Depois do jantar nós podemos usar essa sua surpresa — ele diz mais baixo e em seguida pisca para mim
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