Capítulo 30

— Emily! — Roy grita ao pé da escada — Se você não descer agora mesmo chegaremos atrasados. — aproximo-me dele, contorno sua cintura com meus braços e inalo seu perfume maravilhoso — Confesso que não sentia falta desse estresse matinal.

— Eu vou lá em cima chama-la — passo por ele e subo o primeiro degrau.

— Não precisa, já estou aqui! — a pequena aparece no topo da escada carregando sua mochila de rodinha rosa, seguida por seu fiel escudeiro, mais conhecido como Cookie Carter.

— Pois se você demorasse mais um pouco ficaria em casa. — diz sério.

Ela ameaça voltar, mas Roy lhe lança um olhar firme.

— Brincadeirinha! — mostra os dentes e desce a escada.

Deposito um beijo em sua testa e recebo um abraço apertado.

— Tenha uma boa aula, querida! Amo você!

— Obrigada! Eu também amo você, Clarinha!

— Eu também tenho o direito de receber um beijo e um "eu te amo"? — meu esposo pergunta fazendo charme ao se aproximar, para em seguida beijar meus lábios.

— Homens apaixonados são tão fofos falando manso... — começo a rir quando Roy se afasta e encara a irmã com espanto — O quê? — se faz de desentendida — Não estávamos atrasados? Acho melhor irmos logo.

Dá de ombros e caminha até a porta. Toco seus ombros e dou um beijo em sua bochecha, segurando-me para não rir ainda mais.

— Bom trabalho, meu amor! — sussurro em seu ouvido — Eu te amo!

— Obrigado, minha linda! — responde ao se recompor — Até mais tarde. Fique bem! Ok? — assinto — Te amo!

Com a saída dos dois, tomo um café reforçado, faço meu devocional e por volta das onze, desço para correr. Há tempos não o fazia e isso era uma válvula de escape para mim.

No meio do caminho o celular toca desesperadamente. Paro próximo a uma fonte e sorrio ao ver a imagem da minha amiga na tela.

— Hey, Ash! — pergunto ofegante pela corrida.

— Oh, meu Deus! — exclama com espanto.

— O que foi? — fico em alerta.

— Não me diga que estou atrapalhando algo?! — suspiro aliviada e ao mesmo tempo sinto as bochechas esquentarem.

— Faça-me o favor, Ash!

— Eu ligo para uma recém-casada que atende toda ofegante. Quer que eu pense o quê? — ri do outro lado da linha. Reviro os olhos.

— A que devo a honra? — mudo de assunto.

— Até parece que você não conhece a sua melhor amiga! Estou há dez dias me controlando para não te ligar.

— Hum... — sorrio ao perceber onde a senhorita curiosa quer chegar.

— Como assim "hum"? — pergunta irritada — Vamos! Desembucha mulher!

Começo a rir.

— O que te faz pensar que irei compartilhar nossa intimidade com você, Ash? — brinco com a água gelada da fonte.

— Eu sou sua melhor amiga! Melhores amigas fazem isso.

— Sinto em te desapontar, mas não abrirei a boca! É algo muito intimo e maravilhoso... — dou um sorriso apaixonado ao me recordar da nossa lua de mel.

— AHHHHHH!!!! Já está contando! — vibra do outro lado — Fala mais! Você sentiu muita dor.

— Claro que sim! Não é como nos filmes ou livros onde as mulheres morrem de prazer em sua primeira vez. Está bem longe disso. — minha voz sai um pouco aguda na última frase.

— É, comigo não foi diferente. — suspira — Mas é algo maravilhoso, não é?

— Sim! — volto a abrir o sorriso apaixonado — Melhor ainda é saber que estamos fazendo isso debaixo da benção do Senhor.

— Imagino! Não tem sido fácil me guardar para o casamento, mas graças a Deus estamos conseguindo. Não ser mais virgem torna a situação muito mais difícil. Pelo menos para mim — sua voz agora é séria.

— Vocês precisam vigiar o dobro, amiga! O bom é que o seu namorado tem se guardado desde o início. Imagine se o Evs estivesse na mesma situação que você. Isso sim seria muito mais difícil. — ponderei com a testa franzida — Enfim.

— Verdade! — diz voltando ao jeito Ashley de ser — Mas o importante é que você está bem, feliz, realizada e tem um homem incrível para chamar de marido!

— É para glorificar de pé, igreja! — rimos juntas.

— Bom, eu te liguei mais para saber como estavam as coisas e para dizer que já estou com saudades. Ainda não acredito que voltei para os Estados Unidos. — aposto que ela está com um bico enorme no rosto.

— Só para saber. A sua saudade seria da sua amiga ou de Paris? 

— Você acha que eu sou uma insensível, Ana Clara Bianchi? Quer dizer, Ana Clara Carte. — conserta-se rapidamente — Nossa que chique!

— É para falar a verdade, Ashley Jones, futura senhora Taylor? — pergunto entre risos.

— Tenha um ótimo dia! Preciso ir para o trabalho agora. Beijinho! — desliga a ligação em minha cara.

— Viu! Um poço de sensibilidade! — comento para mim mesma. 

***

Chego ao studio de ballet Laviolette às quatro em ponto, horário em que acabava a aula da pequena. Entro no local e vejo uma recepcionista novinha. Aparentava ter a idade da minha irmã, no máximo.

— Bon après-midi! — desejo-lhe boa tarde. Retiro os óculos e sorrio para a jovem — Me chamo Ana Clara. Vim buscar a Emily Carter.

— Salut! — saúda-me com um sorriso simpático — Elas sairão em breve. Fique à vontade.

Sento-me em uma das cadeiras da recepção. Automaticamente meus olhos analisam cada detalhe daquele lugar. A nostalgia toma conta de mim e eu mal percebo a aproximação de outra pessoa.

— Ana Clara? — ergo a cabeça e me deparo com uma mulher baixinha parada a minha frente, com um sorriso enorme no rosto, olhando-me atentamente. Pelo seu uniforme, deveria ser a professora da Emily. 

— Oi! — coloco-me de pé e assinto — Sou eu.

— É um prazer imenso finalmente conhece-la! A Emily fala muito sobre você. — ri delicadamente — Aliás, sou a Jeanne Laviolette, — estende-me a mão que agarro rapidamente — a professora dela.

— É um prazer conhece-la Jeanne! Confesso que fico um pouco surpresa, não imaginava que a Em fala sobre mim.

— Não fique! Ela diz para todos que você é uma excelente bailarina e que ama dançar com você.

— Ela fala isso? Sério? — questiono um pouco sem graça.

— Sim! Sua filha é um doce e sente muito orgulho de você. — inclina a cabeça para o lado e solta um suspiro. Arregalo os olhos — É tão lindo.

Agradeço a Deus pela chegada repentina de Emily junto com outras crianças. Ao me ver, ela se afasta das colegas e vem correndo me abraçar.

— Que bom que veio! — diz com o rosto enterrado em minha barriga.

— Achou mesmo que deixaria você voltar sozinha para casa, mocinha? — crispo em sua direção.

— Não! — ela ri bobamente. Era nítida a sua felicidade em me ver ali — É porque a vovó vinha me buscar. Ah! — vira-se para o grupo de meninas que já estavam próximas a nós — Você se lembra da vez que fomos fazer um piquenique perto da torre Eiffel?

— Lembro sim!

— Olha quem faz ballet aqui! — aponta para o grupo. Dentre as meninas vestidas de bailarinas, uma chamou minha atenção. Era a loirinha baixinha que a Emily conheceu na tarde do piquenique — Lembra da Mila?

— Olá, querida! Como vai? — cumprimento-a assim que ela se aproxima e abraça a professora.

— Oi, tia Ana! Estou bem! Como estão você e o tio Roy?

— Estamos ótimos, obrigada! — Jeanne olha da menina para mim algumas vezes.

— Vejo que se conhecem. Bom, eu sou a tia desta baixinha adorável, tia de sangue. — acaricia o cabelo da loirinha.

— Tia! — resmunga.

A Jeanne pisca em cumplicidade para mim e eu dou uma leve risada.

— Bom, foi um prazer conhece-la, Jeanne. E foi um prazer revê-la, Mila! Agora precisamos ir.

— Digo o mesmo! — a professora dá um beijo na testa da minha cunhada antes de se afastar com a sobrinha em seu encalço.

— Isso foi interessante... — comento ao sairmos do studio.

— A Camille também faz aula aqui, mas ela não veio hoje. — olho de um lado para o outro antes de atravessar a rua com nossas mãos unidas.

— Qual delas é a Camille mesmo?

— A mais alta de todas. — Emily ri da minha pergunta.

— Ah sim! A menina que os pais são ateus. — ela assente com animação.

— Eu tenho falado de Jesus para ela. — olho para minha pequena com orgulho.

— E você tem feito muito bem! Tenho certeza que Ele, — aponto para o céu —assim como eu, está muito feliz por sua atitude, Em! — ela abre o mais doce dos sorrisos — O que acha de comermos macarons.

— OBA! — ela bate palminhas antes de segurar minha mão novamente.

Entramos em uma confeitaria ali perto. O lugar não estava tão cheio, mas também não estava vazio. Emily pergunta se pode sentar em uma cadeira enquanto eu faço os pedidos. Só permiti, pois era exatamente ao lado de onde eu estava.

Peço os macarons e outras gordices. Dois chocolates quentes e uma garrafa de água. Sempre sentia muita sede quando comia doces. Pago pelos pedidos e volto-me para o local em que a pequena está. Porém uma mesa, um pouco mais afastada de onde estávamos, chama minha atenção.

Dou algumas instruções para que Emily não falasse com estranhos. E caso alguém a incomodasse, era para ela gritar. Ela assente e eu sigo para a tal mesa. As três figuras riam com animação sem perceber minha presença. Limpo a garganta chamando a atenção de todas presente.

— Atrapalho? — pergunto com a cara mais lavada do mundo — Quanto tempo, senhoritas! — continuo após o silêncio se instalar.

— Ana Clara! — Kate é a primeira a se levantar — É verdade, já fazem algumas semanas.

A mais velha olha de relance para as demais antes de voltar sua atenção para mim.

— Já estávamos de saída...

— Oh! Não! Não! — sorrio cinicamente — Não irei atrapalhar a reunião de vocês! Não sou mal educada a este pondo. — lanço um olhar sugestivo às irmãs — Além do mais, estou aqui com minha cunhada. — aponto para Emily sem olhar para a mesma.

— Nós realmente estávamos de saída! — Lina se pronuncia pela primeira vez antes de se colocar de pé, quase derramando o restante do café em sua roupa.

— Nervosa, querida? — apoio uma de minhas mãos em seu ombro. A mesma nada diz, apenas me encara com os olhos fervilhando.

— Creio que ela não tem motivos para isso. — A mais velha responde sentando de volta na cadeira. Elizabeth permanecia calada fitando seu croissant.

— Sério? — coloco a mão no peito e dou uma risadinha — Então acho que me enganei. Me perdoe, senhorita Dixon — volto a ficar séria. Sem desviar meus olhos dos seus, pergunto — E como vão as coisas na Chanel? Conseguiu o que tanto queria?

— O-o que quer dizer? — gagueja um pouco.

— O cargo que você tanto queria. De estilista chefe responsável pelo setor de criação. Resumindo, o meu cargo. — tento não esboçar expressão alguma.

— Isso não é verdade! — óbvio que sua reação explosiva denuncia a veracidade da minha afirmação, como eu imaginava.

— Não precisa se exaltar. Tenho certeza absoluta que o que é seu está muito bem guardado e chegará em breve! — digo por fim — Se me dão licença, tenho uma menininha faminta para alimentar. — sorrio, dessa vez com sinceridade.

Não espero a resposta das três para me virar e seguir de volta à mesa onde Emily já devorava seus doces.

— Me perdoe, — comenta após engolir a comida em sua boca — ensaiar me dá fome.

— Tudo bem! — acaricio seu rostinho — Eu também demorei um pouquinho.

Ela inclina a cabeça e olha para algo atrás de mim.

— Quem são aquelas mulheres que não param de olhar para cá? — viro a cabeça e constato que as três fitavam nossa mesa com ódio.

— São apenas colegas de profissão. — volto a encará-la com um sorrio — Ninguém que mereça nossa atenção.

— Elas parecem estar com raiva. — bebe um pouco do chocolate quente.

— Talvez um pouquinho... — corto o assunto ao saborear o meu pedido e elogiá-lo. Emily logo se anima e entra na onda dizendo que os seus macarons estavam fantásticos.

>>>><<<<

Três capítulos seguidoooos! Acho que ninguém poderá reclamar caso eu fique alguns dias sem publicar kkkkkk Mudando de assunto, o que acharam da tia Jeanne? Ela é um amorzinho e tia de uma das amiguinhas da Em 🥰 E o que dizer sobre essas três peçonhentas? Prefiro até me calar 😪

Bom, por favor, não deixem de clicar na estrelinha para nos ajudar 🙏🏼

Att.
NAP 😘

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