Capítulo 21

Toc toc

Pulo assustada com as batidas na porta. Estava tão imersa em meus croquis que nem ao menos percebi o tempo passar, trazendo o anoitecer. Encosto-me na cadeira e olho em direção à entrada do quarto.

— Pode entrar.

A porta é aberta e a cabeça de Jones aparece apenas em uma fresta, sendo seguida pela da minha irmã.

— Atrapalhamos? — questiona a mais velha com um sorriso travesso no rosto.

— Claro que não! Entrem logo. — junto meu material de desenho e vou até a cama, onde ambas acabam de sentar. Retificando, onde Ashley acaba de sentar e Sofia, de se jogar.

— O que é? Não me olhe assim, tenho que aproveitar essa cama gigante enquanto ela não se torna o leito matrimonial dos pombinhos.

Sinto as bochechas arderem. Logo desvio o rosto para a área externa.

— Então, como foi a visita a casa dos pais da Lau e do Davs?

— Muito boa. A casa é linda e muito bem projetada, mas foi diferente sem você. — respondeu Ash com um pequeno bico.

— Eu precisava ficar aqui e me concentrar. Estou ficando desesperada com esse vestido. — digo frustrada, jogando-me ao lado da minha irmã — Faltam poucos dias e não consegui desenhar nada que tenha realmente me agradado. Por que eu não era que nem as outras garotas que planejavam o casamento desde pequeninhas?

— Como eu! — Sofi diz se divertindo as minhas custas.

— E eu! — minha amiga balança uma das mãos no ar, mas um sorriso compreensivo toma conta de seu rosto.

— Assim vocês não estão ajudando em nada! — resmungo jogando um travesseiro em Ash — De qualquer forma, amanhã irei a alguma loja de noiva, estou mais que atrasada com isso.

— Onde está a sua fé, mulher? — um travesseiro atinge minha cara — Esqueceu que o nosso Deus provê todas as coisas no tempo certo?

Ashley levanta e sai do quarto sem dizer nada. Olho para minha irmã que desvia o olhar e pega meu celular.

— O que deu nela? — pergunto, mas minha resposta chega com a volta da minha amiga segurando uma grande caixa branca em suas mãos — O que é isso? — sento-me desconfiada, enquanto Ashley me entrega a caixa.

— Espero que goste! Fizemos com muito carinho, e eu particularmente orei bastante para que te agradasse. — sorri tímida sentando ao meu lado.

— Meu Deus! — digo incrédula antes mesmo de abrir a caixa, já imaginando do que se tratava.

Desfaço o laço e arranco a tampa sem delicadeza alguma. Meus olhos se enchem de lágrimas, imediatamente, ao contemplar um amontoado de tecido branco. Com mais cuidado, retiro o maravilhoso vestido de noiva, todo trabalhado em tule point sprit, assim como o meu vestido de noivado. Entretanto, na cor branca.

O corpete, com um pequeno decote em V, é justo até abaixo dos seios, onde o caimento vai soltando, dando um ar leve e delicado ao vestido. As mangas nem tão justas, nem tão largas fazem do vestido uma peça ainda mais encantadora. Ele é perfeito e exatamente como eu desejava, mesmo sem saber ao certo.

— Não acredito que você fez isso! — minha voz sai embargada — Ele é perfeito! Olhando para ele, é como se eu estivesse diante do vestido dos meus sonhos de garota. Isso é incrivelmente estranho e maravilhoso!

— A inspiração veio do alto, daquele que conhece o seu coração, minha amiga! E eu não fiz sozinha, tive uma ajuda muito especial! — Ash sorri.

Olha para a minha irmã e eu crispo os olhos em sua direção, Sofi não entende absolutamente nada sobre moda. Mas logo percebo que a mesma segura o meu celular em suas mãos, apontando a câmera para mim. As duas sorriem cumplice e Sofi me entrega o aparelho.

— Olá, Ana Clara! Fico feliz que tenha gostado. — Megan sorri, girando uma caneta entre os dedos, do outro lado da tela.

Nego com a cabeça e olho da minha amiga para a minha antiga chefe, ainda desacreditada.

— Não sei nem o que dizer! Isso tudo é demais para mim... — Ash enxuga uma lágrima que rola em meu rosto e eu seguro sua mão — Obrigada! — olho de uma para outra novamente —Obrigada de todo o meu coração! Esse é o presente mais incrível que eu poderia receber. — Abraço minha amiga e sibilo mais um obrigada para Meg.

— Fiquei tão preocupada com a ideia de você não gostar... — afasto-me de Ash e a encaro horrorizada.

— Eu disse que ela iria gostar, Jones! Conheço os gostos da minha antiga funcionária e amiga. — Megan pisca para mim.

— Você virá no fim de semana, certo?

— Não perderia o seu casamento por nada, Ana! Aliás, espero encontrar um homem francês e me mudar para a Europa também, já não aguento mais esse lugar.

— Duvido que você deixaria seu trabalho em New York, Megan! — Ashley enfia o rosto na tela do celular — Isso é quase impossível de acontecer. A Carolina Herrera precisa de você, fofinha.

— Disse certo Jones, quase!

Nos falamos por mais alguns minutos, colocando o papo em dia e dando boas risadas, até Meg precisar desligar e voltar ao trabalho, afinal lá nos Estados Unidos ainda era cedo.

— Vocês duas são doidas, mas sinceramente, não sei o que faria se não tivessem feito esse vestido para mim.

— Deus conhece nossas necessidades, irmãzinha. Acho que ele viu o seu desespero lá do Céu e pensou, não estou com vontade de presenciar um chilique da minha filha. — Sofi engrossa a voz.

— Cale a boca! — dou risada jogando nela minha almofada favorita que uso entre as pernas para dormir — Se tem alguém aqui que dá chilique e fica desespera à toa, esse alguém é você, Sofia Bianchi!

— Exato! E foi por isso que Ele decidiu me revelar o meu vestido de noiva quando eu ainda era adolescente. Pois se eu estivesse em seu lugar, não estaria tão calma — faz aspas no ar — como você estava.

— Tenho certeza que sim, sorella! — Ashley e eu rimos.

— Bom, irei para o quarto, preciso tomar um banho e capotar. Deixarei as duas irmãs aproveitarem o pouco tempo que têm.

— Que horror, Ash! — Sofi abraça minha cintura — Ela ainda vai me aturar por muitos e muitos anos!

— Se você diz... Boa noite! — dá de ombros e sai do quarto.

Levanto da cama, ponho o vestido em um cabide, para não amarrota-lo, e o penduro no closet. Volto para o quarto e vejo minha irmã fitando a sacada com um olhar perdido.

— Está tudo bem, sore? — sento ao seu lado novamente.

Ela desvia os olhos da paisagem noturna e me encara com um sorriso triste.

— Acho que a Ash tem razão.

— Sobre o que, Sofi? — franzo o cenho e ela suspira encostando em seguida a cabeça na cabeceira da cama.

— Sobre aproveitarmos o tempo que temos juntas. A tendência é que a gente fique cada vez mais distante. Se já era difícil nos vermos ou falarmos quando você morava nos EUA, imagine na Europa — ri sem humor — ficaremos anos e anos sem nos ver.

— Isso não é verdade! Podemos fazer diferente. — viro-me para ela e seguro suas mãos.

— Aninha, você sempre foi a pessoa mais responsável e comprometida que eu conheço. Seu trabalho ocupava a maior parte do seu tempo.

— Há alguns anos, talvez, mas agora as coisas estão um pouco diferentes. Ouso dizer que elas mudaram desde quando conheci o Roy e me voltei ao Senhor. — sorrio nostálgica.

— Você tem razão! O seu relacionamento com ele foi uma grande benção. Porém, agora você irá casar, e a sua nova família ocupara outra parte considerável do seu tempo. Você terá que cuidar não apenas de si mesma, mas do seu esposo e da Em. — assinto calada — E no futuro terão os pequenos Roys e pequenas Aninhas para limpar as fraldinhas sujas de cocô. — dou risada e ela me acompanha.

— Ok! Concordo com você em tudo o quer disse, porém, prometo que não será como antigamente, sorella! Eu preciso de vocês na minha vida, ativamente. As coisas serão diferentes.

— Tudo bem! — ela beija minha bochecha e apoia a cabeça em meu ombro.

Após alguns minutos em silêncio, uma ideia se passa pela minha mente.

— Sofi.

— Eu! — murmura sonolenta.

— O que você tem planejado para o futuro? — minha irmã se endireita ao meu lado. Coça os olhos antes de me olhar com receio — O que foi? Disse algo de errado?

— Não! — sacode uma das mãos em negação — É que... é que eu não faço ideia do que fazer da minha vida. Digo, profissionalmente. Ainda não consegui encontrar nada que eu realmente queira estudar. Já orei, mas Deus ainda não me deu uma direção.

— Compreendo! — acaricio seu cabelo e ela dá de ombros — O que você acha de orar para sair do Brasil?

— Como assim? — questiona incerta.

— Se mudar, conhecer uma nova cultura, pessoas diferentes, experimentar coisas novas... Sei lá! Venha para a França! — aperto suas mãos — More com a gente.

— NÃO! CLARO QUE NÃO! — ela dá uma gargalhada e eu reviro os olhos. No entanto logo o riso cessa, dando lugar aos pensamentos não compartilhados comigo — Mas talvez não seja uma má ideia me mudar para cá. — arregalo os olhos e um novo sorriso nasce em meus lábios — Mas não para morar na sua casa! Deus que me livre de morar com recém-casados.

Empurro-a e ela se levanta da cama rindo.

— Ore e pense com carinho, vai que essa seja a vontade do Pai para você.

— O farei. — deposita um beijo em minha testa e caminha para a porta — Boa noite, Aninha!

— Boa noite, sorella! Amo você! — digo observando minha irmã sair do quarto.

>>>><<<<

Olha quem voltoooou!!! 😬😬😬
O grande dia está chegando, já estou ficando nervosaaaaaa! Aiiii, Papai!! #respiraenaopira!!!

Não esqueçam de clicar na estrelinha 🌟

Att.
NAP 😘

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